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Batman # 08

Por Leonardo Araújo

Contagem Regressiva
Parte III

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24:34

Quando Allan Potter, o motorista do veículo, se recupera, nota que está em um ambiente escuro. Está abafado e úmido. Há água no chão metálico. Um pavor começa a lhe percorrer o corpo. Seu coração acelera, sua pressão cai, um gosto amargo lhe vem à boca e uma dor de cabeça se mostra perturbadora. Lembra-se, a seguir, que algo o atingiu na testa ao sair do Audi. Mesmo assim, o pavor lhe deixa pouco espaço para raciocinar.

— Socorro!! — grita, desesperado.

Uma voz, nitidamente emanada por alto-falantes, preenche o espaço à sua volta.

Pensei que teria de esperar toda à noite, sr. Potter. Que bom que resolveu colaborar mais cedo. — é Batman quem fala.

— Por favor, eu não suporto isso aqui. Quem é você? Me tira daqui!!

Não sabe quem sou? Tem certeza?

— Ba... Batman??

Vou facilitar para você, verme! Você está num contêiner, quase lacrado, a quinze metros de profundidade na baía de Gotham. Experimente a água a seus pés... é salgada. Não vá comer as baratas, elas são suas únicas companhias no momento.

— Eu... eu... falo, mas me tire daqui.

Você fala. Se eu gostar, penso na hipótese.

— Há uma bomba. Ela é nuclear. Nós ajudamos a levar as peças dela...

Peças? Ela estava desmontada?

— Sim, trazíamos por partes, agora me tira daqui....

Ainda não. Vocês a traziam como?

— Um médico... da Universidade de Gotham trazia as partes do leste europeu. Um mês para termos tudo. Nos pegávamos no depósito do hospital, no depósito de material de raios-x e tomografia... depois montávamos. Fred é quem entendia disso. Ele entende de bomba. Ele e o chefe... eu só o vi umas duas vezes lá no hospital.

Fred é Mark Fredericson Miller, um dos ocupantes do carro que Batman deteve.

Quem era o médico?

— Não sei, juro. Deixamos a bomba montada em uma casa abandonada. Não vimos quem pegou. É tudo por telefone, e-mail e correspondência, pelamordedeus... metiradaqui.... por favor...

Preciso de nomes. Como era o seu chefe?

— Ele usava muitas roupas, ficava no escuro, não falava com a gente. Não sei se é homem, mulher, branco, amarelo... não sei... já disse tudo... eu vou morrer aqui, não vou? Você quer me matar! A água, as paredes...

Allan desmaia com o pânico e a desesperança em ser resgatado.

Robin, pode tirar o contêiner do tanque de provas. Ele precisará de um médico. Não tenha pressa. — informa Batman pelo comunicador.

01:10

De volta à caverna, Bruce e Bárbara invadem diversos sistemas, buscando exaustivamente pelo material que foi encaminhado ao hospital universitário pelo porto ou pelo aeroporto. Invadem, inclusive, o banco de dados do hospital e fazem uma varredura. Uma cuidadosa seleção é feita para relacionar peças ou aparelhos de raio-x e tomógrafos. Após mais de uma hora de trabalho em conjunto, verificam um total de oito carregamentos relacionados no último mês, todos solicitados por um só médico: dr. Nelson C. McNiven.

— Rastreei as ligações, correio eletrônico, toda a comunicação do dr. McNiven. Informe-me assim que achar algo interessante. — solicita à Oráculo.

OK, chefe.

No minuto seguinte, o comunicador usado pelos membros da Liga de Justiça emite uma chamada.

Bruce...

— Clark. Pode falar agora?

Estava numa reunião que se estendeu muito. Clark Kent era indispensável nela, por isso o atraso desta chamada. Algo que eu possa ajudar?

— Temos uma grande emergência aqui em Gotham.

Sem dúvida. Se você está pedindo ajuda é porque é algo muito sério.

— Tudo indica que temos uma bomba nuclear plantada em algum ponto de Gotham.

Você quer que eu vá até aí? — pergunta Super-Homem, num tom preocupado.

— Devido ao alto grau de planejamento da operação, é muito provável que o terrorista tenha se precavido quanto a isso. Mas preciso que você se mantenha disponível até as cinco e meia de hoje. Caso algo lhe impossibilite, contate Wally.

Entendi. Tem certeza que não quer minha ajuda agora?

— Não é questão de orgulho, Clark. Você sabe disso. Minha cidade vem antes. Mas não acho prudente diante do que apuramos, ou melhor, do que não apuramos até o momento.

Por vezes discordamos de métodos, mas tenho plena confiança em seu trabalho. Estarei aí se precisar.

— Conto com isso.

03:12

"A segurança daqui é quase amadora. Os guardas do lado de fora têm um treinamento bastante deficiente. O sistema de vigilância eletrônico cobre uma boa área, mas é bastante limitado. Os poucos sensores são fáceis de serem burlados. Me lembrarei de Bruce Wayne oferecer serviços melhores a nossa universidade." — pensa o cavaleiro das trevas, ao invadir o Hospital Universitário de Gotham.

O primeiro lugar a ser visitado é o depósito de materiais. Os arquivos indicam ainda parte de dois aparelhos de raios-x como "aguardando instalação". Nenhum dos dois está onde deveriam.

Um encontro inesperado ocorre.

— Hum... podíamos formar uma bela dupla para invasões: a gata e o morcego!

Cabelos negros levemente ondulados caem por sobre os ombros, uma belíssima silhueta: pernas grossas, quadril largo sem exagero, cintura fina, seios firmes, uma boca muito bem desenhada, corpo em plena forma, dentre outros detalhes generosos. A Mulher-Gato aproxima-se do cavaleiro das trevas.

— Mulher-Gato! Há algo muito sério ocorrendo.

— Eu percebi a movimentação dos tiras. Estava só de passagem, visitando uma velha amiga, quando percebi você, e... não resistir em lhe encontrar. Se precisar de mim, sabe como me achar...

— Visitando uma amiga a essa hora? Espero que seja verdade. Não gostaria de ter problemas com você.

— Nem eu, Batman, acredite.

Selina parte tão furtivamente quando chegou. Batman não pode negar que há algo nela que o atrai. Mas ainda há muito a ser feito nesta madrugada antes de se preocupar com qualquer outra coisa.

Após um disfarce simplório de médico, com o crachá de Thomas Grayson, o detetive percorre os poucos ambientes onde deveriam estar os demais aparelhos solicitados pelo dr. Nelson C. McNiven. Apenas dois dos aparelhos se confirmam reais.

Alguns minutos mais tarde, já novamente usando seu traje habitual, Batman é informado por Oráculo sobre o que ela conseguiu em sua busca a respeito dos contatos do dr. McNiven.

Pegamos ele, Batman. Há muitas ligações para uma das centrais relacionadas que o terrorista usa.

— Um momento, Bárbara. Parece que há algo de errado no trigésimo-terceiro distrito de policia.

É uma fuga. Essa noite não está nada fácil.

Confusão e pânico se seguem enquanto a policia vasculha as redondezas atrás dos nove presos que fugiram. Carros são revistados, bem como bares e tudo que está aberto. Sete presos são recapturados.

03:57

"Malas prontas, alguns extratos de contas no exterior, alguns milhares de dólares em dinheiro... parece que o doutor ainda está ocupado." — constata Batman na residência do dr. McNiven. Um barulho de chave na porta. O doutor abre a porta principal. Tranca-a e, ao se virar, depara-se com Batman a menos de um metro a sua frente.

— O que pensa que faz aqui? — pergunta o medico, enquanto tenta driblar o medo e o nervosismo.

— Dr. McNiven, tenho muito pouco tempo, como você sabe. Comece a falar o que quero saber.

— Não sei do que você está falando. Por favor retire... — subitamente, seus pés saem do chão, enquanto ele é agarrado pelo colarinho e chocado violentamente contra a parede.

— Resposta errada. De novo!

— Eu já disse, não sei ... — a mesa da sala deixa de existir, ao menos como mesa. Batman arremessa o médico que cai sobre a mesa, a quebrando.

— Não sou conhecido pela minha paciência, "doutor". De novo!

— Ele me mata! Ahhh... — Batman quebra a mão do médico.

— Para ser morto, animal, — desfere um soco quebrando alguns dentes de McNiven — você precisa estar vivo. Eu não garanto isso nos próximos cinco minutos!

Apoiado na parede, pernas trêmulas e camisa empapada de sangue no colarinho, as coisas estão bem feias para o dr. McNiven.

— Eu não vou falar nada...

O médico nem sequer sabe como Batman acertou seu nariz. Uma dor aguda é acrescida as demais. Ele sabe que seu nariz está quebrado. O sangue jorra abundantemente na face. Batman o prende contra a parede, tapa-lhe a boca com uma das mãos.

— Sem a boca aberta, você sufocará em seu próprio sangue. Bata na parede caso queira um acordo antes de sufocar. — fala um enfurecido Batman.

Não se passam vinte segundos antes do médico começar a bater na parede.

— Que pena. Eu estava começando a gostar. — afirma Batman, ao destapar sua boca — Não me esconda nada. Não vai lhe fazer bem.

— São duas, duas bombas. Uma é bacteriológica; do tipo que se dissemina fácil pela água. A outra é nuclear. A primeira está ajustada para meia hora após o prazo final e a segunda para duas horas depois.

— Local?

— Não sei! Juro.

— Você ficará numa cela durante algum tempo, aqui em Gotham. Tempo mais do que suficiente para participar da explosão da cidade, caso não tenhamos sucesso. Tem certeza que não sabe onde estão?

— Sim... não tenho idéia.

— E o dinheiro? Você sacou?

— Não, recebi quando fui contatado no hotel Pirâmide, num simpósio médico. Um homem alto, cabelos negros, forte, uns 30 anos. O sotaque não era de Gotham. Pagou-me em dinheiro pouco após o acordo.

— Você não entendeu. Sua única chance de sobreviver é se eu encontrar essa bomba. Portanto, me diga tudo que sabe. — adverte o detetive.

Batman se afasta um pouco e se comunica com Oráculo.

— Oráculo, já está levantando os dados do dr. McNiven?

— Sim.

— Procure nos hotéis clientes que não tenham crescido em Gotham. Cruze com os dados de empresas aéreas comerciais e de aluguel de jatos. Verifique também os aviões particulares que tem permissão de decolagem para logo após o vencimento do prazo dado, ou até poucas horas antes. Verifique as ligações que estes fizeram, se envolve algum dos números das centrais, talvez dos telefones públicos dos hotéis e região periférica destes.

— Vai demorar um pouco. Se tiver algo mais, me avise.

O medico fala:

— Não sei se é importante, mas ele mesmo monta a bomba.

— Está certo disso? — pergunta Batman.

— Na terceira vez que lhe entreguei parte do material, ele veio com o detonador. Montou na minha frente no corpo da ogiva, para ver se era compatível. Deu-me meia dúzia de explicações e eu fingi que entendi.

— No hospital?

— Sim.

— Há um sistema de controle de visitantes, certo?

— Sim, existe.

— Em que data foi isso?

— Uns vinte dias atrás.

— Oráculo! — chama-a pelo comunicador — Depois que isolar os suspeitos, cruze com os dados dos visitantes do hospital, entre 25 e 15 dias atrás.

Agora, sim! — responde ela, animada.

— Acha que ele usou a mesma identidade? — pergunta o médico.

— Não tinha motivos para não usar. Vamos aguardar.

Nisso, policiais do grupo especial entram na residência.

— Senhores, mantenham-no sob vigilância. Informe Gordon tudo o que ele falar. Doutor, relate aos policiais tudo o que me disse.

— Mais uma coisa. — exclama McNiven — Quando perguntei sobre você ele disse que o plano era perfeito e você não acharia as bombas. Quando perguntei sobre seus amigos da Liga, ele disse que as bombas teriam sensores que disparariam com o uso de visão de raio-x e velocistas nas imediações dela. Eu só soube disso hoje, por isso arrumei as malas e ia sair. Ele me disse que você não faria a tolice de chamá-los.

— Ele estava certo quanto a não chamar ajuda e errado quanto a eu achar as bombas. — responde Batman.

04:22

Oráculo retorna com informações:

Hotel Mediterrâneo. Usa o nome de Estevão Perez. Esse é o homem. Viaja exatamente no horário que a bomba biológica dispara. Jato executivo. Parece que a rota era México.

04:59

Batman invade o quarto do hotel do suspeito. O quarto recebe uma rápida inspeção. A planta do hotel, de posse do detetive, indica o lugar do cofre. Quarenta e cinco segundos depois o cofre está aberto. Uma pistola, algum dinheiro, um pouco de poeira, uns clipes, um envelope com um CD dentro e uma pequena palha, uma caixa de munições para pistolas.

O computador do quarto é ligado. O CD contém o mapa urbano da cidade. Há cinco marcações, incluindo o reservatório de Gotham.

— Oráculo, há registro de saída de nosso hóspede daqui do hotel?

Não. No momento a conta do quarto acusa que ele está encerrando sua participação no cassino do hotel.

— Vou aguardar a chegada dele.

Quase vinte minutos se passam antes de passos serem ouvidos no corredor. Quatro homens. Pela conversa, o que está com a chave abrindo a porta é o "sr. Perez".

Se seguem mais uns dez minutos de luta. Os quatros são bons de briga. É nítido o treinamento militar e de mais uma ou duas artes marciais. Alguns tiros disparados, só ferindo um dos seguranças do "sr. Perez". Na primeira oportunidade, o terrorista foge. Em mais uns três minutos, os capangas estão desacordados.

Batman desce pela corda que deixou junto à janela, pela qual entrou no quarto, e consegue ver quando o terrorista entra numa BMW preta.

— Avançar! — dá um comando vocal para o Batmóvel, que se move até próximo a sua posição. Ele entra e parte em perseguição a Perez.

— Robin, estou perseguindo o terrorista. Pegue o endereço com Oráculo, vá ao quarto de hotel dele e faça uma vistoria detalhada.

Estou indo pra lá agora! — responde Robin pelo comunicador.

O hotel não fica numa área muito movimentada. Enquanto os dois veículos se deslocam pelas ruas em alta velocidade, viaturas da policia se juntam à perseguição. A troca de tiros é intensa. Um helicóptero da policia dá apoio. Rajadas são disparadas do helicóptero. Um bloqueio de viaturas é formado na frente do provável curso seguido pela BMW. Dois pneus já estão furados. Ao ver o bloqueio, Perez não se intimida, vindo a chocar-se violentamente contra a barreira. O carro capota quatro vezes antes de parar invertido, semidestruído. Uma explosão incendeia o veículo.

Rapidamente, policiais e Batman se aproximam com extintores, mas já é tarde para salvar a vida do ocupante, pois, além de carbonizado, parte de seu crânio está esmagada.

— Verifiquem tudo que ele estava carregando. Temos de ter certeza. — orienta Batman.

Alguns minutos se passam com os policiais recolhendo objetos.

Batman, Robin falando.

— Pode prosseguir.

Encontrei algumas coisas. Dentre elas, três telefones móveis usados muitas vezes no contato com as centrais e rádios de mesma marca que achamos com o pessoal do Audi. Vou verificar se as freqüências batem.

— OK. O corpo já está sendo identificado.

Corpo?

05:41

— Jim, alguma informação nova com os capangas de Perez? — pergunta Batman, enquanto se desloca com o Batmóvel.

Ainda não, mas Montoya está lá... espere. — alguns segundos se passam — Está na central do metrô. A bomba está lá, no centro de Gotham.

— Estou indo pra lá. Como Montoya fez?

Parece que foi só colocá-los numa cela e avisar "se a cidade explodir, vocês vão junto". A notícia ruim é que eles não sabem exatamente onde. O capanga que foi baleado morreu e foi ele quem implantou a bomba junto com o tal Perez, que eles chama de "Diablo".

09:25

Passa-se mais de uma hora e Batman e os policiais ainda procuram a bomba. A opção de solicitar algum velocista que ajude na busca é descartada devido aos sensores de hipervelocidade que provavelmente estão nas imediações da bomba.

Bancos, lata de lixo, trilhos, caixas, escadas, tudo é visto e revisto. Pode se riscar o ar devido à tensão que satura o local. Batman liga o comunicador.

— Super-Homem, está na escuta?

Sim, Batman. Agora?

— Ainda não. Mas fique próximo, de preferência sobre o centro de Gotham.

09:31

O gerente da estação se apresenta aos policiais. Foi buscado de férias às pressas. É-lhe perguntado os prováveis locais que pudessem esconder o artefato. Ele responde tudo. Batman intervém:

— Alguma obra de médio ou grande porte, recente, menos de dez dias?

— Sim, uma mudança nos banheiros. — responde o homem.

— Oráculo, plantas novas e antigas dos banheiros da estação. Diga-me quantos metros deve ter cada compartimento. — rapidamente, o homem-morcego anota os dados que Bárbara lhe passa. A seguir, junta um grupo de quase vinte policiais e os instrui — Os senhores conferirão as medidas dos banheiros. Qualquer diferença maior de quinze centímetros em relação às anotações que estão recebendo, me comuniquem de imediato.

A equipe recebe cada qual as medidas que devem conferir e partem para a tarefa. Dois minutos e quinze segundos é o tempo que se leva para escutar o primeiro grito dos policiais.

— Aqui!

Ao chegar, o detetive pode verificar uma diferença de setenta e cinco centímetros numa parede lateral. No canto esquerdo inferior, um buraco é feito. Com a ajuda de uma microcâmera sensível a pouca luz, a artefato finalmente é descoberto. Está numa parede falsa.

O chefe do esquadrão antibomba, coronel Rubens, se encarrega de retirar o excesso de policiais que agora só iriam tumultuar o processo.

O coronel e o mesmo tenente que estava auxiliando a desativação da bomba no reservatório ficam no local junto com mais outros três policiais que ajudam a, cuidadosamente, demolir a parede falsa. Após isso, estes três últimos se retiram.

Uma parte da parede não pode ser removida, pois está monitorada pelo mecanismo de disparo da bomba. Batman verifica que realmente há sensores que podem ser sensíveis a raios-x e ao deslocamento de ar em supervelocidade.

— Podemos isolar estes sensores externos ao funcionamento. Parecem detectar algum tipo de movimento. — afirma o coronel.

— Cuidado para não o ativarem. Cuidarei do mecanismo que impede a remoção dela. — afirma Batman.

— Veja só, o FDP colocou sensores na parede. Se ela fosse demolida bruscamente... buum! — indica o tenente.

09:49

Após um trabalho extremamente técnico e especializado dos três que permaneceram junto ao artefato, sob muita tensão, os mecanismos externos de acionamento são desativados ou anulados um a um, ou por simulação dos sinais por aparelhos que são anexados às carcaças do mecanismo ou por congelamento dos acionadores e transmissores com nitrogênio líquido.

— Já podemos removê-la. Sei que nenhum detonador é à prova de desarme, mas este é bem complexo. Temo pelo pouco tempo para desativar. — desabafa o coronel, completamente molhado pelo suor da tensão e pelas condições pouco confortáveis do trabalho recente.

— Afastem-se. — manda Batman — Com a bomba isolada, nosso problema acabou.

Falando isso, toma o comunicador na mão:

— Agora!

Um forte vento adentra o metrô. Uma mancha azul e vermelha vai até a bomba e em seguida a retira, com facilidade, saindo a seguir da estação.

— Aquele é o... foi o Super-Homem? — pergunta o coronel em direção ao local que Batman estava — Cadê ele?

A bomba é lançada ao espaço, rumo ao sol. O estranho brilho no céu, visto por alguns telescópios, será explicado por especialistas dos jornais, mais tarde, com as mais diversas teorias.

10:35

No terraço da delegacia, Batman, Super-Homem e Gordon conversam.

— Foi um prazer ajudar e ver o senhor, comissário. Tenho de sair, há uma emergência com um petroleiro perto do extremo sul da Flórida.

— Obrigado, Super-Homem. — exclama o comissário, enquanto vê Batman e Super-Homem se cumprimentarem.

— Sem você não sei se teríamos tempo de desativar o mecanismo de disparo. — afirma Batman.

— Ainda bem que não precisamos verificar essa possibilidade. — responde o homem de aço, já de saída.

— O sr. Perez foi identificado como Roberto Gutierrez. Um caro mercenário espanhol. Aparentemente ele resolveu trabalhar por conta própria. — comenta o comissário.

— Começou na cidade errada.

Epílogo

Enquanto retorna à caverna, Batman lembra-se do seu último encontro com Diana (*). Independente da aprovação da amazona, o detetive resolve monitorar os passos da princesa. Com um adversário como Ares em ação é sempre bom manter um apoio. Assim como o próprio Batman, a Mulher-Maravilha dificilmente pediria um apoio explícito, ela é muito independente. Isso é uma das coisas que o fascinam em Diana.

Já na caverna, ele busca todos os arquivos que Diana lhe enviou. A imagem da princesa é projetada em uma das telas. O intenso olhar azul dela parece fitá-lo, ainda que por um instante. Entretanto, a gravidade da situação o faz retomar sua investigação rapidamente. Uma amiga pode estar precisando de ajuda, e ele não se furtará em auxiliá-la sem poupar esforços.


:: Notas do Autor

(*) Confira em Mulher-Maravilha # 24. voltar ao texto




 
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