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Flash # 02

Por Rodrigo 'Camatz' Nunes

Hoje, Não

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Meu nome é Wally West. Eu sou o Flash, o homem mais rápido do mundo. Mas não hoje...

Esse do meu lado é Impulso. Ele veio do futuro. É meu parente. É capaz de dar dezenas de voltas na cidade em dois segundos. Eu posso dar a mesma quantidade de passeios em um. Mas não hoje...

Imaginem tentar educá-lo. Enquanto pensei essa última frase ele foi no zoológico e libertou todos os macacos. Como sei? Tem um na minha cabeça. Acho que não devia ter deixado ele ver aquele programa do Greenpeace apresentado por Reed Richards ontem à noite...

Já expliquei milhões de vezes que a velocidade não pode ser usada o tempo todo, que viver normalmente é necessário. Ele não ligou. Como qualquer adolescente, duvidou, resmungou e bateu a porta do quarto enquanto ouvia I'm Different, da Cristal, Live and Let Die versão Guns & Roses, Another Brick in the Wall, do Pink Floyd e Sunday Bloody Sunday, do U2. Tudo ao mesmo tempo...

Utilizei o mesmo truque que os psicólogos usam quando tratam (ou pelo menos tentam tratar...) de garotos naquela idade: se não consegue vencê-los, engane-os!

Apostei com ele que seria capaz de não usar a Força de Aceleração durante um dia. Vinte e quatro horas ininterruptas. Claro que esqueci que tomar café da manhã, escovar os dentes e trocar de roupa pode não durar os mesmos 37, 4 segundos quando se utiliza da supervelocidade...

E, graças à minha mania de não ter agenda (para que anotar compromissos quando se pode lembrar e chegar a eles em pouco mais de cinco segundos?), esqueci que havia prometido ao meu amigo, o ex-vilão Flautista, me apresentar num orfanato.

Por isso estou aqui, com um macaco na cabeça, esperando o Flautista, enquanto o Bart - justamente denominado Impulso - tenta contar quantas latas de lixo há na cidade.

Os jornalistas e políticos já chegaram. Gente que adora uma festa para se promover. Incrível... Lá estão Luthor, Wayne, Stark, milionários de todo tipo. E eis que surge meu amigo Flautista. Hummm... Fotos... Acho que amanhã vou passar o dia tentando explicar por que o Flautista, um homossexual assumido, me abraçou... Maldito fotógrafo Peter Parker...

As crianças começam a gritar, puxar minha perna, perguntar: Você é mais rápido que uma bala? Você conhece a Mulher-Maravilha? É verdade que ela é gostosa? O Batman é de verdade? Por que você veio? Eu queria o Super-Homem! Você pode me adotar? Por que você não deixa o Capitão Bumerangue vencer uma vez? Você faz dever de casa? O Mercúrio é mais rápido que você?

Meu raciocínio não é tão rápido quanto meus movimentos, mas quando você tem que tomar cuidado para não se esborrachar num muro a 1.000 quilômetros por hora ou para que as folhas que vêm no seu vácuo não se tornem tão mortais quanto uma faca, tem que aprender a pensar depressa.

As repostam vêm à minha mente enquanto penso sobre a vida.

Sim, na verdade, sou mais rápido que o foguete mais moderno que existe. Impulso acaba de chegar. Três mil, quatrocentos e cinqüenta e oito latas, diz ele. Claro que conheço mas você não é um pouco novo para pensar nisso? Lois Lane e Clark Kent estão aqui. Sempre é legal ver eles. Me lembro de Linda. O Batman é de verdade mas é muito estranho. É assustador. O Flautista sorri, ele adora ver as crianças felizes. O Super disse que viria na próxima semana. Wayne conversa com Luthor sobre Gotham. Sinto muito mas eu ainda não estou preparado para adotar. Prometo que venho visitar vocês sempre que puder. A visita foi aberta ao público. Uma multidão está na porta. Porque se eu deixasse o Capitão Bumerangue vencer, não teríamos finais felizes. Um homem saca uma arma e aponta para mim. Quando eu tinha a sua idade eu fazia muitos deveres de casa. Digamos que o Mercúrio é um pouco menos rápido.

Tudo corria bem, até que eu percebi a arma. O grande problema da vida de um super-herói é o vilão ignorante. Minha vida é pública, todos sabem onde moro, quem são meus amigos e minha namorada. Ou ex. Não vejo Linda desde ontem. Mas eles insistem em tentar me atacar com um revólver em um evento desse. Logo eu, que poderia pegar a bala no ar e redirecioná-la para a parede antes dele pensar em fugir. Mas não hoje...

Eu havia apostado com Bart. Não poderia simplesmente quebrar minha palavra. Por outro lado, as vidas de todos os presentes estavam ameaçadas, principalmente as das crianças órfãs. Mas será que, se eu interviesse, Impulso aprenderia a não depender sempre da supervelocidade? Um dilema de milésimos de segundos mas que poderia levar o tempo que não mais possuía.

Claro que eu havia planejado algo para se alguém me pedisse para correr ou usar a Força de Aceleração. Era só dizer que a Liga da Justiça estava precisando de mim ou simplesmente falar que já havia corrido. Ninguém seria capaz de me ver mesmo.

Mas aquilo era real. Eu poderia morrer, machucar um inocente ou acabar com tudo que construí ao tentar educar e ensinar Bart como se adaptar ao mundo.

E tão rápido quanto o revólver apareceu, ele sumiu. Assim como o rosto do homem deu lugar a um balde de metal meio enferrujado. Bart sorria a seu lado. Agora são apenas três mil quatrocentos e cinqüenta e sete latas, disse ele.

As crianças correram em sua direção. Os repórteres e fotógrafos também.

Eu me sentei e vi Bart responder as perguntas e ser o centro das atenções: "Muito mais. Claro! A Mulher-Maravilha é maravilhosa mesmo! Acho que ele não existe. O Super-Homem nunca faria o que eu fiz. Claro. Vou pedir ao Wally. Porque o Capitão Bumerangue é um babaca. Faço em 3 segundos. Depois vou brincar. Mercúrio? Perto de mim ele é uma tartaruga."

Eu estava orgulhoso. Sou o homem mais rápido do mundo e posso ser convidado para animar crianças carentes. Mas não hoje...

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