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Homem-Aranha # 31

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

O Espetacular Homem-Aranha Ataca Novamente!

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O Homem-Aranha está no alto de um prédio. Gotas finas de chuva molham seu uniforme. Ele boceja e olha para a cidade abaixo.

"Resumo dos últimos capítulos:" — pensa o herói — "Mau-humor, violência, esposa e família abandonadas, droga nas ruas, droga no meu sistema sanguíneo e sem sentido de aranha. Só tem uma pessoa nesse mundo tudo que se daria ao trabalho de me aprontar uma dessas: Osborn!"

Ele tenciona seus poderosos músculos e se joga em queda-livre. Em um dado momento, mira seus pulsos para os prédios e dispara suas teias. Segue-se um balé fantástico de acrobacias pela cidade que termina no prédio da GrantFarma.

"GrantFarma, antigo prédio da Oscorp. O Homem-Aranha vai chamar a atenção, mas Peter Parker pode investigar esse prédio como ninguém." — o aracnídeo retira sua mochila de teia das costas.

Instantes depois...

— Boa noite, senhor Parker. — o vigia noturno responde quando Peter entra na empresa.

Peter olha para o homem e seu sentido de aranha dispara. Ele repara que o segurança discretamente leva a mão à boca e fala algo.

Parker entra no prédio. Seu coração salta à boca quando seu sentido de aranha começa a disparar rápido e frequentemente.

"Tem algo muito errado aqui. Alguma coisa está acontecendo."

Ele se dirige à copa. Peter pega a garrafa de energético e seu sentido fica mais forte ainda. A garrafa é o perigo, ou parte dele. Ele vira o conteúdo no ralo.

"O desgraçado viciou toda a empresa. E eu achando que meu sentido estava doido por causa das possíveis bombas-abóbora ainda escondidas no prédio, era culpa dessa garrafa mesmo. Aprenda a confiar mais em seus instintos, Parker."

Repentinamente ele sente uma presença. Seu sentido o avisa de perigo novamente. Peter arma um soco e vira para trás. Sua mão pára quando ele enxerga Paul Grant tentando se desviar.

— Peter, o que é isso ?

Parker agarra Paul, apertando sua cara contra a parede.

— Chega! Energético, horas extras de trabalho, dedicação extrema e até em cima da minha esposa você deu! Não adianta você tentar se esconder. Não sei que diabos você conseguiu dessa vez, plástica, ilusão, sei lá, mas você não me engana mais. Eu sei que você é Norman Osborn, seu pirado. Eu vou quebrar cada dente dessa sua cara de carranca por tudo que você me fez passar essas últimas semanas! — Peter faz mais força.

— Argfh... humph.. — Paul tenta falar algo, sua cara está sendo esmagada contra a parede . Peter começa a puxar seu rosto, como se tentasse arrancar uma máscara.

— Vamos, Osborn. Diz aí, como você fez dessa vez? Se inscreveu no "Extreme Makeover"? — Peter arremessa Paul pelos corredores do prédio.

Paul tenta se recompor, ainda no chão. Ele tosse e cospe um pouco de sangue.

— Você está louco, Parker! Eu não sou Osborn!

— Não me venha com essa, seu doente de uma figa! Você pode convencer o mundo, mas não o velho Parker aqui. Eu sei todos os seus segredos, Duende!

— Duende?! Deus, Peter! Mary realmente falou que você andava alterado, mas... — Grant se levanta, suas pernas estão bambas.

— Não toque no nome dela, seu porco. — Peter dá um salto e o agarra com uma das mãos, erguendo-o. — O que você quer? Tempo para se trocar? Pode ir colocar seu pijama verde e roxo!

— Peter, saia imediatamente da minha empresa. Não me force a chamar os seguranças! — Grant se debate.

— Pare com as farsas, homem! — Peter o empurra contra a parede.

— Saia da minha empresa, seu alucinado! Se você não sair agora, eu não hesitarei em mandá-lo para a prisão! Não importa o quanto somos amigos.

Peter o joga no chão e começa a se dirigir para a saída.

— Já entendi, vai ser como você quer. — ele fala antes de virar o corredor e sumir da frente de Grant.

Parker sai do prédio e para nos arredores. Não há mais tempo para jogos. Ele precisa resolver esse problema de uma vez por todas. Ele se troca, virando o Homem-Aranha novamente. Balançando em sua teia ele volta para o prédio da Grantfarma.

Ele ignora se os vigias o verão e se a polícia será acionada. Chegou o momento de se acertar com Osborn. Nunca mais Peter permitirá que ele o atinja de maneira tão baixa, degradando sua moral, magoando sua família, quase o transformando num assassino. Por anos Osborn vinha sonhando em ter Parker ao seu lado. E, talvez, nunca antes ele tenha chegado tão perto.

"Antes morto do que como aquele demente"

Escalando o prédio pelo lado de fora, o Homem-Aranha é guiado pelo seu sentido especial até uma janela em particular. Devido à sua fisiologia meio-aracnídea, ele sente que há mais perigo justamente ali. É o fio da teia que mais balança, o que leva direto as moscas maiores e mais ferozes.

O aracnídeo discretamente olha para dentro da sala e vê uma reunião surpreendente: Fisk, Falcone, Hammer, o Pinguim, Osborn e Grant estão sentados à mesma mesa. Paul Grant está agitado, gesticulando muito para a porta e andando de um lado de outro. Seu terno está todo amassado e seu rosto um pouco roxo, resultado do encontro de mais cedo com Peter.

"O que diabos estes canalhas estão todos fazendo juntos? E, ops, Grant realmente não é Osborn! Que mancada, Parker. Quer dizer, mais ou menos, pelo visto os dois são da mesma laia. Aliás, que laia!"

O sentido de aranha dispara. O aracnídeo gira o corpo e se esquiva instintivamente de tiros. Os seguranças da Grantfarma estão atacando. Ele já previa algo parecido. O Aranha começa a fazer piruetas e se balançar, desviando das balas e prendendo os seguranças em grandes redes de teia.

A ação do lado de fora chama a atenção dos cavalheiros na reunião e todos se dirigem à janela para acompanhar o que se passa.

— Essa interferência não é do meu agrado! — Hammer se vira para Osborn. — Você e Grant deveriam ter se precavido contra isso.

— E foi exatamente o que fizemos. Senhores, queiram acompanhar-me até uma saída de emergência que os levara para um túnel subterrâneo seguro, lá encontrarão tudo necessário para uma volta tranqüila para suas casas.

— E você? Não vem? — o Pinguim pergunta enquanto se apressa em pegar seu guarda-chuva.

— Eu e Grant temos que cuidar do que é nosso. — Osborn sorri.

— Espero encontrá-los em breve, senhores. Em um local mais adequado. — Fisk bota a mão nos ombros de Osborn. — Mostre-nos logo esta sua saída de emergência, Norman.

Minutos depois...

O Aranha termina de prender o último segurança:

— E isso é pra você aprender a não mandar seu currículo para chefões do mal! Da próxima vez tente a cruz vermelha!

Ele se vira para lançar sua teia, mas fica paralisado. Seu coração dispara. Ele escuta a risada insana e maquiavélica do duende. Todos os seus pelos se arrepiam. Sua vista se enche de lágrimas. Olhando para o alto, ele avista o vilão sobrevoando o prédio com seu planador.

"Desgraçado!"

— Então, você agora prende seguranças para passar o tempo, aranha? Não me surpreendo, dizem que as ruas estão muito perigosas. — o Duende grita — Largue isso para lá! Venha! Venha, se divertir com um desafio mais a sua altura. Um que você não pode vencer!

"Agora eu pego o Osborn certo."

O Aranha salta e lança sua teia em direção ao topo do prédio. Com um impulso do fio de teia o aracnídeo pára em frente ao Duende Verde. Eles se encaram e o ambiente torna-se extremamente pesado e hostil. Ambos são presenças extremamente intensas de forças opostas. O confronto é inevitável e vai além, muito além, de socos e chutes.

— Seu gosto para roupas continua sofrível, Osborn. Roxo e verde eram moda na estação passada. — o aracnídeo se arqueia em posição de ataque. Todos os músculos de seu corpo estão contraídos. A aranha está pronta para o bote.

— Não há Osborn aqui. Há o Duende Verde, Homem-Aranha. — o vilão pega altura com seu planador. Sua mão esquerda tateia o interior de sua pequena bolsa de truques.

O Aranha dispara seus lançadores, acertando a mão do duende, prendendo-a a bolsa.

Agora você não vai tirar é mais nada daí, seu maluco. Ah, não! Eram doces? Travessuras ou gostosuras, seu Duende? — o Aranha salta em direção ao vilão e acerta um soco na sua cara, fazendo-o perder o equilíbrio no planador. O duende sai rodopiando pelos ares. O Homem-Aranha se adere ao planador e vai junto dele, os dois começam a trocar socos em meio aos rodopios.

— Saia de mim! Vá chorar suas tristezas, sua miséria, sua insignificância! — o Duende grita.

— Eu sou grudento mesmo, mas chorão não! Nem quando vi E.T. eu chorei! — o Aranha replica.

— Você vai morrer! E quando isso acontecer, quem vai olhar pela pequena May? — o vilão esbraveja.

— Seu lunático! Faça um favor a você mesmo e deixa minha filha fora disso! Tá ouvindo? Deixa ela fora disso? — o Aranha se descontrola e agarra seu pescoço com as duas mãos.

— Ahahah... gasp... ahuahua... coff... coff… — o vilão ri em meio ao sufocamento, mesmo com toda a dor, o sinistro sorriso não se desfaz da máscara demoníaca. Com a voz rouca e com dificuldade, o duende fala: — Parece... gasp... arhf... que não precisa de... carfh... pérola pra você se tornar um assassino... afinal... arhf...

O Homem-Aranha pára de sufocar o vilão, em choque com sua própria atitude. O Duende Verde aproveita-se e encaixa um soco no queixo do aracnídeo e tenta o empurrar para fora do planador.

— É a segunda vez que você me tem em suas mãos, Aranha! Só um pouco mais de força e todo esse inferno acabaria! Mas você ainda é aquele moleque idiota e frouxo de Midtown, Parker! Você ainda é um imbecil perdedor!

— Cala a bo... — o Aranha é interrompido por um estrondo no motor do jato.

O motor estourou quando parte da asa da máquina voadora se partiu, devido à força que o duende estava aplicando para empurrar o Aranha. O aracnídeo entra em queda junto com o pedaço solto do planador e o Duende cai em queda livre em outra direção. Não há tempo sequer para reações, o estouro do motor enviou os dois para direções opostas.

O Aranha se solta da asa quebrada do planador e lança um fio de teia para aliviar a queda, ele vai em pêndulo em direção a uma parede. O choque de seu corpo contra o prédio é violento, mas a resistência sobre-humana do aracnídeo lhe garante uma excelente proteção aos ferimentos, e ele fica somente tonto.

Ao longe ele escuta um barulho de queda e outra explosão. Provavelmente do planador do Duende.

Aderido a parede, o aranha tenta se recompor do golpe. Alguns instantes depois, ele começa a escalar lentamente a parede até o topo do prédio. Lá, tenta procurar pelo Duende, mas só consegue ver o local da queda. O vilão não está mais lá, só pedaços de metal retorcido do planador. Osborn deu um jeito de fugir deixando somente a marca negra da explosão gravada no asfalto.

Mais tarde...

Peter abre a porta de casa. Ele deixa que ela bata sozinha enquanto entra e corre para o quarto. Sua visão o enche de felicidade e excitação. Mary Jane sorri com a pequena May no colo.

— Meu amor! — Peter grita — Acabou. Acabou essa coisa toda. Eu não sinto mais a droga! Eu voltei a ser o velho Parker de sempre! — Peter levanta M.J. com uma mão e acomoda sua filha na outra. — Iupi!

— Peter, que bom! — M.J. sorri e beija o marido. Eles trocam um beijo carinhoso e intenso. É o gosto de ser feliz.

— Mary! Onde estão minha tia e sua tia? Preciso me desculpar com elas também... Eu andei agindo meio estranho e... acho que me lembro de ter visto a Tia May bastante preocupada.

— Pete... — M.J. o interrompe e faz sinal com a mão para que ele a ponha no chão.

— O que? — ele a abaixa.

— Eu contei a ela. Desculpe. Ela precisava saber.

Peter sente o coração ir à boca pela segunda vez nesse dia. Ele, primeiro, não esboça reação e coloca a pequena May em seu berço. Depois, senta-se à cama e leva as mãos à cabeça.

— Deus, Mary. Ela reagiu como?

— Não gostou nada. Saiu daqui muito chateada. Acho que vai passar uns tempos fora. Mas, Peter, era preciso. Eu já não agüentava mais a pressão e ela estava desconfiando de algo, ela sabia que tinha algo errado, tenho certeza. — Mary Jane vai até o marido e o abraça.

— Está tudo bem, M.J. Já tivemos momentos muito difíceis e não vou criar confusão por conta disso. Mas eu não sei se gostei dessa idéia. Enfim, deixa ela digerir a notícia que ela virá falar comigo. Eu a conheço. Pode ser que demore, mas ela merece esse tempo.

— Peter, desculpa...

Peter beija M.J para calá-la.

— Acabou acontecendo o inevitável. Eu entendo você.

Uma semana depois...

Peter acorda feliz como nunca. Dá um pulo e sai da cama. Beija M.J. e beija Mayzinha. Desce correndo pelo teto até a cozinha. Pega as torradas, liga a televisão e começa a fritar os ovos.

"Sem emprego, mas feliz!"

A voz do repórter salta da televisão:

— E a guerra de máfias e facções criminosas continua pela costa leste. Nova York, Jersey, Chicago e Gotham já foram atingidas pela disputa de poder no submundo. A polícia acha que há uma ligação direta entre a droga "Pérola" e esta explosão de violência.

Parker desliga e televisão e coça o queixo.

— Hummm. Falcone e Pinguim. Hammer, Grant, Osborn...

— Você acha que é obra deles, Gatão? — M.J. aparece na cozinha.

— Tenho certeza. Vou dar uma olhada beeeem de perto nessa confusão toda.

— Te espero pro almoço? — Mary Jane sorri.

— Acho que sim. — Peter a beija. — Quando eu acabar de vez com Osborn, juro que seremos uma família normal. Eu juro. E, por favor, joga aquele duende da sorte fora! Toda a vez que eu acordo de noite e olho pra ele eu tenho pesadelos depois.

O tempo passa e, a cada dia, uma nova manchete está na boca do povo:

"Homem-Aranha prende traficantes no Bronx"; "Aracnídeo aterroriza Nova York"; "Carregamento de pérola encontrado preso em teia gigante".

Até que chegamos à última. Quem a lê é Reed Richards, na calmaria de seu laboratório.

"Homem-Aranha prende mais cinco traficantes de pérola."

— Gostou? — uma voz abafada assusta Reed.

— Deus! Homem-Aranha!Como entrou aqui? — Reed levanta os óculos e estica o braço para apanhar o lápis que deixou cair com o susto.

— O Johnny abriu pra mim. — o aracnídeo faz sinal de positivo com o dedão. — Reed, posso usar seu aparato ultra-mega-avançado de comunicação?

— O telefone? — o Sr. Fantástico estica o braço até o aparelho.

— Engraçadinho. Andou aprendendo comigo. Não, aquele ali mesmo. — o Aranha aponta para um grande comunicador ligado a um monitor.

— Para quem é a ligação? — o cientista elástico pergunta.

— Pra uma certa figura misteriosa...

O monitor revela a escura imagem de uma silhueta sentada em uma poltrona.

— Diga, Reed. — a voz rouca ecoa, mesmo pelas caixas de som.

— Há um amigo querendo falar com você. — Reed abre espaço e o aranha aparece dando um tchauzinho.

— Olá, Morcegão. A pérola tá dando problema por aí também, né?

— O que você quer? — o Batman pergunta se ajeitando na poltrona e revelando a máscara (e sua expressão sóbria) sob uma fraca luz.

— Eu só queria te dizer que faz umas duas semanas vi Hammer, Falcone, Pinguim, Paul Grant, Normam Osborn e Fisk reunidos. Tem mais, me deram uma dose da pérola e ela, bem, anulou um dos meus poderes e só uma pessoa consegue fazer isso: Osborn. Tenho certeza de que todos esses caras estão envolvidos na pérola até o pescoço!

— Eu já sabia disso tudo. Tenho todo o controle da situação em Gotham. Preocupe-se com Nova Iorque.

O monitor se desliga.

— Nossa, ele deve ter uma baita úlcera pra viver nesse eterno mau-humor! — o Aranha conclui.




 
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