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Batman # 35

Por Leonardo Araújo

O Lado Negro
Parte I

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"As paredes são velhas. A janela tem um modelo de mais de vinte anos. Os ferros estão bastante oxidados. O vidro opaco. Pelo eco do ambiente, o lugar é amplo. Um som de fundo, uma sirene, ou buzina... quase imperceptível."

Batman analisa, passo a passo, os vídeos que o Coringa lançou na Internet. Três "bipes" curtos o fazem congelar a imagem e se dirigir a outro terminal do computador.

"Resíduos relevantes nas roupas: pólvora, tabaco, cevada, ferro, cloreto de sódio, sílica. Calçado: areia, óxidos, cloreto de sódio, compostos orgânicos..."

Ele seleciona mentalmente as informações relevantes. Retorna aos vídeos. Ouvindo atentamente, passa repetidas vezes um trecho onde algo similar a uma buzina ou sirene é perceptível.

"Um navio. Ele está no porto."

Após alguns comandos o vigilante tem sua disposição uma lista com as instalações junto ao porto da cidade. Começa a selecionar as ativas e inativas. Após caracterizar as que estão inativas ou semi-ativas.

Em seguida ele passa a programar uma trajetória bem definida num pequeno avião elétrico, do tipo não tripulado, bastante silencioso. A aeronave é equipada com uma câmera filmadora de alta resolução, dentre outros modernos aparelhos de espionagem.

— Oráculo?

Pode falar.

— Em cerca de duas horas você receberá imagens digitais de armazéns do porto. Selecione aquelas que são compatíveis com a que aparece no vídeo do Coringa.

Entendi. Mais alguma coisa?

— Estou te enviando uma listagem e mapeamento dos prédios inoperantes. Vou aguardar sua seleção de armazéns. Observe o link Ele mostrará a zona do porto em tempo real. Você pode manipular as câmeras.

Câmeras? OK.

— Por fim, avise a Gordon pra ficar em condições de controlar distúrbios na cidade.

O que acha que o Coringa quer?

— Ainda não descobri, mas não é dinheiro. Sabemos disso.

Já fazem mais de três horas após sua chegada. O detetive sai da subestação de distribuição de energia elétrica. Agora ele sabe exatamente aonde ir. Dos armazéns inativos, apenas três estão consumindo energia. Destes, dois estão na relação que Oráculo enviou.

Vinte e um minutos é o tempo que Batman leva para chegar e executar uma razoável inspeção visual nos acesos ao interior do primeiro armazém da lista.

"Pouco provável que seja este."

Leva mais quinze minutos até chegar ao outro armazém. A frente do armazém não apresenta detalhe que lhe chame atenção. Mas na lateral, observa que a maçaneta de uma das portas não está empoeirada. Há restos de dois cigarros nas proximidades.

Sorrateiramente, ele sobe no telhado, que não inspira muita confiança devido aos longos anos sem manutenção.

"Incauto." — afirma para si mesmo

Desce. Com um aparelho similar a um estetoscópio, o Homem-Morcego passa a percorrer as paredes externas, em busca de sons e vozes: é recompensado. Consegue notar conversas e a inconfundível gargalhada do Coringa. Mais à frente, uma janela lhe dá acesso ao interior do armazém. Ele pensa em entrar rapidamente, um ataque surpresa. Mas faz outra opção.

Dentro do prédio, o Coringa observa algumas armas sobre uma bancada. Alguns dos capangas conversam sem muita preocupação.

Uma explosão arrebenta a janela e um vulto preto adentra o armazém, já com uma nuvem de gás se formando.

— Finalmente o show vai começar. Peguem Batman! — ordena ao palhaço, sorrindo.

Tiros são disparados em direção ao vulto negro. Dois dos oito capangas desabam. O vulto preto não se mexe e recebe seguidos tiros. Mais dois capangas desabam. Coringa observa um batarangue no chão.

— Idiotas. Ele entrou depois. Ele está na janela. — aponta o Coringa.

Lâminas em forma de asas de morcego incapacitam mais um, enquanto um segundo recebe o impacto de uma caixa velha de madeira.

— Isso, querido, venha para mim, hehehhe

Rajadas de metralhadora rasgam o ambiente. As luzes foram quebradas e o ar está com muita fumaça. Um grito indica que mais um dos capangas está fora de ação.

Subitamente, a pressão interna sobe, fazendo parte da fumaça sair. Uma explosão conhecida faz Batman pegar um dispositivo em seu cinto.

— Então ele está aqui. — a voz gutural e rouca de Darkseid invade o ambiente.

— Como prometi. Eu apareço e, cedo ou tarde, ele vem, heheehe.

Das sombras, o último dos capangas do Coringa aparece, dá um passo e cai. Batman surge logo a seguir.

— Penso que fui claro no meu aviso. — adverte o mascarado.

— Ah, pendências não resolvidas. Gosto disso. Eu seria seu advogado, Batman, mas tenho alguns assuntos urgentes a tratar. Divirtam-se.

Dizendo isto, o Coringa pega uma maleta sobre a mesa e usa um segundo e recém aberto tudo de explosão, cortesia do soberano de Apokolips.

— Sabe o que me impede de usar meus raios ômegas e desintegrar você? — fala Darkseid se dirigindo ao detetive — Quero que seja humilhado em sua cidade.

— Suponho que o Coringa se encaixa nesta parte de seu plano.

— Por certo.

— Acredita que estou completamente a sua mercê. — afirma Batman.

— Obviamente. Mas não sou tolo de pensar que não tenhas como causar um significativo estrago em Apokolips se for morto aqui e agora. Não o subestimarei novamente.

A tensão cresce. Batman mostra seis lâminas morcego: três em cada mão, entre os dedos, aflorando com o punho cerrado.

— Sabemos que estas lâminas não me causarão qualquer dano. Qual sua intenção, humano?

O vigilante as lança. Darkseid detém duas nas mãos e as outras quatro atingem seu tórax, partindo-se em estilhaços. O alienígena observa certa umidade na palma da mão. Olha para seu peito, o local de impacto das outras lâminas, e observa a mesma umidade presente.

— Eu lhe diria o que é, se soubesse. — confessa Batman — Considere cortesia do Dr Estranho.

Os olhos de Darkseid começam a brilhar num tom rubro.

— Parece que seu truque falhou. — adverte o deus negro.

— Falta algo: "Voluntas pro facto reputatur." (*)

Apesar do brilho rubro aumentar, uma áurea prateada é formada ao redor de Darkseid. Seu corpo começa a ficar translúcido e, em cerca de dois segundos, some do armazém.

— Sua magia funcionou, Strange! Espero que os demais estejam disponíveis. — diz o vigilante pressionando o comunicador em sua máscara.

Satélite natural da Terra, ou, simplesmente, lua

Sob o olhar do recém formado corpo astral do Dr. Estranho, na gota de uma singular essência que persiste em se manter líquida no gélido lado negro da lua, um brilho começa ganhar forma. A silhueta de Darkseid já pode ser reconhecida.

Ainda com os olhos prontos para descarregar o efeito ômega, o alienígena olha a sua volta. Dez metros acima, poucos à frente de onde ele está, percebe a imponente figura de Thor. Sem pestanejar, dispara contra o Deus do Trovão. A rajada é potente, mas é inteiramente absorvida por Mjolnir. Mas o processo de contensão, a pressão da carga absorvida, afasta o asgardiano cerca de vinte metros do ponto em que estava. Ato contínuo, Thor lança seu martelo com estrema fúria no deus negro. Darkseid desvia, mas a onda de choque do artefato no solo o arremessa longe do ponto de impacto.

"Abandone a Terra, ou sofrerás a ira do Deus do Trovão."

A projeção mental da voz de Thor leva Darkseid a perceber a presença do Caçador de Marte, agora ao lado do deus de Asgard. Do outro dele, a Rainha das Amazonas completa a poderosa tríade nos céus lunar. Ao girar seu corpo, Darkseid percebe aquele que é chamado de Vigia. À frente deste, materializam-se Flash, Homem de Ferro e Cyborg.

Uma voz diferente lhe alerta: "Você não é bem-vindo à Terra!". Ele pode perceber a projeção da face de Charles Xavier. Logo abaixo, o Capitão Marvel e Poderosa, pairam sobre o solo.

Um tubo de explosão abre uma passagem a suas costas. Darkseid esboça um leve sorriso de canto de boca. Cerca de 50 para-demônios, trajados em armaduras negras, marcham para fora do portal, formando um cinturão em torno do monarca. O Senhor de Apokolips cruza seus braços e gira a cabeça observando a formidável força tarefa presente.

Centro de Gotham

O maior prédio comercial da cidade, Gotham Center, está com um aspecto significativamente diferenciado: canhões de natureza alienígena podem ser observados na cúpula da edificação. Homens de armadura, com uma ridícula máscara infantil de palhaço sobre a face, portando armas iguais as dos para-demônios de Darkseid, são percebidos nas janelas e na cobertura.

Dois helicópteros da policia investem contra a cobertura. Os canhões são redirecionados, mas não efetivam disparos. A policia se aproxima e ativa o sistema de som:

— Saiam do edifício sem oferecer resistência. Vocês estão...

Um dos canhões dispara, transformando o helicóptero numa bola de fogo rumo ao chão. A segunda aeronave abre fogo contra a edificação, mas a os projéteis não atingem o alvo. Há um eficiente campo de força que impede a penetração dos disparos.

Os policiais no helicóptero podem ver o Coringa subir à cobertura, apontar com seu dedo, como se fosse um revolver, e "disparar" contra a nave. O Palhaço do Crime gargalha. De uma das janelas, no último andar, uma descarga de força, que lembra um laser vermelho, praticamente desintegra o rotor principal, fazendo a aeronave entrar em um mergulho fatal contra o asfalto abaixo.

Um helicóptero da impressa circula o prédio, a quase duzentos metros da cobertura. Um dos canhões é direcionado ao veículo. O piloto muda sua trajetória. Novamente, o raio vermelho atinge e atravessa a aeronave, para horror daqueles que acompanhavam a movimentação local.

Subitamente, um potente sistema de som faz uma estridente gargalhada ser ouvida por dezenas de quarteirões.

— Um milhão de dólares em espécie, heheh, cinco milhões de euros, hahaha, três milhões em diamante, hehehehe, dois em ouro e blá, blá blá. Ora, por certo esperavam mais criatividade da minha parte. Pois é isto que terão: haverá muitos fogos de artifício e eu me divertirei muito, hehehehehehehh. Quero aquele rato imundo do Batman aqui, ou esta cidade vai ter um dia de cão como jamais imaginou, hehehehhehehehe...


:: Notas do Autor

(*) Latim: "A intenção é que faz a ação". voltar ao texto




 
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