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Batman # 06

Por Leonardo Araújo

Contagem Regressiva
Parte I

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"Supercondutores, supercomputadores, geradores de grande potência... a lista é longa. Material caro, de difícil acesso. Vão precisar de muitos bons técnicos para operar isso tudo. Nada apontando que os Laboratórios B&C estejam fazendo algo errado, mas definitivamente estão fazendo algo caro e que precisa de muitos recursos tecnológicos, material de última geração." — reflete Batman, ao analisar o arquivo que Oráculo lhe passara tempos atrás. (*)

— Robin, Oráculo, estão me ouvindo?

Robin na escuta!

Oráculo também.

— O canal está seguro, Oráculo?

Sempre seguro. Pode falar.

— Quero atenção nos acontecimentos ligados a empresa B&C. As recentes atividades indicam que as instalações vão bem além de um moderno laboratório.

Algo mais específico? — pergunta Robin.

— Verifique se estão recebendo supercondutores e materiais caros, de alta tecnologia, contrabandeados. Verifiquem também como é feita a segurança local e quem são os principais diretores da empresa.

Momentos mais tarde, Alfred entra na caverna.

— Patrão, preparei algo para o senhor. — comenta Alfred, enquanto desce a escada que acessa a caverna.

— Deixe na mesa, por favor, Alfred. Assim que terminar aqui eu como.

— Que novo engenho é esse, senhor?

— Algo que poderá nos ser útil. Em um ambiente preparado adequadamente, com estes microfones ligados a um micro com o programa que desenvolvi instalado e com as características da voz do alvo, é possível escutar o que uma pessoa diz mesmo que haja mais 100 pessoas em volta dela conversando.

— Foi desenvolvido para algum fim imediato?

— Não. Aproveitei uma idéia de um artigo científico e resolvi testar. Poderá ser útil.

— Os técnicos da Waynetech certamente apreciariam ter um protótipo desses em mãos.

— No devido tempo, Alfred.

São pouco mais de 10:05 da manhã enquanto Batman faz alguns melhoramentos no computador auxiliar da caverna. A monitoração da comunicação da polícia e bombeiros do sistema de rastreio de informações, até este momento, não indica nada de extraordinário acontecendo. Algumas chamadas aos bombeiros e a polícia, mas sem grandes preocupações.

Parece que será um dia calmo. Engano.

Para facilitar suas ações, Batman programou o computador da caverna para processar as informações que lhe são transmitidas com um programa inteligente que prioriza as mensagens segundo a quantidade de órgãos ligados à segurança que é repassada. Tem várias sub-rotinas. Uma delas reconhece se as transmissões interceptadas foram levadas ao conhecimento do comissário, prefeito, governador a até da LJA. O "bip" que soa neste exato momento dentro da caverna indica que a mensagem a ser divulgada é muito importante. Uma voz distorcida computacionalmente informa:

Senhor prefeito. Se quiser ter uma cidade para governar após as 8 horas da manhã de amanhã o senhor deverá providenciar o deposito total de cem milhões de dólares nas diversas contas e bancos internacionais que relaciono no final desta mensagem. Exatamente no final do prazo concedido, se o dinheiro não estiver nas contas, Gotham explodirá. Qualquer tentativa de evacuar a cidade tomaremos como, digamos, uma ordem para detonar a bomba. Não tentem ser mais espertos do que nós, podemos ficar nervosos e, sem querer, explodir toda a cidade. O prazo é improrrogável e não haverá qualquer negociação. Você não está lidando com amadores. Espero ter sido bastante claro!"

— Oráculo...

Batman, já tentei rastrear e nem eu nem a polícia obtivemos sucesso. Demoraram a perceber que essa mensagem era uma gravação...

— Gravação? Então não estou ouvindo simultaneamente com o gabinete do prefeito.

Ela só foi repassada após quase cinco minutos depois de ser transmitida. Tentaram rastrear. Como eu estava dizendo, houve tentativa de se alongar a conversa para identificar a chamada, até perceberem que é uma gravação.

Batman se desloca para o computador principal. Vendo os dados checados, informa:

— Estou vendo que o secretário de segurança e o presidente da câmera de vereadores também receberam. Conseguiu isolar algum ruído de fundo, algum padrão diferenciado?

Ainda está em processamento. Até o momento, nada.

— A telefônica local: conseguiu entrar no sistema deles?

Há pouco mais de 30 segundos. Em alguns instantes teremos a informação.

— A freqüência reservada da polícia está transmitindo algo similar. Eles já pediram para os técnicos da telefônica local os últimos dez minutos de ligações recebidas do gabinete do prefeito, secretário de segurança e presidente da câmara.

Batman, más notícias.

— Já esperava. O que eles usam para camuflar as chamadas?

Uma central inteligente...

— Que salta de linha várias vezes durante a chamada.

Isso. Informarei a polícia.

— OK. Bárbara, trabalhe sobre os dados disponíveis. É pouco, mas é o que temos.

Verei se há algum padrão na forma que a central salta de linhas ou qualquer ligação possível entre as linhas.

10:50

Batman inicia uma cruzada no submundo de Gotham. Informantes são acionados e, principalmente, ouvidos por toda a cidade.

Bares, porto, casas de jogos, prostíbulos e onde mais pudesse ser obtida qualquer informação a respeito das bombas ou dos chantagistas, são verificados.

Um pouco de "pressão" sobre alguns "ratos" menores evidencia que nada sabem.

A constatação de uma operação bem feita é evidente. As pistas, se houverem, estão tão encobertas quanto o sol nessa nublada manhã na cidade.

12:35

No terraço do prédio da policia, Gordon e alguns policiais conversam tensamente.

— Comissário, acha que pode ser o Duas-Caras ou outro louco qualquer do Arkham?

— A possibilidade de criminosos conhecidos é ampla, mas não há nenhuma característica que nós aponte quem é. Maldição!

— Talvez o prazo de 22 horas indique...

— Sim, mas é pouco ainda.

Saindo das sombras, Batman caminha em direção a Gordon.

— Comissário, não consegui nenhuma novidade nos becos da cidade. Percebi que seus informantes tiveram desempenho parecido.

— Infelizmente. Os presos também não parecem saber de nada, Batman. Não esperava você durante o dia.

— Situações extremas requerem medidas e horários extremos. Vi que foi iniciada uma busca. Os bombeiros estão apoiando.

— Mas de forma discreta. Trouxemos todo o pessoal. Estamos trabalhando disfarçados. Escolas, hospitais, metrôs, são muitos os lugares possíveis da bomba estar. É como buscar uma agulha num palheiro. Nossas chances são pequenas.

— E a imprensa? — pergunta Batman.

— Lançamos uma nota de uma operação de "conscientização contra incêndios". Isso servirá de dissimulação caso algum jornalista note a movimentação.

Enquanto caminham, se afastando um pouco dos demais policiais, Gordon pergunta:

— Não leve a mal, Batman, mas não acha que devemos chamar ajuda externa?

— Esta é minha cidade, Jim. Se eu achasse que alguém pudesse nos ser útil, já teria convocado. Quem sugeriria? Flash, ou talvez Super-Homem...

— Os policiais estão tensos. Tento dar confiança a eles. Há pouco, uma lata de lixo estava fumaçando num armazém abandonado. Dentro da lixeira um lembrete: "22 horas". O papel se desmanchou pouco depois.

— Como foi feito?

— Quando o lixo foi aberto, um spray borrifou ácido sobre o papel. Estamos investigando o mecanismo de fumaça, do spray e até a lata, mas estou pessimista quanto a pistas.

— Jim, uma bomba capaz de explodir Gothan tem que ser nuclear; se for de origem terrestre. Cruze informações internacionais para verificar se há algum indício de desvio, roubo ou o que seja em relação a bombas nucleares. Farei o mesmo.

Gordon desvia seu olhar para os policiais que os observam:

— Gostaria de... sumiu. Como se fosse novidade! Mas em pleno dia?

13:03

Um novo telefonema dos terroristas é atendido no gabinete do prefeito. Um viva-voz é acionado para que todas as autoridades presentes na sala possam ouvir.

Há uma incrível movimentação da polícia e dos bombeiros neste momento, coisa anormal. Por que será? Espero que vocês não estejam perdendo tempo em nos localizar. O tempo que vocês têm deverá ser usado para conseguir o meu dinheiro. Ou será que devo explodir algumas pessoas para provar meu profissionalismo? É isso que querem?

— Não precisa disso, filho. Vamos...

O prefeito é interrompido.

O que eu preciso é do depósito do dinheiro, "papai"! — uma pausa de alguns segundos se segue. Então, a voz distorcida do outro lado da linha continua:

Para o bem da cidade, espero que estejam se empenhando em conseguí-lo tanto quanto em me achar. Não brinquem comigo ou pessoas começarão a morrer. A vida de cada cidadão desta cidade está nas suas mãos.

— É pouco tempo...

Senhor prefeito, me poupe deste papo melodramático. O prazo é mais do que suficiente. Caso não seja, os Estados Unidos terão uma nova cratera e eu terei o respeito para conseguir que cumpram meus prazos em... outra cidade.

O prefeito volta a interpelar:

— Não depende de mim. Eu não tenho como...

— Senhor, ele desligou! — informa um dos técnicos da polícia presente.

Um segundo telefone é entregue ao prefeito, um ramal direto com o comissário Gordon.

— Você pôde acompanhar tudo aí, comissário?

Perfeitamente.

— Conseguiu localizar o infeliz?

Prefeito, infelizmente o sistema dele é muito bom. Isolamos uma área de cobertura na qual a central está, mas é muito ampla ainda. Estamos processando os dados para tentar melhorar as informações.

— Comissário, esse terrorista maldito não está brincando. Temos de achá-lo. Não temos como pagar o resgate!

Eu sei, senhor prefeito. Se eu não conseguir localizá-lo, morrerei tentando.

O prefeito empalidece com esta última declaração e desliga o telefone.

14:00

"A central que está fazendo a cobertura está ligada ao troco G890.653B-14 da companhia telefônica local. Há muitos locais cobertos aqui. Bárbara fez um trabalho excepcional conseguindo isolar esta área. Ainda é muito grande, mas possível de ser vistoriada. Temos que eliminar as áreas pouco prováveis." — raciocina Batman, após a análise feita pelos computadores na caverna e por Oráculo.

O canal direto do comissário emite um sinal, prontamente atendido:

— Na escuta, Jim.

Você já deve estar a par das nossas últimas informações.

— Sim, estou. Lembra de sua sugestão de ajuda externa? Esse pessoal está nós observando. Se anteciparmos algum recurso antes do tempo, ele poderá notar e não teremos como os deter.

Você tem razão. Mas isso não é nada reconfortante.

— Já enviei um mapa mais restrito do que aquele que vocês obtiveram. Jim, concentre seus melhores homens na área que apontei. Muito cuidado com cada passo lá.

Estou olhando o mapa agora. — responde Gordon.

— Cruze os dados dos prováveis imóveis com os contratos de aluguel nos últimos meses. Busque no conselho imobiliário, prefeitura, junta comercial e onde mais pudermos obter tais dados.

Certo. É bem provável que esteja certo. A base da central não deve ser nenhum imóvel ocupado por morador local, ao menos as histórias de crimes assim apontam para imóveis alugados.

— Exato. Mas verifiquemos também recentes compras imobiliárias. Farei o mesmo e cruzaremos nossas listas. Lembre que uma central usa mais de uma linha. Normalmente de quatro para cima. Comece com os imóveis que se enquadrem em tal característica.

A hora que se segue é de muita movimentação tanto para os trabalhos de investigação com os dados disponíveis e levantados quanto para as equipes em ação nas ruas.

Dezenas de casas, apartamentos e outros imóveis são investigados discretamente pelos melhores policiais de Gotham. Batman também está em campo. Finalmente, às 15:05 dois jovens e promissores detetives localizam a central. Um golpe de muita sorte. Batman se desloca para o apartamento onde a central foi achada.

15:35

Um apartamento de três quartos, classe média, num prédio discreto de doze andares. A central está num dos quartos. Usa seis linhas. Tem um sistema elétrico de emergência a baterias. Um condicionador de ar mantém o ambiente em boas condições de operação, pois o micro operando junto à central tende a esquentar.

Parece que ela foi modificada, pois há placas instaladas que não são comuns ao fabricante, tampouco ao modelo. O "parece" se deve a um problema: ao invadir o apartamento, os policiais acionaram um sistema de defesa, destruindo a central e o micro.

Agentes especiais vasculham tudo, palmo a palmo, peça a peça, recolhendo o que possa dar uma indicação dos suspeitos. Batman acompanha a saída dos últimos agentes. A decepção em seu rosto é evidente.

"Um sistema de autodestruição." — pensa o morcego — "Como fomos amadores! Isso já está armado a algum tempo. Eles ameaçam explodir bombas isoladas, mas usaram ácido para destruir a central."

— Oráculo?

Pode falar, chefe.

— Abandone as busca sobre explosivos de alta estabilidade. Ou eles usam os explosivos instáveis ou só têm o artefato, ou artefatos, de grande poder de destruição. Não creio que deixariam de aproveitar a invasão deste apartamento para matar alguns policiais como aviso.

OK.

16:06

Novamente o viva-voz é acionado no gabinete do prefeito.

Prefeito, é só por interesse no meu dinheiro que não detono esta merda que vocês chamam de cidade. Porém, o que vocês fizeram com uma das minhas centrais merece uma punição! O que você acha que devo fazer, hein?

— Não tome nenhuma atitude precipitada. — pede o prefeito.

Atitude precipitada? — gritando — Acho que posso dizer que a polícia tomou uma atitude precipitada quando invadiu aquele apartamento. Acha que está brincando de gato e rato? Acha que está lidando com os delinqüentes do seu quintal? Seu prazo acaba de diminuir em duas horas.

— Não, por...

Às seis horas da manhã ou eu terei 100 milhões, ou o senhor governará uma cratera radioativa, Fui claro? — grita e desliga em seguida.

A conversa estava sendo escutada, atentamente, também na batcaverna.

— Jim, seus homens já devem ter informado que o telefonema foi novamente manipulado, exatamente como antes. — informa Batman.

Sim, eles têm outra central. Sabe-se lá quantas eles têm. — desabafa Gordon.

— Vamos fazer exatamente como da última vez. Isolamos a área, cruzamos os dados imobiliários e as equipes nas ruas nos informam quando acharem algo.

Desta vez não haverá erros.

— Para nosso bem, espero que não, velho amigo.

Oráculo informa que já está executando os procedimento feito anteriormente e já está obtendo os primeiros dados.

São 16:20 quando as algumas equipes nas ruas recebem os primeiros imóveis a serem vistoriados.

16:21

No escritório do comissário Gordon:

— Sei que está aqui, Batman. Esses anos me ensinaram algumas coisas.

— Não estava escondido de você, Jim. — responde Batman, de um canto escuro no ambiente.

— Alguma novidade? — pergunta Gordon.

— Não, mas acho que uma investigação paralela pode nos levar a fechar o cerco.

— O que está sugerindo?

— Verifique se houve casos recentes, últimas duas semanas, de pessoas se fazendo passar por concessionárias públicas ou empresas que prestam serviços a estas. Telefonia, água, esgoto, energia. Tudo.

— Acha que eles podem ter implantado as bombas dessa forma?

— É possível. Sorte é algo que não devemos contar, mas não podemos desprezar. Podemos ter alguma indicação. — argumenta Batman, com um ar preocupado.

— Meu pessoal já está verificando... Batman, achamos...

— Uma bomba no reservatório central de Gotham. Ouvi seu comunicador. Estou me dirigindo para lá.

Enquanto o homem-morcego percorre o céu da cidade em um helicóptero, o comissário entra em contato via rádio.

É sobre sua sugestão de investigação.

— O que conseguiu?

Apenas dois casos na última semana: roubo de fios e cabos. O outro caso foi de universitários querendo se divertir à custa de trotes. Se fizeram desta forma, não os percebemos.

— Jim, avise para os homens do esquadrão anti-bombas me aguardarem.

Eu já havia dado esta ordem.

No tempo que leva para percorrer a distância restante, a mente de Batman trabalha freneticamente em busca de conexões entre tudo que apareceu até o momento. Nada parece estabelecer um padrão ou indicar quem está por trás de tudo isso.

Ao chegar ao local, Batman verifica que há apenas dois técnicos do esquadrão dentro do reservatório, com equipamento de mergulho.

— Tenente, sei que Batman é peso-pesado, mas nós damos conta do recado!

— Quieto, garoto. Já tive oportunidade de ajudá-lo há uns dois anos...

— Numa série de bombas numa ponte na saída de Gotham! Verificaram se há câmeras ou qualquer forma de estarmos sendo percebidos? — interrompe Batman, abruptamente.

— Que susto! Sim, estamos livres para agir. — fala o mais novo, após se recuperar.

— O que temos aqui? — pergunta Batman.

— Uma bomba de explosivo sólido, baixo poder destrutivo, mas com uma carga biológica associada.

— Uma bomba biológica. A quantos metros de profundidade? E o dispositivo ignitor? — volta a questionar enquanto se livra da capa para poder mergulhar.

— Uns dois metros, no máximo, junto à parede do tanque.

Ao mergulhar, Batman investiga o mecanismo cuidadosamente. Implanta duas pequenas câmeras subaquáticas.

Ao emergir, monta o monitor que mostra a bomba.

— Ela é bem engenhosa. — afirma o tenente.

— Vamos inibir as correntes de ativação. — sugere o mais novo.

— Os mecanismos de disparo estão interligados. Ao desativar um... — adverte Batman.

— O outro explode. E essa fiação que vem até a superfície?

— Esse é nosso maior problema tenente. Um dispositivo de monitoramento. Se desativarmos a bomba com sucesso, eles saberão. — adverte Batman aos dois policiais.


Continua!


:: Notas do Autor

(*) Confira no especial Batman: Sombras de um Crime. voltar ao texto




 
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