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Batman # 09

Por Leonardo Araújo

Amor e Guerra
Parte II (*)

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Em um velho e insuspeitável jipe verde, um computador portátil recebe arquivos compactos, via satélite, com as listas de visitas oficiais de diversos órgãos públicos de primeiro escalão do governo da Palestina. Dentre estes, está a relação nominal daqueles que foram recebidos por Ahmed Qureia.

"Há o registro de entrada de Diana, porem nada consta de sua saída." — estes pensamentos são do homem que manipula o micro. Ele é bastante alto e está vestido com roupas locais típicas. O disfarce de Batman é perfeito.

A sombra da noite começa a se estender por sobre a Palestina. Agilmente, Batman verifica as instalações em busca de fragilidades na segurança. Quando sua discreta sondagem termina, já é noite densa: o morcego está em seu meio e pode assumir sua habitual veste.

À medida que o cavaleiro das trevas avança nas instalações palacianas, sua certeza aumenta em relação à instalação-alvo devido ao crescente aumento da segurança. Por fim, um longo corredor, com sensores e guardas armados, evidencia o ápice da segurança local. Uma granada silenciosa dispersa um potente sonífero no ambiente. Uma segunda granada, fulmígena, provoca uma tênue nevoa, suficiente para o detetive saber por onde passar a fim de desviar dos sensores feixes óticos dos sensores nas laterais. Potentes sucçores possibilitam a Batman "caminhar" sob a laje do teto e nas paredes, tornando os sensores sonoros do solo ineficientes. Um óculos espectral veste a face do invasor: é um aparelho que permite uma análise de campos não visíveis a olho nu no ambiente. A intensidade de íons associada a desuniformidade do campo eletromagnético numa das portas do corredor apontam a sala a ser invadida.

Após um rápido arrombamento, já no interior do ambiente, o analisador espectral aponta, inequivocadamente, o local de um portal de transição, provavelmente para os domínios de Ares.

A vista está embaçada e sua cabeça pesa muito. Aos poucos, os vultos vão tomando forma. Diana retorna, lentamente, à consciência. Tenta levar a mão a sua cabeça, mas percebe que seu braço está muito pesado. O barulho confirma sua suspeita: ela é prisioneira. Fortes e grossas correntes, forjadas por Vulcano (**), prendem a princesa à rocha maciça que serve de parede à sala do trono de Ares.

— Finalmente despertou, filha de Hipólita! — pronuncia Ares, como num brinde a sua aparente vitória.

— Solte-me, Ares!

— Você veio até mim, agora ficará em meu reino, quer goste ou não.

Ele se levanta de um imponente trono e se dirige a sua linda prisioneira.

— Persiste em vilipendiar meus planos freqüentemente, amazona. Não deveria intervir nos assuntos dos deuses. Já passou da hora de aprender esta lição.

Diana está com o corpo inclinado, presa nos tornozelos, pulsos e pescoço. Ela tenta falar algo, mas Ares toma sua face com uma das mãos, levantando seu rosto.

— Irei lhe ensinar seu verdadeiro lugar! — fala Ares, a poucos centímetros de sua face.

— Solte-a! — irrompe uma voz gutural.

Ares se volta, um tanto surpreso. Localiza seu oponente e retruca:

— Ora, então um mortal ousa dar ordens a um deus. Diana, você me decepciona. Julga que este mortal é capaz de ter sucesso contra Ares?

Diana olha para o deus da guerra furiosamente e diz:

— Só um tolo subestimaria Batman.

O cavaleiro das trevas se aproxima de Ares, analisando a desfavorável situação em que se encontra. O deus dirige a palavra ao intruso:

— Dou-lhe permissão para partir, Batman. Tenho acertos a fazer com a princesa.

— Sabe que não sairei daqui sem ela.

— Você desprezou sua única chance de sair daqui no mesmo estado em que entrou.

Uma horda de demônios menores começa a cercar o detetive.

— Suas habilidades o tornam único entre os mortais, assim como foram Aquiles e Alexandre da Macedônia. — observa Ares, e prossegue — Não há guerreiros como você dentre seus pares. Por isso lhe proponho uma troca. Uma troca que ferirá a amazona mais do que se eu lhe amputasse um membro do corpo.

Com poucas alternativas, Batman pergunta:

— Que troca?

— Você será meu general de campo, o líder de meus guerreiros, em troca da liberdade de Diana. O que me diz?

Batman começa a recolher o batarangue, lâminas, granadas de luz e a rede que lhe armavam para o combate iminente.

— Não aceite, Batman! Não faça isso. — pede a bela princesa amazona.

— O que me diz, mortal? Minha generosa oferta não durará muito. Não concedi esta honra a mortal algum ao longo dos tempos.

Tensos segundos se passam. Por fim, após uma análise racional da situação, Batman se pronuncia:

— Aceito a barganha.

— Não! — murmura Diana, enquanto uma sonora gargalhada ecoa na sala.

— Tragam a armadura de combate do comandante das tropas. Você trajará a vestimenta que eu lhe darei, assegurando sua obediência.

— Solte-a.

— Somente quando assumir ao manto do comandante das minhas tropas, quando estiver liderando-os em uma batalha. Conheço sua história, vigilante, e não estou certo de sua servidão nos meus termos.

Ares se dirige à saída da sala.

— Irei em busca de seu primeiro teste. Enquanto isto, vista a armadura. — Ares aponta para a imponente armadura negra que os demônios trazem para a sala.

A Mulher-Maravilha trinca os dentes enquanto observa os demônios entregarem a armadura ao seu novo dono.

Na medida em que Bruce veste o traje de combate, os demônios que estavam na sala vão se afastando, aparentando medo do que o homem-morcego está prestes a se tornar.

— Bruce, ou lhe peço mais uma vez: não vista isto! — exclama a princesa.

— Diana, sabe que eu faria qualquer sacrifico por você. Se houvesse outra opção para sua liberdade, eu tomaria.

Diana força os braços em vão. Pede em uma prece para que Atena interceda em seu socorro.

— Você não sabe o que esse traje faz. Ele é alimentado por puro ódio. A armadura vai dominá-lo e encobrir sua mente.

— Os deuses costumam cumprir seus tratos, mesmo Ares.

— Sim, ele cumprirá. — confirma Diana.

Vê-lo pôr a parte final da vestimenta, o elmo, a faz perceber que o destino de seu amigo está selado.

— Meu novo general, trago à sua presença Ótris, de mesmo nome da montanha em que Zeus derrotou os Titãs. Este é o primo de Tifeu. Ótris é o antigo comandante de minhas tropas. Mostre-se digno de minha confiança e mate Ótris.

Ótris, metade homem, metade serpente, mostra-se surpreso, uma vez que desconhecia a decisão de Ares de trocar de general. Mas sabe que se matar Batman estará novamente no comando das tropas do deus da guerra.

Batman é tomado por uma descarga de raiva, que lhe percorre o corpo como um choque. A armadura parece lhe fundir a pele. Sua força com o traje é descomunal.

Ótris se lança contra seu oponente. Os combatentes medem força no centro da sala. Batman nota que, à medida que a contenda avança, a armadura se fortalece e o ódio em sua mente também. Em meio à violenta luta, Batman tenta manter a concentração na batalha, evitando que a emoção o domine.

Neste estado mínimo de alimentação, a força da armadura é suficiente para equiparar Batman e Ótris. Porem, o amplo treinamento do vigilante logo dá vantagem ao novo general das tropas de Ares.

Ótris tem uma resistência a golpes invejável: uma seqüência impiedosa lhe é aplicada, enquanto o gigante cambaleia tentando evitar os mais potentes. Sua face já está desfigurada e o sangue lhe banha o peito. Batman continua o terrível castigo sobre seu oponente.

Ares vai até Diana, pega-lhe pelos cabelos e a força a ver a batalha.

— Veja no que eu estou transformando um de seus amigos mais próximos.

— Sua rixa é comigo, Ares. Liberte-o e me enfrente. Juro por Gaia que se algo acontecer a Bruce você irá responder a mim!

Ares sorri e se volta para a luta.

— Acabe logo com ele, Batman. Decepe-lhe a cabeça. — ordena Ares.

A armadura torna o impulso de matar quase irresistível, mas, com uma força de vontade incomparável, Batman continua a surrar Ótris sem lhe aplicar um golpe mortal.

Após mais alguns minutos, Ares interrompe a luta. Agarra ambos pelo pescoço, levantando-os, e fala a Batman:

— Eu mandei matar Ótris!

O deus lança com fúria o vigilante sobre a amazona, fazendo-o chocar-se violentamente com ela.

— Você deveria ter feito isso! — Ares esmaga a traquéia de Ótris e a arranca na sangrenta seqüência.

Enquanto o deus arrasta o cadáver do antigo general para um canto da sala, Batman observa que o choque entre ele e Diana enfraqueceu um dos elos da corrente que prendia o braço direito da amazona. Usa toda sua força para tentar romper a corrente, mas só consegue deformá-la ainda mais.

— Irei lhe dar mais uma chance, para que eu possa cumprir minha parte de nosso acordo. — fala Ares.

Ele cruza a sala em direção ao casal.

— Nas próximas horas, tropas de Ahmed Qureia atacarão. Você comandará o ataque.

— Sim, lorde Ares! — responde Batman.

— Isso. Assim que a armadura completar a simbiose, — ele se vira para a amazona — seu amigo responderá exclusivamente às minhas ordens.

Diana se debate, tentando soltar as correntes, abalando ainda mais o elo fragilizado.

— Já o derrotei antes, deus da guerra. Por Gaia, o farei novamente!

Ele esbofeteia o rosto perfeito de Diana.

— Em breve ensinarei sua condição de mulher.

Ares leva Batman para o portal, atravessando-o para a sala de Ahmed Qureia. O primeiro-ministro, já na sala, mostra-se incomodado com a presença desconhecida ao lado do deus da guerra.

— Sofremos uma invasão. Quem é este?

— Seu invasor. Mas não se preocupe com ele. Agora ele é o general de campo de Ares. Irá assegurar nossa vitória.

— Como assim?

— Ponha-o à frente das tropas. Ele esmagará o crânio de nossos inimigos e os infiéis correrão de nosso exército, ou morrerão.

Ahmed Qureia permanece imóvel, hipnotizado.

Na sala do trono de Ares, a Mulher-Maravilha força suas correntes, discretamente, sem que os guardas no local percebam. O elo está quase se rompendo.

— Finalmente, princesa, verá o meu triunfo. Você será libertada, conforme prometi, mas desejará ter perecido aqui.

— É o que pensa. Não cante vitória antecipadamente.

Dito isto, demônios trazem uma imensa tina d'água.

— Vê esta tina? — direcionando a cabeça dela, puxando-a pelos cabelos.

Imagens começam a se formar na tina. Uma brutal batalha pode ser vista.

— Reconhece a figura que lidera o massacre?

Diana vê, horrorizada, um inflamado Batman organizando e liderando as tropas guerrilheiras palestinas.

"Oh, Bruce! Resista um pouco mais!" — são os pensamentos da princesa.

Ares esmurra Diana, fazendo-a chocar-se com violência na parede. A seguir, ele desfere um golpe na tina.

— Esse cão humano resiste à armadura. Como pode?

Invocando um feitiço, em grego antigo, com auxílio de seu bastão de guerra, Ares desfere uma potente rajada que objetiva fortalecer a armadura: uma carga de puro ódio.

O ocupante da veste grita com a fúria que lhe domina. Bruce está dominado por completo. Seus adversários pagam com a vida por este momento.

Ares, exausto com o potente feitiço que lançou, apóia-se em uma parede e ri diante das novas cenas que as águas da tina mostram.

— Vê, princesa. Nem a vontade do Batman está acima da força da magia dos deuses.

Horrorizada, Diana contempla a visão da batalha na tina. Usando toda sua força, ela tenta se libertar. Ares, ainda arfante pelo feitiço, novamente a esbofeteia. O deus da guerra continua a humilhação de sua adversária:

— Dispa-se, mulher. Vou lembrá-la por que sua raça foi criada: para servir aos homens.

Ouvindo tais palavras e se lembrando do cativeiro ao qual suas irmãs foram submetidas, Diana fica tomada em pura fúria e concentra seus esforços novamente sobre a corrente já abalada e, por fim, a rompe.

— Como? — Ares indaga.

— Você cometeu um grave erro.


Conclui em Mulher-Maravilha # 26!


:: Notas do Autor

(*) Leia a primeira parte desta saga em Mulher-Maravilha # 25. voltar ao texto

(**) Vulcano ou Hefestos, deus das forjas. voltar ao texto




 
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