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Homem-Aranha # 21

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

A Mão Que Balança o Berço

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Peter Parker dá uma última olhada para a filha enquanto se dirige ao elevador do hospital. Sua fascinação pela pequena May é tão grande que ele nem mesmo percebe quando dá uma trombada em uma senhora que passava carregando duas pesadas bolsas.

— Me desculpa! Caramba! Eu fiquei tão distraído olhando pra minha filha que nem te vi. — Peter se explica enquanto pega as bolsas caídas no chão.

— Vou te desculpar, rapazinho. Sorte sua ter uma desculpa tão boa. — sorri a senhora enquanto ajeita seu chapéu.

Subitamente o sentido de aranha dispara. Peter larga as bolsas e, instintivamente, volta seus olhos para o piso do hospital. "Perigo, vindo do térreo." Os olhos de Peter começam a se virar em todas as direções e , sem notar, ele assume a típica posição aracnídea, um pouco arqueado e com os joelhos dobrados. "Está vindo de todos os lados".

— Meu filho, tem algo errado? — a gentil senhora pergunta, mas Peter não tem tempo de responder. Ele a joga no chão quando a porta do elevador explode, atirando estilhaços para todas as direções. Do poço sobe uma mulher com a pele coberta por escamas púrpuras, atrás dela sobem mais dois Morlocks.

— Caliban tem razão! Chegou a hora dos Morlocks reagirem! O povo da superfície não vai mais fazer piada de nós! Morlocks, destruam tudo! — a mulher grita.

"Droga! Os Morlocks! Será que nada na vida dos Parker pode ser normal?". Peter se levanta e vai, junto das pessoas, sendo encurralado próximo ao vidro do berçário.

"Não posso vestir o uniforme agora, mas também não posso deixar esses loucos chegarem perto das crianças."

Peter toma a frente da multidão encurralada, enquanto mais e mais Morlocks aparecem no andar. Os Morlocks que chegam começam a destruir o hospital, sempre gritando palavrões e palavras de protesto contra a superfície.

— Eu não sei o que vocês querem aqui, mas vão protestar em outro lugar! Isso aqui é um berçário! Vocês estão colocando crianças recém-nascidas em perigo! Será que vocês não tem nem a menor noção de decência?— Peter grita.

Um morlock baixote, com orelhas de morcego se aproxima de Peter. Seu andar incomoda a vista, pois parece que ele arrasta as pernas.

— Ele tem razão, cintilante. As crianças não tem nada a ver com isso.— ele fala olhando para a mulher com as escamas púrpuras.

— O humano de seis braços não teve piedade dos Morlocks! Morlocks não terão piedade de ninguém! — a cintilante olha fixo para Peter. — Quer ser o primeiro humano?

"Humano de seis braços?! Que história é essa?!" Peter cerra os punhos, mas algo interrompe a confusão.

— Fecha a matraca, Cintilante. — Uma voz grave ecoa pelo local enquanto um mutante extremamente grande e forte, de pele branca, careca e olhos amarelos entra por um corredor.

— Humanos, eu sou Caliban! Líder dos Morlocks! Seu povo acaba de matar Morlocks e, por isso, nós tomaremos esse hospital e mostraremos ao mundo nosso poder! Abram espaço para os Morlocks, ou morrerão! — Caliban aponta para as pessoas e rapidamente a multidão abre espaço para ele passar.

— Dentre meus diversos poderes, posso sentir o cheiro de mutantes. Se houver algum mutante no meio dessas crianças, eu saberei.

Caliban anda até o vidro do berçário, olha por alguns instantes para dentro e sorri. Com um poderoso soco ele quebra a vidraça e começa a entrar.

"Oh-oh! Esse louco não vai fazer isso. Não! Não! Mutante...ah não!"

Peter salta e segura o braço de Caliban. O Mutante se vira e desfere um soco em Parker, jogando-o atrás do balcão da recepção. As pessoas gritam desesperadas.

— Se ele tentar outra coisa, mate-o, Cintilante! Humano idiota...— Caliban continua a entrar no berçário.

— Sim! Eu sinto o cheiro de mutante. Uma dessas crianças vai crescer com os Morlocks! Vai crescer para lutar contra vocês, porcos!— Caliban caminha por entre os berços e toma um bebê em seu colo.

Parker se levanta de trás do balcão em tempo de ver Caliban se virando com uma criança no colo. A visão atinge Peter como o mais forte golpe que jamais sentiu. Ele não tem dúvidas, é sua filha, May, que Caliban está segurando.

— Essa menina ganhará outro nome, uma nova família e uma nova casa! Os Morlocks se tornaram uma sociedade poderosa! Os humanos ainda vão se esconder de nós! — o líder dos Morlocks grita.

"Acabou a brincadeira, seu lunático desgraçado.Você acabou de tomar a atitude mais idiota da sua vida!"

Peter se abaixa, e veste somente os lançadores e a máscara. Em poucos instantes ele salta para o teto e caminha até próximo dos Morlocks.

— Muito bem, seus fedorentos! Chega dessa palhaçada e libertem a criança agora! É isso mesmo, eu estou falando com você, seu narigudo! — O Homem-Aranha aponta o dedo para Caliban e tece uma rede teia gigantesca que se gruda em todo o vidro do berçário.

Alguns Morlocks se assustam ao verem o aracnídeo, mas não Caliban. Ele ergue o pescoço e responde:

— Homem-Aranha, o hospital está completamente cheio dos meus Morlocks. Não dá pra você vencer! Somos mais de vinte mutantes com muitos poderes, sem falar de mim!

— Isso é o que você acha, ô cara de papel! E pelo menos agora vocês não vão mais perturbar o resto das crianças! — o aracnídeo lança um fio de teia que acerta a mulher de escamas na cara. Enquanto ela tenta se libertar da teia, o Rato voador se vira para o aranha e solta um grito ultra-sônico. As ondas atingem o teto, derrubando o Homem-Aranha e soterrando-o em alguns poucos escombros.

— Essa foi fácil, Mestre. — o Rato Voador se vira para Caliban.

— Nem arranhou! — o Aranha se levanta, jogando os escombros para trás.

— Morlocks, derrubem o aracnídeo! Agora! — Caliban ordena e Rato Voador, um morlock sem face, e um morlock com tentáculos de polvo no lugar dos braços cercam o aracnídeo.

— Cadê sua boca? Nem vou perguntar como você come...— O Aranha acerta um soco na cara do morlock sem face, e logo em seguida dá um chute no peito do morlock-polvo. — Vamos lá, Caliban! Os Morlocks nunca foram exímios lutadores. Liberte a criança e eu deixo vocês irem embora em paz. Eu também não concordo com a discriminação mutante!

— Mentira! Você é um humano! Você não tem cheiro de mutante! E todos os humanos zombam de nós! — Caliban grita. — A criança vai comigo! Você não vai ousar desafiar Caliban! Caliban é o mais poderoso dos poderosos!

— Eu estou começando a perder totalmente o resto de pouquinho de esportiva que eu tinha. Eu dei a chance pra vocês! Ninguém vai poder dizer por aí que o Homem-Aranha não é um cara legal! — O aracnídeo acerta um violento soco no Rato Voador, derrubando-o na hora. Ele, então, corre para a mulher com escamas e a joga contra o berçário, prendendo-a em sua teia.

— O que vai ser agora, Caliban? Vai chamar mais Morlocks pra que eu dê uma surra neles? — o Aranha para em frente ao mutante.

— Não mesmo! — Caliban ataca o aracnídeo com um soco, ainda segurando a pequena May com a outra mão.

O sentido de aranha avisa o herói em tempo dele se desviar, mas na hora de preparar o contra-golpe ele para.

Droga! Caliban, seu desgraçado filho da...! Solta a criança! Eu não vou responder pelos meus atos quando te pegar! Você não tem a menor idéia do buraco no qual está se metendo! — o aranha cerra os dentes. Peter está começando a ficar realmente desesperado.

— Você nunca vai me atacar enquanto eu tiver a criança comigo! Vá embora, inseto! Deixe que os Morlocks sigam! A criança não significa nada para você, é uma mutante! Sua raça odeia os mutantes, provavelmente os pais dela a jogariam fora assim que soubessem! — Caliban gira um chute que atinge o herói em cheio.

Caliban! Cala essa sua boca cheia de baratas! Você não sabe o que fala! Você não me conhece! Você não me conhece! — o aracnídeo fala ainda caído.

Morlocks! Matem o Aranha! — Caliban solta um poderoso berro.

O Aranha se levanta. Enquanto ele anda em direção a Caliban seu sentido de aranha começa a disparar novamente. "Mais Morlocks".

Rapidamente, uma dúzia de Morlocks aparecem no berçário. Como sempre, eles são dos mais variados tipos, mas todos possuem alguma deformação que tornaria sua vida social com os humanos impossível. O mais chocante é um pequeno mutante com a pele semi-transparente. Os Morlocks fazem um escudo em volta de Caliban.

— Saiam pela escada de incêndio, agora! — O Aranha grita para as pessoas, aproveitando que todos os Morlocks estão reunidos do lado oposto da sala.— Não olhem para trás e não deixem mais ninguém entrar aqui!

— Deixem os humanos fugirem. Já temos o que queríamos. -Caliban fala e vários Morlocks balançam sacos de lixo hospitalar completamente cheios enquanto ele levanta a pequena May.

Por debaixo da máscara a visão de Peter se torna embaçada, suas lágrimas começam a molhar o visor. Em fúria, salta para cima dos Morlocks. O Aranha não pensa, ele reage. Por instantes, ele deixa Peter e se torna só a aranha. O sentido especial que ganhou com a picada da aranha radioativa é seu único guia neste momento. Ele está lutando contra dez Morlocks ao mesmo tempo, e mesmo que o Homem-Aranha seja forte, seus adversários mostram grande resistência.

Enquanto luta ferozmente, o Aranha consegue discernir alguns barulhos. Tiros e sirenes. A polícia está cercando o hospital.

Caliban grita alguma coisa e um dos Morlocks pára a luta e se concentra, apagando todas as luzes do hospital. A sala cai na escuridão total. O sentido de aranha começa a disparar vindo de todas as direções. Ele avisa dos ataques dos Morlocks e dos tiros. Peter fica confuso.

Do lado de fora...

O capitão Gerald Scharwtzamman nunca se viu em uma situação igual. Ele chefia a elite da polícia conhecida como "Código Azul", uma equipe que só é acionada em casos de emergências extremas, como essa. O diferencial agora é lutar contra os Morlocks, as criaturas mais feias que ele já viu na vida.

Os policiais estão com o hospital cercado e trocando tiros com os mutantes, e estes revidam com raios, coquetéis Molotov e lixo. A polícia tem ordem para prender os mutantes, a qualquer custo, e quando o capitão Scharwtzamman vê várias pessoas fugindo pelas escadas de incêndio, ele não tem dúvidas e ordena a invasão.

— Código Azul, invadir! Usar armas de efeito moral até encontrar resistência! Ao sinal do primeiro raio, ou o que quer que seja que esses mutantes vão atirar, vocês tem autorização para uso de força letal! Quero todos os mutantes presos ou incapacitados!

Uma mulher que tinha acabado de sair do prédio grita para o capitão:

— Policial, o Homem-Aranha está lá dentro, e os mutantes tem um pequeno bebê como refém. Eles apagaram as luzes!

O capitão olha para a mulher e se vira para gritar aos policiais:

— Confirmada a presença do criminoso conhecido como Homem-Aranha. Ele e os mutantes são da mesma laia!

Mary Jane e a Tia May saem do prédio, com a ajuda de seguranças, segundos antes da polícia começar a invasão.

Os policiais gritam:

— Vamos! Vamos pegar o Aranha!

Mary Jane se desespera e tenta voltar para o hospital, mas os seguranças e a Tia May a impedem.

— Não! May! Minha filha está lá dentro! — ela grita.

— Calma, Mary. Não podemos fazer nada, aqueles mutantes horríveis estão atacando. Ah, meu Deus, se ao menos o Peter atendesse o celular. — A tia May tenta desesperadamente ligar para Peter enquanto elas são levadas para fora do hospital, para aguardar a chegada das ambulâncias.

— Peter já está fazendo o que pode...— Mary Jane senta no chão e chora.

De volta ao berçário.

Os Morlocks começam a espancar o Homem-Aranha, que está desorientado. O aracnídeo para de lutar.

— Ele desmaiou! — grita um dos Morlocks para Caliban.

— Levem ele para o subterrâneo! Ele vai apanhar muito por atrapalhar a gente! — grita Caliban e todos os Morlocks começam a descer os andares do hospital em busca do bueiro que os levará de volta ao lar.

Os mutantes chegam ao subsolo do hospital e quando o morlock semi-transparente abre o bueiro, o Homem-Aranha se move e se liberta de seus captores, dando um salto e caindo em frente a eles.

— Agora! Eu quero a criança, agora! — o Aranha murmura em fúria.

— Ele estava fingindo! Desgraçado, estava fingindo! — o mutante semi-transparente, Spool, grita.

Os Morlocks avançam para cima do herói. O aracnídeo parece ainda tomado por uma fúria indomável e começa a atacar ferozmente os mutantes. Ele não contém seus golpes e começa a machucar seriamente seus inimigos. Alguns Morlocks caem desmaiados, e os outros começam a se afastar do herói.

— Caliban, ele está descontrolado! Eu nunca vi alguém lutar com tanta raiva! Esse bebê, ele está desesperado por esse bebê! Entregue-o ao homem!— Spool se agarra aos braços do líder dos Morlocks.

— Nada disso! Segure a criança você e corra para os esgotos, Spool. Eu cuidarei do Aranha. — Caliban entrega May nas mãos de Spool, e se coloca na frente do aracnídeo. — Agora você vai saber quem é Caliban! Eu já derrotei homens muito mais poderosos do que você com uma mão! Vou te matar agora, Aranha. Vou te destruir para que todo o mundo saiba quem eu sou!

O mutante farejador avança contra o Homem-Aranha, que desvia com um salto sobre o oponente. O Aranha se prende ao teto e lança um fio de teia em Caliban. O morlock agarra o fio de teia e lança o herói contra uma parede. O Homem-aranha atravessa a parede e cai dentro de uma grande ala de enfermaria que parece estar desativada, quebrando leitos velhos e armários.

— Mata ele, Caliban! — os Morlocks gritam enquanto seguem seu líder para dentro da enfermaria desativada. Os Morlocks terminam de derrubar a parede, e todos entram.

O Homem-Aranha se levanta quando seu sentido de aranha dispara. Pela porta entreaberta da enfermaria ele vê uma equipe de policiais invadindo o local, ele olha para os Morlocks e vê Spool com a pequena May dentre eles. Sem pensar, o Aranha salta em direção aos Morlocks e grita:

May!!!

Spool arregalha os olhos ao ver o aracnídeo se lançando em sua direção. O coração do mutante dispara.


Continua!




 
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