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Flash # 13

Por Igor Appolinário, sobre um plot de Délio Freire

Bem-Vindo à Dimensão K (*)

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"Meu nome é Wally West e eu sou o Flash, o homem mais rápido do mundo. Mas no momento eu não me sinto tão espetacular assim..."

Wally está caído em um gramado úmido, lentamente ele vai recobrando a consciência e abre os olhos. Uma lâmina afiada brilha ameaçadoramente sobre seu olho direito, quase tocando a córnea. Ele se desvia em ultravelocidade, parando a alguns metros do misterioso atacante.

— Quem é você? E que lugar maluco é esse? — diz Flash, observando a geografia completamente irregular, com montes retorcidos, colinas com buracos ovalados, estradas que começam e terminam no mesmo ponto e árvores aterrorizantes

— Chesire é meu nome — diz a figura, de aparência felina e um sorriso insano no rosto — E a Dimensão K é o seu paradeiro.

A figura felina pula para cima de Wally, usando seu corpo musculoso para prender o velocista no chão. West, com um único braço livre, esmurra velozmente a região onde normalmente estaria o baço do animal, esmigalhando o que quer que ali estivesse, livrando-se do peso morto.

— O Rei-de-Copas vai te pegar...

— Se você não se ajoelhar...

— Se obediência não demonstrar...

— Sua cabeça vai rolar!

Flash segue por uma estrada de pedras e encontra dois homens grandes, roliços e usando roupas bufantes de cores berrantes e opostas. Eles saltitam e cantarolam, fazendo o chão tremer e sair do lugar. Wally se equilibra precariamente, mas os abalos começam a arrancar as pedras do calçamento. Ele se lança sobre uma delas e vai pulando de uma em uma. Aproveitando o impulso cinético ele nocauteia os dois gigantes, parando o abalo.

"Que diacho de lugar maluco é esse...?"

Wally chega a uma mata alta e anda cuidadosamente por entre as plantas. De repente ele é atingido por uma nuvem de fumaça densa, inebriante. Sua cabeça começa a rodar e ele vai perdendo os sentidos.

Asilo Arkham — Gotham City — Uma semana atrás

Tetch... Tetch...

Jervis Tetch, o vilão conhecido como Chapeleiro Louco, acorda em um grande salão decorado para um festa de aniversário. Sobre uma mesa comprida de cedro ele vê diversos bules de chá, mas nenhuma xícara. Tetch observa ao redor, mas não vê ninguém, apenas uma voz sinistra, que fala com ele.

— Quem é você? Como me trouxe até aqui?

Eu sou o Rei do Sonhar. Eu posso fazer o que eu quiser, Tetch. O que você quiser...

— O que você quer de mim?

Eu domino as pradarias dos Sonhos e Devaneios, mas meu Reino pode ser muito maior e você pode me ajudar...

— E como eu posso fazer isso?

Eu conheço você, Chapeleiro Louco, muitas das suas invenções fazem com que as pessoas se prendam ao Sonhar. E é disso que eu preciso. Prenda mais e mais pessoas ao meu Reino com seu gênio indomável!

— E o que eu ganho por lhe ajudar? Nada disso satisfaz meus próprios desejos.

Eu posso lhe dar tudo o que você quiser, Tetch. Diga e será seu. Imagine e será seu...

As dezenas de portas do salão se abrem e várias garotas, lindas, loiras e jovens, com seus vestidos azuis e aventais brancos, surgem, carregando xícaras. Elas se dirigem a mesa e pegam os bules, servindo Tetch com os mais variados sabores de chá. De repente, o mundo se desfaz e Tetch acorda novamente em sua cela no Arkham, a Lua alta no céu noturno.

Tudo o que desejar, Tetch... — ressoam as palavras na mente do Chapeleiro Louco e ele tem mais uma idéia brilhante.

Sobre uma pedra da parede de sua sala, o Chapeleiro Louco tira uma pequena caixa de ingredientes e componentes químicos. Em um canto escondido ele começa a misturar e ferventar sua criação maligna. Nem um dos guardas dá importância aos barulhos borbulhantes e pequenas explosões. Não no mesmo andar onde o Coringa canta canções sobre crianças mortas e cachorrinhos carnívoros. No dia seguinte, nem um deles repara no homenzarrão usando um chapéu panamá que vem visitar Jervis Tetch. Nem reparam no pequeno frasco que ele sorrateiramente retira do Asilo. Alguns só começam a desconfiar de algo estranho quando, em uma noite, o Chapeleiro Louco desaparece se sua cela. Sem traço ou vestígio.

Dimensão K

— Meu Deus, cadê o caminhão que passou por cima de mim?

Wally se levanta ainda tonto pelos efeitos da misteriosa nuvem de fumaça, e vê que está em cima de um cogumelo gigantesco. Desnorteado ele caminha para a borda e vê algo aterrador. Uma lagarta gigante se enrola no estipe, e olha em sua direção com seus olhos pedunculados e sua bocarra gelatinosa. Ela se estira pra cima de Wally, lançando pela boca uma nuvem de fumaça inebriante, que o entontece novamente. De repente, no momento em que o gastrópode monstruoso se prepara para abocanhá-lo, um vendaval atinge o cogumelo, levando Flash para longe.

— O que...? Quem é você? — diz Wally, caído na relva e vendo um grande coelho branco, usando colete e um relógio de bolso, parado ao seu lado.

— Ora mortal, você tem que se acostumar com a mudança da casca mortal, um Deus é muito mais do que pele e ossos — responde Hermes, olhando impaciente para o relógio.

— Hermes? Como me achou nesse mundo maluco? Aliás, o que eu estou fazendo nesse mundo maluco?

— Este é o Sonhar, Wally West — diz Hermes, ajudando Wally a se levantar — Mais especificamente uma província do Reino dos Sonhos, conhecida como Dimensão K. (**) Ela é comandada pelo demônio oníricofago Pesadelo.

— Mas eu estava em Keystone, investigando o surto da Doença do Sono que já tinha atingido metade dos EUA. Como eu vim parar aqui?

— Este tal surto é na verdade criação do mortal conhecido como Jervis Tetch. Ele infundiu uma terrível toxina na confecção de papéis para jornal, fazendo que todos os que entrassem em contato com este papel adormecessem eternamente.

— OK, o Chapeleiro Louco eu posso enfrentar, mas o Rei dos Sonhos?!

— Acalme-se, Pesadelo não é Rei deste Reino. O Sonhar é dominado pelo Lorde Daniel, novo Senhor dos Sonhos. Pesadelo é apenas um demônio que tem poder sobre uma pequena região do Sonhar e deseja espalhar sua influência pelas pradarias oníricas.

— Tudo bem — diz Wally esticando as costas e alongando as pernas — Mas se você sabe tudo isso, por que não interferiu?

— Wally, os Deuses são poderosos, mas nenhum de nós tenciona brincar com os reinos dos Perpétuos. Eu estou aqui para guiá-lo, afinal os heróis mortais tem um forte impulso em quebrar as regras — termina Hermes, sorrindo.

— Ótimo, depois de tanta doideira eu estou louco pra bater em alguém.

— Excelente, siga-me até o castelo de Pesadelo e vamos libertar o mundo mortal da influência deste demônio.

Flash e o coelho Hermes invadem o grande castelo gótico nos limites do reino de Pesadelo. Logo na entrada Jervis Tetch os aguarda, tomando chá com dezenas de jovens loiras. Ele ajeita a grande cartola xadrez, cumprimentando os visitantes.

— Nós estamos lhe esperando — diz o Chapeleiro Louco com um sorriso — Sentimos sua perturbação vindo em nossa direção.

— Onde ele está, Tetch? — pergunta Wally, de prontidão — Onde está Pesadelo?

— Ora, pra que as preocupações? Venham tomar um chá comigo!

Duas cadeiras surgem do nada e correm para cima dos dois desavisados. Hermes se lança sobre Wally, tirando o Flash da mira do assento sapiente, ficando preso em seu lugar. Flash corre e dá de encontro com uma grande porta de madeira, que se esmigalha com o impacto. Dentro de um salão sombrio, Wally pode sentir a presença do ser maligno, mas as sombras o escondem do olhar. Ao fundo uma figura começa a surgir. A primeira coisa que wally vê é o uniforme vermelho, os olhos azuis reluzindo na escuridão.

— Tio Barry?

— Sim, Wally... meu sobrinho e minha grande decepção!

— Mas... Tio...

— Não me venha com essa, Wally! Eu te criei pra ser o melhor de todos os velocistas, mas o que você faz? Fica brincando com o povo, como um palhaço de circo! Se importa mais com a imprensa do que com sua missão! Até se alia a um Deus só pela sensação de poder!

— Não, eu tento ajudar as pessoas, eu faço o melhor para ajudá-las!

— Não, Wally — diz uma voz feminina, enquanto sua silhueta vai surgindo das sombras — Você não faz nada por nós, ou por mim — diz Linda Park, parando ao lado de Barry — Você é egoísta e não vê nada além de si mesmo. Veja o que você deixou acontecer...

Atrás de Barry e Linda, o horizonte de Central City destruída surge, com incêndios e abalos destruindo os grandes prédios e o Museu Flash. No alto de um arranha-céu ainda intacto, Grood ri malignamente, seus olhos simiescos mirando o desespero de Wally.

— Não! Não!!!

Wally corre pelo salão, tentando se aproximar da visão, mas ela se distancia cada vez mais. Em um relance, o vulto negro de Pesadelo se destaca na paisagem e Wally não pensa duas vezes, indo de encontro a ele.

Ahhhhhhhhhh!!

O choque vibratório fere Pesadelo e Flash tem uma epifania. Wally agarra Pesadelo e começa a vibrar o mais rápido que consegue. Seu corpo e o do demônio atingem o ponto de plasma e começam a se fundir, porém as moléculas ultra-aceleradas de Wally dispersam o corpo da criatura que se desfaz na textura do Sonhar, gritando no limite da audição contra a derrota para o velocista.

O castelo de Pesadelo começa a ruir e Hermes se livra da armadilha do Chapeleiro Louco, agarrando Tetch e correndo para perto de Wally. O Sonhar se abre com estrondo e os três caem em um beco de Keystone, ilesos e de volta a realidade

— Malditos!!!! — Tetch vocifera pra cima de Hermes, avançando sobre o deus da velocidade. A figura humana, já destransformada de sua forma de coelho, olha intrigada para o humano insolente e com apenas um golpe o derruba inconsciente.

— Mortais...

Hermes se vira para Wally West, pronto a parabenizá-lo e vê o velocista caído no chão, tremendo em ultravelocidade. Hermes se aproxima dele e não sente sua mão. Pela primeira vez, o deus sente temor pela vida de um mortal em especial.

— Wally!


Na próxima edição: Enquanto a batalha pelo Sonhar é travada, os velocistas terrestres enfrentam seu próprio dilema quando o mortífero Mercenário aterroriza Keystone City!


:: Notas do Autor

(*) Leia ouvindo:
Tragic Kingdom — No Doubt
King of Pain — The Police por Alanis Morissette. voltar ao texto

(**) A dimensão governada pelo Pesadelo, um "baronato" no reino do Sonhar, foi batizada como Dimensão K em homenagem ao título da Ebal que publicava as aventuras de Barry Allen, o Flash. "A Ebal comumente usava nas revistas nomes genéricos associados aos títulos específicos ('O Herói', em Turma Titã; 'Dimensão K', em Flash; 'Álbum Gigante', em Thor, etc.). A cada 100 números ou cada vez que as vendas caíam, as revistas eram reiniciadas, dando origem a outros títulos específicos ou a uma nova série do mesmo título" (fonte: http://www.universohq.com) voltar ao texto



 
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