hyperfan  
 

Batman # 41

Por Leonardo Araújo

Realidades

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Batman
:: Outros Títulos

23:21.

Em um luxuoso quarto, especificamente em uma antecâmera secreta, Bruce utiliza um terminal extensão da rede informatizada da Caverna para contatar Alfred.

— Alfred?

Sim, patrão.

— Localize Tim. Vou iniciar minha saída noturna de hoje a partir da cobertura, no centro.

Perfeitamente, senhor. Quer que leve algum dos carros ou algum outro aparelho aqui de "casa"?

— Obrigado Alfred, mas já deixei um dos carros na Roosevelt .

Por meio de um comando no notebook ao seu lado, Bruce checa, via remota, se o carro está em perfeitas condições. Um sinal de retorno, da autochecagem, mostra que o veículo se encontra em plenas condições operacionais.

Cerca de quatro quilômetros dali, Robin negocia as condições do fim de um perigoso impasse.

— Solte a faca!

— Não mesmo, cara. Se eu fizer isso, você me leva em cana.

— É sua melhor opção.

— Não fala merda: quem vai sustentar minha mãe comigo preso?

Um jovem, preste a completar a maior idade, mantém uma adolescente de 16 anos sob ameaça: uma faca está no pescoço da garota.

— Por favor, me ajuda! — diz a refém.

— Cala a boca, porra. Cala a boca.

— Vai por mim, você é novo nisso. — um breve silêncio, uma observação detalhada do local e das condições — Mal sabe segurar a faca. Tem o que... umas duas semanas que vende drogas aqui? — diz Robin.

— Um mês. — responde em tom agressivo — Não chega perto! Mais um passo e eu corto a piranha!

— Por fav...

— Cala a merda da boca. — fala com os olhos arregalados fixos na lateral da face da garota.

Quando ele retorna o olhar para a posição que Robin deveria se encontrar, não acha nada.

— Cadê você, filho da puta? — ele gira a cabeça, procura em torno de si — Onde cê tá? — grita.

— Moço, calma, por favor. — pede a garota.

— Cala essa boca!

A garota chora, ele a arrasta para uma parede, cerca de um metro as suas retaguarda. Sente-se seguro com as costas junto à parede, impedindo uma provável ação furtiva por parte do vigilante: não seria pego de surpresa.

— Ô viadinho, se não aparecer, a piranha morre.

O barulho do impacto é simultâneo a pressão que arranca a faca da sua mão e a lança a cerca de quatro metros do local. Ele observa uma espécie de bumerangue negro no chão, a sua direita, ainda balançando com a ressente queda. Pensa em olhar para a esquerda, provável direção de origem do lançamento do objeto que arrancou a faca de sua mão direita, mas segue uma dor intensa no seu indicador da mesma mão, provavelmente pelo forte choque com o bumerangue. Em seus pensamentos, algo lhe diz que o dedo está quebrado. A dor e o pânico, ao perceber a ação iminente de Robin, são simultâneos e seu coração acelera ainda mais. Finalmente, ao girar sua cabeça para a esquerda, um vulto o atinge no rosto: as trevas o tomam.

— Avisei pra cair fora disso. Você é ruim como marginal, péssimo pra dizer a verdade. — diz Tim enquanto olha para o homem nocauteado a sua frente. A garota corre para longe, chorando e gritando.

"De nada!" — pensa Robin. Continua suas observações ao marginal nocauteado aos seus pés:

— Não tem competência pra isso. Se insistir, vai acabar morrendo. Escolha outra coisa pra fazer na vida.

Rapidamente, Robin se ajoelha e algema seu prisioneiro junto a uma escada de incêndio, pega seu comunicador, dispara uma mensagem à central de polícia com as coordenada em que está e o aviso pré-gravado de que há preso para ser recolhido da rua.

Ele já está no alto de uma edificação quando percebe seu comunicador vibrar no cinto.

— Pode falar, Base. — a fim de evitar identificações pessoais, caso quebrem a criptografia usada na comunicação do grupo, o codinome Base é utilizado aqui para Alfred, na caverna.

Jovem mestre, Batman estava querendo saber sua localização.

— É, percebi a chamada, mas eu tava em ação.

Como não atendeste, ele assim o deduziu.

— Acabei de avisar a polícia sobre um lixo pra eles pegarem. Batman já deve estar com uma cópia de minha mensagem.

02:01 da mesma madrugada.

— Separa mais cinco quilos pra levar pro pessoal do Coiote.

— Ouviram o chefe, tira cinco e põe nas mochilas.

Estas palavras acontecem no porão de uma residência antiga, aparentemente abandonada. Seis pessoas separam lotes de pequenos sacos com cocaína. Elas são colocadas em mochilas, caixas, computadores, impressoras e outras carcaças que possam ajudar a dissimular a identificação do "produto".

— Acabem logo com isso, não temos a noite toda! — fala o homem que parece comandar a operação.

Inesperadamente, as luzes apagam. Antes que alguém pudesse falar qualquer coisa, um grito de dor, seguido pelo nítido som de uma queda, denuncia que alguém foi violentamente atingido.

— Ralf! Ralf, foi você?

— Quem está ai? — um dos marginais pergunta.

Pequenas explosões iluminam o porão. As sombras, propiciadas pelos contrastes possibilitados pelos clarões, mostram que só há quatro pessoas se movimentando no ambiente: uma delas não faz parte do grupo original.

— É o Batman! — grita alguém.

— Eu me entrego, eu me entrego... — repete um homem ao se jogar no chão e lançar a arma para longe de si.

Dois dos últimos marginais tentam passar pela porta, mas um deles, o chefe, é subitamente puxado. O que consegue passar tem a nítida sensação de que o grito de agonia de seu parceiro é acompanhado por sons de ossos sendo partido com violência.

— Você não vai me pegar! — o homem, gritava, já fora da casa. Rapidamente ele entra no carro estacionado a frente do imóvel. Uma das mãos enfia a chave na partida do veículo e a outra puxa a porta e a tranca. Ao girar a chave, percebe que não há qualquer sinal de funcionamento do motor nem luzes no painel. Para desespero do marginal, ele observa que os circuitos, que deveriam estar dentro do acabamento na base da direção, estão aflorando visivelmente do painel e da coluna de direção, indicando que alguém sabotou o carro.

O violento impacto pelo lado de fora do vidro do motorista, seguido pelo estilhaçamento do mesmo, indica que Batman alcançou sua presa. O homem se joga para o lado do carona, tentando sair pela outra porta, mas sente suas roupas serem agarradas, na altura das costas.

— Você é um daqueles que envenena minha cidade! Não tolero isso. — a fala de Batman acompanha um brusco movimento: o traficante é arrancado de dentro do carro pela janela do motorista, obviamente de forma bastante desconfortável e com várias contusões. O corpo sai do veículo (ato contínuo) é içado até a altura dos ombros de Batman, girado no ar e atinge o solo num forte impacto, inclusive (e especialmente) no rosto.

Horas depois, faltando minutos para o amanhecer, Bruce retorna a cobertura da qual iniciou sua patrulha. Ainda trajando seu uniforme, apenas com o capuz deslocado para a nuca, ele termina de lançar alguns dados no computador, enriquecendo arquivos.

Em seguida, verifica o que foi utilizado dentre os utensílios do cinto e completa os equipamentos do mesmo. Dá alguns passos, pára a um metro da porta que permite acesso à sacada do quarto em que está. Contempla uma visão panorâmica de sua cidade: os prédios, sua luzes, um helicóptero sobrevoando a zona norte, sons de alguns carros e pessoas no fim da madrugada. Sem qualquer sinal prévio, uma vertigem passa a o incomodar. Sente seu estômago revirar, sua vista borrar, por não mais do que uma fração de segundo. Súbito como começou, tudo termina. Ele analisa as circunstâncias atípicas enquanto volta sua visão para o que deveria ser o mesmo quadro visual da cidade.

— Mas... o que...

Em geral, a topologia dos prédios é a mesma, mas há contrastes nítidos: grandes canhões são visíveis nos prédios mais elevados; as edificações mais próximas exibem traços de uma arquitetura futurista com características bélicas; e veículos negros, nitidamente de combate, flutuam em patrulha no céu da cidade.

"É Gotham, mas o que aconteceu?" — pergunta-se o homem-morcego — "Futuro, realidade alternativa?" — avalia o quadro geral.

Ao olhar o quarto em que estava, percebe que permanece no mesmo quarto e prédio, mas o computador é notoriamente mais avançado, com maior porte, e a decoração está diferente. No closet, uniformes de Batman, só que o cinza escuro fora substituído por um vermelho no tom de sangue talhado.

Ele volta seu olhar para o computador:

"Teclados, não há teclados."

— Mestre Bruce, sua assinatura biorrítmica está reconhecida. Paradeiro do Mestre Tim... desconhecido.

Bruce reconhece a voz que sai da máquina como a de seu velho amigo Alfred.

— Alfred, onde você está?

— Pergunta improcedente. Alfred tem sua central de processamento na caverna, mas tem vários processamentos secundários em todos os continentes.

Ainda sem entender o que ocorrera, Bruce percebe um dos veículos de patrulha aérea noturna passar a cerca de 30 metros da sacada do quarto. A aeronave negra exibe um logotipo vermelho na lateral: o desenho tem a forma do morcego em seu peito.




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.