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Homem-Aranha # 06

Por Eduardo Sales Filho

Acertando as Contas

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Forrest Hills - 17h53

— Mas Mary Jane... — Peter Parker é interrompido por sua esposa enfurecida.

— Não quero ouvir uma palavra, Peter! Nada! Você disse que iria. Você prometeu que estaria lá! Caramba, é do nosso filho que a gente tá falando...

A jovem senta-se na cama, desconsolada. Algumas lágrimas escorrem pelo sua face.

— MJ...desculpa, não era pra ter acontecido isso. Mas a palestra do Dr. Pym atrasou, depois teve um incêndio no centro e um assalto a banco também... eu corri, mas quando cheguei lá você já estava entrando no táxi. Ainda gritei, mas você não me ouviu...

— Ouvi sim, só que te ignorei, assim como você insiste em ignorar a mim, a nosso filho, a nossa família!

Mary Jane fala num tom rancoroso que deixa seu marido surpreso.

— Chega, Peter! Não dá mais pra agüentar isso. Eu aceitei casar com você mesmo sabendo sobre o Aranha, mas eu me casei com você! Onde está Peter Parker? Por que ele nunca aparece quando eu preciso?

— Mary Jane...eu não sei mais o que dizer...não sei mais como me desculpar...

— Você nunca sabe Peter, nunca sabe. Esse é o problema. Eu vou tomar um banho e dormir. Não quero mais discutir nada essa noite. Não é bom para o bebê.

A ruiva entra no banheiro deixando um arrasado Parker do lado de fora. Peter entende as reclamações da sua esposa, e até concorda com elas. Então por que não consegue agir diferente? Por que ele sempre falha com ela? Essa é uma dúvida que ficará para outro dia. Hoje, ele precisa esfriar a cabeça. O Aranha vai dar uma voltinha pela cidade.

Quinze minutos depois...

Mary Jane sai do banho. Vê o quarto vazio, a janela aberta. Ela suspira e pensa consigo mesmo: "Peter, como você pode ser tão burro assim?"

Clarim Diário - Manhã seguinte

Alheio ao burburinho de sempre da redação, um abatido Peter Parker caminha até a máquina de café.

— Peter? Que cara é essa? — pergunta Robbie Robertson, editor do Clarim e um grande amigo da família Parker.

— Oi, Robbie...

— O que aconteceu? Você tá com uma cara péssima. Dormiu mal essa noite?

— Não. Eu simplesmente não dormi. Passei a noite em claro. Andando de um lado pro outro.

— Briga com a patroa? — questiona Robertson, curioso.

— É...mais ou menos isso.

— Posso te dar um conselho de alguém que já passou por isso?

— Clar... — Robbie não o deixa completar sua frase.

— Sabe, Peter, quando as mulheres ficam grávidas elas exigem muita atenção da gente. Se sentem frágeis, desprotegidas. Passam a ter preocupações tolas sobre não ser mais amadas se engordarem muito...coisas de mulher, como elas diriam. — Robbie dá uma risadinha e puxa Parker para sua sala, convidando-o para sentar.

— Mary Jane é uma mulher encantadora. — prossegue Robbie — Qual a última vez que você disse isso a ela?

Peter pensa por alguns momentos, e quando finalmente vai dizer algo é interrompido novamente por Robertson.

— Faz tanto tempo que você nem lembra, né? Peter, vocês são jovens, mas não são mais crianças. Está na hora de agir como um adulto. Na hora de tratá-la como sua esposa, sua cúmplice, e não apenas uma namoradinha de colégio. Trate-a com respeito. Trate-a como mulher. Trate-a bem!

— Mas Robbie, ela não quer nem falar comigo! Liguei pra ela duas vezes hoje de manhã e ela se recusa a atender.

— Eu no lugar dela também não atenderia. Afinal, você passou a noite fora e nem deu satisfação. Quer uma dica? Surpreenda-a! Leve-a para um jantar romântico, um passeio no parque. Qualquer coisa. Só não fique aí parado com essa cara de cachorro que quebrou o pote!

— Robbie...você está certo. E eu já sei exatamente o que fazer.

Forrest Hills - 13h42

Mary Jane atende à porta na residência dos Parker. Um enorme buquê de rosas vermelhas repousa sobre o assoalho. Junto com as flores um bilhete.

'Perdoe este marido relapso. Me encontre para jantar as 19h no Le Danton.'

A ruiva sorri.

Soho - 19h12

Mary Jane anda de um lado para o outro, nervosa. Peter está atrasado como sempre, só que hoje ela não está disposta a esperar. Ela nunca mais vai esperar por ele.

A ruiva vai em direção à rua e estende a mão para chamar um táxi. De súbito vê seu corpo ser erguido no ar. Olha pra cima e vê seu marido, Peter Parker/Homem-Aranha puxando-a com suas teias. Ele a pega no colo, sorri sob a máscara e diz:

— Pensou que eu não vinha, não é? Desculpe o atraso, mas foi difícil arrumar as coisas do jeito que eu queria, do jeito que você merece.

— Peter, você está louco? Todo mundo na rua viu o que você fez!

— E daí? Vão pensar que o grande criminoso Homem-Aranha acaba de fazer mais uma vítima. Isso não me importa agora. Só você importa.

Mary Jane sorri e suspira enquanto seu marido escala as paredes do edifício.

— Chegamos. Por favor, mantenha os olhos fechados enquanto troco de roupas.

— Peter, eu já te vi pelado várias vezes, por que isso agora? — pergunta Mary Jane, faceira.

— Por que se você abrir os olhos antes vai estragar a surpresa, oras! Faça o que te peço, por favor.

— Tá bom, tá bom...eu espero. Só não demora muito!

Cinco minutos depois...

— Prontinho, MJ, pode abrir os olhos.

Mary Jane surpreende-se com o que vê. À sua frente está seu marido, trajando um smoking e segurando duas taças de vinho tinto. Atrás dele uma linda mesa adornada com flores do campo e porcelana chinesa. Dois candelabros de prata sustentam oito velas brancas que fornecem toda a luz necessária ao ambiente. Através de um controle remoto em seu bolso Peter liga um aparelho de som, que Mary Jane não consegue localizar, e começa a tocar When a Man Loves a Woman.

Parker oferece uma das taças para Mary Jane. Ela prova um pouco. Seus lábios carnudos sorriem. Ela se dirige a ele e o beija. Peter retribui. Depois se afasta, põe as duas taças sobre a mesa e com um gesto chama sua esposa para dançar. Ela aceita de imediato e os dois esquecem por alguns momentos que estão no topo de um prédio na maior cidade do mundo. Para eles, tudo que existe é um ao outro.

Empire State, 19h45

Um senhor esguio e calvo aguarda numa luxuosa sala de espera no 27º andar do prédio mais famoso de Nova York. Quem vê esse homem trajando um legítimo Armani jamais imaginaria do que ele é capaz.

Súbito uma porta se abre. Um rapaz com feições orientais se dirige ao homem sentado e diz:

— Por aqui Sr. Toomes, o Sr. Tanaka já vai recebê-lo.

Na próxima edição: O Abutre está de volta para aplicar seu maior golpe.

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