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Vingadores # 12

Por Rafael 'Lupo' Monteiro, sobre um plot de Délio Freire

Business (Epílogo)

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Metrópolis, sede da Lexcorp. Sala de Lex Luthor. 08:15 da manhã.

— Bela vista! Daqui você consegue ver toda Metrópolis! — Tony Stark admirou-se com a imponência da sede da Lexcorp desde que chegou na cidade, e mostra-se ainda mais impressionado agora, ao conhecê-la por dentro.

— Obrigado! — responde Luthor — Essa cidade é a minha inspiração! Não há nada mais belo do que quando chega o fim do dia, e vejo o sol se pondo daqui de minha sala. Acredite, é um espetáculo belíssimo. Mas você também não deve ter do que reclamar. Conheço o lugar onde trabalha, na costa leste. É um local belíssimo!

— Com certeza, Luthor! A única coisa de que posso reclamar é do atraso de nosso sócio!

— Sim! Ah, Bruce Wayne! Até hoje me pergunto como consegue manter sua fortuna. Ele é um irresponsável, não devia ficar metendo o bedelho no mundo dos negócios! Nossa profissão é para adultos, e não para crianças mimadas!

Neste momento, a secretária de Luthor chama pelo intercomunicador.

— O senhor Wayne acaba de chegar.

— Já era hora! Mande-o entrar, por favor, senhorita Teschmacher.

Wayne entra na sala com um sorriso meio cínico no rosto, que contrasta com a expressão séria de Stark e a irritação de Luthor.

— Que caras são essas, meus amigos? Alguém morreu? — pergunta Wayne.

— Só a minha paciência — responde Luthor — Está exatamente 17 minutos atrasado.

— Perdão por fazê-los esperar tanto. É que tive um probleminha com o vôo de Gotham para cá.

— Sei! Essa cara de quem não dormiu parece corroborar sua história...

— Para que o mau humor? Qual o problema em se divertir um pouco? Acho que...

— Senhores! Que tal irmos direto ao ponto? — intervém Tony Stark.

— Mas sem nem ao menos algo para beber? Luthor, cadê sua hospitalidade?

— Desculpe-me, mas não acho apropriado o momento, e nem a hora para tal. — responde Luthor, já irritado — Se quiser, beba água!

— OK, OK. Então vamos aos negócios. — concorda Wayne.

— Senhores, estamos aqui para discutir a reconstrução de Poseidonis. — fala Stark — A ONU propôs que nossas empresas se reunissem em um pool para que executássemos tal tarefa. Em troca, dividiremos entre nós a empresa Oracle, que pertencia a Namor, e que hoje está confiscada.

— Correto! Tenho em mãos para os senhores um relatório do meu departamento jurídico, garantindo a legalidade da transferência de propriedade da Oracle para nós. — Luthor entrega uma pasta de cor preta a Stark, e outra semelhante a Wayne.

— Muito bem. E quem ficará com o quê da Oracle? — pergunta Wayne.

— A Lexcorp já se manifestou a favor de ficar com o setor de armamentos.

— Desculpe-me, Luthor, mas isso não está fechado. Toda a tecnologia de guerra aquática, inclusive os armamentos feitos para resistirem a pressão do fundo do mar, interessa também a Waynetech.

— A Stark Enterprises também possui interesse nisso. Acho difícil que apenas um de nós consiga exclusividade nesse ponto.

— Mas a exclusividade é essencial! — exalta-se Luthor.

— Já vi que o dia hoje vai ser longo! — Wayne põe a mão sobre a cabeça.

Cozinha do Inferno, Nova York. Apartamento de Matt Murdock. 08:23 da manhã.

Matt Murdock acorda depois de mais uma noite de pouco sono. Ele passou toda a madrugada combatendo o crime na pele do vigilante Demolidor. Por isso, acordou quase meia hora atrasado para ir ao trabalho em seu escritório de advocacia. Ele troca de roupa ao mesmo tempo em que esquenta seu leite e frita alguns ovos. Está vestido com uma camisa social branca desabotoada, uma gravata vermelha e uma cueca samba-canção cinza. De repente, é surpreendido por alguém que entra pela janela de seu apartamento.

— Natasha, eu reconheceria esse seu doce perfume mesmo se não tivesse meus supersentidos. Você é inconfundível!

— Obrigada, Matt. — responde Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra — Sabe, o fato de você ser cego nunca o fez se vestir tão mal como está agora.

— Não sabia que você era consultora de moda. — diz Matt, ironicamente — Desculpe a bagunça, mas é que hoje estou atrasado. A que devo a honra de sua visita?

— Matt, você me ama?

Matt Murdock fica em silêncio, sem saber o que fazer.

— Matt, o leite!

— O quê?

O leite fervendo vaza da caneca e entorna em todo o fogão, estragando também os ovos. Matt corre para limpar a bagunça, e acaba sujando a gravata neste ato.

— Parece que vou ter que trocar minha gravata. — ele fala, com um sorriso meio sem graça.

— Matt, você não respondeu minha pergunta. E acho que nem precisa...

Matt pára o que está fazendo, e dá um abraço em Natasha.

— O que te deu hoje? — ele pergunta, dando um beijo na testa da ruiva.

— Foi a traição de Namor... ele conviveu conosco por tanto tempo, como pôde ter feito isso?

— Infelizmente, a vida está cheia dessas surpresas. Temos que ter forças para superar esses momentos. E saiba que, sempre que precisar, estarei aqui para você!

— Obrigada, Matt. — os dois abraçam-se mais uma vez. Depois, já com um pequeno sorriso, Natasha diz:

— Agora vá trocar essa gravata enquanto faço um café da manhã decente para você.

Mansão dos Vingadores, Manhattan. Sala de treinos. 09:00 da manhã.

Depois de uma cansativa sessão de treinos e um bom banho, o Capitão América arruma-se para receber o agente do governo americano Henry Peter Gyrich. Assunto em pauta: a traição de Namor.

— Bom dia. — fala secamente o Capitão.

— Bom dia. Aqui está uma planilha de cortes de despesas dos Vingadores. Está na hora de vocês prepararem-se para uma nova realidade. — Gyrich joga uma pilha de papéis na mesa da sala de reuniões dos Vingadores, diante de um incrédulo Steve Rogers.

— Não havíamos falado nada sobre cortes de despesas.

— Eu sei. Mas o presidente não está mais disposto a gastar rios de dinheiro para sustentar superhumanos que estão sempre se mostrando instáveis demais para serem mantidos sob controle. Você sabe, quem não está com ele está contra ele...

— Isso é um absurdo! Não podemos ser julgados por causa do erro de apenas um de nós.

— Um erro?! Capitão, Namor traiu vocês! Ele planejou uma guerra contra o mundo debaixo de seus narizes, e vocês nem ao menos suspeitaram de algo! E não é só isso! Desde o episódio do petroleiro Mysteries, a imagem de vocês não está nada boa. Depois do caso Arjuna, a situação está praticamente insustentável.

— Ah, então é isso? A nossa imagem? — pergunta um desanimado Capitão América.

— Não. Trata-se da sua competência! Ou melhor, da falta dela! — responde Gyrich, fortemente — Adeqüem-se a sua nova realidade, isso é tudo o que posso falar.

Em silêncio, o Capitão América começa a analisar a papelada. Ele amarga em silêncio a revolta que sente contra o governo do país cujo sonho ele representa.

Mansão dos Vingadores, Manhattan. Saguão de entrada. 11:05 da manhã.

Supermoça e a Feiticeira Escarlate estão de malas prontas. Ambas estão nesse momento deixando os Vingadores. Acompanhando sua saída, está o sintozóide Visão. Metade de seu rosto está desfigurado, trazendo-lhe uma aparência sombria e que, de certa forma, faz com que os Vingadores sintam receio em lhe perguntar o que exatamente houve no calabouço e que tipo de curiosidades os cientistas tinham por ele. Com uma das mãos, Visão disfarça alguns sistemas e fios internos expostos em seu tórax.

— Vocês têm certeza de que desejam mesmo partir? Acho que neste momento temos mais a ganhar permanecendo unidos. — diz o ser artificial para as mulheres prestes a partir.

— Tenho que deixá-los agora. — responde Vanda, ex-esposa de Visão — Agatha me convocou ontem para uma peregrinação mística. Você sabe que ela é a minha instrutora e não posso recusar um pedido desses por parte dela.

— E você, senhorita Danvers? Está segura de ter tomado a decisão correta? — insiste o Visão, desta vez dirigindo-se a Supermoça.

— Obrigado pela preocupação, Visão. Mas depois do que Namor fez, não me sinto mais à vontade trabalhando em equipe. Na verdade, acho que nunca me senti...

— Compreendo. Vocês pareciam atraídos um pelo outro, imagino que para você a traição de Namor deve ter doído mais do que para nós.

— Visão, não seja indiscreto! — repreende Vanda, diante de uma Supermoça constrangida, que diz em seguida:

— Não, está tudo bem. Só peço que me entendam.

— Bem, as portas dos Vingadores sempre estarão abertas para você.

A seguir, as duas mulheres deixam a mansão. Vanda diz para a Supermoça:

— Espero que, apesar de tudo, você guarde boas lembranças nossas.

— Bom, Vanda, com certeza posso dizer que a minha passagem pelos Vingadores foi inesquecível! Boa sorte em sua nova empreitada!

— Obrigada, querida! Boa sorte para você também!

Com um abraço, ambas se despedem.

Casa do Homem-Animal. Meio-dia e trinta.

Hora do almoço. Toda a família de Buddy Baker está reunida. Na mesa, apenas pratos vegetarianos, e um silêncio ligeiramente constrangedor.

— Algum problema? — pergunta Buddy.

— Você já viu que todas as contas deste mês estão atrasadas? — responde Ellen, sua esposa. As crianças comem distraidamente enquanto ambos discutem.

— Ah, já vi sim. É que ando meio sem tempo para ir ao banco. Mas hoje à tarde devo ir. Isso se não tiver que salvar o mundo. — diz Buddy, com um meio sorriso, tentando tornar o ambiente menos pesado.

— Acho que você anda salvando o mundo demais. — retruca sua esposa.

— Que mau humor é esse, gente? Esse é um almoço em família!

— Ah, então você ainda lembra que tem uma?

— Querida, que tipo de insinuação você está querendo fazer?

— Que você tem mais tempo pros seus colegas de colante do que para a família! Quando você entrou para a Liga eu fiquei feliz, afinal você estava realizando um sonho. Mas agora já está mais do que na hora de você crescer!

— Mas querida, o mundo precisa de mim!

Não precisa, não! — ela grita — Buddy, quem precisa de você somos nós!

— Você está querendo me dizer para sair dos Vingadores?

— Entenda como quiser! Você passa a maior parte do tempo com eles, se esquece de nós, se esquece que tem contas pra pagar. Já deu uma olhada no seu saldo bancário?

— Gyrich anda teimando em conter as despesas dos Vingadores e nós... bem... entenda que isso é temporário, eu...

— Temporário, nada! Está na hora de você decidir o que é realmente importante pra sua vida! E tem outra, cansei de comer mato todo dia! Vou para uma churrascaria! — fala Ellen, só para implicar com o marido.

Ela sai da mesa jogando os talheres em cima do prato. Buddy Baker fica embasbacado, pego totalmente desprevenido. Seus filhos já haviam parado de comer e o olham fixamente.

— Vocês acham que sua mãe está certa? — pergunta a seus filhos. A única resposta que obtém é o silencio.

Mansão dos Vingadores, Manhattan. Sala de reuniões. 07:20 da noite.

Os Vingadores estão reunidos com o Homem de Ferro. Capitão América, Visão, Gavião Arqueiro e Thor ouvem atentamente o companheiro explicar o que foi decidido na reunião de Anthony Stark com Bruce Wayne e Lex Luthor pela manhã.

— Batman já havia me alertado do verdadeiro império financeiro que Namor possuía. Os negócios iam desde ligações com a indústria de armamentos, passando por megaespeculações em diversas bolsas de valores ao redor do mundo, indo até a venda de drogas como ópio.

— Se você já tinha idéia do que vinha acontecendo, por que não nos avisou? — pergunta o Capitão América.

— Não tínhamos uma idéia do todo. Ao que parece, Batman notou que havia algo errado, mas não sabia exatamente o quê.

— Além do mais, o Batman não é uma das pessoas mais confiáveis. Ele na verdade me assusta. — intervém o Gavião Arqueiro, mal saído do hospital e mostrando grande entusiasmo ao retornar aos Vingadores.

— Não é bem assim. — responde o Capitão — É verdade que ele tem um jeito... peculiar... de ser... mas é membro da Liga da Justiça, e sempre se mostrou confiável quando precisamos da ajuda dele.

— O importante agora é reconstruirmos não só Poseidonis, mas também a nós mesmos. — diz o Visão — Perdemos hoje dois membros, e o Homem-Animal foi para casa sem dizer se voltaria. Creio que isto pede uma reformulação.

— Na verdade, acho que todos merecemos umas férias! — diz o Gavião Arqueiro.

— Agora falaste algo sábio, Clint. — afirma Thor, até então mostrando-se calado.

— Proponho então uma noitada pros Vingadores! Nós merecemos! — o Gavião já está empolgado com a idéia, e Thor o apóia. Infelizmente, seus amigos parecem não acompanhar o entusiasmo.

— Desculpem, mas tenho negócios a resolver. — fala o Homem de Ferro.

— E eu tenho relatórios a fazer para o governo. — afirma o Capitão.

— Eu prefiro ficar na mansão esta noite. — diz o Visão. — Mas desejo boa diversão a vocês.

Apartamento de Clint Barton, Nova York. 10:00 da noite.

Clint Barton, o Gavião Arqueiro, acaba de sair do banho. Enquanto se veste para sair para uma noitada, conversa com o amigo vingador Thor.

— Como tu demoraste no banho, homem. Parecias uma donzela a se banhar para encontrar o homem amado! — graceja o deus nórdico.

— Ah, é? — fala Clint, com um sorriso — Pois então vamos ver quem vai se dar bem com a mulherada hoje!

— Estás a provocar-me? Pois saibas que a minha fama de galanteador é conhecida por toda Asgard!

— Sei, sei! Pelo que eu saiba, vocês por lá só saem pra encher a cara e arrumar briga. Mulher que é bom, nada.

— Se intencionaste desafiar-me, saibas que conseguiste. Veremos qual de nós terá melhor sorte nesta noite.

Neste momento, Visão aparece no apartamento de Clint. Usando seus poderes, entra pela janela do quarto, que estava fechada, surpreendendo os colegas.

— Pô, Visão, quer matar a gente do coração? — pergunta Clint, recuperando o fôlego.

— Pensei que fosse um vilão a adentrar o recinto, e já preparava-me para iniciar uma batalha! — diz Thor.

— Desculpem-me, amigos. É que sei que hoje irão sair, e pensei que...

— Quer ir pra farra com a gente, né? — diz Clint, interrompendo o colega e abrindo os braços — Pode contar com muita diversão ao nosso lado.

— Faço minhas tuas palavras! — afirma Thor, também sorrindo.

— Obrigado. — responde o Visão — Mas o que acham de fazermos um programa diferente?


A seguir: Muita confusão acontecerá na cidade de Pequenópolis quando três visitantes inusitados aparecerem por lá. Não perca o próximo episódio: "O Arqueiro, o Trovão e o Robô"!



 
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