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Batman # 15

Por Leonardo Araújo

No capítulo anterior: Batman investiga as atividades que ocorrem no laboratório L&C e descobre que um experimento inovador pode se transformar na arma mais mortal que o homem já construiu. A experiência foge completamente do controle dos cientistas e o mundo corre perigo: um buraco negro poderá destroçar nosso planeta.

Fora de Controle
Parte Final

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O potencial destrutivo das descobertas da L&C levam Batman a resolver pôr um fim nas atividades obscuras do laboratório. Assim, ele novamente utiliza a identidade de Ian Matternes, supervisor de limpeza e higiene, e percorre, nas três primeiras horas, as instalações. Enquanto observa atentamente as instalações, detalhe a detalhe, mentalmente otimiza o plano que fez para a ação decisiva.

Com a desculpa de inspecionar o local, o vigilante vai à central de água potável. Discretamente, lança pastilhas de cloro no imenso tanque. O cloro em excesso na água provoca diarréia. Mas terá de esperar o inicio dos efeitos. Enquanto aguarda o resultado da ação de seu agente químico, Batman distribui discretas bombas de gás sonífero, em uma versão incolor, nas saídas de ar das instalações do prédio que abriga a inviolável Zona Zero, local onde o projeto Gráviton está sendo propriamente desenvolvido. Ele já havia imunizado a si próprio contra a ação do gás.

Já é fim da manhã. As indisposições intestinais e bocejos são evidentes. Algo inesperado ocorre: luzes vermelhas acendem e sirenes ecoam em todos os prédios. Vozes de alerta saem de alto-falantes espalhados pelo complexo com uma ordem expressa: evacuar as instalações. Um tremor crescente começa a ser sentido em toda a área. As luzes oscilam. Há um princípio de pânico.

Batman segue com os empregados até estar convencido de que todos evacuaram o prédio; isso para poder disparar o gás sonífero em sua carga máxima: ele não quer nenhum inocente dormindo nos corredores caso o prédio venha a ser destruído. O gás, agora denso nos ambientes diversos, fará qualquer reforço na segurança dormir em poucas dezenas de segundos.

Ele ainda ouve, longe, gritos de pessoas correndo para longe das instalações, temendo o que poderá ocorrer. Ele se lembra de uma pequena sala utilizada como depósito de material de almoxarifado e entra na mesma para vestir o uniforme.

Agora, já trajando sua habitual vestimenta, Batman investe contra a Zona Zero. Cargas explosivas arrebentam trancas e dobradiças na porta que impossibilitava a entrada de pessoas não autorizadas. Como era de se esperar, alguns cientistas, técnicos e seguranças ainda estão na área invadida. Os cientistas e técnicos continuam seu trabalho, de maneira bastante agitada e com muitos gritos. Novos tremores são percebidos. Alguns vidros quebram nas janelas externas do edifício.

— Saia daqui. É terminantemente proibida a entrada de pessoas não autorizadas! — esbraveja um segurança ao fundo da sala. Batman o ignora.

— Tirem-no daqui agora! — ordena aos seguranças presente no ambiente.

Seis seguranças, movidos à droga Veneno, investem contra o vigilante. Eles são rápidos e muito fortes. Como já esperava, para diminuir a desvantagem numérica, o homem-morcego acerta três deles com potentes dardos soníferos disparados por uma zarabatana. O efeito é rápido e em poucos segundos eles perdem a consciência. O vigilante sabe que não pode ficar parado e por isso desloca-se rapidamente pelo ambiente, sempre procurando espaços vazios. Pequenas lâminas em forma de asas de morcego cortam o ar velozmente na direção dos adversários: três atingem um deles na perna. Ao saltar sobre Batman, um dos seguranças locais fica com a capa, que foi solta pelo cavaleiro das trevas. Aproveitando a oportunidade, o vigilante chuta com grande violência a lateral desse adversário, esperando quebrar alguma costela no impacto.

Lâmpadas explodem no ambiente.

— Cuidado! Vocês vão danificar o equipamento e condenar a todos nós! — grita um dos pesquisadores.

— Parem com isso! — grita outro, em tom de desespero.

Novamente pode-se notar tremores. Na verdade a cidade toda está começando perceber tais abalos sísmicos.

Mas a luta prossegue com grande ferocidade. Agora Batman lança bombas de fumaça no ambiente, enquanto se defende de vários golpes desferidos sobre si por um dos seguranças. Os golpes são tão violentos que o vigilante é obrigado a se afastar, pois tais golpes poderiam quebrar seus ossos, tamanho o impacto.

— Peguem ele! — grita o segurança, que manca devido ao grande sangramento na perna, fruto das lâminas que o atingiram.

— Parem com isso! Porra, vocês não escutaram... — gritava um técnico de segurança, frações de segundo antes de ser atingido por uma "mesa voadora".

Com um chute lateral muito forte, Batman atinge o ouvido de um dos oponentes, fazendo-o sangrar e perder por completo o equilíbrio. Com o adversário no chão, o morcego monta sobre ele e desfere três cruzados em seu queixo, quebrando alguns dentes, levantando-se a seguir para defender-se de um ataque às suas costas.

Apesar do movimento rápido do morcego, o segurança estica sua perna no máximo para tentar atingir seu oponente, e consegue. Porém, a distensão do movimento provoca pouco impacto e desequilibra o agressor. Batman, percebendo a situação, toma a perna de seu algoz e quebra seu joelho: a perna dobra para o lado e a rótula se solta no golpe. Mesmo drogado, ele grita estridentemente.

Cuspindo sangue, com o rosto cheio da cortes, um pedaço do lábio pendurado e as roupas molhadas pelo líquido que escorre abundantemente face abaixo, o capanga que levou os três cruzados no rosto ainda levanta, somente para receber o impacto de um chute no queixo, que o põe a nocaute.

O prédio inteiro treme. Os técnicos tentam estabilizar o princípio de buraco negro que se forma. Paredes racham por todo o prédio e vidros se estilhaçam. Na cidade, as estruturas mais frágeis começam a apresentar fissuras.

Batman está de costas para uma parede metálica quando percebe seu último adversário, o que tem os ferimentos na perna, partir em sua direção como uma locomotiva. O detetive calmamente espera até o ultimo instante e salta por sobre o "touro" enlouquecido, que arrebenta a fina parede metálica, destruindo parte do equipamento.

Em meios a fios, resistências, capacitores e outras peças eletrônicas, o homem tenta se erguer para um novo ataque, mas quando apóia sua mão ao chão leva um chute no punho que o faz retornar ao solo, agora com o pulso quebrado. Seu rosto é chutado, o nariz se quebra, fazendo-o trazer as mãos até a face para impedir novos golpes, mas isso lhe custa três costelas: Batman aproveita que o tronco ficou desprotegido e afunda o joelho na lateral de seu oponente.

O segurança urra de dor, perde a respiração e tenta, desesperadamente, puxar ar para seus pulmões. Isso facilita as coisas para o detetive: aplica-lhe, goela abaixo, uma cápsula de sonífero, decretando o fim da luta.

Ao levantar, percebe que dos vinte pesquisadores que estavam no recinto, agora só há sete, mas quatro fogem apavorados quando notam o triunfo de Batman na luta. O homem-morcego, com o uniforme empapado de suor, observa à sua volta: a sala tem alguns equipamentos destruídos, e do lado oposto há um imenso vidro transparente. Do outro lado do vidro, pode-se perceber os imensos indutores de campo magnético, os eletrodos gigantes e um aparato tecnológico imenso, cujo objetivo final é a geração do buraco negro artificial. Ele já pode sentir a força da gravidade o puxando.

Seus braços e pernas doem, devido à violência dos golpes sofridos e desferidos. O vigilante está cansado, mas a situação é de emergência. Não pode se dar ao luxo de descansar, não agora.

— Quanto aquele vidro suporta? — pergunta Batman a um dos pesquisadores ainda na sala.

— Ele foi feito para suportar a explosão de um carro-bomba a menos de três metros! — reponde o homem.

— Desativem essa coisa agora! — ordena Batman.

— O inibidor de energia era controlado pela máquina que vocês destruíram. — responde outro cientista, apontando para o local onde o último segurança tombou — Ele está se alimentando de toda a energia possível.

— Imbecis! Não previram uma catástrofe dessas? Não têm equipamento reserva? — pergunta um furioso encapuzado.

— Não destas proporções! — afirma o primeiro pesquisador, que foge do ambiente.

— O que esta funcionando? — indaga Batman, aproximando-se do vidro e constatando que este começa a rachar.

— O controlador do direcionador de campo de contenção e...

— Senhor, temos um blecaute no estado, toda a energia está sendo direcionada para cá! As proteções se fundiram, nada está desarmando. — grita o técnico que verifica informações junto a um dos monitores.

— Parece que não temos ainda um buraco negro, certo? — questiona Batman a um dos técnicos apavorados.

— Sim. Mas a situação está evoluindo. É só questão de tempo agora. — explica o cientista, em tom de pânico. A situação é muito ruim, as expectativas são negras.

— Por onde passam os cabos de alimentação de energia? — indaga o vigilante.

— Pelo piso inferior.

Batman percebe alguns dos imensos pilares de aço do interior da sala com os eletrodos gigantes começarem a ceder. As estruturas mais frágeis deste ambiente estão ruindo. Os próprios eletrodos trepidam e começam a se deformar. O morcego sai rapidamente da sala de controle. Corre em direção às escadas e as desce velozmente, mesmo com elas sacudindo. Um tremor mais forte o derruba ainda no corredor. Ele se levanta e continua a correr. Agora, adentra uma sala de reuniões, próximo ao local em que, no andar de cima, se localiza a sala de experimento. A força de gravidade artificial também já pode ser sentida neste nível. Ele caminha no teto.

Batman começa a bater com as cadeiras e demais objetos que encontra no gesso em que pisa, outrora um forro. As grossas placas vão cedendo. Já é possível ver os robustos cabos em eletrocalhas gigantescas que percorrem a laje, por "baixo", e "descem" ao andar superior por um furo na laje que separa os pavimentos.

O prédio agora treme muito. É quase impossível ficar de pé. As rachaduras são tantas que parecem ser uma decoração do ambiente. Prédios menos estruturados desabam na cidade.

Rapidamente, Batman pega algumas cargas de explosivo plástico e um disparador temporizado. Fixa os explosivos no cabeamento e crava o detonador na massa plástica. Com impressionante agilidade, programa o timer para quarenta segundos e se retira da sala, entre tombos. Ele está nas escadas quando escuta a explosão. A energia que alimentava o princípio do buraco negro é cortada.

O perigo maior terminou.

— Você conseguiu! — vibra o cientista à porta da sala.

Seu primeiro impulso é esmurrar o homem que sorri, um sorriso amarelo, a bem da verdade. Porém, analisando a situação, ele foi um dos dois únicos que permaneceram até o fim para tentar impedir a catástrofe.

O vigilante passa pelo pesquisador e nota que o técnico está no único comando que funciona.

— Se você desligar o campo de contenção agora, tudo aqui explode, certo? — fala o detetive.

— Isso. Mas temo que isso ainda possa gerar um buraco negro.

— Qual a potência que isso absorveu? Qual a magnitude da explosão que você calcula?

— Majorando o poder de destruição disso, a energia liberada vai arrasar o que estiver a duzentos metros de raio do epicentro. A destruição será grande até uns trezentos metros daqui. Só estará seguro quem estiver a pelo menos um quilômetro distante.

— Travem os controles. Vou implantar o que me resta de cargas explosivas neste computador e no restante da sala, principalmente naqueles cilindros de nitrogênio. — Batman aponta para os cilindros em um canto da sala.

— OK. — respondem ambos.

Batman começa a espalhar cargas explosivas e programa a explosão para daqui a dez minutos.

— Corram! — ordena o homem-morcego aos homens.

O amplo conhecimento da área, a evacuação das instalações e o fato da L&C ter comprado uma área equivalente a quinze vezes o perímetro de segurança estimado pelo cientista, dá ao vigilante a certeza que a explosão não atingirá ninguém.

Posta a última carga explosiva, faltam apenas oito minutos e trinta segundos para a explosão.

O vigilante aplica o antídoto do sonífero nos três seguranças que atingiu com os dardos. Batman percorre as instalações, retirando os seguranças que nocauteou. É bastante trabalho, e o vigilante só consegue atingir a área externa do prédio que abriga a temível Zona Zero quando faltam apenas quatro minutos para a explosão. Um sinal de rádio aciona o Batmóvel, que responde remotamente. Os outros três seguranças passam correndo pelo detetive, em uma velocidade que só aqueles que tentam proteger a própria vida alcançam. Em trinta segundos, o carro está arrebentando as grades dos portões da frente e parando junto ao prédio.

O cavaleiro das trevas empilha os homens nocauteados na parte superior do veículo — pois a parte interna só tem espaço para dois — e, faltando pouco menos de três minutos para a explosão, termina de amarrá-los para que não caiam com o automóvel em deslocamento.

Batman acelera para longe da explosão. Quando o barulho o alcança, ele está a uma distância bastante segura.

Ao avistar viaturas da polícia se dirigindo ao local, o vigilante pára o carro e deixa sua "carga" amarrada junto ao acostamento. Enquanto dirige para a caverna, comunica ao comissário Gordon tudo o que aconteceu.

Epílogo:

— Diana! — Bruce, já na mansão, fala no celular, sentado em frente à lareira.

Oi, Bruce. Tudo bem?

— Sim, mas posso ficar melhor. Tem planos para hoje?

Deixe-me pensar... estou olhando minha agenda. — ouve-se um leve riso ao fone — Isso é um convite?

— Só falta você decidir onde será o jantar. — pergunta o cruzado de capa.

Pensei em pular essa parte. — do outro lado da linha, Bruce Wayne esboça um largo sorriso.




 
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