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Homem-Aranha # 08

Por Eduardo Sales Filho

O Adeus do Abutre

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Indústrias Osborn — 16h23

Peter Parker e Betty Brant dirigiram cerca de 45 minutos até chegar à sede das Indústrias Osborn, num subúrbio industrial de Nova Iorque. Eles vieram falar com a presidente da empresa, e amiga pessoal de ambos, Liz Osborn. No momento, aguardam na sala de espera.

— Eu nunca imaginei que um dia a Liz seria a dona disso tudo! — diz Betty, impressionada.

— Acho que ela não teve opção. Após a morte do Harry, alguém tinha que assumir os negócios do velho Norman. — Parker responde à amiga e lembra-se rapidamente de tudo que viveu, como Homem-Aranha, enfrentando Norman, e depois, Harry Osborn como o Duende Verde. Ele espanta as más lembranças com uma leve sacudida nos ombros e continua. — Tomara que a Liz nos atenda logo, prometi à MJ que chegaria cedo em casa hoje.

— Quem diria que o antes CDF e depois irresponsável Peter Parker se transformaria num respeitado pai de família, hein? — debocha Betty, com um sorriso.

— Pra você ver como esse mundo dá voltas. Até uma reles secretária virou uma das principais jornalistas do Clarim Diário!

— Isso foi muito baixo da sua parte! — responde dando-lhe um amigável tapinha no braço. — Mas a gente continua outra hora, o assistente de Liz está fazendo sinal pra entrarmos.

Parker concorda com um aceno e os dois encaminham-se para a sala.

— Peter! Betty! Que bom ver vocês! Desculpem a demora para atendê-los, mas as coisas estão meio agitadas por aqui hoje. — Liz Osborn abraça os amigos e aponta as cadeiras, convidando-os a se sentar.

— Oi, Liz! — adianta-se Betty. — Desculpa vir sem avisar, mas é que precisávamos falar algo meio urgente.

— Urgente? Aconteceu algum problema com vocês?

— Nada com o que se preocupar. — interrompe Parker. — A gente só veio aqui te convidar para nossa festa de 10 anos de formados.

— Mas é claro! Onde vai ser?

— No Queens. — Betty retoma a palavra. — No antigo salão de bailes, no próximo sábado a partir das oito da noite.

— Eu não perderia isso por nada. Todos estarão lá?

— Ao menos todos que conseguimos localizar. Alguns dos nossos ex-colegas sumiram do mapa e outros...

— Outros morreram. — complementa Liz, num tom amargurado.

— Meninas, não vamos ficar lembrando de coisas tristes. — diz Parker, tentando arrancar um sorriso das amigas. — Se concentrem no presente, em vocês e, principalmente, na festa!!

— Você tem razão, Peter. — concorda Liz. — Eu estarei lá. E levarei Foggy comigo.

— É assim que se fala! O papo está bom, mas temos de ir. O "pai do ano" aqui precisa chegar cedo em casa...

Após as despedidas, os dois amigos seguem pelo corredor conversando até que, subitamente, o sentido de aranha de Peter Parker começa a tilintar. Ele olha em volta procurando por algo suspeito, mas encontra apenas um faxineiro fazendo seu serviço.

"Tem algo entranho por aqui. Vou incluir este bairro na ronda noturna do Homem-Aranha de hoje", pensa o herói.

Oito horas depois...

Pela porta lateral da sede das Indústrias Osborn, um velhinho acima de qualquer suspeita sai após mais um dia de trabalho, carregando consigo uma pequena sacola. Como qualquer pessoa comum, caminha calmamente para a estação de metrô e pensa sobre seu futuro. Ele é o Abutre, e acaba de cometer um roubo que lhe renderá o suficiente para curtir sua tão sonhada aposentadoria.

— Boa noite, senhor. — o velho se surpreende quando o espetacular Homem-Aranha surge à sua frente, de ponta cabeça, pendurado por suas teias numa marquise acima de ambos.

— Aranha? Como diabos você me descobriu aqui?

— Bom, eu precisava saber as horas e perguntei para quem... — ele é interrompido por um soco que o leva ao chão.

Adrian Toomes abre suas asas, rasgando assim o sobretudo negro que usava e revelando o uniforme verde do Abutre.

— Bubu?! Que bom te encontrar! Eu estava achando essa noite um tédio.

— Maldito! Você não vai me atrapalhar desta vez. — o Abutre lança-se aos céus, sendo perseguido, de imediato, pelo Aranha.

Parker usa seus lançadores de teia para balançar-se por sobre as ruas de Nova Iorque. Este artifício, no entanto, requer prédios altos que sirvam de base para as teias. No bairro onde eles se encontram a maioria das construções são baixas, de no máximo cinco andares.

Vendo que seu inimigo está se distanciando rapidamente, Peter decide tentar uma manobra arriscada. Enquanto salta de um prédio para outro perseguindo o Abutre, ele atira suas teias em um vão de aproximadamente 5 metros, formando uma cama elástica improvisada. O Aranha pula e o impulso o joga 40 metros para o alto.

Utilizando-se dos mini-planadores de seu uniforme, logo abaixo dos braços, o Aranha plana por alguns segundos. Quando seu corpo começa a cair, Parker usa os braços para impulsioná-lo à frente, num mergulho em direção ao Abutre. Com um disparo impossível para um homem comum, ele lança sua teia e consegue acertar o pé esquerdo de seu inimigo.

Pego de surpresa, o Abutre perde o controle e rodopia no ar. O Homem-Aranha segura firme na sua teia e começa a subir em direção à Toomes.

— Hei, Bubu! Que droga de vôo é esse? Não tem nem serviço de bordo!

— Maldito seja, Aranha! Eu não tenho tempo para suas piadas cretinas!

— Mas eu só quero animar um pouco o nosso passeio. Isso aqui está tão chato que eu estou ficando com sono.

— Desgraçado! Eu vou te colocar pra dormir. Para sempre!

— Oba! Você vai contar historinhas? Sabe, a mamãe-aranha sempre me contava uma história antes de dormir.

— Cale-se, miserável! Se eu não conseguir controlar esse vôo nós dois vamos nos esborrachar no chão.

— Isso seria ruim. Esse bairro aí embaixo é barra-pesada. Dizem até que eles comem super-heróis no café da manhã. — enquanto fala, o Aranha continua subindo através da teia, já quase alcançando o Abutre.

Toomes finalmente consegue parar de rodopiar. Quando se prepara para livrar-se do seu passageiro indesejado, uma bola de teia atinge seu rosto, cobrindo-lhe os olhos. O Aranha sobe pelo corpo do Abutre e acerta um soco em seu rosto. Mesmo sem enxergar nada, ele revida e os dois começam uma alucinante batalha nas alturas.

A luta é interrompida pelo sentido de aranha de Parker. Ele pára de socar seu oponente e olha em volta. À sua frente, um enorme painel publicitário eletrônico toma forma. Antes de se chocar com o outdoor ele ainda pode ler a frase 'o cigarro mata'.

"Abutres também.", pensa o Aranha.

Uma enorme explosão se segue no momento que os dois combatentes chocam-se com o painel. Uma descarga elétrica de 10.000 watts leva Parker para o mundo dos sonhos. Quando desperta, quinze minutos depois, não encontra o Abutre a seu lado.

Manhã seguinte

Um veleiro passa lentamente ao lado da Estátua da Liberdade. No leme está Adrian Toomes. Ele "dá uma banana" para a estátua. Gargalha e grita a plenos pulmões:

— Adeus, América! Caribe, aí vou eu!

Na próxima edição: A festa dos dez anos de formatura de Peter Parker. Velhos amigos aparecem e podem mudar para sempre a vida do nosso herói.

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