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Batman # 31

Por Leonardo Araújo

Dia de Fúria
Parte II

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Companhia Central de Abastecimento de Água de Gotham (CCAAG), inicio da noite em Gotham

"Neste exato momento estou na CCAAG. O Crocodilo fez uma chacina aqui. Muitos corpos. Há outros assassinatos, fora daqui, que pesam sobre ele. Filhos foram privados dos pais. Irmãos não mais voltarão para casa. Maridos e esposas jamais se encontrarão. Isto me deixa quase fora de controle!"

Batman avalia a presente situação. Ele empunha um cassetete apanhado junto do corpo de um dos seguranças locais.

"Crocodilo desfere um soco. Aproveito e atinjo-o com o cassetete nas costelas. Pelo som, quebrou."

— Sei que crocodilos têm a barriga mole. — fala enquanto encara a besta — As costelas também. Está doendo bastante, eu sei. É para doer.

— Vou te estripar! Vou beber seu sangue!

"Ele avança. Eu lembro dos corpos. Deixo-o ficar com minha capa. Bato, com muita força, nas costelas logo abaixo da junção do braço. Não há músculo ali. A ponta do cassetete entra na caixa toráxica."

— Ahhh! — o Crocodilo agoniza.

Batman aproveita que seu adversário caiu com a dor e aplica-lhe uma seqüência de golpes na cabeça com o cassetete.

— Está entendendo?

Um, dois, três, cinco... dez pancadas. Por fim satisfeito, ele levanta. O suor encharca o uniforme. Ao seu lado o corpo inerte do vilão: vivo, mas muito ferido.

"Não acabou, verme. Você é burro demais para coordenar esta operação. Quem te contratou?"

"Pressão... muita pressão na minha cabeça. Sangue na boca... dentes quebrados... cuspi um. Tem alguma coisa escorrendo pelo meu rosto. Sangue, meu sangue, sei pelo cheiro." — são os pensamentos do Crocodilo.

Aghh...

"Respirar dói muito. Batman, cadê aquele filho da puta? Minha vista está começando a clarear."

Aghhhh.

— Pare de respirar que a dor passa.

— Seu escroto! — o marginal percebe que está de cabeça para baixo, amarrado na estrutura suporte de uma antena transmissora de televisão.

Batman afunda o dedo polegar no local em que cassetete quebrou algumas costelas.

— Pára, porra, tá doendo.

Ele acerta o rosto do prisioneiro.

— Não enrola. Você sabe o que quero. Já fizemos isto antes. — o vigilante grita — Nomes!

Hahaha... aii!

Crocodilo tenta falar algo, mas Batman lhe tapa boca e nariz com firmeza.

— Vamos ver se você entende agora. — diz o detetive.

O vilão se contorce, tenta se livrar da asfixia, mas não consegue.

"A pressão na cabeça. O corpo dói muito."

— Nomes! — Batman insiste.

— Você... tentou me matar!

— Suas costelas quebradas perfuraram seus pulmões. É por isso que não para de sair sangue da sua boca e nariz.

— Não vou falar nada, rato.

— Tenho o resto da noite. Você talvez tenha mais duas horas. — Batman está digitando algo em um notebook.

"Projeto Antártida. Pesquisa com água das geleiras para trazer para as cidades." — o detetive analisa as informações do micro.

— O computador que peguei junto com seus comparsas mostra uma atenção especial de vocês para o Projeto Antártida.

— Você já sabe o que queria... cof... cof !— ele cospe sangue — Agora me tira daqui.

— Nomes!

— Não tem nome nenhum, porra... aghhhhhh!

Batman pressiona as costelas do Crocodilo.

— Seu tempo deve ter encurtado pela metade.

O Crocodilo começa a xingar o homem-morcego, mas este está com a atenção desviada.

"Helicóptero." — Batman avalia o local, as posições defensivas. Prende uma corda na torre e lança pela lateral do prédio.

Ele acaba de digitar alguns comandos no notebook e pelos dados que aparecem deduz seu alvo.

— Pingüim... é o Pingüim... que você quer. — diz o prisioneiro quase inconsciente.

O helicóptero se aproxima, Batman se mistura às sombras, pega o rádio em seu cinto e fala:

— Gordom, tenho algo para você na Torre Sul.

A caminho!

Um holofote é aceso na nave, varrendo a cobertura. Ela ilumina o corpo semiconsciente do Crocodilo. Outro helicóptero se aproxima pelo lado oposto. Novo holofote vasculha o local. Menos de 15 metros separa a primeira aeronave da borda do prédio.

— Estamos procurando ele, senhor, mas o cara sumiu. — fala o piloto com alguém pelo rádio.

Subitamente, um barulho de algo se chocando na parte interna da cabine é seguido por uma pequena explosão: gás lacrimogêneo se espalha no helicóptero.

— Que merda é essa?

— Porra, é gás. Tira isso daqui: voa! — dizem os dois atiradores que estavam na parte de traz do veículo. Eles colocam a cabeça para fora da nave a fim de respirar. Bumerangues, em formas de morcego, atingem com violência o crânio deles, deixando-os desacordados.

O piloto manobra o helicóptero para cima, em alta velocidade, tentando dissipar o gás no interior da cabine.

Lá! — grita o segundo piloto para seus atiradores.

O canhão de luz foca Batman cerca de 3 metros abaixo da borda do prédio no lado que o segundo helicóptero foi posto fora de ação. Ele está preso por uma corda.

— Atirem, atirem nele!

Os homens na parte traseira pegam metralhadoras e disparam, ininterruptamente, contra o alvo.

— Achamos ele, Sr. Pingüim. Achamos! — grita o piloto pelo rádio.

Batman pendula com a corda, ao mesmo tempo em que afrouxa o equipamento que o mantinha estático. Assim, ele desce e oscila, tornando-se um alvo bastante difícil. Por fim, ele quebra uma das janelas do prédio e entra neste.

O helicóptero se aproxima da janela. Lá embaixo, a polícia começa a isolar a área do confronto.

Parado, em frente à janela, uma seqüência de quase um minuto de disparos é efetivada. Os canos das armas estão fumaçando pelo calor dos tiros. Há poeira, devido aos impactos na parede.

— Cadê o puto? — pergunta um dos atiradores.

— Deve tá morto. — responde outro.

Um barulho no fundo da nave chama atenção dos tripulantes. Eles tentam ver o que é, chegando a perceber um vulto passa em direção à parte externa do assoalho da aeronave.

— Ele tá aqui embaixo. — grita um já sacando a pistola. A seguir o atirado dispara para baixo.

O piloto manobra o helicóptero para cima ao mesmo tempo em que diz:

— Tá doido! Para com isso, pode atingir o sistema hidráulico.

— E o que você quer que eu faça, fique olhando? Espero ele chegar? — ele volta a atirar desequilibrado pela manobra que o helicóptero executa.

— Caralho, já falei pra parar com essa merda! — grita o piloto.

Uma mão, saindo da lateral inferior, pega a perna de um dos atiradores e o puxa para baixo.

— Pegou o Johnny, pegou o Johnny. Ai meu Deus!

— Cala a boca. — diz o piloto — Mete a pistola debaixo do helicóptero e passa fogo.

— Ele está desarmado. — o piloto escuta a voz do Batman a suas costas — Desce, agora!

O vigilante, de forma abrupta, coloca a mão sobre o músculo trapézio, perto da nuca, e pressiona, causando dor ao piloto. Imediatamente a nave começa a descer. Batman pode observar o helicóptero da polícia se aproximar e persegue a segunda aeronave que já se preparava para investir contra o detetive.

Já no chão, o piloto encontra-se de frente para o vidro, dentro do helicóptero, com Batman pressionando-o contra o anteparo.

— Eu não sei de nada, juro.

— Onde está o Pingüim?

A pressão contra o vidro é tanta que o prisioneiro não consegue fechar a boca, babando. Com a outra mão, Batman alcança o comunicador no cinto:

— Oráculo, triangulou a comunicação das aeronaves junto às Torres de Gotham?

Assim que você pediu comecei a buscar a freqüência. Eles usaram um embaralhador de sinais. Mas eu te darei a localização da origem em 10 minutos.

— Aguardo seu chamado.

Ele para de pressionar o sujeito contra o vidro, virando-o para si e perguntando com os dentes serrados:

— Onde ele está?

— Eu não sei ... — o piloto é nocauteado por um soco cruzado.

Faz quase uma hora que Batman chamou a polícia para recolher o piloto do helicóptero. Há quinze minutos ele está observando a movimentação, por dentro, num cassino clandestino. Está na sala do diretor. Sentado na cadeira, o administrador do cassino expede suas ordens: seu objetivo era garantir a segurança do local. Não queria que ninguém entrasse.

— Se aquele rato voador chegar a 10 km daqui quero ser informado, ouviu? — diz ele para alguém no rádio. — Quá, vem cá docinho, — ele puxa uma garota de preto para seu lado — prepare meu carro. Sinto que terei de deixar o esconderijo.

Quando ela dá o primeiro passo em direção a porta ele dá um leve tapa na bunda da garota.

Na cadeira do diretor está sentado o Pingüim.




 
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