hyperfan  
 

Homem-Aranha # 20

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Bang! Você Está Morto, Homem-Aranha!

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Homem-Aranha
:: Outros Títulos

— "Peter, não se esqueça da bolsa rosa que está em cima da mesa da sala, as sacolas que estão perto da cama e minha bolsa (aquela que a Tia May me deu) que ficou em cima da mesa da cozinha!".

As palavras de M.J ecoam na cabeça de Peter enquanto ele sai do hospital. Ele acabou de fazer uma promessa muito importante para sua mulher: não se esqueceria de nada que ela pediu para ele pegar em casa, mas como conseguirá se não pára de pensar no rostinho lindo da sua filha?! Enquanto caminha nas ruas do Queens, ele puxa o celular do bolso da calça e disca para um, dois, três, quinze amigos! Todas as conversas começam com a mesma frase:

— Ei, advinha quem é o novo papai do pedaço? É, e ela é a coisa mais fofinha do universo! Uma menininha tão linda! O nome é May, igual à tia-avó!

Outro lado da cidade:

— Cheguemos! — fala Ota, parando o carro no centro de Nova York.

— E agora? — pergunta Octa, olhando para o Hitman.

— Porra, e agora? Agora, eu faço meu trabalho e vocês três se mandam da minha frente! — Hitman sai do carro, batendo a porta.

— Bizarro, bizarro...ei! A gente não pode perdê esse cara da vista, sinão meu controle mental, já eras! — Manda dá um pulo para fora do carro — Vâmo segui o cara, pô!

Hitman caminha direto para uma cabine telefônica. Ele pára em frente à porta e olha para o senhor de meia-idade, meio calvo, que está dentro da cabine, fazendo uma ligação. Tommy puxa o maço de cigarros do bolso, mas está vazio. Ele solta todo ar do pulmão com raiva.

— Se deu mal, tio! O cigarro acabou e junto com eles, minha paciência! Fora da cabine, porra! — Tommy abre a cabine e puxa o homem para fora.

— Ei, seu doido! Vou te processar seu filho de uma... — Hitman fecha a porta da cabine.

— Vamos ver... Parker? Parker?... Peter Parker, porra! Esse carinha deve tá na lista telefônica... Pancho... Paollo... Parker! Achei: Parker, Peter. Forest Hills, Queens. Mole! — ele rasga a página da lista e coloca no bolso do sobre-tudo negro.

Enquanto isso, Ota, Octa e Manda tentam seguí-lo com cuidado, eles pararam o carro e se espalharam pela rua para ficar de olho nele. O Hitman passa do lado de Manda e diz:

— Vambora, Manda, Forest Hills. Vou pegar esse merdinha do Parker em casa, com as cuecas na mão. Ah, e vocês se escondem que nem um elefante, puta merda!

— Êta! Vumbora então. — Manda chama Octa e Ota e os quatro entram no carro.

Casa dos Parker:

— MJ? Ahn...Tia May? Será que dava para eu falar com a MJ? — Peter fala pelo telefone de sua casa com sua tia, que está com o celular de Mary Jane, no hospital.

— Peter, querido, MJ está dormindo. O que você queria com ela? — a tia responde já sabendo do que se trata.

— Ahn... Tia... eu esqueci tudo que era pra pegar em casa! A senhora por acaso não lembra não, né?

— Claro! Anota aí: a bolsa rosa que está em cima da mesa da sala, as sacolas que estão perto da cama, no quarto e a bolsa que ficou em cima da mesa da cozinha. Só isso? — A tia May ri para si.

— Só! Valeu, Tia! Te Amo! — Peter desliga superfeliz pela incrível memória de sua tia.

A campainha toca. Peter vai cantarolando para a porta já imaginando que vai receber mais parabéns pela filhona, quando seu sentido-de-aranha toca, o avisando de perigo. Perigo atrás da porta!

"Oh-Oh! Não é um bom dia pra arrumar confusão dentro da minha própria casa. Hora de Peter Parker sair e o Homem-Aranha entrar em cena!", Peter corre para o sótão e começa a vestir o uniforme.

Tommy Monaghan toca a campainha da casa dos Parker mais uma vez:

"Se não atender nessa eu derrubo essa merda dessa porta!" — ele pensa enquanto procura no sobre-tudo por um novo maço de cigarros. — "Porra! Eu sei que tem outro maço em algum lugar nesta bosta de sobre-tudo" — de repente, ele ouve uma voz vindo de trás.

— Você tocou a campainha, no momento, não têm ninguém em casa, se quiser deixar recado com o amigão da vizinhança, aqui, ele vai adorar saber o que você quer pelo bairro!

— Porra! Minha treta é contigo mesmo, seu leão-de-chácara de bosta! — Hitman tira a .12 de trás do sobre-tudo e aponta para o aracnídeo.

— Leão? Leão? ! E eu ficava chateado quando me chamavam de inseto! Será que você matou todas as aulas de biologia? — o Aranha salta para se desviar da mira da arma.

— As aulas, não! Mas mané como tu, eu mato a rodo! — a .12 de Hitman dispara, mas o tiro erra o alvo. — Nova York é outra bosta mesmo, atendimento em domicílio! Isso não acontece em Gotham!

No carro: Octa, Ota e Manda assistem a luta, apreensivos.

— Cacetada, Octa! O cara tá mandando chumbo no Aranha! — fala Ota, colocando a mão na cabeça como se estivesse surpreso. — Tá tudo dando errado!

— Tá doido? É isso mermo! Ele tem que acabar com a raça da lacraia! — Octa e Manda, os dois, dão um tapa na cabeça de Ota.

A luta:

— Uau! Bem que meu horóscopo de hoje falou que eu ia ter problemas com balas! E eu achando que ia ter uma cárie! — o aracnídeo joga sua teia na arma de Hitman e a puxa para longe. — Falando em dentes, vamos extrair o problema pela raiz!

Hitman abre um sorriso e puxa duas pistolas:

— Tu achou mesmo que eu era mané de trazer só um ferro? Pra acabar com gentinha podre como você, eu venho armado até os dentes! Tu vai virar pó igualzinho ao que tu ajuda a distribuir por aí! — Tommy mira as pistolas e começa a atirar.

O Aranha desvia das balas com movimentos acrobáticos sobre-humanos. As balas, porém, começam a atingir as casas próximas.

"Droga! Esse doido vai encher a vizinhança de buracos! Não posso lutar com ele por aqui! Tenho que atrair a luta para longe e tem que ser agora!" — o Homem-Aranha, finalmente, pára de se desviar das balas.

O Aranha joga teia nas pistolas de Hitman, tapando seus canos. Enquanto Hitman as joga no chão, o Aranha dá um tchauzinho para ele com as mãos e começa a pular pelas casas. Tommy fica puto com o deboche do aracnídeo e puxa uma outra pistola e começa a correr atrás dele, passando pelos quintais das casas.

Manda se desespera ao ver que os dois começam a correr por entre as casas:

— Que merda! Vamos perder ele de vista! Meu controle mental vai pra casa do cacete!

— Ih! Que merda! O Shell vai ficar puto! — diz Octa.

— Vamo tentar seguir esses porras! — Manda fala enquanto dá partida no carro.

Peter leva Hitman por entre as casas até uma parte menos habitada do bairro e começa a escalar um prédio em construção. Hitman chega ao local. Ele pára, toma um ar e puxa outra pistola da bota:

— Seu traficantizinho de merda! Cadê você? ! — Tommy grita.

— "Ahn? Traficante?! Tem coisa errada aí." — Peter pensa enquanto olha Tommy por uma das janela de um dos andares do prédio.

Tommy de repente começa a ser puxado pela teia do Aranha, até que eles ficam praticamente cara a cara.

— Bem, você tá no alto e se eu soltar a teia você vira pasta. Vamos fazer um acordo: você desiste de me fazer de peneira e eu te ponho na cadeia, que tal? — o Homem-Aranha pergunta irônico.

Tommy cerra os olhos e a boca enquanto encosta a pistola na cara do aracnídeo, mas de repente, ele começa a se lembrar de uns papos antigos, de umas manchetes, da conversa de alguns canalhas. Para ele, o Aranha era um cara gente boa e não um guarda-costas do crime.

"Mas, porque porra, eu tô perseguindo esse sujeito?"

Tudo fica muito confuso na cabeça do Hitman, como se da última noite para cá, ele estivesse fazendo as coisas guiado por uma vontade externa.

— Peraí, cara. Porra! Tu trabalha ou não pro tal de Shell, caralho? — Hitman pergunta apertando a pistola contra a testa do Aranha.

— Claro que não! E eu lá vou me misturar com essa laia, eu quero é colocar essa gente atrás das grades! (Agora dá pra tirar essa arma da minha cara, por favor?) — o Aranha empurra Tommy, que balança na teia.

— Porra! Tô achando que zoaram com minha cabeça! — Hitman abaixa a arma.

— Ahn? ! — o Aranha pergunta sem entender bem o que está acontecendo.

— Três caras me procuraram e me disseram que era pra te apagar, porque tu tava de negócio com o Shell. Até me passaram o nome do tal de Parker, falaram que ele trabalha pra você. Ah! Dá pra me colocar no chão? — pede Hitman.

O Aranha o coloca para dentro do prédio:

— Não sei quem te falou essas besteiras, mas tá tudo ao contrário e o Parker só tirava umas fotos minhas pro jornal. O cara não tem nada com isso! Agora, se você me contar quem é que falou contigo...

— Relaxa, Aranha. Eu pego esses três putos e dou uma lição neles. Só me faz outro favor e a gente esquece que essa porra toda aconteceu, beleza? Me leva pra baixo que esse prédio não tem elevador! — Hitman dá um tapa no ombro do Homem-Aranha.

— Feito! — O Aranha começa a descer o Hitman pela teia e quando ele está quase no chão, o aranídeo prende os braços e pernas do Hitman com a teia.

— Que isso?! — Tommy se surpreende.

— Regra número um do super-herói, Manual dos Super-Heróis, página 1: "Nunca, nunca, nunquinha mesmo, usar armas de fogo".— o Aranha começa a tirar as armas de Tommy e quebrá-las com as mãos.

— Porra, cara! Que sacanagem! Minhas armas! Se eu não tivesse preso... — Hitman começa a reclamar.

— Nada de andar por aí com essas armas todas pra fazer buracos nas pessoas. O certo mesmo era te deixar na polícia, mas hoje não vai dar! A teia dissolve em uma hora! — o Aranha deixa Hitman no chão e parte correndo para o hospital

"Preciso ir ver a Mayzinha! Uma hora longe dela e já tô morrendo de saudades daquela coisinha gostosa!"

Minutos depois: Peter abre a porta do quarto do hospital.

— Meu amorzinho! Ei, cadê a Mayzinha?! — Peter pergunta quando não vê a filha no quarto.

— No berçário, Peter. Cadê minhas bolsas? — MJ pergunta com cara de enfezada.

— Ih, acho que vou ter que voltar em casa! — Peter fica vermelho de vergonha.

— Mas, Peter, como você foi esquecer? — A tia May pergunta, rindo.

— Ah... tanta gente me ligou... que eu me distraí... mas, já volto! — Peter corre novamente para o berçário para ficar babando em cima de sua filhinha.

Ele está hipnotizado olhando para Mayzinha quando seu sentido-de-aranha dispara. Peter toma um susto e olha para trás, mas só vê um grupo de enfermeiras e alguns pacientes passando.

"Ué? Quem será que disparou meu sentido? Eu tava tão distraído que nem percebi direito. Quer saber? É melhor eu ir embora pegar as bolsas e deixar isso pra lá, já arranjei muito problema por hoje."

Perdidos no Queens:

Manda puxa o telefone celular e liga para o número que ele menos queria ligar agora:

— Sr. Shell? So-so-sou e-e-eu, Manda...

— Diga.— uma voz seca responde — Seja rápido!

— Acho que deu tudo errado com o lance do Hitman... — a voz de Manda treme.

— Acha? Imprestáveis! Ao menos você conseguiu aquele outro contato em Gotham? — o Sr. Shell pergunta.

— Ah! O do...

— Sim, esse. Conseguiu ou não? — Shell interrompe Manda.

— Conseguêmos...

— Traga para mim! Nosso novo associado será muito útil para esmagar esse aracnídeo insuportável. — Shell desliga o telefone.

Octa e Ota olham para Manda:

— E ai? Ele tá muito puto?— eles perguntam.

— É... tâmo fudido... — Manda responde ligando o carro.

Nos túneis de esgoto, abaixo do hospital, uma figura anda cautelosa. Dois braços metálicos o elevam além da água suja, enquanto os outros dois impedem que o lodo caia nele:

— Eu realmente odeio esse lugar e esse cheiro. Nada que um charuto não ajude a disfarçar.

O Dr.Octopus puxa um charuto de um bolso de seu casaco e começa a fumar.

— Ah, povo subdesenvolvido, o de Cuba, mas sabem fazer um charuto como ninguém! — Otto ri enquanto prossegue pelos túneis.

Repentinamente, um barulho no túnel chama a atenção de Otto. Algo parece se mover atrás dele. Como um raio Otto manda dois de seus tentáculos para trás e eles agarram duas pessoas. O Dr. Octopus os traz para frente e os levanta até ficarem na altura de seus olhos. Um dos tentáculos está segurando uma criatura humanóide que parece uma amalgáma de mulher com um cachorro, enquanto o outro tentáculo prende um homem que parece estar coberto por bolhas púrpuras:

— Que diabos são vocês? — Otto pergunta enojado.

— Morlocks, mutantes... ser da superfície. Você entrou nos nossos domínios! — responde o homem coberto de bolhas.

— O Dr.Octopus não respeita os domínios de ninguém! — Otto começa a estrangular os dois com seus tentáculos.

Otto, de repente, sente uma forte dor de queimadura nas costas. Ele se vira e vê uma outra criatura, mas essa parecendo um inseto e atirando raios em sua direção.

— Morlock maldito! Mutantes nojentos! — um terceiro tentáculo voa em direção ao Morlock inseto e atravessa seu peito, matando-o instantaneamente, porém o Dr. Octopus perde um pouco do equilíbrio e afunda um dos pés no esgoto. Otto termina de estrangular os outros dois mutantes e os joga no chão.

— Droga! Meu sapato novo! — ele balança o pé tentando tirar um pouco de água enquanto continua seu caminho.

Nas sombras, sem que Octopus desconfie, um quarto mutante se move rapidamente. Ele corre para os outros Morlocks, ele precisa avisar da invasão e do perigo que ronda os domínios deles.

Finalmente, Octavius chega ao seu destino. Ele sobe para a superfície em um beco ao lado do hospital onde uma jovem enfermeira já o espera ansiosamente.

— Você demorou. — diz a enfermeira limpando o suor da testa.

— Não me perturbe. Trouxe o que lhe pedi? — Octavius pergunta enquanto seus tentáculos pegam um rolo de notas de cem no bolso do casaco.

— Aqui está, dos Parker. — a enfermeira abre a mão revelando um saquinho com mechas de cabelo.

— Tem certeza que tirou o cabelo do bebê correto? O Dr. Octopus não tolera erros. — Otto pega o saco e olha bem para as mechas.

— Claro, claro que eu tenho! — a jovem estende a mão para pegar o dinheiro.

— Já sabe, eu suponho, que não deve comentar sobre isso com ninguém! — Otto larga o dinheiro nas mãos da moça.

— Sei. Só não entendi o que você quer com esse Parker. — a enfermeira fala enquanto guarda as notas no bolso.

Com um dos tentáculos o Dr.Octopus abre o tampão dos esgotos e com outro ele agarra a enfermeira pela cabeça, tapando sua boca, e a joga para dentro.

— Você sabe demais, querida. — Octopus entra no bueiro — E saber é poder.

Enquanto isso, no túnel dos Morlocks:

Os Morlocks estão reunidos sobre uma montanha de lixo, restos de comida e remédios do hospital central. Alguns estão separando a comida do resto, enquanto outros saem para patrulhar os túneis. Uma criança com a pele verde brilhante fala para uma senhora de meia-idade com três braços:

— Esse lugar é bom, muito bom para os Morlocks. Comida e remédios.

— Sim e os seres da superfície nem suspeitam... — a senhora fala enquanto revira o lixo.

Um grito da sombra interrompe o cotidiano dos túneis Morlocks:

— É um ataque! Um dos seres da superfície nos descobriu e matou Larry, Iggy e Ninger. Talvez ele venha com mais, com mais para nos matar!

— Não podemos permitir! Temos que nos defender! — grita um Morlock.

Caliban aparece no túnel. O morlock farejador de mutantes chega e impõe silêncio. Todos os Morlocks respeitam o grande poder dele:

— Eles insistem em nos pertubar! Querem nos matar! Não vai ficar assim! Vamos subir e tomar o hospital dos humanos, está na hora de revidar, Morlocks! É hora de mostrarmos que não se mexe com a gente! — Caliban levanta os braços e logo em seguida todo os Morlocks repetem o gesto.

— Para a superfície! — eles gritam enquanto começam a correr pelos túneis.


Continua na próxima edição...




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.