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Batman # 36

Por Leonardo Araújo

O Lado Negro
Parte II

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— E então, qual é o plano? — pergunta um pensativo Gordon a Batman.

— Vou me entregar nas condições dele.

— De insano aqui já basta o Coringa. — desaprova o policial.

— O campo de força é virtualmente impenetrável. Para me receber...

— Ele terá de desativar o campo.

— Ao menos parcialmente. — analisa o detetive.

— Invadimos assim que você passar pelo campo.

— Poucos agentes entrariam. — fala em tom de alerta — Eu resolvo da minha maneira. Prepare seu pessoal para apoiar assim que o campo estiver inativo.

O comissário respira fundo, retira e limpa os óculos.

— Quem entra com você? Flash, Superman, algum outro velocista? Quem? — ao levantar os olhos, já não vê seu interlocutor.

Gordon vai a janela o observa a entrada do Gotham Center. Ele sabe que, mais cedo ou mais tarde, Batman entrará lá.

— Comissário, a Guarda Nacional chegou. Há pelo menos uma centena deles.

O velho policial pega um binóculo e mantém sua observação ao prédio.

— Traga o rádio. Quero falar com o comandante deles. E as ruas?

— As saídas da cidade... nossa! Está um verdadeiro caos. A evacuação de Gotham demorará muito ainda. — responde Harvey Bullock — É o inferno, comissário.

Em silêncio, Gordon observa uma sombra muito familiar se aproximando da entrada principal do Gotham Center.

Coringa! — Batman grita — Estou aqui. Apareça.

Passa quase um minuto antes dele repetir:

Coringa! Estou aqui. Apareça.

Cerca de oito homens, fortemente armados e trajando armaduras, saem da edificação.

Clac, clac, clac — aplausos são ouvidos pelos que estão presentes na entrada da edificação. A origem são as mãos do homem que sai do prédio e vem ao encontro de Batman.

— Ahá, Tróia. Parecia o Aquiles chamando "Heitooorrr! Heitooorrr! Heitooorrr!" — ele grita — Mas o Brad Pitt fez melhor. Hehhehehh!

— Estou aqui, Coringa. Vamos acabar com isto.

— Sabia que não resistiria. Você não vive sem mim, não é verdade? Uma atração fatal. — o palhaço exibe seu largo sorriso.

— Como vai ser?

— Acho que vou atirar em você daqui mesmo. — saca um revolve velho e aponta para o cavaleiro das trevas — Huuumm. Se eu atirar, você morre e não dou chance de nenhum dos seus amigos entrarem. Depois destruo Gotham. Simples, não é? — ele pisca.

— Então faça.

O palhaço dispara a pistola e sai um "BANG", escrito em vermelho numa bandeira branca, de dentro do cano.

— Você está morto, kkkkkkkkkkkk!

Batman continua encarando o Coringa.

— Nooooossa, que mau humor! Falta de imaginação. Você acha que sou o que? Idiota? Qual a graça de acabar com Gotham se você não pode assistir? Eu nunca iria desconsiderar nossa longa amizad... relacionamento, longo relacionamento.

Ele levanta o pulso até a altura da boca e fala por um comunicador:

— Nível sete. — um sinal com a cabeça para um dos capangas o qual lhe acompanha o faz entrar — Um minuto, em breve você estará pronto.

O capanga retorna com correntes.

— Desativei a sensibilidade a titânio. — o Coringa joga as correntes para fora do campo — Prenda-se com isto.

A corrente une três algemas maciças: duas duplas e uma simples, porém esta é maior. Batman prende a última no pescoço.

— Tenho certeza de que um dos seus fedelhos está aqui embaixo, pronto para entrar assim que você passar pelo campo.

Ele algema os próprios pulsos com um dos pares menores.

— Vai ser quem? — continua o Coringa — O garoto palerma ou aquele imitador de morcego que lidera os Titãs? Nem pense nos velocistas.

Por fim, o vigilante prende as algemas aos seus pés.

— Desative o nível dois. — ordena o Coringa, repetindo o movimento anterior — Aviso que tenho vários homens aguardando seus pupilos no subsolo, sensores com explosivos pelo prédio e muitos homens em cada andar. Venha, ande para cá.

Batman caminha, fazendo barulho com as correntes.

— Vamos, entre. Deixa de moleza, homem, hehehe — quando o vigilante passa por seu captor, recebe um brutal chute nas costas. Ele cambaleia, mas consegue se manter de pé.

O Coringa aponta um elevador. Batman segue para ele.

— Sei que você tem um plano. Mas eu e meu sócio, o pedregoso, cuidamos para os maiorais estarem ocupados. Alias, contamos com você para isto. Hehhehe, essa foi boa, né, hehehe, muito boa, heheheheh: você possibilita que Gotham vire fumaça, hahahaha.

— Desista, Coringa. — as portas do elevador se fecham e inicia a subida.

— Desistir? Acho que estou na vantagem agora. Vejamos: você deve ter mandado Super-escoteiro, gostosa maravilha, o abacate marciano e toda a corja da LJA para deter Darkseid. Talvez o quarteto imbecil... quem sabe a turminha do capitão bandeira. Resumindo: deve ter meia dúzia de, humm, "poderosos" pelo mundo com capacidade de romper o escudo que envolve este prédio.

— Mais do que suficiente. — adverte Batman.

Coringa acerta o rosto de Batman.

— Não me interrompa. Mesmo eles, levariam algumas horas para destruir o campo de força. Eu levo minutos para acabar com a cidade. Seus moleques vão gastar mais de meia hora para passar por todas as armadilhas e capangas deste prédio.

— Se você desistir agora, não quebro seu nariz.

— Kkkkkkkkkkkkk, você tem um senso de humor fantástico. Desistir, hehehehehhe!

Coringa passa a mão por sobre os ombros de Batman, abraçando-o.

— Sabe, é por isso que nos damos bem. — Batman olha para a mão do palhaço em seu ombro e, em seguida, nos olhos do mesmo — Cruzes, este olhar congela até uma alma, se eu tivesse uma, hehheheh!

O elevador para.

No lado escuro da lua.

Como poucas vezes foi visto, um poder descomunal está agrupado na lua: Thor, Diana, Vigia, Flash, Homem de Ferro, Cyborg, Capitão Marvel, Poderosa, além dos corpos astrais do Dr Estranho e de Charles Xavier. A equipe forma uma larga ferradura em torno de Darkseid e cerca de 50 para-demônios de sua guarda pessoal.

Alguns tubos de explosão se abrem acima desse palco. Enormes e assustadores cruzadores interestelares começam a sair dos portais. As naves têm um revestimento metálico escurecido, quase negro. É possível notar a abundância de armamento. Cada um dos cruzadores é acompanhado por naves menores, porém, mesmos estas são maiores que nossos porta-aviões mais modernos.

Segundo a segundo, as naves se movem através do portal, como numa marcha solene. A armada alienígena é intimidadora.

Porém, antes que o primeiro cruzador possa atravessar o portal, novos tubos de explosão são abertos em posição oposta as das forças de Apokolips.

Gotham

— Chegamos! — diz o Coringa ao mesmo tempo em que empurra o detetive porta afora do elevador.

— Estou perdendo a paciência. — adverte o cavaleiro das trevas.

Dois capangas pegam Batman e o conduzem para uma ampla sala. Na seqüência o Coringa entra.

— Estamos na minha sala de comando. — ele aponta para uma imensa janela panorâmica — É daqui que eu vou comandar a destruição da cidade... com você assistindo tudo, claro. Meu convidado VIP! Ou seria VIQ? Vi que me fudi. Hahahaha!

— Porque destruir a cidade? E, mais importante, o que o faz pensar que conseguirá.

— Ah, tentando me intimidar? A mim? — ele dá um soco em Batman — Porque? Porque quero, porque deu vontade, para ver sua cara quando tudo ao seu redor ruir e você estando completamente impotente. Quem liga para "motivos"! — ele silencia, aproxima-se de seu prisioneiro e diz — Qual é seu plano, em morcego? Você joga sujo. O pessoal lá de baixo já deu notícia que teus moleques estão lá. Tá um inferno lá embaixo.

Batman observa um receptor junto à orelha do seu captor.

— Logo estarão aqui.

— Hehehehe, confiança ou arrogância? Como aqueles manés da Liga te aturam? Você é um escroto. Acha que só você pensa nas coisas? — ele puxa Batman pela capa, junto ao pescoço, aproximando o rosto — Asseguro que se eles chegarem aqui, Gotham já vai estar destruída.

Ele se afasta e pergunta utilizando transmissor no pulso:

— Estão prontos ai em cima?

Tudo pronto.

— Você tem cerca de oito homens lá na cobertura. — diz Batman.

— Ohh, então você sabe contar? Na próxima, peço um campo de força com insulfilm. Heheheh!

— Tem uma escada de acesso à cobertura.

— Sim, Salomão. Deixe-me adivinhar: tava na planta do prédio?

— Se a escada for destruída, não há outro acesso para operar os canhões.

— E como você vai destruí-las? Vai dar um bat-arroto aqui e acabar com ela? Não enche meu saco. Depois cuido de você.

Coringa se certifica de que os homens na cobertura estão com a situação sobre controle. Em seguida chama dois dos capangas na sala e comenta:

— Podem se divertir com aquele rato. Mas quero ele consciente para ver a cidade explodir.

— Podemos tirar a máscara dele? — um dos homens pergunta.

— A máscara? Como não pensei nisso antes? Porque não a tirei? — ele acerta o rosto do homem com as costas da mão — Claro que não, estúpido. Quero Batman aqui, não outro qualquer.

Os dois homens partem para cima do detetive e uma série de golpes é desferido. Enquanto apanha, Batman observa um terceiro capanga junto à porta. Ele balança a cabeça, discretamente, em sinal afirmativo.

No lado escuro da lua.

Dos tubos de explosão recém abertos, destroyers e fragatas reluzentes apontam com a suas proas. Algumas outras ágeis naves, para cerca de seis tripulantes, são as primeiras a completar a travessia dos postais. O reforço ao superseres da Terra logo tem sua origem revelada. Cerca de cinco metros à frente de Darkseid, um tubo de explosão traz Metron e Órion.

O movimento das tropas prossegue, até que todas as naves estejam posicionadas, prontas para entrar em confronto. Nenhum tiro é disparatado.

Riscos verdes reluzentes anunciam a chegada de um grupo de batedores com cerca de três Lanternas Verdes.

Darkseid observa a disposição das tropas no espaço de batalha. Dá alguns passos na direção dos Novos Deuses e para a dois passos deles. O senhor de Apokolips volta sua face para o corpo astral de Charles Xavier, que capta imediatamente os pensamentos do deus negro.

Portais se abrem à frente dos invasores. As forças de Apokolips iniciam sua retirada.

"Meu objetivo foi alcançado. Por hora, me dou por satisfeito". — esta é a projeção que Xavier faz na mente dos presentes, compartilhando aquilo que captou de Darkseid.

Gotham

Uma violenta explosão é ouvida. O prédio treme.

— O que foi isso? Eu ainda não ordenei nada. — grita o palhaço no comunicador.

— Meu arroto. — diz Batman.

Coringa, agilmente, vem em direção ao homem-morcego. Novamente, como quem pega um colarinho, puxa Batman para perto de sua face.

— O que você fez?

Num movimento rápido e enérgico, Batman acerta com a testa o nariz do Coringa, quebrando-o. A dor o faz dar dois passos cambaleantes para a retaguarda.

— Peguem esse filho da puta! — diz com as mãos junto ao nariz e sangue escorrendo por entre os dedos.

Quando os dois capangas se aproximam a corrente que prendia o vigilante risca o ar e enlaça um deles pelo pescoço, num violento golpe. Um puxão na mesma o lança contra seu parceiro. O choque desequilibra o segundo que, no meio da queda, encontra um golpe de joelho que quebra sua mandíbula.

Ao tentar se levantar, tossindo pelo quase estrangulamento, o primeiro se vê agarrado pelo traje, sente seu corpo ir com velocidade para frente, um pé na altura do estômago e um pequeno e rápido "vôo" que tem como destino o Coringa.

Após se certificar que ambos os capangas estavam desacordados, Batman remove um semiconsciente Coringa debaixo de um de seus homens. O detetive o empurra contra a parede, puxa ambos os braço do palhaço para as costas do mesmo e inicia a prisão, pondo-lhes algemas. O cavaleiro das trevas pergunta:

— Você acha que aquelas correntes iam me segurar? Sabe porque me deixei prender?

— Não... — diz com certo desprezo.

— Para ver sua cara quando seu plano fracassasse, a cara que você faz agora.

— Não sei quem é mais "excêntrico". — a voz que comenta é de Robin. Ele fala com Asa Noturna. Batman o olha de canto de olho. — Brincadeira!

— Como? — pergunta o Coringa ao vê-los.

— Não precisamos enfrentar seu pequeno exército para chegar aqui. — diz Dick.

— Bastou nos livrarmos dos que estavam no subsolo e subir pela lateral do prédio. — complementa Tim.

— Como eles destruíram as escadas? Como tomaram a cobertura sem haver disparos? — pergunta um furioso Coringa.

— Boa pergunta. Se não foi você nem nós — diz Asa ao Batman — quem foi.

— Boston Brand — responde Batman.

— O Desafiador. — diz o fantasma pela boca de Tim. — Pelo visto, tudo resolvido agora.

— Ah, ele entrou no seu corpo quando você foi capturado pelo Coringa. — conclui Dick.

— Exato. — afirma Boston.

— Gotham está em dívida com você, Desafiador. — fala o cavaleiro das trevas, se dirigindo a Robin.

— Não entendi? O Desafiador está aqui? — pergunta Tim.

— Estava. — conclui Dick.

Pode-se ouvir tiros disparados, ordens de prisão e muito movimento: a tropa de choque invade do prédio.

— Gordon! Temos de ajudar o comissário. — fala Dick já em movimento para fora da sala.

Duas horas depois, Batman, Asa Noturna, Robin, Arqueiro Verde, Canário Negro, Pantera, Caçadora, Aço e o comissário Gordon estão no alto de um edifício.

— Então nos éramos o plano, deixa ver... 4? — pergunta o Arqueiro.

— A situação exigiu muita cautela.

— Você ficou tomando porrada só para ver a cara do Coringa mesmo? — pergunta o Pantera.

— Foi a melhor parte do plano.

Dinah aponta para a própria cabeça, girando o dedo indicador, e olha para Oliver. Este esboça um sorriso.

Subitamente, Batman pega o comunicador da Liga e atende.

— Pronto.

Bruce, é Diana. Darkseid se retirou.


Na próxima edição: Uma nova aventura. "Uma História de Sangue", um conto de Batman em 6 partes escrito por Eduardo Regis, autor que irá cobrir as férias bem remuneradas de Leonardo Araújo, que voltará logo em seguida ao título.




 
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