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Homem-Aranha # 29

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Coração de Gelo

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Peter Parker abre os olhos. Primeiro, logo nota que está vestindo a máscara do Homem-Aranha. Assim que começa a vasculhar o ambiente, repara que está em um quarto de hospital e que Felícia Hardy está ao seu lado.

— Peter, ainda bem que você acordou! — Felícia se aproxima do leito.

— Estou me sentindo meio mal, estranho. Onde estamos? Caramba, ultimamente eu tenho apanhado bastante...

— Em uma clínica bastante discreta, por assim dizer. Você foi muito ferido, levou um tiro no peito. Deu sorte que não pegou em nenhum lugar muito sério.

— Não foi só isso...tem algo estranho acontecendo comigo, eu tenho me sentido meio esquisito. Meu Deus! Há quanto tempo estou aqui? Preciso avisar M.J. — Peter ameaça se levantar.

— Ei, ei! Pode ir parando! Eu já liguei pra M.J.! Ela já sabe de tudo. Você está aqui faz um tempinho já, mas não se preocupe com isso.

— Deus, ela deve estar preocupada...— Peter fecha os olhos.

— Muito, com muitas coisas. Ela me contou sobre seu mau-humor esses dias. — Felicia puxa uma cadeira para perto do leito — Tem algo que queira me contar?

— Não sei, Felícia. Acho que é estresse. Muito trabalho, muita pressão e ainda tem essa coisa toda de ser pai e super-herói. Acho que é coisa demais pra uma cabeça só, eu devo estar pirando de vez!

— Tem certeza de que é só isso, Peter? — Felícia segura as mãos de Parker.

— Claro. Quer dizer, eu acho. Sempre pode ser alguma possessão de uma entidade cósmica, ou mais um plano maluco de algum vilão do mal!

— Pete, os médicos encontram algo estranho no seu sangue...

— Não fico surpreso! Eu fui picado por uma aranha radioativa, lembra? Meu sangue é todo cheio de zicas! — Peter abre um sorriso.

— Não é isso, seu bobo. Eles acharam traços de uma droga, da pérola.

— O quê?! — Peter se espanta e levanta a cabeça.

— Isso mesmo, Peter. Seu sangue tava cheio de pérola. Escuta, eu sei que você jamais usaria um troço desses, mas vai que algum vilão fez algo com você e...

— Ei! Mas eu nunca nem topei com esse tal de Shell, que é quem distribui a pérola. Sei lá se ele existe, na verdade.

— Vai ver foi outra pessoa.

— Ei, peraí. Sabia que faz tempo que meu sentido de aranha não funciona?

— Isso explica o tiro e o Shocker bater em você.

— É! A última vez que ele funcionou foi quando me ofereceram um gole do energético lá na GrantFarma. Depois ele nunca mais deu sinal de vida e eu fiquei viciado naquele energético maldito! Aliás, to morrendo de vontade de tomá-lo agora mesmo!

— Pete, não to entendendo.

— Pode ser que aquele energético esteja cheio de pérola e que essa droga desgraçada esteja inibindo meu sentido. Não sei, pensei nessa doideira agora, mas se foi isso que aconteceu, estamos falando de alguém que sabe que Peter Parker e o Homem-Aranha são a mesma pessoa. Felícia, eu preciso ir. Preciso encontrar Mary Jane, preciso consertar tudo que eu fiz de errado!

— Calma, Peter! Mary Jane te ama, ela vai entender! Você ainda está muito fraco, não precisa ir agora.

— Preciso sim! — Peter se levanta do leito e começa a tirar o soro.

— Ok. Não vou te impedir. Só não se esquece de quem você é de verdade. Essa droga ainda ta aí, circulando e te fazendo esquecer dos seus valores. Não se deixe ser vencido, não se torne definitivamente essa pessoa horrível que você foi nas últimas semanas.

Peter abraça Felícia, beija sua testa, veste o uniforme e mesmo com muita dor, se atira pelos prédios de Nova York.

— Você vai sempre morar no meu coração, Peter. — Felícia olha pela janela enquanto torce pelo grande amigo.

Em um laboratório em Nova York...

— Bruuuuuuuuuu... Que frio infernal! — o Camaleão treme, mesmo embaixo de três casacos.

— Pare de reclamar, camaleão. — o Sr. Frio mexe em um computador. — Ainda estou trabalhando em uma maneira de terminar com a Máfia Russa de uma vez por todas, senão o Shell não vai me pagar. Maldita intromissão do Homem-Aranha!

— É, ele tem essa mania. Chato, muito chato. — o Camaleão treme mais.

— Agora vai me dar o triplo de trabalho acabar com esses russos! — o Sr. Frio pragueja o aracnídeo.

— Pelo menos os mais podres já tinham morrido antes. — o Camaleão abre um sorriso.

— Como? — pergunta o Sr.Frio, intrigado.

— Ora, nada. — o Camaleão desconversa.

— Poderia repetir, Dmitri Smerdyakov, ou seria Kravinoff? — o Sr.Frio se aproxima dele.

— Ei, como você sabe meu nome?

— Não pense que eu me associo com qualquer um sem antes tomar providências necessárias. Diga-me, qual era sua relação com esses seus compatriotas? Foi você que os matou e chamou a atenção do aracnídeo para o local, não foi? Seu idiota! Você sabe o que você pôs em risco? Você tem idéia do que fez?

— Ei, não fiz nada! Não me venha com essa. Só fiquei feliz pela morte de alguns vagabundos que me deviam uma grana! Pouparam-me o trabalho!

— Que conveniente! — o Sr. Frio puxa sua arma. — Conte-me tudo ou eu vou congelar você.

— Você não faria isso, o Sr. Shell vai matá-lo se... ARGHHHHHHHH!! — o Camaleão grita de dor quando suas pernas são congeladas pelo Sr. Frio.

— Conte-me tudo, seu asno multicolorido.

Enquanto isso...

O Homem-Aranha se balança em direção ao Queens, quando seu sentido de aranha o alerta de algo estranho em um restaurante próximo.

"Oba! Meu sentido voltou! Vai ver o tempo de abstinência e os medicamentos deram um jeito legal nisso! Só que acho melhor deixar essa passar, to precisando mesmo ir falar com a M.J., ver a Mayzinha e tomar um energético!"

Ele continua por mais alguns instantes e para.

"Por Deus! O que eu estou fazendo? Energético? Estou me tornando aquela pessoa horrível mesmo, e de vez! Não posso mais negar minhas responsabilidades."

O Aranha se dirige em direção ao restaurante e para em uma janela.

"Sentido de Aranha tocando a mil! Vidros com insulfilm num restaurante? Muito estranho!"

O Homem-Aranha quebra a janela e entra.

O Sr.Frio acabara de congelar o Camaleão quando o Homem-Aranha entra em seu laboratório.

— Uau! Um laboratório de sorvetes disfarçado de restaurante! Vou sempre pedir pra visitar a cozinha dos lugares onde como agora. — o aracnídeo cai em frente aos vilões — Ei, você ta congelando o Camaleão! Para com isso! Por acaso você sabe o quanto ruim deve ser um picolé de réptil?

— Muito espirituoso! — o Sr. Frio aponta sua arma para o aracnídeo.

— E nada burro! Não caio nessa duas vezes, é só puxar com força! — o Aranha prende a arma do vilão com um fio de teia e puxa realmente forte, quebrando a ligação dela com a armadura do Sr.Frio e jogando-a para bem longe. — Agora você não tem mais sua fábrica de sorvetes da Estrela. Tadinho dele. No natal o titio aranha te dá uma peruca, tá?

— Seu idiota! Olhe o que você fez! — o Sr.Frio tenta acertar um soco no Aranha, mas erra.

— Ih! Peraí, mas você mora no pólo norte! Né? Pode ir direto pedir pro bom velhinho! Aproveita e fala pra ele que ainda não chegou meu espanta-vilões de segunda! Olha você aí! — o Aranha acerta um soco na redoma que envolve o rosto do Sr.Frio, rachando-a.

— Você não vai se safar dessa! — o vilão atinge um golpe no aracnídeo, arremessando-o contra alguns computadores.

— Droga! Eu sempre quebrei a cabeça com informática! — o herói joga um monitor na cabeça do Sr.Frio, quebrando de vez a redoma e jogando-o no chão.— Ih, mais um excluído digital! — assim que se preparar para saltar, o Homem-Aranha é atacado por uma estranha fraqueza e tontura, e uma, mais estranha ainda, certeza de que beber energético resolveria seus problemas.

O Sr.Frio corre na direção do aracnídeo e o acerta com uma ombrada. O herói cai e é atingido por diversos chutes do vilão.

— Seu desgraçado! — o Sr.Frio grita.

O Homem-Aranha continua muito tonto. O vilão o agarra e o levanta, ficando cara-a-cara com o herói. O Sr.Frio fecha um dos punhos e acerta em cheio o rosto do aracnídeo, quebrando um dos visores de sua máscara. O Aranha começa a recobrar as forças e acerta um gancho no vilão, jogando-o longe. O Sr.Frio se choca contra uma parede e caí. O aracnídeo se escora em uma mesa e leva as mãos à cabeça, a tontura começa a passar.

— Pare! Homem-Aranha pare...Por favor! Você não sabe o que está acontecendo! Eu não faço isso porque quero, eu preciso fazer. — o Sr.Frio fala, ainda caído.

— Ih...lá vem ele com esse papo de vilão derrotado. — o Aranha coça a cabeça. — Pra mim você não passa de um assassino lunático!

— Não! Eu faço tudo por ela. — rapidamente o Sr.Frio aperta um botão em sua armadura e uma câmara se revela no laboratório. Em destaque, está um grande tubo que contêm Nora Fries, mantida em animação suspensa. — Ela sofre de uma doença terrível, sem cura. Eu posso mantê-la viva com minhas técnicas de criobiologia, mas não posso curá-la, ela está amaldiçoada a ficar assim, em coma. Eu preciso de dinheiro para descobrir uma cura, uma cura para a minha Nora, minha amada esposa.

Peter fica chocado. Aquele louco homicida fazia tudo por amor. O apelo é muito forte, principalmente porque Parker vem tendo problemas com seu casamento e sente que está abandonando M.J. Ele se aproxima do grande tubo e fita a figura fantasmagórica e azulada de Nora.

— Por Deus, homem. Eu não fazia idéia. Não era mais fácil você simplesmente pedir por ajuda? Pedir? — o Aranha se exalta.

— Eu tentei, no início...mas ninguém tinha interesse, cortaram minhas verbas. Eu fiz o que era preciso. — o Sr. Frio mostra decisão em sua afirmação.

— Você ficou louco, Sr. Frio. Completamente louco. Os fins não justificam os meios! — o Homem-aranha aponta o dedo na cara do vilão.

— O que você faria se estivesse no meu lugar? — o Sr.Frio pergunta.

— Acharia outra maneira. Existem homens como Reed Richards, cientistas brilhantes que poderiam resolver esse problema. Eu juro que vou fazer o possível para ajudá-la, mas você vai pra cadeia. — o Homem-Aranha chuta a cara do Sr.Frio e ele desmaia.

Instantes depois...

Quando o fantasticarro pousa no local e o Quarteto Fantástico entra na cena, o Homem-Aranha está paralisado, olhando para Nora Fries.

— Eu cuido do Camaleão. — Johnny Storm entra em combustão e começa a descongelar o vilão das mil faces.

— É essa a mulher, Aranha? — Reed pergunta. — Qual é a condição dela?

— Não sei ao certo qual a doença, mas o Frio vai saber explicar direitinho o que houve assim que acordar. Você acha que poderemos ajudá-la, Reed?

— Claro que sim, meu amigo. Faremos o possível. Além de salvar a vida dessa mulher, poderemos, assim, acabar com os crimes do Sr. Frio.— Reed abraça o Homem-Aranha. — Venha, vamos embora. Ben vai levá-la para o meu laboratório.

— Pode deixar, Borracha. — o Coisa passa pelos dois — E aí, teia?

O Homem-Aranha o cumprimenta com o dedo polegar levantado e sai do laboratório para sua casa.

Enquanto se balança, Peter sente novamente uma forte tontura, mas dessa vez ela vem acompanhada de forte enjôo, e ele cai em um telhado próximo. Uma fraqueza o ataca. O Homem-Aranha é dominado por uma vontade alucinante de tomar mais energético.

"Isso não vai acabar nunca? Por quanto tempo terei que agüentar essa coisa bagunçando com minha fisiologia? Vamos lá, Peter. Levanta esse traseiro do telhado e corre para suas mulheres."

Usando toda a sua força de vontade, ele volta a balançar em direção ao Queens.

"Mary Jane, May, perdoem-me. Dessa vez eu acho que realmente estraguei tudo."


Continua na próxima edição...




 
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