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Homem-Aranha # 04

Por Eduardo Sales Filho

Gritos da Noite
Parte Final - Presas Pra Que Te Quero!

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"Que diabos, Matt, eu achei que advogados eram frios e calculistas", pensa o Homem-Aranha, enquanto salta em meio a uma centena de vampiros e se amaldiçoa por não ter segurado o Demolidor quando ele decidiu bancar John Wayne.

O Demolidor aterrissa sobre três vampiros. Cruza o salão com movimentos rápidos, dirigindo-se ao altar onde Thomas Green e sua esposa estão. Ele se surpreende pelo modo como os vampiros caem fácil, mas não se importa. Salvar Elektra é sua única preocupação.

Pendurado em sua teia, o Homem-Aranha balança pelo salão acertando o máximo de cabeças possível. Subitamente, uma mão o agarra. Ele é atirado ao chão e um círculo de vampiros se forma à sua volta.

Matt Murdock é um atleta nato, um ágil lutador e exímio acrobata. No momento, ele está usando todas as suas habilidades para transformar a desvantagem numérica em uma vitória. Ele atira seu bastão para o alto, derrubando um globo luminoso em cinco adversários que bloqueavam seu caminho. Com um salto, desvia-se de mais dois e alcança o altar.

— Senhor Green, o demônio veio buscá-lo! — diz o Homem Sem Medo, enquanto fita o líder da seita.

— Ótimo, pois eu sempre quis dançar com o demônio sob o pálido luar... Hmm, onde foi que eu já ouvi isso antes?

O Aranha observa seu parceiro ao longe, mas não pode ajudá-lo agora, pois tem seus próprios problemas para resolver.

— Muito bem pessoal, todos vocês querem me morder, mas eu tenho uma péssima notícia: meu gosto é horrível! Podem perguntar pro cachorro da minha vizinha! — enquanto fala, seu sentido de aranha o orienta. Ele se prepara pra um ataque... agora!

Abaixando-se rapidamente, o Homem-Aranha vê um oponente passar voando sobre sua cabeça e ir de encontro a dois companheiros vampiros. Aproveitando-se da distração criada, ele dispara suas teias e forma um escudo em seu braço direito.

— Esse é um truquezinho que aprendi com o Capitão América, conhecem?

Usando o escudo como um aríete, o herói projeta seu corpo contra uma multidão de vampiros, derrubando-os como pinos de boliche. Ele precisa ir para um local mais alto, de onde possa continuar o combate de maneira mais efetiva. Os engradados no canto direito parecem um bom lugar.

— Tem algo errado nesse cara... — pensa o Demolidor enquanto aproxima-se de Thomas Green. — Esse cheiro de graxa vindo dele não faz sentido... e que ruídos são esses? Parecem mecânicos.

— Está na hora, demônio, da sua última dança!

Thomas parte na direção de seu oponente e o agarra. Sua força sobre-humana faz com que algumas costelas do Demolidor se partam. Seu abraço asfixiante deixa o Homem Sem Medo sufocado. No entanto, em meio ao barulho da luta, um ruído não sai da cabeça de Matt.

"Engrenagens... graxa... mecânica...", os pensamentos tentam concatenar as informações e transformá-las em algo útil. A resposta vem como uma revelação.

— Armaduras! Aranha, eles não são vampiros de verdade! Estão usando armaduras para simular a força e próteses dentárias no lugar dos caninos! Eles são apenas humanos comuns vestidos com exo-esqueletos!

O Demolidor bate com seu bastão na têmpora direita de Thomas e consegue se soltar. Usando seu sentido de radar, ele vasculha a armadura buscando por um ponto fraco, uma falha, uma brecha para derrotá-lo.

— Armaduras? Quer dizer que estou apanhando de carinhas com armaduras? Porra, e eu achando que vocês estavam realmente querendo me morder! Mamãe nunca ensinou a vocês que não se deve mentir para super-heróis?

O Homem-Aranha pula sobre os engradados e começa a escalar a parede em direção ao teto. Se pendura lá de ponta-cabeça e retira um aparelho eletrônico do cinto escondido sob o uniforme, começando a desmontá-lo. Dispara sua teia na direção de um 'pseudo-vampiro' e o puxa. Um soco rápido no estômago deixa o adversário fora de ação. Ele arranca parte da armadura, procurando o núcleo de força e o encontra na forma de uma estrutura circular escondida um pouco abaixo do abdômen. Soltando o inimigo de volta ao chão, ele volta a se concentrar no aparelho em suas mãos.

O único pensamento que passa na cabeça do Demolidor é como atingir seu adversário de maneira que possa derrotá-lo, e tirar Elektra dali o mais rápido possível. Ele é surpreendido por Martha Green, esposa de Thomas e sacerdotisa do culto. Ela o acerta nas costas com um dos pesados castiçais de prata que adornam o local. Matt rola no chão, esquivando-se de outros ataques e tentando recuperar o fôlego. Ele atira seu bastão, que atinge o rosto da sacerdotisa, ricocheteia no chão e volta para suas mãos. O Demolidor salta e acerta seu pé no rosto da oponente, levando-a ao chão, desacordada.

— Martha! — grita enfurecido Thomas Green — "Agora, seu chifrudo desgraçado, eu acabo com você!

Thomas salta na direção do Demolidor, usando o sistema de propulsão da armadura para lançá-lo com força total. Matt esquiva-se do primeiro ataque e atira seu bastão na nuca do adversário. Ele cai. O Demolidor aproxima-se lentamente e diz num sussurro:

— Ninguém zomba do demônio. — diz o vigilante, dando um soco que derruba definitivamente Thomas Green.

— Demolidor! — chama o Homem-Aranha — Tira a Elektra daí e se prepara, pois as coisas vão esquentar um pouco por aqui.

Peter Parker é um gênio científico. Dependurado de cabeça para baixo no teto da boate, ele converteu um antigo sinalizador aranha e o núcleo de força de uma das armaduras num disruptor eletrônico. Basicamente esse aparelho torra qualquer mecanismo eletro-mecânico num raio de 200 metros. Tudo que ele precisa fazer agora é apertar um botão.

— Muito bem, dentinhos, é hora de nanar!

O botão é pressionado. Todos no recinto sentem a carga eletrostática aumentando até explodir num baque surdo. As luzes, o aparelho de som, as caixas acústicas e principalmente as armaduras, entram em curto. As lâmpadas estouram, deixando a boate na escuridão. Os vampiros recebem toda a força armazenada nas armaduras de volta, na forma de um choque de 10.000 watts. Em segundos, tudo silencia. Tão rápido quanto começou, a batalha foi encerrada.

— Aranha? Que diabos foi isso?

— Cara, eu tava me perguntando a mesma coisa... aparentemente essas armaduras eram mais fortes do que pensei.

Sirenes são ouvidas ao longe.

— Aranha, você assume daqui? Eu preciso levar Elektra a um hospital.

— Tudo bem. Pode deixar que eu explico pros tiras o que aconteceu aqui... assim que eu descobrir, é claro.

Epílogo

Edifício Empire State - Noite seguinte


— Eu achei que iria te encontrar aqui.

— Oi Matt, tava mesmo te esperando — diz o Aranha sem se voltar.

— Então você sabia que eu vinha?

— É claro, a gente não podia acabar essa história sem o clássico encontro final entre os heróis para discutir o que aconteceu.

— Peter, você deveria ter sido humorista e não repórter.

— Também acho, mas descobri que só sou bom em piadas quando uso essa máscara. Como tá a Elektra?

— Ela está bem. Ainda se recuperando. Eles usaram alguma droga forte para capturá-la, ela ainda não fala coisa com coisa. Como foi lá com os policiais? Eles te acusaram de ser o líder da seita ou essa história só foi sair no Clarim de hoje?

— Você conhece o JJ... ele não consegue negar que me ama. Mas tudo correu bem. Thomas e Martha estão presos, Sally foi encontrada no porão da boate. Ela está com os tios agora. A polícia descobriu que as armaduras dos bandidos foram construídas pelo Consertador. Prenderam o cara esta tarde.

— A polícia descobriu mais alguma coisa útil?

— Pelo que entendi do papo dos detetives, Thomas Green era um maluco por vampiros que encontrou um esqueleto qualquer e inventou que era o Drácula. A idéia dele era trazer o vampirão de volta a vida na base de sacrifícios humanos e muito sangue. Eles usavam as armaduras para 'se acostumar' com os poderes vampíricos. Estavam esperando que Drácula os transformasse. Enfim, mais um típico caso de lunáticos.

— Com certeza, mas eu sinto que você quer me dizer mais alguma coisa. O que é?

— Matt. Mary Jane está grávida. Eu vou ser papai.

— Parabéns, Peter! Eu não sabia disso. Estou muito feliz por vocês.

— Obrigado, cara. Bem, é o seguinte. Com essa vida que eu levo, nunca sei quando vou conseguir voltar pra casa, por isso quero te pedir uma coisa: Seja o padrinho do meu filho. Se algum dia eu faltar, quero saber que posso contar com alguém protegendo minha família.

— Ora... você me pegou de surpresa. Eu fico muito honrado com seu convite. É claro que aceito. Você é um grande amigo, Peter, e sabe que pode contar comigo sempre que precisar.

— Ótimo! Então vamos sair daqui antes que eu comece a chorar. Topa tomar uma cerveja?

— Eu não bebo.

— Nem eu. Por isso vamos tomar apenas refrigerantes.

— Peter? Só mais uma coisa...

— Sim?

— Se acha que sendo seu compadre vou passar a cobrar mais barato pelos meus serviços como advogado, está muito enganado.

— Droga! Então vou ter que pensar em outra maneira para processar o Clarim!

Risos são ouvidos enquanto os dois amigos saltam juntos em direção à fria noite de Nova York.

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