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Homem-Aranha # 07

Por Eduardo Sales Filho

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Empire State - 19h50

Adrian Toomes fica maravilhado com o luxuoso escritório das indústrias Fujikawa, onde foi encontrar-se com o sr. Tanaka. Um ambiente amplo, decorado com motivos orientais. Uma enorme estátua de dragão, feita do mais puro mármore, adorna a entrada da sala. Dois homens de preto, seguranças pessoais do diretor da empresa, fecham a porta após a passagem de Toomes.

— Sente-se, por favor.

— Sr. Tanaka, eu presumo...

— Exatamente. Posso oferecer-lhe algo para beber? Um café? Um chá? Um uísque?

— Um café seria muito bom.

Tanaka faz um gesto delicado e, de uma porta até então imperceptível, surge uma linda jovem. Vestida com um kimono de seda, ela traz uma bandeja de prata com o café. Serve os dois e desaparece pelo mesmo lugar que entrou.

— Então, sr. Tanaka, em que posso lhe ser útil?

— Na verdade não é você quem me servirá, sr. Toomes. Precisamos do seu alter-ego, o Abutre.

— Para que, exatamente?

— Temos interesse em um item não disponível. O senhor irá trazê-lo para nós.

— Achei que o senhor teria homens bons o bastante para um simples roubo.

— Esse não é um simples roubo. E o nome das Indústrias Fujikawa não pode estar ligado a ele. Por isso precisamos de um agente independente. O senhor, se estiver interessado.

— Entendo. E qual seria este "item não disponível"?

— Um chip. Um reles pedaço de silício, que pode lhe render US$ 20 milhões.

— Pelo valor que está me oferecendo, imagino que deve ser um chip muito importante.

Tanaka levanta-se. Começa a andar pela sala e faz sinal para que seus seguranças os deixem a sós. Os homens desaparecem nas sombras e o diretor da Fujikawa continua:

— As Indústrias Osborn desenvolveram um chip de inteligência artificial. Nós tínhamos um projeto semelhante, mas nosso engenheiro-chefe sofreu um...acidente após discordar das normas da empresa. Os cientistas da Osborn aproveitaram isso e passaram na nossa frente. Agora queremos tirar o atraso.

— Compreendo. Então você quer que eu entre num dos laboratórios mais seguros do país e roube um chip que vai revolucionar o mundo nos próximos anos... Muito bem, eu topo. Só um detalhe, meu preço é US$ 50 milhões.

Tanaka pára diante da janela. Aprecia a vista de Nova Iorque e pensa por alguns instantes. Por fim ele volta à sua mesa, senta-se e, após um longo suspiro, fala:

— Sr. Toomes, acredito que entramos num acordo. Meu secretário providenciará tudo que precise. Você tem cinco dias para me trazer este chip. Os cientistas da Osborn ainda não o divulgaram à imprensa. A Fujikawa tem de ser a primeira. Entendido?

— Sem dúvida. O chip será seu antes disso. Foi um prazer negociar com o senhor. Adeus.

Adrian Toomes sai da sala pensando: "Esse vai ser o golpe da minha vida. Depois dessa eu me aposento de vez!"

Manhã Seguinte
Forrest Hills


Peter Parker observa sua esposa dormindo ao seu lado. Ele lembra da primeira vez que a viu. Recorda da roupa que ela usava, o perfume que ela exalava. A maneira como ele se perdeu nos seus olhos verdes. Peter amou MJ desde cedo. Após a morte de Gwen ele achou que seria incapaz de se apaixonar novamente. Que jamais conseguiria se entregar tanto assim para uma mulher. Mary Jane provou que ele estava errado.

— Hmmmm... Oi, gatão. Tá acordado há muito tempo? — diz sua esposa enquanto se espreguiça na cama.

— Não sei...perdi a noção do tempo olhando pra você.

MJ se aproxima do marido. Olha bem em seus olhos e diz:

— Como você pode ser tão romântico a essa hora da manhã?

— Não é minha culpa se sou completamente apaixonado pela minha mulher.

— Bobo! Cala a boca e me beija!

O jovem casal se abraça. Se beija. Os dois fazem amor, como em uma consagração de tudo que sentem um pelo outro.

Clarim Diário - 15h23

— Obrigado, Robbie. Vou passar no financeiro para pegar meu cheque.

Peter Parker se despede de Robert Robertson, editor do Clarim.

— Peter! Que bom te ver aqui, preciso falar contigo. — Betty Brant intercepta Parker assim que ele cruza a redação.

— Oi Betty. O que houve?

— A festa de dez anos da nossa formatura. Precisamos combinar tudo!

— Já faz dez anos? Nossa...agora me senti velho!

— Você é velho, sr. Parker! E então, vai me ajudar ou não?

— Claro. O que você precisa de mim?

— Pra começar a gente tem que... — Os dois partem em direção ao elevador enquanto discutem detalhes da festa e riem lembrando dos velhos tempos.

De sua sala, J. Jonah Jameson observa os jovens. Ele faz um sinal e chama Robbie Robertson.

— O que foi, Jonah?

— Robbie, o que você acha do Parker?

— Bem, ele é um rapaz ótimo. Confiável. Responsável. Seguro. Por que essa pergunta agora?

— Há quanto tempo ele trabalha conosco? Dez anos? Doze? Por que ele continua aqui? Parker é um rapaz inteligente, poderia estar trabalhando em qualquer lugar que quisesse.

— Já lhe ocorreu que ele pode gostar daqui?

— Talvez seja hora dele dar um rumo na vida. Arrumar um emprego decente, ter um seguro saúde. Pelo amor de Deus, ele vai ser pai!

— O que você tem em mente afinal, Jonah?

— Nada. Estou só pensando alto...

— Cuidado com isso, você pode ficar sentimental demais. — diz Robbie, em tom irônico.

— Ora, não me encha a paciência! Vá trabalhar! Temos um jornal pra fazer! — berra J.J.

— Tá bom, tá bom...eu estava só brincando!

Cozinha do Inferno - 19h54

Um senhor de aparência cansada entra em um velho e sujo sobrado. Seu nome é Stuart Wilson. Faxineiro das Indústrias Osborn há 30 anos, ele não faz idéia do que o espera em casa.

— Sr. Wilson, permita-me que me apresente. Meu nome é Adrian Toomes, mas pode me chamar de Abutre!

Wilson cai no chão e uma gargalhada sinistra é ouvida por toda a Cozinha do Inferno.

Na próxima edição: O Abutre põe seu plano em prática e tem o combate final com o Homem-Aranha.

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