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Batman # 40

Por Eduardo Regis

Uma História de Sangue — Parte IV
Noite Sem Fim

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O grande monitor do computador divide-se em oito seções menores. Em uma, o noticiário de Gotham, em outra, a tela de segurança da Liga da Justiça, em outras, câmeras espalhadas pelos mais diversos locais e, em uma em especial, um mapa da cidade e um ponto piscando.

Batman coça o queixo enquanto observa a movimentação do ponto. Até que, finalmente ele pára e permanece parado por um bom tempo.

— Ela chegou ao seu esconderijo.

— Posso perguntar quem, patrão?

— Dala, Alfred. Plantei um rastreador nela.

— Como sempre, patrão, o senhor nunca perde uma boa oportunidade de conseguir diversão para a noite.

— Só falta uma coisa.

— E o que seria?

— Tim dar sinal de vida com a informação que eu espero que o Blade tenha dado para ele.

— Esse Blade não seria aquele senhor excêntrico que caça vampiros em Nova York, patrão?

— O próprio.

— Ele não deve demorar muito, patrão. A moto faz o percurso até Nova York em uma velocidade espantosa.

O ronco do motor da motocicleta de Robin invade a caverna. Bruce vira-se para recepcioná-lo, já ansioso pelas informações.

— Por que não me passou as informações pelo comunicador?

— Conhecendo você? Eu iria perder a festa.

Alfred mal contém o sorriso.

Bruce olha sério para Tim.

— Não se trata de diversão.

— Tem razão. Trata-se da sua dificuldade em aceitar ajuda, até minha e do Alfred.

— Essa conversa fica para outra hora. Temos coisas mais importantes para resolver. Espero que o tempo que perdemos não tenha sido precioso para alguma vítima. — Bruce desaprova Robin.

O semblante de Tim murcha um pouco, ele não havia pensando bem por esse ângulo.

— Blade confirmou que realmente matou o Monge. E ele me disse uma coisa interessante sobre o que ele sabe de reviver vampiros. Na verdade não é uma surpresa. Ele disse que ela vai precisar de muito, mas muito sangue. Ela vai precisar matar muitas pessoas e de um lugar cheio de morte e desespero para fazer com que o vampiro possa retornar de maneira efetiva. Não me pergunte o porquê. Não me acho nessas coisas de ocultismo.

— Ela já tem isso. Ela tem a gangue dos góticos, e ela tem aquela cripta onde aquelas pessoas foram enterradas vivas. Agora que ela sabe que estou atrás dela, não vai esperar muito para resolver isso. Vejam o mapa. — Batman aponta para a tela do computador. O ponto que representa o sinalizador preso a Dala continua parado — Ela está no esconderijo, provavelmente acertando os detalhes. Podemos pegá-la lá.

— Ela realmente não deve esperar por essa. — Tim fala.

— Talvez. Vamos juntos para lá, Tim, e caso ela se mova, nós a interceptamos no caminho. Alfred, mande uma mensagem de texto para Jim avisando-o para ir àquela cripta atrás dos corpos, assim garantimos que, mesmo que ela fuja, não terá mais seu local especial. Vamos cercá-la de todos os lados. A última coisa que queremos é que o Monge retorne das cinzas.

— Você o enfrentou bem no início não é? — Tim pergunta enquanto checa os compartimentos do cinto.

— Nos meus primeiros meses como Batman, eu não estava preparado para o que eu vi. Nem mesmo sabia da existência de vampiros, ou pelo menos não tinha certeza da veracidade das histórias.

— Agora a coisa é diferente.

— Muito. — o Batman levanta a maleta 37, que contém todo um arsenal anti-vampiros.

A dupla se ajeita no batmóvel e partem em direção a Dala.

O carro cruza parte da cidade e logo cai para uma saída que leva para os arredores, a parte mais desprovida de prédios e casas. Uma estrada longa finalmente acaba em uma mansão esquecida. A grande casa está toda apagada, o jardim da frente está descuidado, parece realmente abandonada.

— É quase um clichê. Acho que Dala não tem muita imaginação. — o detetive pára o carro — Daqui seguimos a pé.

O cruzado de capa abre a maleta, pega algumas estacas e a água benta. Ele passa duas estacas para Robin. Eles prendem as armas nos cintos e se entreolham. Batman tira duas pílulas do cinto e dá uma para Robin. Imediatamente os dois engolem as pílulas.

À frente dos dois está um grande muro, só interrompido por um portão metálico enferrujado.

Apenas com o olhar, a dupla se entende. Os dois lançam suas cordas e, furtivamente, saltam o muro, caindo dentro da propriedade ocultos pelo manto da noite. Silenciosamente eles seguem, tentando alcançar a entrada dos fundos da mansão, passando pelos jardins no contorno.

Repentinamente, Batman pára. Ele faz sinal para que Robin foque sua atenção nos ouvidos e o menino-prodígio também escuta: é o inconfundível som de patas e de algo farejando.

Batman aproxima-se mais de Robin.

— Resolva isso. Eu vou entrar. Já fomos descobertos.

De seu cinto, o morcego tira um lançador pneumático de gancho e atira no telhado da mansão. O impulso da corda sendo retraída o joga para dentro de uma janela no segundo andar.

Robin apenas tem tempo suficiente para sacar dois batarangues enquanto vê dois enormes lobos cinzentos correndo em sua direção. Estranhamente, os olhos dos animais brilham com um vermelho pálido. Estes não são simples lobos, algo de muito sinistro paira sobre eles. Os animais uivam e ao fim do primeiro uivo, uma luz se acende na mansão.

Tim arremessa um batarangue certeiro, atingindo o olho de um dos lobos, que cai e rola ferido pela grama. O outro lobo salta na direção de Robin, que, usando as pernas o chuta e o joga para longe de si, enquanto gira pelo chão tentando ganhar espaço.

Batman cai em um rolamento e levanta-se já em posição de combate. Nenhum perigo iminente. Ele relaxa um pouco enquanto examina a grande sala de estar, ornamentada com quadros empoeirados e móveis decrépitos.

Com um leve toque em sua máscara, o vigilante de Gotham ajusta um aparelho acoplado aos seus ouvidos, enquanto aponta uma pequena antena que retira de um dos bolsos do cinto. A antena permite que o detetive tenha uma percepção auditiva muito aumentada na direção na qual ele a aponta. Assim, ele faz uma varredura inicial procurando por movimentação.

Em base de combate, Robin se desvia como pode das investidas do lobo. O outro animal começa a se levantar, e mesmo com a face muito ensangüentada, caminha em direção ao herói.

O outro batarangue voa. O lobo ainda íntegro, no entanto, desvia com um salto e o batarangue se enterra no chão. Aproveitando o impulso do desvio, o animal corre e morde Tim, mas, por sorte, a mordida pega na luva do uniforme. O reforço da luva impede que a mordida cause dano significativo, mas o lobo se prende. O outro aproveita para começar a cercar Robin...

O aparelho de Batman detecta movimentação de passos no andar de baixo. Uma pessoa, sozinha.

"Dala."

Quando está prestes a desligar o aparelho, ele recebe mais um sinal. Rapidamente, ele guarda a máquina e procura pelas escadas.

O outro lobo ataca. A mordida vai certeira na coxa. A roupa se rasga e os dentes penetram na carne. Contendo-se ao máximo, Robin não grita. Com a mão livre, Tim pega uma das estacas e num movimento rápido a encrava no crânio do lobo ferido, que solta sua perna. A luta com o lobo preso ao seu braço, no entanto, continua, e o animal prova ser extremamente forte ao começar a arrastá-lo pelo jardim.

Do alto da escada, Batman vê Dala ajeitando o hábito por dentro e virando-se para a saída. Batman salta e cai em frente a ela, impedindo sua passagem.

— Não. Não dessa vez.

— Você acha que pode me segurar aqui? — Dala fala, em tom desafiador.

Batman não responde.

— Nem você é páreo para dezenas! — um alçapão se abre e de lá começam a sair vários dos góticos, alguns com armas de fogo e outros com pedaços de madeira.

— Então você acha que eu caí numa armadilha?

— Eu não sou tão burra assim, eu vi seu sinalizador. — Dala aponta ferozmente para o morcego.

— Você nem imagina o quanto está enganada. — o morcego abre a capa, puxando duas cordas do cinto. Imediatamente um gás acastanhado começa a ser liberado. Dala se assusta e salta para trás, mas o morcego investe contra ela e a agarra, jogando-a para frente de seu corpo e imobilizando-a com uma chave de braço.

Os góticos perdem a ação e enquanto pensam no que fazer, os primeiros começam a sentir o efeito do gás, ficando tontos e se apoiando nos móveis.

— Mas o que é .... — um deles fala, antes de despencar em direção ao assoalho.

Dala começa a sentir os efeitos. Batman a aperta, ela perde o ar, ele diminui a pressão na chave, e, por instinto, ela respira profundamente, inalando grandes quantidades do gás e desmaiando instantaneamente. Antes que ela caia, Batman tateia seu cinto e puxa uma pequena caixa de prata de dentro de seu hábito. Alguns góticos saem correndo, fugindo do gás. Batman passa por cima dos desmaiados e começa a perseguir os que fugiram. Graças à pílula que ingeriu mais cedo, ele está imune aos efeitos do gás sedativo.

Robin dá um forte soco no lobo, forçando-o a soltar seu braço. O animal assume posição de ataque novamente e antes de Tim alcançar a outra estaca, o lobo o morde na coxa já ferida, arrancando parte da carne. Robin cai, sem forças na perna, ficando à mercê de um próximo ataque. O lobo corre para o pescoço do herói, mas antes que o atinja, Tim coloca o braço na frente, e leva outra mordida. Com o animal preso novamente, ele consegue mirar um golpe de estaca entre os olhos.

O último gótico corre desajeitado pelo jardim. Batman corre atrás, prestes a alcançá-lo, quando o rapaz tropeça e cai. Só então Batman vê a cena. Dois lobos mortos, sobre um deles o gótico caído se retorcendo e, mais adiante, Robin, ensangüentado e desmaiado.

— O que eu fiz? — Bruce fala.

Ignorando o gótico, Batman agarra Robin no colo e corre para o carro.

Bruce, vestindo só a camisa e a calça do uniforme, abre um cofre na caverna. Gentilmente, ele deposita a pequena caixa de prata que pegou de Dala dentro do cofre e o tranca.

— Posso perguntar o que é isso, patrão? — Alfred se aproxima.

— São as cinzas do monge, Alfred. Muito bem guardadas agora.

— Oh! Que alívio saber que logo abaixo das nossas camas jaz um vampiro... — o mordomo se afasta, cada vez mais assustado com as situações que presencia.

— Não acho que você precise se preocupar com isso, Alfred. — Tim levanta-se da cadeira com a ajuda de muletas. Sua perna está enfaixada. Seus braços também estão com bandagens.

— Tenho certeza de que preciso, jovem patrão.

— Não há lugar mais seguro do que aqui. — Bruce conclui o assunto — E você, Tim, suba e vá descansar. Sua perna ainda precisa de muita recuperação.

Sem discutir, Tim vai até o elevador e sobe sob o olhar atento de Bruce e Alfred.

— Não sei se fiz a coisa certa, Alfred.

— Robin é a coisa certa, patrão. Tim entende isso tanto quanto o senhor.

— Mas... ao vê-lo naquele estado. Ele podia ter morrido. De novo... eu não parei para pensar. Era óbvio que os lobos eram vampiros... de novo, Alfred, eu não agüentaria. Ele poderia estar morto.

— É verdade, mas ele sabe o que está realmente em jogo e entende as conseqüências.

— Mas fui eu quem fez o juramento...

— E Tim fez uma escolha, será que isso vale menos? Se não fosse o senhor dando-lhe a orientação necessária, Tim focaria essa sua vontade, sua vocação, de outra maneira. Acabaria sendo um perigo maior para si mesmo e para os outros. Já parou para pensar em si mesmo apenas como um mentor, patrão? E não como um chefe?

— Às vezes não consigo mais entender quem eu sou... o que eu sou. Será que isso me diz que é hora de reconsiderar?

— Não, isso faz do senhor apenas Bruce Wayne, uma pessoa de carne e osso. Aproveite esse sentimento, é o que ainda resta de Wayne no Batman. Com licença, patrão, mas preciso alimentar as larvas das moscas.

Bruce senta-se à frente do computador. Meditando, pensando, na verdade, sem entender bem o que Alfred havia dito.

"Será que eu realmente sou o Batman?"

E seus dedos escorregam para sintonizar a freqüência da polícia no rádio...

Mais uma noite em Gotham. Mais uma noite sem fim.




 
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