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Homem-Aranha # 25

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Frios Caminhos

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Um homem ruivo esfrega os braços, mesmo dentro de um gordo casaco de peles.

— Como é frio aqui dentro. — o homem caminha por um frigorífico enquanto se desvia de corpos congelados pelo chão.

— Espero que esteja confortável. A proposta de seu chefe me pareceu muito interessante. — uma névoa fria, e pedaços de carne bovina penduradas, impedem que o homem veja quem fala com ele.

— Ok. Vamos ser rápidos, ou eu congelo nesse inferno. Meu chefe te oferece um laboratório, um sistema de refrigeração — 70 graus e dinheiro a dar com o pau pra você gastar como quiser nas suas experiências. — o homem ruivo treme.

— Humm. Eu entendo. O que ele pede em troca? — a voz ecoa pelo frigorífico.

— Que você o ajude a destruir certos inimigos. Ele dará a lista com os nomes mais tarde, um contato em nome do Sr.Shell irá procurá-lo. Certo? Por favor, cara, eu preciso sair desse lugar.

— Diga ao seu chefe que eu estou de acordo.

— Ótimo. Ele vai te mandar o endereço das suas instalações ainda hoje. Guarde esse celular. — O homem ruivo estende a mão segurando um aparelho de telefone celular.

A outra pessoa pega o celular, revelando sua aparência. O homem ruivo se assusta e anda rapidamente para a saída do frigorífico. Assim que sai, ele vira no beco seguinte e joga o casaco fora. Quando ele sai do beco, estranhamente ele é um jovem latino.

GrantFarma...

— Então, Jones, eu acho que se nós adicionarmos um grupamento metila no seu composto, ainda mais na posição orto do anel, que teremos um composto bem mais estável. Eu já tomei a liberdade de jogar essa estrutura no programa de modelagem molecular e, olhe só, o programa concorda comigo — Peter Parker aponta para a tela do computador no laboratório.

— Uau, Parker. Você tem razão. — Hector Jones, assistente de pesquisa, olha atônito para a tela do computador.

— Jones, eu vou indo. Já andei saindo daqui bem mais tarde do que devia nas duas últimas semanas. Minha esposa já tá fula comigo! — Peter se levanta, mas é interrompido por Paul Grant, que encosta a mão no seu ombro.

— Peter, será que poderíamos conversar lá na minha sala?

— Claro, Dr.Grant. — Peter segue Grant até a sala.

Paul oferece a cadeira a Peter e fecha a porta da sala.

— Bem, Peter, fiquei impressionado com sua idéia para o composto do Jones. Acho que ele também ficou. — Paul Grant ri enquanto se senta em sua cadeira.

— Obrigado, Dr. Grant.

— Que isso, Peter. Pode me chamar de Paul aqui. Estamos só nós dois, é uma conversa entre amigos. Que beber algo?

— Não, Paul. Obrigado.

— Sua filha está uma gracinha, Peter. Essa semana eu passei em sua casa umas duas vezes para visitá-la. — Grant se serve de whisky.

— É. M.J. falou, muito obrigado Paul. Sabe como é importante pra gente ter os amigos por perto. — Peter sente uma sensação estranha, parece o sentido de aranha. — Essa sala era a que o Norman Osborn usava?

— Era sim. A maior sala de escritório. Eu a aproveitei, com algumas reformas.

"Deve ser isso, Parker. A velha sala do Osborn ainda te dá arrepios."

— Ah. — Peter responde.

— Peter, estou vendo um futuro brilhante para você na GrantFarma. Quando você acabar sua pós-graduação, poderei lhe dar um cargo de gerência e você terá sua própria equipe. Que tal?

Os olhos de Peter brilham.

— Paul, isso seria ótimo!

— Eu só preciso pedir que você se dedique cada vez mais. Veja bem, Peter, eu sou o dono disso tudo aqui, mas não posso colocar amigos em cargos de confiança. Não se eles não merecerem. Eu confio muito no seu potencial, Peter, muito mesmo. Só que você vai ter que se esforçar em dobro para se mostrar merecedor.

— Só porque somos amigos? Desculpa falar, mas os outros funcionários me parecem pouco motivados. Eu me dedico bem mais do que eles. — Peter fala.

— Sim, eu sei. Acontece que as pessoas já comentam pelos corredores que eu tenho favorecido você. Dedique-se mais a GrantFarma, fique aqui até de madrugada, venha aos fins de semana se for preciso. Mostre a todos que você é um gênio, Peter. Faça isso e você ganhará um cargo de confiança e um salário que vai garantir um apartamento gigantesco em Manhattan e um futuro garantido para a pequena May e para M.J. — Paul aperta a mão do amigo.

— Está certo, Paul. — Peter sorri.

— Então comece agora, Peter. Volte lá e mostre ao Jones o poder de uma metila! — Paul sorri e abraça o amigo enquanto o leva até a porta da sala.

Alguns dias depois...

— Eu sei, M.J. Eu sei. Eu tenho que ficar até tarde novamente na GrantFarma. Eu sei que vim no domingo e que fico tarde todos os dias, mas... tá bom. Tá bom. Te amo. — Peter desliga o celular.

— Então, Peter. Acha que dá para fazer? — Jones pergunta.

— Dá. Vamos fazer agora? — Peter começa a empurrar Jones para o laboratório, mas Jones para.

— Ei, vamos passar na copa antes.

— Caramba! Vocês vivem na copa! Todo mundo bebendo café! Pra onde eu olho tem gente com um copo de café nas mãos. Que vício!

Ah! Não acredito, Peter. Não é Café. É um energético que o pessoal coloca na copa. É muito bom!

— Nossa, vocês já andam desanimados com esse energético, imagina sem. — Peter ironiza.

— Ahaha, você é engraçado, Parker. — Jones ri enquanto leva Peter até a copa.

— Jones. Você já podia ter feito esse processo sozinho desde a semana passada...

— Peter, você está muito estressado. Tome um pouco. — Jones serve um pouco do energético para Peter.

Assim que Peter pega no copo de energético seu sentido de aranha dispara. Ele arregala os olhos.

— Que foi, Parker? — Jones pergunta.

— Nada. Achei que fosse quente, e é frio. Só isso. — Peter disfarça.

"Que droga! Meu sentido de aranha sempre dispara nesse prédio. Também, o prédio da GrantFarma é o mesmo da antiga Oscorp. Vai ver ainda tem algumas bombas-abóboras escondidas por aí em algum lugar, ou vai ver finalmente eu fiquei paranóico de vez."

— Bebe, Peter. — Jones insiste.

"Melhor eu entrar no esquema desse pessoal. Se eles simpatizarem comigo não vão ficar falando por aí que o Grant tá me favorecendo."

Peter bebe o energético e seu sentido de aranha se silencia.

— Poxa, isso é gostoso mesmo. Me dá mais aí, Jones.

Os dias passam. Peter passa cada vez a se dedicar mais a GrantFarma e a beber cada vez mais o energético. Suas idéias afloram.

— Jones, Não! Você está fazendo tudo errado. Essa cromatografia tem que ser revelada de outro jeito! E não! Não dá para você concluir nada com essa espectometria que você em enviou! Caramba, Jones! Parece um aluno de segundo grau! — Peter se exalta.

Assim como seu humor também muda...

— Acredito que o problema dessa purificação tenha sido a má utilização dos equipamentos de centrifugação. Culpa do Dr. Weiss que não sabe diferenciar uma centrífuga de uma capela de fluxo laminar! Aliás, ele não deve saber a diferença de um coelho pra um rinoceronte! Não entendo como pessoas como ele conseguem um emprego aqui! — Peter reclama em uma reunião, entre uma golada e outra de energético.

Quarta-feira, onze da noite...

Peter entra em casa e esbarra com Paul Grant saindo.

— Peter! — Paul fala.

— Grant? — Peter estranha.

— Vim fazer uma visitinha, como você estava demorando fiz um pouco de companhia para a M.J., mas já estava de saída. Você estava na GrantFarma?

— Estava consertando as besteiras que o Jones e o Weiss fazem. Você devia botá-los pra fora.— Peter joga sua bolsa em cima da mesa.

— Outra hora conversamos, Peter. Preciso ir. Até amanhã — Paul bate a porta e sai.

— Isso são horas, Peter? — M.J aparece na sala.

— M.J., não enche. — Peter senta no sofá.

— Como é? Já se esqueceu que você tem a mim e sua filha? Já tem umas três semanas que você só fica na GrantFarma! Paul Grant tem me feito favores que são as suas obrigações!

Ei! O que você quer dizer com isso? — Peter se levanta ameaçadoramente.

— Quero dizer que ele tem comprado coisas na rua para mim, quando eu não posso sair. Quando não é ele, é a Tia May, ou a Tia Anna, mas nunca você.

— Você não sabe o que quer! Reclama porque eu estou por aí pela rua fantasiado, reclama porque estou trabalhando! Não era o que você queria? Peter Parker cresceu! Acabou a história de ser Peter Pan. Agora eu trabalho! Ralo pra caramba pra dar um futuro bom pra você e nossa filha! E o que eu escuto? Reclamação! — Peter joga a bolsa no chão.

— Peter, tem algo de errado com você. Aconteceu alguma coisa. Você não é assim. Há dias você está estranho. Só pensa em trabalho e... — M.J leva as mãos ao rosto.

— Isso. Chora! Chora! Mulher é tudo assim. A gente fala mais grosso e chora! Você não vai me comover! Eu já vi muita coisa feia nessa vida, muita coisa! Não vai ser um chorozinho de mulher que vai me dobrar! — Peter aponta o dedo na cara da esposa.

— Peter...— M.J tenta falar, mas é cortada.

— Eu não estou estranho .Esse sou eu! O eu que foi reprimido por você! Finalmente estou no meu habitat, na ciência! E você quer cortar minhas asas! Eu não vou deixar! Eu sou bom nisso! Eu sou bom no que eu faço!

— Peter...você machucou dois homens a dois dias atrás...— M.J continua.

— Marginais! Ladrões! O tipo de gentinha que torna esse mundo podre. O tipo de gentinha que matou meu Tio Ben! — Peter anda em círculos. -Preciso de um pouco de energético. Droga. Devia ter trazido.

— Você deixou os dois hospitalizados. Você nunca foi disso. Será que você não vê que tem algo errado?

— Eu to vendo uma coisa errada. Aliás, tá errada faz é tempo! Esse casamento. Você sempre tentando me controlar. Não me deixando ser quem eu sou! Desde que May nasceu você vive tentando me convencer a largar certos lados da minha vida! Só que eu NÃO quero e você não me respeita!

— Não é nada disso, Peter...

É sim! Quer saber? Antes Gwen não tivesse morrido Ela entenderia! Ela entenderia! — Peter bota a mão no bolso e tira a máscara do aranha.

— O que você vai fazer? — M.J pergunta preocupada.

Peter arranca suas roupas e veste o uniforme na sala mesmo. Em poucos instantes ele salta pela janela, deixando Mary Jane sozinha enquanto recolhe as roupas do marido e chora.

"Tem algo muito errado acontecendo."

Casa dos Jameson, 4 e meia da manhã...

RING-RING

— Humph..Jameson. Desembucha. — J.J. Jameson pega o telefone na cama e coça seu bigode.

— Seu Jameson, é o Urich.

Droga, Urich! São 4 da manhã! É melhor aquele aracnídeo insano ter revelado a identidade em cadeia nacional, ou...— Jameson aperta o telefone com força.

— J.J., não é tanto, mas eu acho que você vai querer mudar a primeira página. O Aranha acaba de colocar sete no hospital, e um com sério risco de ficar com traumas severos.

Jameson arregala os olhos, salta da cama e acende a luz do quarto.

— Prepare as prensas, Urich! Amanhã a primeira página do Clarim será: "Aracnídeo maligno espanca cidadãos indiscriminadamente!"




 
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