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Vingadores # 13

Por Rafael 'Lupo' Monteiro, sobre um plot de Délio Freire

O Arqueiro, o Trovão e o Robô

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Pequenópolis. Uma pacata cidade no interior dos Estados Unidos, cuja paz e tranqüilidade está para ser quebrada neste momento, quando três estranhos visitantes acabam de chegar.

Todos são membros dos Vingadores: Thor, Clint Barton (o Gavião Arqueiro) e Visão. Por sugestão deste último, eles resolveram tirar férias como civis no interior, sem usar os seus poderes, para descansar da tensão que envolve o supergrupo desde os incidentes do caso Arjuna. Os heróis disfarçados chegam na cidade logo de manhã cedo, e já chamam a atenção dos moradores quando entram em uma lanchonete.

— Dai-me um deste, estimado serviçal. — pede Thor, cujos modos só não são mais estranhos do que a fome voraz que possui.

— Senhor, já é o seu quinto milk-shake! Logo de manhã, não sei se fará bem ao senhor. — responde o atendente.

— Aprecio tua preocupação, mas nada tens a temer. Há horas nada como e passei a madrugada viajando junto a meus companheiros. — ele fala, dando uma grande abraço nos amigos, segurando um em cada braço. Clint faz uma cara mista de dor e vergonha, e o Visão mantém um aspecto sereno — Agora quero recuperar meu tempo perdido e sua bebida é uma das melhores não alcoólicas das quais tive o prazer de beber. Portanto, sirva-me mais uma!

— Ai... não acredito que estou aqui pagando este mico! Um deus nórdico que nunca tomou milk-shake na vida e eu tinha que estar do lado! — fala o Gavião Arqueiro, com a mão no rosto.

— Acalme-se, Clint Barton! — responde o Visão. Ele usa um indutor de imagens, que lhe dá aparência de um homem de meia-idade, de cabelos e olhos castanhos, e um bigode preto bastante cheio.

— Calma, nada! — Clint vira-se para o atendente — Obrigado, mas pode nos mandar a conta? Meu amigo aqui é estrangeiro, não está acostumado com a nossa comida!

— Ah, é por isso que ele fala engraçado? — pergunta o atendente, com um pequeno sorriso.

— Clint, estás a caçoar de mim. Qual o problema em beber esta delicia que é o milk-shake?

— O problema é que você já bebeu cinco deles, acho que já está bom.

— Está certo, pararei aqui. Mas traga-me a saideira, meu jovem.

Os três saem da lanchonete, Thor com dois grandes copos de plástico com milk-shake, que bebe ao mesmo tempo. Clint respira fundo, e diz:

— Nada como a ar puro do interior pra revigorar as nossas forças, hein, galera?

— Não sei, eu não respiro. — responde secamente o Visão.

— Deixa de ser chato! Melhor do que ficar em casa a base de café e TV. — responde Clint.

— Principalmente com bebidas tão saborosas como estas. — diz Thor, jogando no lixo os copos de plástico agora vazios, e limpando a boca com as costas da mão — Mas basta de bebidas amenas. Quando iremos beber de verdade?

— Porra, você não tem fundo, não? — espanta-se Clint, enquanto caminham pela praça no centro da cidade.

Toda a população parece estar olhando para eles, curiosos. Muitos saem à janela das casas para ver os estranhos visitantes, e aos poucos a notícia vai percorrendo a cidade. Enquanto isso, os Vingadores em férias vão visitando cada bar da cidade.

— Essa vodka é da boa! — fala Clint, bebendo mais uma dose. Ao fundo, a música "Piano Man", de Billy Joel, toca num volume baixo — Sabem quem foi que me ensinou a beber? Foi Natasha, antes de entrarmos pros Vingadores. Bons tempos...

— Está com saudade de ser criminoso? — pergunta o Visão, mais curioso do que espantado.

— Não... não foi isso que quis dizer... é que era uma época mais tranqüila, sabe? Sem muitas preocupações, entende? Só sair com a Natasha, cair na farra, essas coisas... — ao terminar, Clint bebe mais uma dose.

— Por Odin, esta bebida realmente agrada meu paladar. Mas conte-nos, como era a Natasha naqueles tempos? Hoje ela parece-me tão séria!

— Ah, você sabe, ela não era sisuda como hoje. Era boa de festa como ninguém... adorava beber... uma loucura de mulher... só de lembrar, já tô parecendo um adolescente... ela era muito gostosa! — Clint já começa a perder a conta do quanto bebeu.

De repente, um policial entra no bar. Com seu uniforme cinza e óculos escuros com lentes grandes, o rosto redondo, assim como seu abdômen, ele se dirige aos visitantes. Retira o chapéu, e deixa a mostra a careca parcial que possui.

— Com licença. — ele diz, já se sentando à mesa. Coçando o queixo, continua — Boa tarde! Eu sou o xerife Thompson, será que posso ter um minuto da atenção de vocês?

— Claro, xerife, fique a vontade! — diz Clint, sem desconfiar de nada, olhando para os amigos, que aprovam com a cabeça.

— Obrigado. Só vou fazer umas perguntinhas, OK? Quando foi que vocês chegaram na cidade? — pergunta o xerife.

— Hoje pela manhã. — responde o Visão.

— E o que fizeram desde então? Por que vieram pra cá?

— Só descansar um pouco no interior, seu xerife. Sabe, se afastar da vida da cidade grande. — diz Clint — Quer um gole? Essa vodka é da boa!

— Não, obrigado! Estou de serviço!

— Ah, qualé? Ninguém tá vendo mesmo... vamos, o que um xerife de uma cidadezinha como essa pode ter de trabalho? — ele fala com um sorriso, mas o xerife fecha a cara, dá um pigarro alto e continua.

— Pois é, justamente hoje estou tendo um trabalho do cão. — ele pega um lenço do bolso e enxuga a testa.

— Xerife, sugiro que o senhor vá direto ao ponto. — fala o Visão.

— Claro! Hoje uma menina daqui da cidade foi encontrada estuprada e morta e sua amiga está aos prantos desde a madrugada. Ela diz que foi atacada por três homens desconhecidos. — ele parece decidido, e as palavras saem quase em tom de desafio.

— Não acredito que estás a fazer tão leviana acusação contra homens nobres como nós. — Thor está revoltado com o que acabou de ouvir.

— Estou vendo a nobreza de vocês... bem no fundo desta garrafa! — ele aponta para a garrafa de vodka quase vazia em cima da mesa.

— Olha, xerife, pois eles estavam agora mesmo falando de uma tal gostosa e que estavam se sentindo mais revigorados do que nunca! — diz um garçom enxerido.

— Que absurdo! — grita Clint — Que história é essa de ficar nos acusando sem provas? Eu vou... eu vou... vomitar! — Clint, já passando mal de tanto beber, vomita no colo do xerife. Este, com o rosto vermelho de tanta raiva, se abaixa e tenta se limpar, mas acaba levando uma nova dose de vômito, desta vez na careca, logo escorrendo pelo seu uniforme. Clint tenta se desculpar — Foi mal, seu xerife... mal aí, eu não queria...

— Chega! — berra o xerife — Vão todos pro xadrez agora!

Neste instante, entram no bar dois policiais com algemas nas mãos. Thor recusa-se a ser algemado, e tenta fugir. Ao retirar a mão da frente de um dos policias, ele sem querer dá um encontrão no Visão, atingindo seu rosto.

Os Vingadores conseguem escapar da polícia, mas ao saírem do bar, encontram uma multidão enfurecida. Todos estão armados, e gritam coisas como "foram eles!", "assassinos malditos!" e "vamos capar os bastardos!"

Thor, num gesto automático, põe a mão na cintura para pegar seu martelo, mas nada encontra. Visão o recorda da promessa.

— Nada de poderes, esse foi nosso acordo!

— Mas Visão... estão querendo prender-nos!

— Vamos tentar solucionar este caso sem poderes. Foi o combinado!

— Fácil pra você dizer isso, não tem nada pra ser capado! — fala um indignado Clint. Mas o Visão não tem tempo pra responder, pois o primeiro tiro é disparado, e passa de raspão pela orelha do sintozóide.

— Visão, tu tens razão, utilizar-me-ei de métodos mais rústicos. — diz Thor, e dá um soco no primeiro que aparece na sua frente, jogando-lhe longe. Clint logo segue o exemplo do amigo, e começa a dar pancadas na multidão enlouquecida. Visão acaba entrando no jogo.

O xerife, ainda sujo, sai do bar e não acredita no que seus olhos vêem. A multidão literalmente voa pelos ares ao receber cada pancada dos forasteiros, e vai formando uma verdadeira pilha humana no centro da praça. Ao acabar, os heróis voltam-se para o xerife. Thor pega-o pelo colarinho, enquanto Clint grita:

— Como é, vai nos ouvir agora?

— Sim, sim! — choraminga o xerife — Só não me batam, por favor!

— Agora eu tô gostando de ver! — Clint parece se empolgar com a situação, mas o Visão intervém.

— Xerife, o senhor pode nos levar até a vítima sobrevivente?

— Claro... acompanhem-me, por favor.

O xerife leva os heróis até a delegacia. Lá, a garota, chamada Susan, está chorando mais uma vez. Os pais a acompanham, ainda revoltados.

— Esses são os safados que tentaram maltratar a minha filha, doutor? — pergunta a mãe, indignada.

— Ainda não sei. Acho que quem pode dizer é ela.

A garota tenta falar algo, mas sua mãe não deixa. O Visão, mais uma vez, procura o diálogo.

— Senhora, não fizemos mal algum a sua filha. Acho que se deixar ela falar, tudo será esclarecido.

— Mas ela falou que foram três forasteiros! Essa cidade não recebe tantos visitantes assim. — ela fala com raiva, abraçando sua filha, que está sentada numa cadeira junto à mesa do xerife. Este, mais calmo, apenas toma um café.

— Olha, não sei o que sua filha falou, mas nós não fizemos nada. Nunca a vi antes. — contemporiza Clint.

— Você está chamando minha filha de mentirosa?

— Calma, por favor. — diz friamente o Visão, de baixo de seu disfarce — Acho que tudo será esclarecido se deixarmos a garota falar.

— Não foram eles, mamãe. — diz Susan — Na verdade, não foram desconhecidos que fizeram isso.

— O que? — diz a mãe, espantada. Clint dá um pequeno sorriso, como quem diz "está vendo só?".

— Foi o Larry Dawson Júnior e alguns amigos da faculdade dele que fizeram isso. — Larry é filho de um dos maiores fazendeiros da região — O Larry veio pra cá nas férias, e resolveu dar uma festinha na fazenda dele. Só que a festinha na verdade era só uma desculpa para que eu e Lilian fossemos até lá para eles fazerem o que fizeram... eu estava com medo de dizer isso, mas não vou deixar ninguém preso no lugar daquele monstro!

— Sempre tem um filhinho de papai maldito na jogada! — exclama Clint.

O xerife imediatamente toma o depoimento da menina, e logo consegue um mandado de prisão contra Larry e seus amigos. Eles fazem uma visita aos garotos mais tarde, e os levam para a cadeia, onde passam a noite.

Já os três Vingadores resolvem voltar para casa. As férias acabaram em confusão, e eles decidem que o melhor a fazer é voltar pra Nova York. Todavia, antes de ir, Clint vai falar com Susan, escondido do Visão.

— Oi, garota! Eu sei que é difícil o que você está passando, mas qualquer problema é só ligar pra este número aqui. — ele escreve em um pequeno pedaço de papel o telefone da mansão dos Vingadores.

Ao chegar em Nova York, os três vão direto à mansão. Lá, encontram o Capitão América sentado em uma mesa, no meio de uma pilha gigantesca de papéis.

— Finalmente vocês chegaram! — diz o Capitão — Não agüento mais fazer tantas contas e assinar tantos papéis. Estou pensando em tirar uma folga e ir para o interior, o que vocês acham?

Os três rapidamente somem, sem nem ao menos disfarçar. Sem entender nada, o Capitão pensa:

"Será que foi algo que eu disse?"


No próximo número: O retorno definitivo do Homem de Ferro! Não perca!



 
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