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Mulher-Maravilha # 26

Por JB Uchôa

Amor e Guerra
Parte Final (*)

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A horda de soldados-demônios de Ares avança sobre a Mulher-Maravilha, que com pouco esforço consegue detê-la. O deus da guerra está sentado na elegante poltrona, olhando atentamente o embate da princesa amazona. Preocupada em otimizar seu tempo e deter Batman pelas ruas palestinas, Diana não tem nenhuma clemência sobre seus atacantes.

— Confesso que estou surpreso por ter se libertado, Diana. — a Mulher-Maravilha quebra o pescoço do último assecla de Ares e se encaminha para a porta — Aonde vai?

— Colocar um fim nessa insanidade, Ares. A humanidade mudou, as leis que valiam três mil anos atrás não valem mais. Você pode ter causado muito mais do que uma simples guerra.

— Eu também mudei, princesa, não sou mais o deus de três mil anos atrás...

Gateway City, residência das Sandsmarks.

— Cassandra? — Helena abre a porta do quarto da filha com cuidado — Está acordada?

— Estou, mãe. — a jovem está sentada na janela, olhando para o firmamento.

— Arrumou suas coisas? Amanhã de manhã pegaremos o avião pra Nova York.

— Está tudo pronto, mãe. — Helena afaga carinhosamente os cabelos da filha — Está triste com a mudança?

— Um pouco, mas é legal começar uma vida nova. — Cassie se vira pra mãe e a abraça — Qualquer lugar com você é meu lar! — Helena beija a testa da filha e fica com os olhos marejados.

— Boa noite, Cassandra. Te amo! — Cassandra manda um beijo de longe e continua a olhar para o céu.

Pelas ruas palestinas, um Batman vestido em uma reluzente armadura de metal tão negro quanto a noite avança rumo ao grupo de manifestante do Hamas. Homens de turbantes verde-escuro e mulheres de burcas verde-oliva agitam faixas e cartazes em comemoração à vitória nas urnas. Por onde passa, o homem-morcego conquista alguns seguidores, homens e mulheres parecem aflorar os instintos mais primitivos dentro de si ao fitar os olhos escarlates da armadura do homem-morcego. Rápida como Hermes, a Mulher-Maravilha sobrevoa a cidade, rogando aos deuses para ter tempo de chegar e impedir o conflito. Preocupada, Diana avista Batman e pede a Atena sabedoria para poder impedir o companheiro sem precisar recorrer à violência.

Pare! — Diana pousa na frente da armadura. Com o traje, Batman alcança quase dois metros e meio de altura. A heroína flutua um pouco acima do solo e olha atentamente para os olhos escarlates. Sente seu estômago revirar e seus dentes trincarem, algum tipo de instinto parece se apoderar da guerreira amazona. A Mulher-Maravilha cerra os punhos e olha para o sol. Sentindo-se encandeada pela luminosidade do astro, ela fita novamente a armadura, porém não enxerga os olhos escarlates devido à claridade que ofusca sua visão — Batman, ouça minha voz... pare!

A voz de Diana parece harmonicamente melodiosa nos ouvidos de Bruce Wayne, mas ele a ignora, levanta o braço e defere um tapa que joga a Mulher-Maravilha longe. Do Olimpo, os deuses assistem ao embate.

— Ouch! Essa deve ter doído!

— Quieto, Apolo! — esbraveja Ártemis, lustrando uma espada — Diana é a escolhida dos deuses, poderá resolver esse embate.

— Você está certa, irmã. Entretanto, a princesa deverá ponderar que somente existirá uma arma contra Batman... o amor! — Afrodite senta-se à borda da piscina de onde assistem a guerreira amazona.

— Afrodite está certa. — Atena aproxima-se da água e vira-se para Ártemis, toma a espada de suas mãos e, emitindo um brilho acinzentado de seus olhos, desaparece.

Ao chocar-se com a parede, a Mulher-Maravilha é atacada pelos transeuntes que acompanham Batman, enquanto este continua sua caminhada solitária rumo à manifestação dos cidadãos que apóiam o Hamas. Diana toma cuidado para não machucar nenhuma das pessoas e liberta-se voando para o alto. Jogando as mãos para a frente, ela voa para o alto para garantir maior impulso e cai em direção ao homem-morcego. Batendo em suas costas, Diana derruba o alvo e se lança para a frente dele. Entretanto, Batman a segura pelas botas e a bate contra um poste. Rapidamente, a Mulher-Maravilha ergue os braceletes e se protege dos golpes. Utilizando da força da terra, Diana segura o poste e, prendendo o braço do companheiro com as coxas, imobiliza os golpes e passa a atacá-lo.

— — Grande Hera! Pare com isso, Bruce! — mesmo ouvindo a melodiosa voz da amazona, Bruce Wayne a ignora e com o braço esquerdo a esbofeteia — Por Zeus, eu vou parar você de qualquer jeito!

Gateway City.

Cassandra Sandsmark achava que passaria a última noite na casa em que cresceu olhando as estrelas. Poderia dormir no avião a caminho de Nova York recostada no ombro de sua mãe e ter sonhos tranqüilos, talvez com Superboy ou Apolo, já que a adolescente não pára de se lembrar do dia em que o deus a foi buscar montado em Pegasus.

— Cassandra. — o leve cheiro de jasmim preenche o quarto da Garota-Maravilha.

— Atena! — a jovem desce da janela e se ajoelha em frente à deusa.

— Levante-se, criança. Sempre a admirei por ter tido a audácia de pedir uma parcela do poder de Zeus. (**)

— Sempre me admirou? — Cassandra parece surpresa.

— Sim, mas é a hora de você provar que é um orgulho para os deuses. — Atena ergue o cabo da espada e Cassandra a segura. A deusa aproxima-se da jovem heroína e toca sua testa — Eu a abençôo com sabedoria, Cassandra Sandsmark.

— Na hora! — Cassie sorri ao ver o reflexo do novo uniforme presenteado por Atena e as duas desaparecem em um clarão de luz azulado.

— Cassie? — voando próximo à janela, o jovem Superboy olha quarto adentro. — Droga, ela não está aqui!

Batman já se aproxima da multidão que comemora a vitória do Hamas, alguns homens e mulheres correm assustados ao ver a grande armadura negra e vermelha chegando ao local. Um último golpe é desferido, jogando a Mulher-Maravilha contra uma casa. Mesmo erguendo os braceletes para impedir o murro, Diana é soterrada pela casa, que cai com a força do punho de Batman. Ares materializa-se em um prédio próximo e se põe a observar com um sorriso irônico. Talvez por sentir o júbilo de Ares, Batman sorri e avança sobre a multidão.

— Você não acha isso tedioso, irmão-amante? — Ares escuta a conhecida voz adocicada e as mãos que roçam em seu peito.

— Eu acho divertido, Afrodite.

— Você sabe que ela vai pará-lo, não sabe?

— Não creio que sua campeã esteja em condição de parar alguém, quanto mais ele!

— Não seja tolo, Ares. A Mulher-Maravilha sempre há de vencer, pois ela luta pelo amor. — Ares dá uma gargalhada e fita a deusa.

— Meu herói também. Pelo amor à guerra! — Afrodite puxa o deus da guerra pelas mãos e as coloca em sua cintura.

— Eu sei de coisas muito mais divertidas.

Diana levanta-se e retira uma pesada parede de pedra de cima de si. Ela segura o laço de Héstia, quando vê um borrão escarlate passar diante de si.

— Flash? — a princesa cerra os olhos ao perceber que o borrão escarlate é uma figura feminina. — Cassandra?

Com fúria e a espada em riste, a Garota-Maravilha ataca Batman pelas costas. A espada abençoada pelas deusas Atena e Ártemis flameja ao tocar a armadura criada por Ares.

— Pare, Batman! Pare! — grita a jovem, aplicando golpes nas costas e capacete. Do Olimpo, Atena, Ártemis e Apolo sorriem ao ver o ímpeto que a jovem traz consigo.

— Ah, o clamor da juventude! — diz Apolo, esfregando as mãos — Eu lhe disse, irmã, que a jovem tinha brilho próprio.

— Onde está Afrodite? — pergunta, Atena olhando ao seu redor.

— Foi "entreter" Ares. — Ártemis se apóia com mais afinco na borda e dá suas mãos à Atena e Apolo — Oremos, irmãos, a vitória não há de tardar.

— Cassie!!! — Diana voa com rapidez ao ver Batman socar sua pupila. Com o laço em mãos, ela o amarra. Em instantes, o fogo sagrado de Héstia envolve o filho de Gotham que permanece imóvel — Vamos Bruce, você é maior do que isso!

Batman está parado, os olhos não parecem tão escarlates quanto antes, mas ela pode perceber que ele não está sereno.

"As chamas do laço da verdade deveriam purificá-lo e liberá-lo da vontade do domínio de Ares." — pensa a amazona.

O deus da guerra deu a Batman um poder que ele desejava ter para deter a injustiça, talvez por isso o controle da armadura seja tão eficaz. Cassandra guia as pessoas para longe, ela segura uma criança nos braços que se perdeu da mãe, mas pousando suavemente no chão ela é atingida por uma pedra.

— Ei! — Cassandra ergue o bracelete, impedindo de levar outra pedrada — Pare com isso!!

— < Rameira do ocidente! > (***) — grita a mulher de burca verde-oliva com outra pedra na mão — < Largue meu filho! >

— Eu não entendo nada do que você está falando, pare de jogar pedras! — a Garota-Maravilha coloca a criança no chão, e ela corre para os braços da mãe. Ela observa a longa túnica da mulher que a fita assustada e olha para si, com seu novo uniforme, presenteado por Atena. A calça vermelha de cintura baixa e a mini-blusa que usa com o brasão "WW" em ouro — Essa mulher deve estar me achando uma escandalosa, um demônio que veio pegar seu filho. — com um sorriso e um aceno, Cassandra voa e vê ao longe o pequenino acenar de volta.

No alto, Cassie vê o embate entre a Mulher-Maravilha e Batman ficar mais violento. As poucas vezes que Bruce Wayne se move dentro da armadura atingem Diana com força, mas ela parece incansável em seus argumentos. Quando se prepara para atacar, Ártemis surge diante da jovem heroína montada em Pégasus.

— Hora de voltar, pequenina, você já cumpriu seu propósito com maestria. — antes que Cassandra consiga dizer algo, ela aparece dentro do seu quarto em Gateway City em meio às caixas da mudança.

— Estava me perguntando se você nunca ia chegar. Uau! Você está... maravilhosa! — exclama Superboy, ao ver o novo uniforme da Garota-Maravilha.

— Kon? O que faz aqui? — Cassie senta-se em sua cama e pega um espelho.

— Eu vi você na internet agarrada com aquele deus bonitão... hum... digo, aquele Apolo... e eu... senti ciúmes.

— Você o quê? — pergunta Cassandra, ajeitando a franja e pondo-se de pé diante do menino de aço — Diga, Kon!

— Você ouviu. — responde o herói, olhando para baixo. Cassandra o toca, levantando levemente seu queixo.

— Não, Kon, eu não ouvi.

— Eu senti ciúmes, Cassie. Gosto muito de você. — Superboy enlaça a cintura da Garota-Maravilha com o braço direito e com o esquerdo segura suavemente seu rosto e a beija.

Palestina.

— Bruce, pare com isso! — desviando-se dos golpes, Diana apela sempre para o bom senso — Pense, Bruce!

Batman a atinge com força e a derruba no chão. Olhando para baixo, ele ergue a pesada bota.

— Você não entende, Diana.

"É a primeira vez que ele responde." — pensa a Mulher-Maravilha — "Meus apelos estão fazendo efeito!" — apoiada nos cotovelos, Diana repara na espada caída que Cassie trouxe consigo e vê em seu cabo uma inscrição em grego.

Antes que Batman possa pisoteá-la, ela gira sobre o corpo e a bota atinge o chão. Mesmo feridas, suas mãos seguram a espada e ela lê no cabo da arma: "Para Ares, vença pelo amor".

Diana levanta-se e crava a espada na armadura, na altura do peito.

— Pense Bruce, você é amor! Por amor a Thomas e Martha Wayne, você se transformou em um herói! — um líquido escarlate corre pela espada e a armadura se despedaça. Intacto, mas cansado, Batman cai ao chão, mal tem forças para se mover.

— A espada... eu vi, Diana.. você a cravou... em meu peito... como eu não morri?

— A espada foi um presente de Afrodite para Ares. Visivelmente, ele nunca a usou, deixando-a na sala das armas do Olimpo à mercê de todos os outros deuses. Talvez a deusa do amor quisesse mostrar ao deus da guerra que nem só com violência e morte podemos vencer uma batalha. Sabendo que Afrodite nunca lhe daria uma arma, ele renegou o presente. Uma arma forjada pela deusa do amor nunca poderia ferir ninguém, Bruce.

— Seu rosto... eu te feri... me desculpe.

Ajoelhada ao chão, com o homem-morcego em seus braços, Diana sorri.

— Eu não poderia desistir, Bruce, nunca. — os dois se beijam.

Epílogo — monte Olimpo.

Deitada nua em uma cama macia, Afrodite brinca, formando ondas na água da bacia de ouro. O homem loiro e seminu afivela o cinto e olha de relance para a imagem da Mulher-Maravilha e Batman se beijando apaixonadamente formada na bacia.

— Eu lhe disse, irmão-amante, o amor sempre vence. — Afrodite se espreguiça e com um suspiro solta um riso baixinho.

— Irmã-amante, outras oportunidades terei para provar que a guerra irá conquistar o mundo. Então tu, e somente tu, sentarás ao meu lado no trono do Olimpo.

— Hahahaha! Você não percebeu, Ares, que o amor é a única e mais forte arma que o homem pode ter para si? — a deusa do amor levanta-se, apóia as mãos no tórax de Ares e o deita na cama novamente.


:: Notas do Autor

(*) Leia as primeiras partes desta saga em Mulher-Maravilha # 25 e Batman # 09. voltar ao texto

(**) Em Justiça Jovem # 02. voltar ao texto

(***) Traduzido do árabe. voltar ao texto




 
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