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Homem-Aranha # 03

Por Eduardo Sales Filho

Gritos da Noite
Parte II - Demônios e Teias de Aranha

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Soho - 19h52

As palavras do Demolidor ecoam na cabeça do Homem-Aranha. Os pensamentos afluem, desconexos, deixando-o com uma sensação de mal-estar. Lentamente, Peter Parker tenta colocar as coisas em perspectiva.

— Espera um minuto. Você disse seqüestrada? Sally Green foi seqüestrada?

— Exatamente. Encontrei algumas paredes respingadas com sangue. Sangue humano. No quarto da garota há sinais de luta e isto — o vigilante com roupa de demônio estende o bilhete na direção do amigo. — É para você.

Ainda incrédulo, Peter lê as palavras escritas às pressas por sua jovem fã: 'Socorro, Aranha! Meu pai é um vampi...' Ele volta o olhar para o Demolidor, confuso.

— As evidências levam a crer que ela foi seqüestrada pelos pais.

— Não pode ser! — diz o Aranha — Sally é uma garota comum! O que ele teria a ver com vampiros?

— Não sei, mas há mais coisas por trás disso tudo. Encontrei anotações no escritório. Elas mencionam um grande evento esta noite, na antiga danceteria Hell's Back.

— E o que nós estamos esperando, demônio? Vamos ver o que está acontecendo!

O Aranha lança sua teia e salta no vazio, seguido de perto pelo Demolidor. Essa é uma amizade estranha. Matthew Murdock e Peter Parker dificilmente teriam a oportunidade de se tornar amigos. Este, porém, não é o caso do Demolidor e do Homem-Aranha.

— Me explica uma coisa, Matt, como você veio parar nessa história?

— Elektra. Recebi um telegrama dela hoje cedo. Aparentemente eu só deveria recebê-lo se algo acontecesse a ela. Na mensagem estava escrito o nome e endereço de Thomas Green e uma frase: 'Vingue-me'.

— Sinistro isso...olha lá, chegamos à boate. Vamos entrar!

— Não pode ir entrando assim, Aranha! — mal chegam à casa noturna e o aracnídeo já tenta arrombar a janela de vidro no topo da construção gótica — Pode haver sentinelas.

— Fica frio, vermelhão. Olha lá dentro, os caras estão distraídos. Se alguém estivesse vigiando, eu saberia.

— Como.. ah, sim, o bom e velho sentido de aranha... Com um poder destes, eu teria, pelo menos, entrado no Quarteto Fantástico.

O Aranha sorri sob sua máscara e retruca, sem perder o ritmo:

— Isso foi muito baixo, advogado!

— Vou escutar o que eles dizem...

O acidente que lhe roubou a visão deu ao Demolidor dons incríveis em troca. Com sua audição amplificada, ele supera a barreira física da estrutura e escuta a conversa abaixo.

— Meus irmãs de trevas, é chegado o grande momento. Durante as últimas semanas nos preparamos, colhendo o suco da vida diretamente das veias dos infiéis — diz Thomas Green — Todavia, é preciso mais do que sangue para realizar aquilo a que nos propomos. As escrituras dizem claramente. Pois vejam, irmãos! Aos cuidados de minha esposa Martha, a desmorta que servirá de sacrifício para que nosso lorde negro retorne à vida!

Não é preciso ouvir nenhuma outra palavra. Mesmo não tendo sido capaz de identificar sua pulsação no meio da multidão sedenta por sangue, Matt sabe de quem eles estão falando.

— Elektra!

Com um golpe de bastão, ele parte o vidro da janela e salta para o combate.

— Demolidor, não!

O Aranha ainda tenta impedir a ação do amigo enfurecido, mas ele já está em queda livre. "Quase cem sugadores de pescoço lá embaixo e o cara quer enfrentá-los. E tem gente que ainda pergunta por que ele é chamado de 'homem sem medo'... Esta vai ser uma longa noite."

A Seguir: Aranha e Demolidor contra uma horda de vampiros assassinos. Quem vai sair vivo? Confira na terceira e última parte de Gritos da Noite!

:: Notas do Autor

Agradecimentos a Rafael Borges.



 
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