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Homem-Aranha # 30

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Cai a Máscara

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Uma mão se prende a janela da casa de Anna Watson. Coberta por uma fina luva azul e vermelha, ela é capaz de se aderir ao vidro e empurrá-lo, abrindo-o. Usando suas últimas forças, o Homem-Aranha cai para dentro da casa, chocando-se contra o chão e fazendo um barulho terrível. A Tia May, Anna e Mary Jane tomam um susto e se viram para a janela. O herói aracnídeo encontra-se caído no chão. As três não acreditam no que estão vendo.

— Por Deus, Anna. É o bandido do Homem-Aranha! — Tia May exclama.

— Vou agora mesmo ao telefone chamar a polícia! — Anna Watson corre para fora do quarto.

— Mary Jane...Mary Jane... — o Homem-Aranha balbucia.

Mary Jane corre em direção ao aracnídeo e, com esforço, o coloca em cima da cama.

— Minha filha, o que você está fazendo? — Tia May se espanta.

M. J. se vira para a idosa senhora com um semblante muito sério.

— Tia May, tranque essa porta. Por favor.

— Não! Esse criminoso está aqui e...

— Tia May, confie em mim.

Muito a contragosto, May Parker tranca a porta do quarto.

— A senhora não é boba e já percebeu que tem algo muito errado acontecendo comigo e seu sobrinho. — Mary Jane fala enquanto se senta na cama, ao lado do Aranha.

— Sim, mas o que isso...

— A senhora conhece Peter como ninguém, sabe que ele tem agido estranho, parece nem ser a mesma pessoa ultimamente.

— Sim, minha filha. Pelo amor de Deus, saia de perto desse homem! — May aponta para o herói.

— Acontece, Tia May, que eu não agüento mais carregar isso sozinha. Não agüento mais a senhora nos olhando sem entender o que está acontecendo. — M. J. coloca a cabeça do aracnídeo em seu colo.

— Não, minha filha! O que quer que seja que você tem para me falar, não me fale, por favor...

— Mas a senhora precisa saber. A senhora pode me ajudar, ele vai ouvi-la. Ele não me escuta mais. Um dos inimigos dele conseguiu drogá-lo e atingir o seu ponto mais fraco, seu caráter e sua família.

— Eu não entendo... você está falando de Peter, ou do Homem-Aranha? — May Parker começa a passar a mão pelos cabelos, despenteando-os.

Mary Jane arranca a máscara do aracnídeo.

Os olhos de May Parker saltam. Ela sente o choque da revelação vir com um poderoso palpitar em seu frágil coração. O quarto rodeia, mas sua visão não sai do rosto de seu sobrinho.

— Por Deus, Mary Jane...desde quando?

— Ele vai te contar.

Peter abre e fecha os olhos, ele não consegue ouvir nem ver nada direito.

Anna Watson começa a bater na porta.

— May? Mary? Os policiais já estão vindo!

Mary Jane veste a máscara em Peter e se levanta enquanto May abre a porta.

— Mary Jane vai ligar pra eles e explicar tudo. — May fala enquanto empurra Anna corredor a baixo — Nós duas vamos para a minha casa, o Homem-Aranha já está indo embora.

— Como? — Anna não entende nada.

— Venha, Anna. Lembra-se que Peter tirava fotos do Homem-Aranha? Ele veio procurá-lo, foi só isso...

— May! — M.J. fala e segura seu braço.

A Tia May a devolve um olhar sério e se solta.

— Deixe-nos ir embora, esses não são nossos problemas. Nunca mais serão.

— Peter vive trazendo problemas para sua vida, Mary. Agora esse Homem-Aranha! — Anna grita.

— Talvez ela tenha razão, minha querida. Peter anda te trazendo problemas demais. Ele tem me decepcionado. — a tia May abaixa a cabeça.

— Vocês não sabem o que falam sobre Peter. Ele tem seus problemas, mas vocês não imaginam os esforços que ele faz para manter tudo em ordem, o quanto ele dá de si para tornar tudo melhor. Criticá-lo é muito fácil! — Mary Jane retruca.

— Fala quem o largou para vir morar aqui. Não te entendo. — Anna responde.

— Eu vim para cá preservar minha filha, não a mim. — M. J. se exalta.

— Preservá-la de que? — Anna Watson pergunta.

— Deixem esse assunto para lá, vocês duas. Mary e Peter vão se resolver e nós, Anna, devíamos pensar em nos mudarmos para a Flórida de vez e deixar as crianças viverem sua vida em paz, do jeito que eles preferem. — a Tia May começa a descer as escadas.

— Não é nada disso, May. Ele quer proteger... — Mary Jane fala, mas se interrompe.

— Não o justifique. Ele poderá fazer isso por ele mesmo, se tiver interesse em me procurar. — May Parker empurra Anna Watson — E se eu tiver disposição de recebê-lo.

— Seu sobrinho, May...— Mary Jane suplica com os olhos por uma chance para o marido.

— Eu me entendo com ele do meu jeito. Obrigada, Mary Jane.

As duas descem a escada. Mary Jane ainda escuta sua tia Anna pedindo para May explicá-la melhor o que está acontecendo e May a enrola. Embora M.J. nunca tivesse visto May Parker tão furiosa antes, ela ainda percebe que a tia protege o sobrinho e isso, é alívio para ela. O peso da dúvida sobre sua decisão de revelar a identidade do marido começa a doer em seus ombros.

M.J. olha para Peter deitado na cama. Frágil, como nunca. Nas últimas semanas, ele vem sofrendo severamente com os episódios de descontrole causados pela droga pérola que foi colocada em seu corpo. Ela já quase não agüenta mais, mas continua seguindo em frente. Fecha a porta do quarto e vai até o telefone ligar para a polícia e tentar convencê-los de que foi uma crise de sua tia.

O Homem-Aranha começa a se sentir melhor. Ele sente seus músculos doerem, e uma leve tontura. Levanta-se da cama e se espreguiça. Não lembra como foi parar ali, na casa de Anna Watson, mas sabe que não era para estar ali. Não vestindo o uniforme, pelo menos. Ele abre a janela do quarto e prepara-se para sair, mas de canto de olho vê o berço da filha. Ele para. Vira-se e caminha em direção ao berço, achando que vai encontrá-lo vazio. A surpresa é enorme quando ele vê a pequena May dormindo. Peter Parker sorri. Ele levanta sua máscara e pega a menininha no colo.

— May, minha filha linda. Papai está aqui. Papai está bem melhor, a coisa ruim que me fazia ficar estranho está indo embora, tenho certeza. Ah, May...como eu te amo. Espero que você e sua mãe possam me perdoar algum dia. — Peter beija a filha e a repousa novamente no berço.

Ele veste a máscara por completo e salta para fora da janela.

— Será que eu sonho muito alto?— ele pergunta.

Mary Jane, da entrada do quarto, sente uma forte lufada de vento vindo da janela aberta. A pequena May está sorrindo.

— Nós te perdoamos, Peter. Todas nós.

O espetacular Homem-Aranha para em cima de um arranha-céu. Ele arranca a máscara e sorri. O vento bate forte em sua cara, gotas de chuva o acertam. Assim ele se sente vivo. Ele é o amigão da vizinhança novamente.


Continua na próxima edição.




 
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