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Batman # 32

Por Leonardo Araújo

Dia de Fúria
Parte III

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Gotham está tendo uma noite muito agitada. Iniciou com o Crocodilo invadindo as dependências da sede da Companhia Central de Abastecimento de Água de Gotham (CCAAG). O invasor foi capturado por Batman, que o conduziu para um interrogatório, no melhor estilo do morcego. Neste, descobriu que o arquiteto por traz das ações do Crocodilo era o Pingüim.

Na seqüência, o vigilante interrogava seu prisioneiro quando sofreu um ataque aéreo, proveniente de dois helicópteros. Após anular a provável ação de resgate, o Cavaleiro das Trevas foi em busca do gangster Oswald Chesterfield Cobblepot, o Pingüim. No momento, Batman observa o desenvolver dos fatos.

A ação é furtiva, rápida e objetiva: dois carros estão estacionados aos fundos de um cassino clandestino, com os motores ligados. A porta corta-fogo é aberta e dois seguranças saem. O gangster é o terceiro homem a sair. Um dos seguranças abre a porta do automóvel mais próximo para que o seu chefe pudesse entrar.

Vamos logo! Quá, este lugar está condenado. — diz antes de fechar a porta do veículo. Esta é batida com força. Os seguranças que estavam junto à porta correm e entram no outro carro. No beco estreito, os motoristas arrancam abruptamente em direção a rua principal.

— Que meda é essa? — grita um dos seguranças no segundo carro.

Atira! Chumbo nele!!!

Ao ouvir tiros, Pingüim vira e avista Batman agachado sobre o capo do carro que fazia sua segurança: tiros arrebentavam os vidros enquanto o vigilante lançava um granada para dentro do veículo, aproveitando o pára-brisa quebrado, e saltava para a retaguarda do automóvel. Ato contínuo, o Homem-Morcego é arrastado rumo ao alto das edificações pelo acionamento da retração da corda presa ao seu corpo.

— Olha lá! — aponta o carona de um dos carros que passava próximo ao local do confronto. O trânsito para diante das circunstâncias. Um dos porteiros liga para a policia, enquanto um senhor entra, apressadamente, na portaria do prédio em que mora.

Os tiros continuavam, apesar da fumaça tomar conta do ambiente interno. Semidesgovernado, o carro derrapa e alterna rumos diferentes. Por fim, o motorista não consegue evitar o choque com um hidrante. O estrago é notório, embora a velocidade não passasse de 60 km/h.

Algumas pessoas na rua viram dois dos homens que estavam no carro sair, cambalear por cerca de dois passos e cair, vítima do potente sonífero lançado dentro do automóvel. Outros viram uma sombra se afastar do local, por sobre os prédios.

Morcego maldito, quá! — esmurra o teto — Rápido, acelera. Ele não pode nos alcançar.

— Sim, senhor!

— Não estou vendo ele. — diz o gangster com o rosto muito próximo ao vidro lateral da janela. Ele passa alguns segundos observando também pelos outros vidros. — Pelo túnel! — ordena.

O carro segue em alta velocidade pelas ruas da cidade. O motorista pressiona um botão discreto no painel e a placa gira, sendo substituída por outra.

— Diminua, siga o fluxo do trânsito. Não queremos chamar atenção.

— Como o senhor quiser.

A tensão é grande dentro do carro. O segurança, no banco do carona, está com a arma na mão, pronta para disparar. Ele transpira e exibe um leve tremido, fruto da descarga de adrenalina.

— Cuidado com isso! — alerta o Pingüim — Estúpido. — ele pega um lenço e enxuga o suor da face e pescoço que insiste em brotar mesmo com o ar condicionado do automóvel funcionando perfeitamente.

O motorista, por vezes, também lança seu olhar a distância, procurando algo que indique que deva acelerar, parar ou seguir em outra direção..

Olha pra frente! Olha pra frente! — repete o Pingüim — Se você bater o carro, quá, ai estaremos com muito problema.

Após quase vinte minutos circulando, o gangster ordena:

— Para o carro.

— Mas chefe...

Mandei parar! — fala dando um safanão na cabeça do motorista.

O veículo é manobrado e para junto da esquina.

— Desce. — diz Pingüim apontando seu guarda-chuva para o segurança — Arruma outro carro. Este deve estar monitorado.

O homem sai do carro e caminha em direção aos veículos estacionados à retaguarda, pouco mais de trinta metros.

— Circula, dê uma volta na quadra. — ordena.

O carro, lentamente, acelera.

— Tenho certeza que o rato voador grudou um daqueles rastreadores na traseira do carro. — ele olha por sobre o ombro, em direção a traseira do automóvel — Eu conheço aquele desgraçado.

— Muita esperteza, chefe, muita mesmo.

— Puxa-saco. — resmunga pelo canto da boca enquanto acende uma cigarrilha na ponta do pito — Cala a boca e dirige.

Conforme ordenado, o motorista conduz o automóvel por um volta completa na quadra, com uma velocidade moderada. Não há quase ninguém na rua, visto que já passam das quatro horas da madrugada.

O veículo dobra a esquina, já na rua em que parara, embora na esquina oposta.

Que merda! Acelera!

— O que foi chefe, o que o senhor viu? — pergunta o motorista, sem resposta.

Ele avistou algo que o segurança, tentando arrombar um carro, não percebeu: uma sombra na cobertura do edifício em frente à ação do furto.

Arggh! — duas lâminas negras em forma de asa de morcego perfuram a mão do homem que já havia aberto a porta. O sangue jorra de forma abundante. Uma corda o enlaça e o ergue no ar, velozmente. O homem é engolido pela sobra na cobertura. O silêncio impera.

Rato maldito! — Pingüim esmurra o banco do carro. Ele apanha um celular e, ao tentar discar, percebe que o aparelho não completa a chamada.

— Vai chamar ajuda?

Dirige! — ordena — Tenho certeza que foi ele. — resmunga em relação ao não funcionamento do celular.

Minutos se passam enquanto o gangster observa o alto dos prédios em vão. Ele pensa, pensa, mas não vê opções.

— Estamos ficando com pouco combustível.

Merda! Quá! Quando eu pegar aquele rato, ah, acabo com ele! Vamos para o ninho.

Cerca de dez minutos se passam até o carro entrar em uma residência com aparência de abandonada. Seus ocupantes, apressadamente, deixam o carro.

— Fique de olho vivo! — diz Pingüim correndo e segurando sua cartola na cabeça.

O motorista abre a porta e ambos entram na casa. Eles seguem direto para o quarto dos fundos e abrem um armário velho. Lá, armas e munições se encontram em grande quantidade.

— Pegue o que puder. — ordena novamente.

Subitamente, Pingüim coloca o dedo indicador direito perpendicularmente sobre o lábio, em sinal de silêncio. Ele indica, com um gesto de cabeça, para que o motorista o siga. Pé ante pé, de forma furtiva, eles se deslocam. Primeiro vasculham a sala. Por vezes observam janela. Vistoriam os quartos e o banheiro.

— Cozinha. — fala cochichando.

Eles adentram a cozinha, com extrema cautela. Enquanto Pingüim dá cobertura, o motorista olha nos poucos lugares onde uma pessoa poderia se esconder. Certo de que o lugar estava limpo, ele diz quase sussurrando:

— Vamos sair daqui. Na garagem há uma passagem que leva à casa na frente da rua.

Ambos saem da cozinha, passando pelo corredor. Com um forte estrondo, placas do forro se soltam: um par de braços agarra o motorista e o leva para as sobras entre as telhas e o forro.

Morre, desgraçado, morre! — enquanto grita, Pingüim dispara com o guarda-chuva várias vezes no forro, em diversas direções. Placas de gesso, pó, pedaços de ripa começam a cair. Os tiros não cessam enquanto a munição não acaba.

Desgraçado! Desgraçado! — grita correndo pela casa na direção da porta de saída. Nesta ele se detém.

Quer me pegar lá fora, né, seu rato! Aparece!

Passos, do quarto em direção a sala, podem ser ouvidos pelo ranger das tábuas que recobrem o piso.

Quá, morra, rato! — diz Pingüim ao tentar disparar, novamente, sua arma, agora completamente vazia.

Rapidamente ele se vira, empunha a maçaneta, gira-a e abre a porta. Algo fisga sua perna, um puxão forte na perna esquerda o derruba. O gangster é arrastado pelo assoalho, atravessando toda a sala. Quando termina o arrasto, ele se vira para encarar seu capto.

— Acabou? É o que você pensa. — diz Pingüim.

Agilmente, Pingüim enfia a mão no bolso interno do paletó, todo amassado e roto, e saca um pequeno revolver de dois tiros. Batman, com um golpe, faz a arma parar do outro lado da sala. Ele abaixa, pega o marginal pelos colarinhos e o ergue, trazendo-o face a face:

— Temos contas a acertar, Cobblepot.

Uma hora depois, já na caverna, ele remove o capuz se dirige ao computador. Uma visão em particular lhe chama atenção: um pombo entra pela escuridão da caverna, voando em sua direção. Era visível algo preso a sua pata.

"Diana."

Bruce estende a mão e pega a ave que pousara sobre o encosto da cadeira, logo ao seu lado. Com cuidado, retira a mensagem do pé do pombo e abre. No papel há uma mensagem da rainha das amazonas:

"Espero te ver em breve, Di".




 
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