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Mulher-Maravilha # 27

Por JB Uchôa

Filmes de Guerra, Canções de Amor

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Prólogo

O lugar não se parece com nenhum outro. Não possui belas praias nem campos verdejantes. A atmosfera possui um ar denso e frio, como se ela estivesse entrando no covil do próprio diabo.

A caverna possui estalactites tão antigas quanto o próprio homem, ela pode sentir-se observada pelos inúmeros pares de olhos vermelhos e pontos brilhantes nas paredes do lugar. Mesmo assim, ela está nua, e espera.

As asas negras descem rapidamente do alto e ela sorri, o homem rapidamente se despe e a beija. Sob os pares de olhos brilhantes das cavernas, eles se amam.

Embaixada de Themyscira

— Sílvia? — a Mulher-Maravilha abre a porta da sala da secretária-geral da embaixada — Reuniu o material que pedi?

— Sim, estão dentro daquela pasta. — diz Sílvia, apontando para o armário — Já estou de saída para o aeroporto, Diana. É hoje que as Sandsmaks chegam. — Sílvia termina de digitar e olha para a amazona — Princesa! Por Deus, o que...

— O que foi, Sílvia? — Diana veste uma saia branca e uma blusa tomara-que-caia preta. A princesa não usa jóias, estando com o colo nu e sem a tiara.

— Você está simplesmente linda! — Diana sorri um pouco embaraçada diante do elogio.

— Preciso que vá comigo ao Rio de Janeiro para uma conferência. Nos teleportaremos para a torre da Liga e de lá para o Brasil. É necessário que leve os estudos que trouxe de Themyscira sobre câncer de mama e a melhora com uma fisioterapia preventiva quando o câncer é diagnosticado. Você estará de volta à embaixada antes de meio-dia. De lá, sigo para Boston para fazer uma visita a Julia e Vanessa e então você coordena junto com Ferdinand um jantar de boas-vindas.

— Princesa, mas e as Sandsmarks? Quem vai recepcioná-las no aeroporto?

— Já resolvi isso, o novo chef fará esse favor pra mim.

— Diana, será prudente mandar Ferdinand ao aeroporto? Não acha que...

— Sílvia, Ferdinand é perfeitamente capaz de lidar com isso. — a Mulher-Maravilha reúne algumas anotações e coloca em uma pasta — Afinal, Atena designou que ele me acompanhasse por um motivo especial. Ah, não esqueça de chamar Donna, gostaria que ela estivesse presente, Cassie gosta muito dela.

— Se a senhora diz que não tem problema... — Sílvia levanta-se da cadeira e veste o casaco, pega as pastas no armário — Mas não é uma maneira muito discreta de receber a nova curadora. Você lembra a reação dos funcionários quando ele chegou aqui semana passada?

— Cassandra está acostumada a ver algo fora da normalidade. — responde Diana, com um sorriso — Garanto que Helena também.

Aeroporto John Kennedy, Nova York

— Ô mãe, vem alguém nos buscar? — Cassandra levanta as quatro malas da esteira e as coloca com facilidade no carrinho.

— Eu vou ligar para a embaixada... será que é seguro usar o celular no aeroporto?

— Hããã... manhê? — Cassie aponta para frente enquanto segura o ombro de Helena — Não precisa ligar não, eu...

— Antes que você diga, Cassie, ir voando não é uma boa opção. — Helena levanta os óculos na testa para enxergar melhor o visor do aparelho.

— Eu acho que a embaixada já chegou. — Cassie aponta para o corpulento homem com cabeça de touro que segura uma placa escrita "Sandsmarks".

Helena e Cassie se aproximam e o touro sorri.

— Professora Sandsmark, eu presumo.

— Sim, sou eu. Essa é minha filha, Cassandra. — Cassie sorri e acena levemente com a mão direita enquanto ajeita a mochila nas costas.

— A jovem Cassandra. Diana deposita muita fé em você, pequenina. Meu nome é Ferdinand. Infelizmente, Sílvia não pode comparecer. — as pessoas reparam assustadas para o trio que se encaminha ao estacionamento do aeroporto.

— Mãe, — sussurra a jovem heroína — as pessoas estão nos olhando.

— Shhhhhh, Cassie!

— Desculpe se minha presença causa algum inconveniente, jovem Cassandra.

— Oh, não! Me desculpe, Ferdinand, não quis ser rude. Mas achei que os novaiorquinos já deveriam estar acostumados com minotauros por aqui.

— Na verdade só existe um minotauro. E pra ser sincero, nem minotauro eu posso ser porque nasci em Kithira e não em Minos. O termo correto seria "kithirotauro", mas minotauro está bom, é menos complicado.

— Só tem você, então? E o famoso minotauro?

— Pelas histórias, foi morto por Teseu no labirinto, não é mesmo?

— É verdade... então quer dizer que você é único no mundo?

— Creio que sim, minha jovem.

— Massa! — diante da exclamação de Cassandra, Ferdinand apenas acena com a cabeça e fita os olhos pela janela, pedindo para o motorista seguir.

Boston, residência das Kapatelis, onde a Mulher-Maravilha está fazendo uma visita de cortesia para verificar a recuperação de Vanessa. O trio fez um lanche juntas e Diana segue calmamente até o escritório de Julia quando nota um brilho estranho dentro de uma bomboniére na sala. Ela se despede de Vanessa, que vai à fisioterapia, e verifica de perto o conteúdo da bomboniére. — Eu só quero saber onde você conseguiu isto! — Diana abre a mão e em suas mãos estão cinco esferas translúcidas.

— Talvez essas pérolas sejam herança de minha mãe, Diana. Eu não sei exatamente onde adquiri. — Julia mexe o café e coloca os óculos de grau. Com suavidade, pede uma das pérolas e a analisa — Eu não sou perita em jóias... aliás, todas que mamãe me deixou eu mal usei. A questão é: por que você está me perguntando isso?

A Mulher-Maravilha pega a pérola nas mãos de Julia e com a colherinha a mergulha no café. Em alguns instantes Julia vê a esfera se tornar opaca até se dissolver completamente.

— O que é isso?

— Isso é uma droga, Julia, e está sendo bastante usada em Nova York. Ao entrar em sua sala, notei-as dentro da bomboniére. Esperei Vanessa sair para vir falar com você.

— Oh, Deus, não... não, Diana! Vanessa não estaria usando essa coisa!

— Sei que é traumático, mas depois que os apêndices da Cisne de Prata foram retirados, o dr. Irons aconselhou que Vanessa procurasse tratamento psicológico. Ficaram marcas muito mais profundas do que as cicatrizes, Julia.

— Vanessa está indo semanalmente ao psicólogo. Ela parece bem e feliz. Sei que as cicatrizes a incomodam, mas...

— Julia, mais do que eu, você deve conversar com sua filha. Ainda não descobri quem transformou Nessie na nova Cisne de Prata, mas existe a possibilidade de Vanessa ter se voluntariado para o procedimento. Pelo e-mail que ela me mandou quando Cassandra se tornou a Garota-Maravilha, me pareceu que ela estava bastante chateada.

Julia retira os óculos e passa as mãos no rosto. A amazona percebe que ela tenta esconder as lágrimas e a conforta em um abraço.

— Não estou dizendo que Vanessa está se drogando. Ela pode ter adquirido isso como uma alternativa de fuga. — ao falar isso, a porta se abre violentamente.

Eu sabia, Diana! Você sempre me envenenou para minha mãe porque você queria ser a filha perfeita dela! — Vanessa Kapatelis abre as portas do escritório de Julia e se aproxima da mãe e da princesa amazona — Você achou que eu estava mutilada como Cisne de Prata, mas eu estava feliz!!!

— Vanessa! — Julia levanta-se e afasta de Diana — Você estava doente, filha, viu o mal que fez às outras pessoas?

— Que outras pessoas, mãe? Eu só quis pegar o meu posto que ela deu pra perua-loira-maravilha! Vocês é que não entenderam nada!

— Nessie... — Diana tenta contemporizar.

Não me chame assim! Eu não sei se você se tocou, mas desde que eu voltei pra casa eu não te procurei. Eu não quero você em minha vida! — Vanessa sai do escritório e sobe as escadas pro seu quarto.

— Julia... — diz Diana, atônita — Você sabia que ela se sentia assim?

— Oh... — Julia senta-se em sua poltrona e segura firmemente as mãos da Mulher-Maravilha — No fundo, Vanessa tem razão, muitas coisas ruins aconteceram conosco depois que você entrou em nossas vidas, mas não posso culpá-la por isso. Estamos trabalhando contra esse sentimento negativo...

— Estamos? — pergunta a princesa, em tom de surpresa.

— Sim, Diana. Vanessa e eu temos freqüentado um renomado psicólogo, especialista em traumas relacionados a super-heróis.

— Eu... acho que devo ir embora, Julia.

— Infelizmente, minha querida, no momento eu também acho que deve. — as palavras de sua outrora mentora ferem a Mulher-Maravilha muito mais do que qualquer ataque que tenha sofrido esses anos todos. Os olhos azuis da princesa de Themyscira não só marejam, mas suas lágrimas escorrem por toda sua face. Levando a mão suavemente ao rosto, Diana enxuga as lágrimas que não param de verter e, com a boca trêmula, balbucia um adeus.

Ao vê-la sair pela porta, Julia Kapatelis senta-se em sua poltrona e verte tantas lágrimas quanto a princesa. A Mulher-Maravilha levanta vôo e ao olhar pela janela do quarto de Vanessa a vê deitada em sua cama, na posição fetal, abraçada com um porta-retrato. Diana nem se aproxima, mas reconhece a moldura ao longe. Ela sabe que a foto que Vanessa Kapatelis está abraçando é do dia da Mulher-Maravilha que Mindy Mayer produziu anos atrás quando Diana chegou em Boston e estava aos cuidados de Julia. Na foto, ela está abraçada com Vanessa, enquanto a menina, uma adolescente na época, faz com seus braceletes comemorativos o sinal de reverência das amazonas, tocando seus pulsos um no outro. Diana fecha os olhos e alça vôo.

Embaixada de Themyscira — Nova York

Caceta!

Cassandra!!! — Helena repreende a filha ao vê-la exclamar a surpresa pelo luxo e tamanho da embaixada.

— Desculpe, sra. Sandsmark. Eu não pude recepcioná-las no aeroporto, mas tenho certeza de que Ferdinand fez um bom trabalho. — a secretária de Diana, Sílvia, não se incomoda com os comentários da Garota-Maravilha e começa a explanar sobre a embaixada.

— Oh, sim. Ele foi um doce conosco.

— Meu nome é Sílvia e sou a atual secretária da embaixadora. Diana já me passou algumas coisas que eu deveria saber sobre vocês. A jovem é a Garota-Maravilha, não é?

— Hã... sou sim. — responde Cassie, olhando de esguelha para a bela morena de fala apressada e gestos largos.

— Ótimo, Cassandra! Nos fundos, nós temos um ginásio no qual você poderá treinar, e já a matriculamos em uma escola próxima da embaixada. Fica a duas quadras, e peço que não use seus poderes em público a menos que seja necessário.

— Minha filha já toma esses cuidados, srta. Sílvia.

— Somente Sílvia, professora. Desculpe-me o excesso de precaução, mas é pro bem de vocês. Me acompanhem, vou mostrar seus quartos.

— Eu compreendo. — Helena acompanha a secretária e dá um aceno discreto para Ferdinand.

— Devo dizer, Cassadra, que sua chegada foi muito esperada.

— Mesmo?

— Sim. Veja... — Sílvia abre a porta do quarto destinado à jovem heroína, que está coberto de flores. Orquídeas, tulipas e flores do campo.

— Meu Deus! — exclama Helena, enquanto vê o exagero de flores pelo quarto — Diana não precisava...

— Não foi a princesa, professora. — Sílvia gesticula com o dedo indicador, fazendo um "S" no peito.

— Hã... mãe, eu vou ajeitar minhas coisas, OK? — Cassie fecha a porta na cara de Helena, que já se inclinava para pegar um cartão em um jarro de tulipas.

— Oh, Deus. Oh, meu Deus! Minha filha está namorando?

— Eu não sei, professora Sandsmark, mas o jovem parecia muito feliz quando trouxe todas essas flores. — Sílvia dá mais cinco passos e pára — No final do corredor é o quarto da embaixadora. O seu é este aqui.

— Obrigada, Sílvia. É lindo. — Helena coloca a bolsa sobre a cama queen size e suspira, cruzando os braços — Vida nova!

— Será um prazer tê-las aqui conosco. Diana avisou que vem jantar, Ferdinand o servirá pontualmente às oito.

— Ferdinand?

— Sim, ele é o nosso chef. Caso deseje falar conosco, existe a lista de ramais ao lado de telefone. — Sílvia fecha a porta e deixa Helena imersa em seus pensamentos.

— Meu Deus, minha filha namora o Superboy e o minotauro é o cozinheiro! Adorável vida nova, mesmo!

A Mulher-Maravilha voa de volta a Nova York, ainda atônita com as palavras de Julia. Na Quinta Avenida, ela pousa suavemente na varanda da cobertura do apartamento de Donna Troy e troca de roupa. Retira o jeans e a camiseta e entra no banho.

— Diana? — Tróia entra no quarto e senta-se na cama, olha o vestido ao seu lado e acha que o conceito de moda da Mulher-Maravilha está evoluindo rápido ultimamente.

— Oi, Donna. — a Mulher-Maravilha veste-se e senta-se na beirada da cama para calçar suas sandálias.

— Você esteve chorando? — a titã chega próximo de sua irmã amazona e passa os dedos sobre sua face — Você estava tão feliz ontem, até pensei que tinha acontecido algo! — a Mulher-Maravilha sorri e conta da conversa que teve com Julia Kapatelis.

— Que absurdo! Não creio que Julia teve a coragem de...

— No fundo ela está certa. A grande questão é se não estou fazendo o mesmo com Cassandra e Helena!

— Calma aí! — retruca Tróia — Cassandra tem poderes!

— Eu sei, mas foram conseguidos depois que eu cheguei na casa delas! E foram concedidos por Zeus!! Bruce tem razão quando diz que algumas atitudes dos deuses parecem birras de crianças mimadas!

— Bruce? — Donna olha atentamente para Diana — Bruce Wayne?

— Sim, o Batman.

— Você está me dizendo que você está ouvindo conselhos do homem que treinou três Robins? Que se esconde atrás de uma máscara fria e...

— Você não conhece Bruce, Donna.

— Conheço o que Dick me diz, porque ele não se permite deixar que outros o conheçam! Mas talvez vocês sejam cúmplices um do outro, não é?

— Nós?

— Eu não quero discutir, Di. Mas você sabe que Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha são aclamados como a "santíssima trindade" entre qualquer super-herói do planeta. — antes que Diana possa falar algo, Donna a interrompe — Desculpe, eu respeito o Batman como herói, mas não como homem. Eu não concordo com a falta de humanidade com que ele nos trata. Se fosse mais amável e sensível como Clark, Dick nunca teria se tornado o Asa Noturna. Ele teria participado da vida de Bruce sem os traumas que recebeu por achar que sempre devia ser melhor e perfeito! Batman afasta as pessoas Diana, porque não suporta viver rodeado por elas. — as duas permanecem em silêncio, olhando uma pra outra — A maior prova é que ele nunca teve um relacionamento estável e o que se comenta é que está se envolvendo com a Mulher-Gato. Uma vilã, Diana! Uma ladra, que participa da escória da humanidade visando o lucro pessoal em proveito próprio com atitudes condenáveis.

— A Mulher-Gato? — pergunta Diana, em tom severo.

— Sim, foi o que ouvi.

— Depois a gente conversa sobre isso, Donna. Vim convidá-la para jantar comigo, com Helena e Cassandra.

— Eu sei, Sílvia me convidou. — Donna sorri — Desculpe minha afobação, vou pegar Roy e Lian e te encontro na embaixada.

Embaixada de Themyscira

— Senhoras e senhores, gostaria de agradecer a presença de todos. — Diana sorri e seus olhos brilham. Nem parecem os mesmo olhos que verteram tantas lágrimas quanto o rio Estinge — Ferdinand, sirva o jantar e sente-se conosco.

Tróia, Arsenal, Lian, Garota-Maravilha, Helena, Sílvia e Ferdinand estão ao redor da Mulher-Maravilha diante da grande mesa de jantar da embaixada. Enquanto Ferdinand serve o faisão para os convidados, Diana pede que todos se dêem as mãos.

— Apenas para agradecer a Héstia e pedir que abençoe nosso lar. — ela ergue a taça de vinho e propõe um brinde ao recomeço.

Epílogo

O suor do homem se mistura com o da mulher enquanto seus corpos nus se movimentam. Seus corpos estão entrelaçados sob o teto da caverna. As mãos espalmadas da mulher encontram as costas de seu amante e talham sua carne com as unhas em um grito de prazer.

— Fabuloso, como sempre. — ela ronrona, acariciando o rosto dele.

— És deliciosa, e a cada dia parece tornar-te mais. — o homem de cabelos negros vira-se para o lado e coloca as mãos atrás da cabeça — Gosto quando vens aqui, embora sei que é difícil para ti transpor o caminho.

— Nem tanto. Só me incomoda o jeito que ele me olha. — a mulher aponta para dois olhos vermelhos que a fitam — Ele me olha assim desde que cheguei e só pára quando vou embora. Você devia educar seus bichinhos.

— Vali? — o homem chama o lobo para perto de si e acaricia sua cabeça — Tens o mesmo bom gosto do pai para as mulheres. Vá embora, Circe, Loki deverá ficar só o resto da noite.

— Vou embora, deus da trapaça. Talvez procurar por teu meio-irmão em meio à residência dos Aesir, que deve me fazer urrar como uma loba no cio. Ouvi dizer que Thor é tão incansável quanto a fúria dos gigantes. E não é só o apetite para o sexo do deus do trovão que eu ouvi dizer que é enorme. — Circe sorri e veste-se com uma túnica esverdeada. Os olhos de Loki tornam-se vermelhos, ele avança pra cima da bruxa e rasga suas vestes, lambendo seus seios e a deitando novamente sobre as peles.

— Mulher alguma urra mais por Thor depois de me conhecer. — Circe gargalha, sua risada ecoa por toda gruta.




 
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