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Wolverine # 05

Por Rafael Borges

Uma Questão de Vida e Morte

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Província de Saskatchewan, interior do Canadá:

O vento cortante se infiltra por entre as árvores do bosque que parece não ter fim a não ser as margens gélidas de um enorme lago congelado. Apesar das baixas temperaturas, a paisagem desta parte do país é admirável.

É justamente para afastar o frio intenso que ele busca lenha a essa hora da manhã. Manter a lareira acesa é a melhor forma de se conservar a vida nesta região.

Carregando em suas costas uma grande sacola cheia com os pedaços de madeira que cortou, ele é pego de surpresa pela figura esquelética que o atinge em cheio, vindo do alto das árvores.

— Eu sabia! — exclama o Sanguinário, uma criatura com características vampirescas que se tornou velho conhecido de Wolverine durante o tempo que passou em Madripoor. — Mais cedo ou mais tarde, você retornaria a essa região do Canadá! Foi só questão de aguardar desde nosso último encontro!

Assim que termina de se vangloriar, três lâminas afiadíssimas transpassam sua pele na altura do abdômen. O corte foi profundo, mas não foi um golpe fatal.

— Mexeu com o cara errado, xará! — retruca o baixinho invocado. Suas garras de metal refletem a luz do sol nascente de forma ameaçadora.

— Não! — Sanguinário perde a calma — Dessa vez, não te darei chance alguma!

Quando ele ataca novamente, sua mandíbula se abre de forma gigantesca, revelando as prezas salientes que utiliza para se alimentar de sangue humano.

Os dentes penetram profundamente no flanco direito, levando seu oponente ao chão. Com mordidas violentas, ele começa a alcançar os órgãos internos. Em poucos minutos, sua vítima pára de se debater e a neve alva que forrava o solo é maculado pela morte.

— Finalmente! — grita aos céus — Wolverine está morto!

Bervely Hills, Califórnia. A manhã seguinte:

— Nossa, Logan, querido! — exclama, ainda ofegante, Melanie Kane — Parece que o quarto todo tremeu!

A luxuosa suíte denota uma extravagância que apenas uma ascendente cantora pop poderia bancar. Neste tipo de carreira, entretanto, nem sempre o sucesso está diretamente ligado ao talento artístico. Interessa muito mais manter-se em evidência nas colunas de fofocas.

Não seria a primeira vez que Melanie se envolve com um mutante como forma de criar uma lucrativa polêmica em torno de sua imagem. Por outro lado, a garota é vacinada e maior de idade. Wolverine não vê nada de errado em estar com ela para afastar de sua mente os recentes incidentes em sua vida amorosa.

Para certificar-se de que seus sentidos não o estão enganando, Logan se levanta e atravessa o quarto até a sacada, que dá para o exuberante jardim.

— Não fui eu, gata! — afirma Wolverine, vestindo suas roupas. — Parece que alguém estacionou um bombardeiro Stealth no seu quintal.

— O que? — indaga a garota, levantando de sobressalto, mas sem esquecer-se de arrumar o penteado — Será que esses paparazzi não têm nenhum limite para invadir minha privacidade?

— Não é nada disso! — responde o mutante, sem paciência e preparando-se para saltar pela janela — Eu só conheço uma pessoa que anda por aí pilotando uma coisa dessas. E ela não viria até aqui se não tivesse uma treta das bravas.

— Ela?! — retruca Melanie — Já vai me trocar por outra?

Wolverine não dá atenção a suas palavras e pula. Quando ele chaga ao solo, uma garotinha de vestido cor-de-rosa e com graciosos cachinhos adornando seu cabelo louro já o aguarda em frente à aeronave.

— Logan, eu te lastleei até aqui! Plecisamos de sua ajuda! — a criança, que ainda troca os 'erres' por 'eles', chama-se de Elsie Dee. Na verdade, ela é um andróide criado por Pierce, um antigo integrante do Clube do Inferno, como parte de um plano para dar cabo da vida de Logan.

A idéia era fazer dela uma pequena — mas poderosa — bomba ambulante. Uma vez que a garotinha atraísse a atenção do mutante, ela explodiria. Mas Pierce não contava que sua criação acabaria adquirindo um intelecto de nível genial, o que acabou frustrando seus estratagemas.

— Calma, gatinha! — interrompe Wolverine.

— É o Albelt! — prossegue a criança, esbaforida — Eu o encontlei destluído pelto da cabana em que estamos molando no Canadá...

Ao entrar no jato, ele já podia sentir o cheiro de óleo de motor que escorre pela cabine de controle. No assento do co-piloto, com metade de seu corpo completamente destruída, encontra-se o andróide que um dia já foi uma cópia perfeita do x-man mais selvagem.

Albert também foi criado por Pierce, para acompanhar Elsie Dee e servir de isca para atrair Logan até a garota-bomba. Por um instante, a imagem de seu próprio rosto sem vida e com as vísceras expostas incomoda Wolverine. Mas ele logo se recompõe quando percebe como poderia ajudar.

— Elsie, esse é o seu dia de sorte! — explica o X-man, assumindo a poltrona do piloto — Eu conheço a pessoa certa pra dar uma recauchutada no seu amigo aí. E com essa banheira que você pilotou do Canadá até aqui, a gente chega na casa dele num instante.

Rapidamente, o Jato decola, abalando novamente as estruturas da mansão da jovem Melanie Kane, que fica para trás.

— A cada dia elas ficam mais jovens! — exclama a cantora, inconformada.

Eagle Plaza, Dallas. O lar do mutante conhecido como Forge. Algumas horas depois:

Ocupando os últimos três andares da luxuosa torre de vidro e aço, o apartamento de Forge, que ficou conhecido como o Ninho da Águia, é por si só um pólo de tecnologia comparável ao Vale do Silício. Algumas das maiores inovações tecnológicas dos últimos anos nasceram aqui e outras são tão avançadas que são utilizadas apenas em departamentos ultra-secretos da SHIELD.

Infelizmente, o local já foi o palco de inúmeros incidentes nos últimos anos, justamente devido à associação de Forge com os X-Men e a Shield. Fica claro que mais um desses incidentes vai abalar a tranqüilidade do edifício quando Wolverine e Albert atravessam a vidraça, caindo aceleradamente rumo ao concreto 15 andares abaixo.

— Morra! — grita o andróide, fora de si, enquanto golpeia o x-man.

Em plena queda, Wolverine consegue se desvencilhar de seu inusitado oponente. Ele usa suas garras para diminuir a velocidade, raspando-as contra as paredes do prédio. A estratégia funciona e ele chega ao chão sem grandes ferimentos. Albert, por outro lado, aterrissa ruidosamente, destruindo parte do asfalto da rua.

— Não adianta, Folge! — exclama Elsie Dee, observando a luta pela vidraça destruída na cobertura — Albelt está ignolando minhas tlansmissões!

— Eu avisei que isso poderia acontecer! — retruca o mutante inventor, sem se preocupar com os possíveis sentimentos da garotinha ao seu lado. Para ele, ela é apenas um aparelho eletrônico, como um televisor ou um projetor de holografias — O HD foi corrompido e a única forma de colocar aquele andróide para funcionar era resetando sua memória.

— Ele letolnou pala a sua ploglamação inicial. — completa a pequenina.

Sem se deixar abater pela queda ou pela preocupação de sua amiga, o andróide parte para um novo ataque. Ele crava suas garras no tórax de Logan, causando um ferimento que deveria ser mortal, mas serve apenas para imobilizar o velho canadense com fator de cura.

— Está quase terminado! — afirma Albert. Sua voz simula perfeitamente a de Logan — Logo, você estará morto e Elsie Dee não vai precisar acionar os explosivos de seu corpo! Nós viveremos felizes e eu poderei ser o novo Wolverine!

O X-man sente a pressão dos poderosos braços mecânicos de seu adversário.

— Xará, nunca pensei que eu fosse dizer isso... — sussurra o mutante, sem ar devido às perfurações em seus pulmões — Isso vai doer mais em mim do que em você!

Com os braços imobilizados, Wolverine desfere uma violenta cabeçada contra o crânio de Albert. Pierce utilizou materiais muito resistentes quando construiu seus andróides, mas nada que se compare a ossos revestidos de adamantium. O golpe abre um corte grande na testa do mutante e atinge o cérebro robótico de seu oponente, incapacitando-o imediatamente.

Albelt! — desespera-se Elsie Dee. Utilizando o elevador privativo da cobertura, ela e Forge chegaram ao térreo a tempo de presenciar o desfecho do combate.

— Pelo amor de Deus, Logan! — recrimina o inventor — Você só precisava manter o construto ocupado por alguns minutos. Nós já estávamos terminando o download do back-up da memória dele que ficou no Canadá!

Wolverine faz uma cara feia e arranca as garras do andróide de seu peito, antes de responder:

— Foi mal, xará! Tenho certeza de que você conseguiria manter a calma com um carinha rasgando tuas tripas. — alterando seu tom de voz, enquanto o fator de cura cuida de cicatrizar seus ferimentos, ele se dirige à garotinha — Me perdoa, Elsie Dee. Eu não queria matar seu amigo!

A pequena andróide volta sua face para o x-man. É de se espantar por não haver lágrimas escorrendo por seu rosto. Mas ela não é capaz de chorar, afinal, não é humana.

— Não tem ploblema, Logan! — responde a menina, já um pouco mais calma! — Meu soflimento é pela destluição do colpo de Albelt. Mas a alma dele soblevive nos alquivos de back-up. Ele lenacelá em uma folma mais elevada quando plovidencialmos um colpo novinho em folha.

— Era só o que me faltava! — surpreende-se Forge — Uma robozinha que acredita em reencarnação! Eu nunca vi nada mais ridículo na minha vida!

— Olha a boca, pele-vermelha! — Wolverine repreende o amigo, lembrando-o de sua origem indígena — Não é nada legal fazer pouco da crença dos outros! Além do mais, apesar de Elsie Dee ser uma andróide, ela já demonstrou que é muito mais humana do que muito marmanjo que eu conheci por aí.

Logan pega a garota em seu colo, afastando-a do cadáver de seu amigo.

— Você está certa, menina! — prossegue — o Forge aqui vai pagar pelo preconceito dele construindo um corpo tão bonito pro Albert que ele vai esquecer que um dia já teve a fuça desse velho canadense!

— Eu sabia que ia sobrar pra mim! — resmunga Forge, recolhendo alguns componentes que caíram do crânio artificial.

— Que bobeila, Logan! Eu gostava da cala do Albelt justamente polque me lemblava de você! — retruca Elsie Dee. Ela hesita por um momento, mas retorna para um dos poucos assuntos que confunde sua genial mente computadorizada — Você também acledita em uma alma imoltal? Acledita em vida após a molte, mesmo pala os seles olgânicos?

— Não acredito em reencarnação, se é isso que tu está perguntando. Mas eu já fiz muita coisa da qual me arrependo e sei que vou ter de pagar por elas quando bater as botas.

Tendo se afastado do local da luta e quase chegando à aeronave que vai levar a andróide de volta ao Canadá, Wolverine devolve a garotinha ao chão. Ele não gosta de discutir esses assuntos.

— Só tem uma coisa que me deixa tranqüilo, gatinha. — pondera, aliviado — Se existe um inferno do outro lado, ele está lotado de neguinho que eu mandei pra lá. E, quando chegar a minha hora, eles vão ter de me agüentar por toda a eternidade!


Na próxima edição: A história secreta de Linus Dorfman.


:: Notas do Autor

Elsie Dee e Albert foram criados por Larry Hama e Marc Silvestri. Sua primeira aparição foi publicada no Brasil pela Abril Jovem em setembro de 1994, na edição # 31 da série Wolverine. O plano de Pierce para assassinar Wolverine foi mostrado nas edições # 32 e 33, publicadas nos meses seguintes.

O título dessa edição é uma citação involuntária ao álbum "A Matter of Life and Death", da banda britânica de heavy metal Iron Maiden.



 
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