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Batman # 11

Por Leonardo Araújo

Na edição anterior: Batman investiga os recentes acontecimentos envolvendo bombas e fugas em Gotham City, e conclui que a crescente onda de medo que envolve a cidade pode ser obra de Jonathan Crane, o Espantalho. O problema é que Crane estaria preso no Asilo Arkham. Batman acaba descobrindo que, em um lance inesperado, Crane pode ter fugido e deixado um outro interno em seu lugar. Ele parte, então, para o Arkham, a fim de confirmar suas suspeitas.

Cerco ao Medo
Parte II

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— Senhor, por favor, essa é uma área isolada. O senhor não pode entrar aqui. — alerta um segurança a Batman, enquanto ele avança em direção à cela de Crane.

Batman o olha e o segurança se cala.

— Há quanto tempo ele está isolado? — pergunta Batman.

— Pelo que me lembro... faz uns treze dias. — responde um enfermeiro.

— Abra!

— Mas... OK, estou abrindo... mas o diretor não vai gostar nada disso!! — o enfermeiro comenta, quase murmurando.

Batman adentra a cela e levanta o corpo deitado sobre a cama, de forma abrupta. Uma face apavorada contempla Batman, mas não é a face de Crane.

Cerca de 30 minutos depois, o detetive relata a Gordon suas informações.

— Crane é nosso homem. De alguma forma, ele convenceu um outro interno a tomar seu lugar e simulou o enfarte deste interno. Saiu como morto do Arkham e, provavelmente, seus capangas o tiraram do caixão lacrado, substituindo-o por pedras. — explica Batman ao comissário.

— Porei uma equipe no Arkham para averiguar os detalhes desta história. Há ajuda interna, com certeza. Avisarei o detetive Covey sobre Crane.

As mãos enluvadas seguram firmemente o volante enquanto dirige saindo da caverna com destino ao último esconderijo de Crane — talvez em busca de um compartimento secreto no qual o químico pudesse ter ocultado suas fórmulas e compostos químicos de difícil obtenção. Mas, para sua surpresa, numa ousadia ainda não registrada até o momento no padrão que vinha sendo estabelecido nos assaltos investigados, um alarme silencioso dispara no painel de uma das empresas que fazem segurança particular na cidade. Conseqüentemente, a polícia e Batman também sabem da ocorrência. Os internos à residência não respondem aos chamados da empresa, a porta foi arrombada. Até aqui, as pistas se encaixam nos métodos dos crimes anteriores.

Pela localização que se encontra, Batman chegará ao local em poucos minutos, bem antes de qualquer patrulha local. Isso é bom, pois ele não terá de se preocupar com a segurança dos policiais que tentarem "ajudá-lo" na captura dos invasores.

A ação dos assaltantes é rápida. Quando Batman chega ao local, eles já estão de saída. Para evitar a fuga, o homem-morcego lança o Batmóvel de encontro ao furgão que sai da propriedade pela entrada principal. Isto leva o furgão a bater em uma árvore à margem da estrada: é o suficiente para parar o carro.

Batman já está sobre o veículo, esperando a primeira presa sair, e se prepara para lançar gás lacrimogêneo dentro do furgão quando é surpreendido por uma mão que atravessa o teto do carro e tenta apanhar-lhe o tornozelo. Se restava alguma dúvida sobre a relação dos assaltantes no furgão com o caso investigado, agora não há mais. Um salto para cima impede que seja alcançado, mas isso dá tempo de um dos capangas abandonar o carro. O sujeito é grande e visivelmente rápido. Um único salto é suficiente para que o assaltante esteja em cima do furgão, mas Batman aproveita o exato momento de desequilíbrio de seu adversário, quando ele toca o teto do carro, para atingí-lo com um potente chute no queixo. A queda é pesada, batendo com as costas no chão, sem qualquer técnica de amortecimento. O chute teria nocauteado qualquer homem comum, mas esse não é o caso. Batman já esperava esse fato, visto num relance, pois o segundo capanga tenta surpreendê-lo agarrando-o pelos tornozelos. O morcego resolve deixar seu algoz pensar que detém a vantagem. Quando este o puxa de cima do veículo, o vigilante usa o impulso do puxão mais a força de suas pernas para atingir, com a sola dos dois pés, o rosto do segundo marginal. Ele pode ouvir o terceiro tentar dar nova partida no furgão, mas uma nova investida de seu primeiro oponente é desferida. Como um trator, ele parte para cima de Batman, que salta por sobre o homem. A experiência de combate permitiu que essa "passagem do touro" fosse providencial, pois o segundo adversário do morcego está se recuperando do golpe inicial quando é atingido por seu parceiro, o qual não consegue deter seu impulso.

O furgão pega e inicia uma ré. Batman desfere um golpe na traquéia do seu adversário mais desorientado no momento. O efeito é o desejado, pois ele abre a boca em busca de ar e recebe a cápsula de um potente sonífero boca adentro. O segundo homem tenta pegar o vigilante por trás, num veloz abraço de urso, mas Batman usa o impulso de seu oponente, num belo golpe clássico do judô, para encaixar a lateral de seu quadril na altura do quadril do adversário, puxando-o pela parte de cima da jaqueta. O resultado é que o assaltante é projetado cerca de quatro metros à frente, de peito no chão. Para sorte dele, o furgão já está ligado, em posição de fuga e com a porta do seu lado aberta.

— Vambora!! Vem, vem!! — grita o motorista do furgão, já arrancando.

Ele se lança pra dentro do veículo, num salto de mais de cinco metros, sem qualquer corrida para auxiliar-lhe o impulso.

Não há tempo útil para Batman deter o carro, pois há mais de dez metros entre ele e o furgão já em movimento.

— Ligar! Faróis apagados. — é o comando vocal que dá ao Batmóvel, no qual entra em seguida. Agora se inicia uma discreta perseguição ao furgão.

— Jim, um dos assaltantes está a poucos metros da saída da mansão. Ele vai dormir por pelo menos mais duas horas. Prepare sua equipe especial de meta-humanos. Ele é muito forte, como já sabíamos. — fala, pelo rádio do carro.

— E os outros?

— Darei notícias em breve!

"Definitivamente não são monstros ou quaisquer figuras distorcidas. Era efeito das drogas de Crane nas testemunhas. Eles não devem ser meta-humanos. A força foi ampliada de maneira artificial e sem uso de exoesqueletos. O golpe na traquéia demonstrou que eles são quase tão vulneráveis como qualquer humano. Onde não há músculos, a resistência é baixa. Não possuem grande habilidades de luta, apenas força física intensa." — conclui o detetive para si mesmo enquanto segue o furgão, agora já nos limites da cidade, mais especificamente numa região próxima ao pólo industrial — "No confronto, pude observar que há uma caixa nas costas deles, por sob a roupa. Pude sentir que há tubos saindo desta caixa para os braços. Ainda é cedo para concluir."

O furgão pára junto a um antigo depósito farmacêutico. Eles entram com o carro numa garagem encoberta por uma parede falsa.

— Chefe, tivemos problemas. — fala o que usa jaqueta.

— Que tipo de problemas? Cadê aquele desmiolado do Jack? — pergunta Crane.

— Pois é, o problema pegou ele! — responde o motorista.

— Batman?

Uma sombra em forma de morcego cobre o ambiente. Antes mesmo de seu dono chegar ao solo, duas lâminas em forma de asa de morcego cortam o ar, atingindo a mão do Espantalho, que pretendia pegar uma pistola numa bancada à sua frente. Batman cai exatamente sobre o motorista, agora inconsciente. Restam dois.

— Pegue-o! — ordena o Espantalho ao único capanga que está de pé, enquanto corre em direção à saída mais próxima.

Batman ainda tem tempo de lançar terceira lâmina metálica e um batarangue: a lâmina atinge a perna do Espantalho e o batarangue passa ao lado da cabeça do capanga.

— He, he, he! Errou! — grita ele, enquanto parte para cima de Batman como um touro furioso.

No meio do trajeto em direção a seu alvo, sente algo atingir suas costas e um líquido escorrer espinha abaixo, encharcando sua jaqueta. Ele pára.

— Eu não erro! — fala Batman.

— Atingiu o tanque, mas não preciso do soro pra dar cabo de você. O efeito dura o suficiente. — responde o sujeito, reiniciando a investida.

Batman aguarda até o último segundo, esquiva-se e atinge as costelas na parte esquerda do tórax.

"Aqui tem pouco músculo, a dor vai incomodar."

A "pilha de músculos" é bastante rápida. Gira com as costas do braço para atingir o vigilante. Este, sentido a inevitabilidade do golpe devido à velocidade de seu oponente, dá um pequeno impulso, o suficiente para lançar seu corpo o mais próximo possível da junta do ombro e não ficar preso ao solo, também levantando os dois braços para bloquear o golpe.

A técnica funciona. Se Batman fosse atingido com as costas das mãos ou a parte do antebraço mais próxima da mão, a força do golpe teria sido bem maior, talvez quebrando seus braços, usados para bloquear o golpe. Quanto mais para junto do ombro, menor é a velocidade do golpe e menor é o impacto. Os pés longe do solo evitam resistência ao movimento, o impacto fica bastante amortecido e funciona mais como um empurrão, pois não há como deter o giro do corpo do agressor.

Batman é lançado no ar, cruzando quase sete metros da sala, mas consegue girar e bater com os pés na parede, caindo de pé. Enquanto avalia o próximo golpe, Batman vê um grosso cabo de energia numa parte exposta da instalação elétrica, no teto, acima do assaltante. Desta vez é o morcego que parte para cima. O homem de jaqueta lança uma cadeira em seu oponente, que se desvia. Num rápido movimento, a capa é solta e lançada por sobre o marginal. Na fração de segundo seguinte, Batman está sobre ele, já com o cabo elétrico cortado. Rasgando a capa, duas mãos seguram um dos braços do morcego, derrubando-o violentamente no solo. Com o homem-morcego em aparente desvantagem no chão, o capanga de Crane tenta dar um pisão na cabeça do morcego. Mas ao levantar a perna para o golpe, um chute explode em sua virilha. A visão escurece e a dor é tanta que paralisa o diafragma. Ele percebe o detetive levantar e tenta acompanhar o movimento, mas é tarde: Batman encosta o cabo elétrico na carcaça metálica úmida do recipiente que está às costas de seu adversário. Desse recipiente partem cabos metálicos para diversas partes do corpo. O choque dura cerca de três segundos. O homem de jaqueta não levantará durante um longo tempo.

Alguns respingos de sangue indicam a trilha do Espantalho a ser seguida. Como um predador à caça de sua presa ferida, Batman rastreia Crane pelas instalações.

— Sei que você está vindo, Batman. Não acha brilhante o que planejei? Há dias atrás eu assistia um desses programas de entrevista na TV. Parecia chato. Aí eles começaram falar de tarô. Sabe o que é isso?

Alguns segundos passam e nada retorna. Crane continua.

— Claro que sabe, afinal, você é o sabe-tudo, o sabichão. A carta quinze, dessa eu gostei. É "O Diabo". O sujeito na TV começou a falar um monte de coisas, mas o que é realmente interessante é o medo que ele projeta, o domínio que exerce sobre as pessoas. Você conhece alguém assim?

Nada, apenas o silêncio. Crane insiste.

— Só que ele representa também alguém que domina ou alguém que é dominado, depende de que lado da corrente a pessoa se encontra. Eu prefiro estar do lado que comanda, mantendo a cidade acuada, me respeitando. Você percebeu, não foi? Sabe os detalhes? O zoológico, a fuga. Como facilitei a ação do Diablo aqui na cidade...

Crane interrompe, pode perceber Batman se aproximar, mesmo sem saber exatamente por onde.

— Boa viagem, morcego, heheehe...

Dito isso, Crane cobra um frasco que se gaseifica, espalhando sua essência pelo ambiente. É o tradicional gás que provoca paralisação por pânico.

— Está sentindo? A ação é rápida. Em três segundos você começa a sentir medo, em quinze estará descontrolado. Começou o pavor?

O vigilante surge à sua frente e um direto atinge o Espantalho, nocauteando-o e lançando-o numa escadaria a três metros de onde estava. Batman, com a voz fanhosa devido à máscara contra gases, responde:

— Não, Crane. O pavor sou eu que causo!

Vinte minutos é o tempo que Batman leva para amarrar todos os criminosos e informar ao comissário Gordon onde deve procurar a gangue. Ao se preparar para sair, percebe que não está só. Sua mão esquerda já está empunhando três lâminas e ele vasculha o ambiente ao seu redor.

— Miiiaau!! Então você me percebeu? Acho que deve ser alguma atração. O que você acha?

— Selina! Eu poderia, mesmo sem querer, ter lhe ferido. Não se aproxime assim novamente.

Ela chega bem perto, ficando com o rosto a centímetros do rosto dele.

— Então me convide para um jantar.

— Selina... — antes que ele acabe a frase,ela saca um frasco com um líquido azulado. Ele observa o frasco. A seguir, a pergunta:

— Do que se trata?

— Uma variação da droga "veneno". Provavelmente era o que o rapaz lá embaixo estava usando. Achei que iria ajudar na sua investigação. Mas você é tão apressado.

— As coisas aconteceram muito rápido. Melhor assim.

— Nem sempre.

Ela se despede lançando um beijo no ar. Ele se permite um discreto sorriso e sente os resquícios do perfume dela. Hora de o morcego voltar à caverna. Logo mais, Bruce Wayne terá um encontro... maravilhoso!




 
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