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Homem-Aranha # 05

Por Eduardo Sales Filho

Um Dia no Campus

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Peter Parker acorda. Seus olhos tentam se acostumar à claridade da manhã. À sua frente, Mary Jane anda pra um lado e para o outro apressadamente.

— Peter? Que bom que acordou. Você está lembrado da consulta hoje, não é?

— Mary Jane? Que horas são? Já é dia?

— São dez da manhã e eu estou atrasada! Ainda tenho que passar na faculdade e encontrar com a Gil pra almoçar. Depois vou ao escritório do meu agente e saio correndo para o hospital. Hoje vai ser a primeira ultra-sonografia, é bom que você esteja lá. — Mary Jane faz uma expressão séria ao terminar a frase — E eu não estou brincando quando digo isso.

Peter fica prostrado na cama enquanto sua esposa, a mulher da sua vida, mãe do seu futuro filho, deixa o quarto e desce as escadas. Lá de fora já se pode ouvir a buzina do táxi. Mary Jane está atrasada.

Parker ainda rola na cama por mais um tempo. Pensa no que tem a fazer neste dia e calcula o tempo para não correr o risco de se atrasar. MJ não o perdoaria.

Ele levanta da cama e caminha até o banheiro, falando em voz alta:

— Levar fotos no Clarim. Pegar notas na faculdade. Encontrar Mary Jane às 16h30. Fácil!

Universidade Empire State - 12h43

— Gil! Estou aqui!

— Nossa, Mary Jane, o que tá acontecendo? Nunca vi o campus tão cheio! Mal dá pra se mover...

— O dr. Henry Pym veio participar de uma palestra sobre bioquímica. Como ele é um Vingador, a imprensa resolveu dar cobertura ao evento.

— Legal! O Peter não deve perder essa por nada, não é?

— Humm...se ele lembrar que a palestra é hoje com certeza não vai querer perder. — A ruiva sorri e as duas amigas se afastam da multidão. — Vamos indo, Gil, ainda tenho um longo dia pela frente.

Clarim Diário - 13h04

Nada deixa Peter Parker tão feliz quanto uma visita ao Clarim Diário. Após entregar as fotos a Robbie Robertson, receber por elas, bater um papinho com Betty Brant e dizer um 'oi' para Ben Urich, Peter está de saída quando um berro chama sua atenção:

Parker! O que você está fazendo aqui? Hank Pym está dando uma palestra na UES! Não é você quem estuda lá? Suma já daqui e me volte com fotos. Muitas fotos!

— Caramba...eu esqueci da palestra...Obrigado pela lembrança, JJ, se não fosse por você eu perderia esta!

Peter dá um beijo na testa de J. Jonah Jameson e sai apressadamente da redação. Já no elevador ele começa a gargalhar quando ouve o enfurecido grito de seu patrão:

Paaarrkerrr!

Universidade Empire State - 13h32

"Graças ao sistema de transportes Aranha Ltda, consegui chegar ao campus em cima da hora. Só espero que o Dr. Pym ainda não tenha começado", pensa Peter enquanto sai do armário de vassouras onde entrou para tirar seu uniforme. "Agora são apenas dois lances de escada e..."

Seus pensamentos são interrompidos pelo barulho de algo caindo pesadamente em um dos escritórios.

"O que é que tá acontecendo ali? Esse andar é pouco movimentado e a essa hora não deveria ter ninguém nessas salas..."

Peter observa o interior da sala pelo pequeno vitrô na porta.

— Anda logo, Camatz, tô com medo da gente ser pego!

— Porra, e tu acha que é fácil invadir os arquivos do professor Horn e mudar tuas notas?

— Nossas notas! Você vai mudar as suas também!

— Tá, tá...você me entendeu!

Peter reconhece os dois. São estudantes de direito da UES. E, dada as circunstâncias, devem ser péssimos alunos. Ele olha para o relógio, preocupado com o horário. Essa palestra promete ser interessante. Mas a velha máxima aracnídea não sai da sua cabeça, com grandes poderes...

Uma rápida troca de roupas depois:

— Consegui! Entrei! Quebrei a senha do mané!

— Uhú! Valeu, Camatz, eu sabia que você não ia me decepcionar.

— Ei, tem foto de mulher pelada neste computador? — diz uma voz vinda do lado de fora da sala.

Os dois estudantes olham assustados enquanto o Aranha entra pela janela.

— Sabe, eu sempre imaginei como alguns alunos da minha turma conseguiam passar de ano no colégio. Vendo vocês aqui eu começo a imaginar como eles faziam.

— Aranha? Cara o que é que tu tá fazendo aqui? Você não é um herói? Vai prender vilão e deixa a gente em paz!

— Com licença, colega, deixe que eu assumo isso.

— Mas Camatz...

— Shhhh! Eu cuido disso. Senhor Aranha, sabe que está infringindo a lei entrando assim nesse escritório? Além do mais esse andar é restrito para alunos e funcionários da faculdade. O senhor pode ser enquadrado no código penal nos parágrafos...

Ele não consegue completar a frase. Uma bola de teia é lançada na sua boca.

— Hehehe... Vocês advogados são engraçados, realmente engraçados. Escuta pessoal, o papo tá bom mas eu tô com pressa, então que tal se vocês colaborarem saindo daqui e indo contar ao professor Horn o que vocês estavam aprontando?

— Eu acho essa uma belíssima idéia.

Uma nova voz vinha da janela, onde um enorme olho observava à tudo.

— Dr. Pym, que prazer em vê-lo. Esse senhor com o colant vermelho estava nos intimidando, nos forçando a invadir o computador do professor Horn! O Clarim estava certo, este homem é um perigo para a sociedade!

— E o senhor poderia me explicar, meu caro bacharel, por que o Homem-Aranha iria querer invadir o computador pessoal de um professor da Universidade?

— Heh! Quero ver você sair desta agora! — O Aranha sorri sob a máscara.

— Meus caros, não adianta negar, a segurança do campus gravou a entrada de vocês aqui, e o Aranha não estava junto. Na verdade foi a entrada dele através da janela que acionou o alarme e chamou minha atenção para os eventos deste andar. Podem ficar onde estão, a segurança do campus já deve estar a caminho. Aranha, aceita tomar um cafezinho comigo?

— Claro, Dr. Pym, seria um prazer.

Alguns minutos depois, já na lanchonete da UES, vários alunos se deslumbram com a visão do espetacular Homem-Aranha e Henry Pym, um dos Vingadores originais. Alheios ao burburinho em volta, os dois conversam entretidos.

— Dr. Pym, supondo que eu fosse casado e minha esposa estivesse grávida, que riscos existiriam para ela e para o bebê? Quer dizer, eu consegui meus poderes graças à radioatividade. Esse tipo de coisa poderia passar para a criança?

Henry Pym dá um sorriso discreto. Bebe um gole do seu café e responde de maneira descontraída:

— Leve sua esposa no laboratório que eu farei uns testes. Prometo manter a identidade dela em segredo.

— Obrigado, Henry. Não sei como agradecer...

— Simples, venha comigo para a palestra. Ela foi remarcada para as 16h por causa dessa confusão.

— Mas é claro, eu adoraria...não. Não posso, acabei de me lembrar que tenho um compromisso, e já estou atrasado. Obrigado Dr. Pym, mas tenho que ir.

O Homem-Aranha sai da lanchonete, lança suas teias e parte em disparada rumo ao centro da cidade.

Clinica Providence - 16h23

Mary Jane Parker espera sua vez de ser atendida atenta para a porta de entrada da clínica. Seu marido ainda não chegou.

— Droga, Peter! Eu pedi pra você não se atrasar! — pensa a jovem.

— Sra. Parker? Sua vez.

— Mas, mas...eu ainda estou esperando meu marido, ele deve estar chegando logo.

— Lamento, senhora. Mas não podemos esperar. A senhora vem?

Mary Jane dá de ombros.

— Tá, vamos lá...mas eu acabo com ele quando chegar em casa. Ah, como acabo...

Por trás de um espelho falso, um homem observa tudo atentamente. Com um comando mental um poderoso tentáculo metálico gira um botão e o monitor à sua frente acende com as imagens da sala de exames. Seu nome é Otto Octavius e ele está muito interessado no resultado dos testes de hoje.

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