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Batman # 30

Por Leonardo Araújo

Prólogo: O Assalto — Versão Final

Batman! — a imagem de James Gordon aparece na tela do micro.

— Pode falar, Jim.

Veja um vídeo de segurança que estou lhe enviando.

A fim de não comprometer a segurança de seu banco de dados, Batman digita alguns códigos e senhas no computador e faz o download do arquivo.

— Vou analisar e entro em contato a seguir.

Ah, nem pense em desfazer esta conexão. Quero ver sua reação diante do vídeo.

— Como assim?

Assista, é rápido.

— OK.

O homem-morcego roda o vídeo. (*) As imagens denunciam um ladrão incompetente que fica preso na joalheria que pretendia roubar. O policial só tem o trabalho de, pela manhã, após o meliante passar a noite incapaz de sair da joalheria, prender o incompetente assaltante.

Diante de um leve esboço de um sorriso, Gordon diz:

Vou mandar o depoimento do ladrão e do policial que efetivou a prisão. Você vai achar a leitura interessante. (**)

Dia de Fúria
Parte I

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Naquela manhã, num ônibus escolar em movimento nas ruas de Gotham

— Legal esta excursão, né, Tim?

— Hein? O que você disse, Darla?

— Caramba, Tim! Você tá com a cabeça nas nuvens, é? — diz Dennis.

— Eu perguntei se você acha esta excursão legal, só isso.

— Acho, sim. Eu tava pensando na prova de amanhã. Não estudei nada.

Dennis ri e pergunta:

— E alguém aqui estudou?

O grupo começa a rir.

— Meninos, chegamos! — o ônibus estaciona junto à Companhia Central de Abastecimento de Água de Gotham (CCAAG) — Saiam em ordem.

O barulhento grupo sai do veículo escolar formando algo que lembra uma fila. Os encarregados da segurança na portaria distribuem crachás previamente confeccionados para os visitantes.

— Nossa, fiquei péssima nesta foto. Moço, posso fazer outra foto? — pergunta uma menina ao rapaz da portaria.

— Sarah, é um crachá provisório. Em três horas você nem mais estará usando isso. — a professora fala olhando para o próprio crachá — Mas que ela tem razão, tem: como as fotos ficaram horríveis.

— A minha, além de desfocada, está verde. — diz Darla.

— Pô, vocês reclamam de tudo. — Dennis arremata.

Após terem a entrada facilitada, os estudantes são direcionados ao prédio principal. Trata-se de um complexo administrativo, muito bem conservado, de quatro andares, branco gelo com faixas transversais azuis e portas de vidro.

Logo na entrada da edificação, um senhor de barba, cabelo curtos, negro, de não mais de 45 anos, avisa em alto e bom tom.

— Sigam-me!

Ele caminha pelo saguão de recepção e direciona o grupo por um corredor.

— Quanta câmera! — diz Sarah.

— É, o lugar parece bem seguro. — fala Tim, observando os sensores nas portas e corredores.

— Maneiro aqueles micros na entrada. Aposto que dá pra ver tudo de lá. — Dennis conclui.

Quando percebem, os alunos estão numa enorme sala. Uma redoma de vidro espesso separa o grupo de três fileiras de computadores e seus operadores.

— Boa tarde e bem-vindos! — diz o senhor que os conduz.

— Boa tarde. — responde o grupo.

— Meu nome é Martin Rosen, sou o presidente da CCAAG.

Pode-se ouvir um murmurinho entre os garotos.

— Senhor presidente, em nome da diretora Elisabeth, que é sua cunhada, agradeço a oportunidade pela visita. — manifesta a professora.

— Meus amigos, aqui é o coração de nossas operações. Controlamos todo o abastecimento da cidade daqui. Eu, pessoalmente, explicarei o sistema para vocês.

Na caverna, Bruce revê os boletins policiais mais recentes.

"Assaltos, tentativa de roubo de banco, furto de automóveis, assassinato..."

O ultimo grupo requer uma atenção maior de Bruce. Há o caso de uma discussão no trânsito que levou a uma briga que desembocou num covarde assassinato. A seguir, lê que um assaltante tentou tomar a bolsa de uma senhora que saía do banco. A fivela do adereço enganchou no cinto da mulher. Após derrubar a vítima, quando puxou para arrancar a bolsa, o ladrão tentou subtraí-la da sua legítima dona. Puxões se seguiram por alguns segundos. Frustrado, ele empunhou uma arma e efetuou três disparos na mulher. Quando a ambulância chegou, ela já estava morta. O assassino fugiu.

Batman separa este caso dos demais. Verifica o que a polícia conseguiu de provas e indícios contra o assassino. Percebe que uma câmera de trânsito filmou o fato.

Após alguns comandos em seu computador, ele consegue isolar o rosto do assassino em alguns ângulos.

A seguir, vê as cenas finais da fuga e percebe que outras câmeras podem tê-lo filmado. Em cheio: há mais duas câmeras que flagram o fugitivo.

"Metrô!" — observa o morcego.

Batman prepara todo o arquivo e despacha o material por e-mail. Dá um comando nos teclados e puxa o microfone para si.

— Oráculo, está na escuta?

Pode falar, Batman.

— Enviei um material para você finalizar a pesquisa.

Estou verificando.

— Identifique o homem no metrô. As imagens daquelas câmeras devem ser melhores.

Chegou. Estou vendo o material.

— Compare as imagens com o banco de rostos. Quero este homem.

Considere o serviço feito. Te chamo assim que concluir.

— Desligo.

O cavaleiro das trevas continua sua análise dos fatos policiais e, ainda focando os assassinatos, vê as fotos e lê o relatório de um aparente latrocínio num bairro nobre da cidade.

"Albert Crammer, engenheiro químico, trabalhava para CCAAG, morto em casa. Maleta e computador roubado, casa revirada..."

Batman busca as imagens do local e vê a destruição causada. Mas o que mais o impressiona são as imagens do corpo: houve um desmembramento. O escritório estava com sangue por todos os lados, o carpete tinha poças e os intestinos foram expostos.

O detetive passa para o laudo do legista. Na leitura, observa que os membros foram arrancados, não cortados. Crammer estava vivo enquanto suas pernas e braços foram separados do corpo. Havia sinais de violência, muita violência, além das já mencionadas: hematomas, escoriações, osso do tronco e face quebrados. Os ossos do braço e pernas foram fraturados antes do desmembramento. A visceração aconteceu com ele vivo.

A morte só veio com a decapitação. Batman volta às fotos e percebe mangueiras de soro no ambiente.

"Após cada mutilação, o assassino amarrava as artérias para prevenir a morte por esgotamento do sangue."

Com muita atenção, observa a fotografia da língua: arrancada com uma mordida.

"Maxilares superiores e inferiores não humanos." — era o que dizia o laudo técnico do legista.

Batman amplia a imagem e simula a arcada dentária que se encaixaria na marca dos dentes que arrancaram a língua de Crammer.

De volta a CCAAG, os estudantes acompanham as explicações do presidente da empresa local. Após quarenta minutos de palestra, ele diz:

— Assim, garantimos a qualidade do abastecimento de água da cidade.

— E aquele pessoal da última fileira de computadores? — pergunta um dos garotos.

— Lá é que é feito o monitoramento das principais subestações de distribuição. No painel à direita, vocês podem ver um diagrama com nossa rede principal, em vermelho, e as redes secundárias, em azul.

— Aquele com luzinhas?

— Aquele mesmo.

— Sr. Rosen, aqueles monitores separados do lado esquerdo são para quê? — Tim pergunta, observando a movimentação do pessoal em frente às máquinas.

— Ali ficam os diretores. Aquelas telas podem ter qualquer imagem do nosso sistema. Eles controlam tudo.

— Inclusive a segurança?

Uma luz vermelha começa a piscar.

— Sim... — o celular do Sr. Rosen toca.

— Calma, crianças! — diz a professora visivelmente nervosa.

— Meu Deus! — grita uma das estudantes.

Nos monitores dos diretores é possível ver três pessoas avançando por um corredor, matando os seguranças que tentam impedí-los. Os invasores atiram em todos. Um deles lança os corpos como se fossem cadeiras, arranca braços e morde pescoços, abrindo a veia jugular das vítimas.

— Vamos para fora, todos para fora! — diz o presidente.

Tim percebe que o padrão do prédio onde está ocorrendo a invasão é igual ao do prédio onde estão.

— Garoto, pára de ver isso e vem comigo! — ordena um dos seguranças que entraram na sala. Tiros podem ser ouvidos, inclusive rajadas de submetralhadoras.

Tim pode observar que um dos intrusos é o Crocodilo.

Rapidamente, ele pega seu celular e digita uma mensagem:

O Crocodilo está no prédio principal da CCAAG.

Há 25 minutos, Oráculo identificou o assassino que foi para o metrô. Um jovem da classe média, 20 anos, com duas passagens por clínicas de desintoxicação de drogados, era o responsável pela morte da dona da bolsa.

Há três minutos, Batman, em um apartamento completamente escuro, faz o drogado sentir o desejo de ter morrido no lugar da sua vítima.

— Esse lixo que você usa nas suas veias não é desculpa para matar. — o jovem é lançado para o outro lado da sala.

— Pelamordedeus, por favor, chega! Não agüento mais! — ele chora.

— Quantas vezes você escutou isso de suas vítimas?

— Ahhh... — o detetive pega o assassino pelos antebraços e o levanta.

— Ela se chamava Jéssica. — Batman puxa o jovem para centímetros de seu rosto — Tinha cinqüenta e três anos, quatro filhos e dois netos. — ele acerta no nariz do assassino com a testa.

— Urgg!

— Jéssica faria aniversário na semana que vem. Ela tinha ido buscar a pensão que o marido deixou para ela sobreviver. — com um golpe brusco e violento, o vigilante quebra os dois cotovelos do drogado, que desmaia de dor.

Em seguida, o detetive manda uma mensagem para Gordon, avisando para recolher o fugitivo. Neste momento, Batman lê a mensagem de Robin.

Enquanto se atira pela janela para chegar ao batmóvel, ele liga para o celular de Tim.

— Tire todos daí. Não faça nada além de retirar o pessoal! — ordena o homem-morcego.

Ao conduzir o carro velozmente ao prédio da CCAAG, Batman lembra das fotos da língua arrancada do engenheiro.

"Crocodilo." — conclui.

São quase vinte minutos até chegar no prédio. Ao estacionar, encontra Gordon e várias viaturas no local.

— O prédio está cercado.

— Vou entrar! — Batman comunica a Gordon.

— A SWAT está se preparando pra isso.

— Quanto tempo?

— Quinze minutos, talvez vinte.

— Ele já terá escapado.

Dentro do prédio, os invasores fazem o caminho de volta, percorrendo uma trilha com sangue e corpos.

— Andem logo! — a voz rouca e alta do Crocodilo reverbera nos corredores.

Os dois homens o seguem, cada um com um notebook.

— Não percam esta merda ou como o fígado de vocês.

Os três seguem apressados. Poucos metros os separam da beira do reservatório. Subitamente, um forte barulho faz o Crocodilo olhar para trás.

— Filho da puta! — o invasor observa o cavaleiro das trevas com um pé sobre um dos homens e o outro caído mais à frente. O animalesco vilão corre e se lança nas águas do reservatório.

Batman pode acompanhar a sombra que se desloca no estreito canal em direção ao reservatório principal.

"Ele está me provocando. Quer que eu entre na água."

Batman tira quatro cápsulas do seu cinto. Joga duas à frente e duas na retaguarda da posição no canal em que o Crocodilo nada. Ao atingirem o canal, parte da água se congela.

"Nitrogênio líquido. A água deve estar bem fria agora. Ele vai sair, répteis ficam lentos no frio."

A sombra nada de um lado para o outro, tentando fugir da zona gelada. Quanto mais avança, mais gelado, pois chega perto das duas cápsulas lançadas à frente. Recua, a temperatura fica menos desconfortável, mas, a seguir, volta a esfriar na medida que o Crocodilo se aproxima de onde foram lançadas as outras cápsulas. Batman reforça as doses.

"Elas não vão durar mais do que 30 segundos. Mas ele não sabe disso. Vai sair antes."

O canal é confinado, correndo por um extenso túnel de cerca de cinco metros de largura por sete de altura.

Finalmente o vilão coloca parte de sua cabeça para fora, observando Batman. O vigilante encara o monstro. Perto dali, o corpo das duas primeiras vítimas: guardas da equipe de segurança.

Crocodilo se lança para fora da água, em direção ao detetive. Seu ataque é rápido, mas não o suficiente.

"Ele já perdeu parte da velocidade." — observa Batman enquanto se esquiva do ataque. O mostro atinge a parede do túnel. Batman lança bombas fulmígenas, enquanto apanha um cassetete de um dos seguranças mortos.

O Crocodilo rosna. Em seguida, grita:

— Cadê você, seu merda?

"Posso ouvir seus movimentos." — há uma densa fumaça no ambiente — "Está dando golpes no vazio. Sinto uma presença crescer no meu plexo solar, um animal está subindo pelo meu peito."

— Venha aqui, covarde. — diz a besta.

— Você matou muita gente hoje, verme!

— Cadê você? Aparece!

— Estripou e fez um rastro de sangue. Vai pagar por isso! Vai doer... e muito!

"Ele sai do meu estômago, passa pela garganta e domina o resto do corpo."

Só tem duas presenças vivas ali. Há um segundo rosnado que não é do Crocodilo.


:: Notas do Autor

(*) Algo muito próximo disto: http://www.youtube.com/watch?v=0xjvN54YBQE. voltar ao texto

(**) Os depoimentos foram mostrados em O Assalto - Parte I e Parte II, nas duas últimas edições. voltar ao texto




 
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