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Mulher-Maravilha # 25

Por JB Uchôa

Amor e Guerra
Parte I

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O manto negro a cobre inteiramente da cabeça aos pés, apenas seus faiscantes olhos azuis permanecem de fora. Duas safiras brilhantes, a mais preciosa jóia da Grécia. Ahmed Qureia está sentado em sua limusine, lendo o jornal Al-Hayat Al-Yadida. Khaled Meshaal, líder sênior do Hamas, fala em primeira página sobre as condições necessárias para que seja alcançada uma paz de longo prazo com o Estado judeu. O alto homem loiro ao lado do primeiro-ministro palestino toma delicadamente o jornal de suas mãos.

— Muitas vezes é necessário empregar a força para se obter a paz. A guerra se faz necessária para lavar a honra da humanidade.

— Sim, você está correto. — Ahmed Qureia observa os faiscantes olhos azuis de Diana pela janela do seu carro.

Escola Dennis Peterson, Gateway City

— Graças a Deus acabou a aula do grande morsa! — Alice abre o armário e joga os livros dentro — Não quero nem ver a matéria desse gordo bigodudo. — Cassandra permanece parada olhando para as portas abertas no fim do corredor — Cassie? Cassie?

— Oi, Alice!

— O que você tá olhando tanto pra porta?

— Quero ver se ele chegou.

— Ele quem? O Superboy? — como em resposta, Rasec Souad aparece sem fôlego na porta.

Galera, corram aqui!!!! — o jovem estudante árabe balança uma máquina fotográfica, fazendo sinal para a multidão que cerca os armários, que corre em direção à saída da escola.

Caceta, Cassandra! — berra Alice, ao ver Pégaso parado na frente da escola. Montado no elegante garanhão branco está o homem alto e loiro, vestindo apenas uma calça jeans, torso nu, pés descalços. Os cabelos loiros tão brilhantes quanto o sol e sorriso digno de comercial de pasta de dentes — Você disse que era só o cavalo e não um gato desses...

— Disseram-me que você precisava de uma carona, Cassandra. — ele estende gentilmente a mão para a Garota-Maravilha.

— Obrigada, Apolo. — o deus grego posiciona Cassie em sua frente, passa os braços em volta dela e segura a alva crina de Pégaso. O garanhão alado relincha e empina, apoiado pelas patas traseiras, abre suas asas, afastando os colegiais da escola Dennis Peterson — Para o alto...

E avante! — grita Cassandra, com um sorriso de orelha a orelha. Pégaso alça vôo e Apolo sorri para a multidão.

— Meu Deus! — suspira Alice — Que gato!!! Rasec, você bateu fotos?

— Primeira página amanhã no "Paidéia". (*)

— Vou com você revelar... meu Deus, que tórax!

Palestina

As ruas da Palestina estão cobertas de verde. Tecidos da cor verde e ramos predominam nas ruas. O Hamas recebeu maioria dos votos no parlamento, são 76 assentos contra 43 do Farah.

— Deus olhou por nós, irmã! — a mulher coberta com uma burca verde-escura celebra na rua. Diana limita-se a olhar, principalmente para a alegria das mulheres cobertas com a grossa veste que lhes esconde o corpo inteiro.

"Será que Kal estava certo?" — pondera a princesa amazona em seus pensamentos. Afinal, a multidão que comemora usando a cor do Hamas não está de acordo com os ideais que o grupo extremista islâmico prega? Diana mostra a credencial de embaixadora da ONU e entra no suntuoso prédio.

— A senhora deseja falar com quem? — pergunta o guarda sentado na escrivaninha próximo à espessa porta de madeira trabalhada.

— Ahmed Qureia

— A senhora tem hora marcada? — o homem não a encara nos olhos — Não é possível falar sem hora marcada.

— Diga que Diana de Themiscyra está aqui. — o homem levanta o rosto e encara os olhos azuis de Diana — A Mulher-Maravilha quer falar com ele.

Gateway City

— Gostando do passeio, Cassandra? — pergunta Apolo em meio a sorrisos.

— Ô! Bom demais!

— Afrodite disse que isso ia ajudar-te, espero que sim. — visualizando o prédio que Cassandra mora, Apolo dá um longo assobio e Pégaso desce — O rapaz que é dono do teu coração tem que valer merecer esse amor.

— Também espero, Apolo. — diz a Garota-Maravilha, enquanto o deus a tira de cima do cavalo — Gosto muito dele. — Cassie sorri e o deus da beleza lhe beija a testa.

— Tenho um presente pra você. — Apolo retira de uma aljava presa a Pégaso um laço prateado. — é um presente meu e de Ártemis, nenhum ser mortal ou divino pode quebrar esse laço.

— E obriga às pessoas a falarem a verdade?

— Não, criança, o poder do laço de Diana flui através dela. — Apolo sorri gentilmente — Quando quiser uma carona, pequenina, é só chamar! — Cassie alisa a crina de Pégaso e agradece. Apolo sorri e alça vôo com o garanhão alado Ao entrar em casa, Cassandra grita espantada e se depara com pilhas de caixas.

— Mamãe, nós estamos de mudança?

Gotham City

— Patrão Bruce, posso servir o jantar? — Alfred Pennyworth o recepciona abrindo a porta do Batmóvel.

— Sim, Alfred. Vou comer na caverna.

— Patrão Thomas sempre recriminou esse hábito de brincar durante as refeições. — Batman olha de esguelha pro fiel mordomo — Devo alertá-lo, patrão Bruce, que o dispositivo que colocou no bracelete da bela senhorita Diana parou de emitir sinal. — Batman acompanha qual foi o último local de emissão do sinal e levanta-se da poltrona.

— Prepare o jato, Alfred.

Palestina

— Primeiro-ministro... — Diana faz sinal de cumprimenta-lo e ele indica para que a Mulher-Maravilha se sente — Vim para discutirmos alguns assuntos de interesse comum.

— Não sei que assuntos em comum, Mulher-Maravilha, devam ser discutidos com os integrantes da Liga da Justiça. Principalmente com uma mulher. — Ahmed Qureia afaga a cabeça do cão negro ao lado de sua poltrona.

— Vim discutir sobre o ataque ocorrido em Nova York semanas atrás. Vamos discutir sobre o direito das mulheres dessa terra santa. Ou se preferir, podemos discutir sobre a vitória do Hamas nas urnas...

— Alá, e somente ele, nos ordena, embaixadora. — enfatiza o primeiro-ministro.

— Alá ou Ares, primeiro-minitro? — ao citar o nome do deus da guerra, Ahmed Qureia perde o brilho nos olhos, fica imóvel. O cão começa a latir e a porta se abre.

— Diana, Diana... ah, Diana! Quando você vai aprender a não se meter com seu deus? — o homem loiro faísca os olhos como fogo — Quando, amazona, você vai deixar de interferir nos desígnos de Ares?

— Quando os desígnos de Ares forem em prol da humanidade! Não demorei para reconhecê-lo, deus da guerra. Mesmo sem o capacete o seu fedor eu sinto de longe.

— Blasfêmia, filha de Hipólita! — com um comando, o rotweiller próximo a Ahmed Qureia late ferozmente. Outra cabeça surge pelo pescoço do cão e o rabo apresenta-se como uma serpente — Creio que se lembra de Orto, não, Diana? O irmão de Cérbero! Você vai descobrir que ele pode ser mais sanguinário que o guarda do Hades. Uma das penitências de Ares, princesa, é a laceração. Orto! Rasgue a amazona!

O cão uiva e salta sobre Diana. Protegida pelos braceletes, ela rechaça a primeira mordida. Orto rasga a burca que a princesa veste, revelando o uniforme da Mulher-Maravilha. Usando o laço como chicote, Diana golpeia as costas do cachorro, arrancando filetes de sangue.

— Calma Orto, eu não sou sua inimiga. — Diana quebra a perna da poltrona e crava-a nos dentes da serpente. O rabo se debate no chão, tentando soltar o pedaço de madeira. Ares apenas sorri e comanda para que o primeiro-ministro saia da sala. Diante do embate com a feroz criatura, Diana quebra o pescoço do animal — Mais alguma gracinha, Ares?

— Você continua linda, princesa! — com um comando, surgem dezenas de demônios que aprisionam a princesa com correntes — Você é minha, finalmente.


Continua em Batman # 09!


:: Notas do Autor

(*) Paidéia é um termo grego que quer dizer educação. voltar ao texto




 
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