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Homem-Aranha # 33

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

A Velha Sorte dos Parker

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"Certas coisas só acontecem comigo." — pensa — "Quem mais iria dar o azar de perder o bilhete da loteria enquanto dava uma balançadinha por Nova York? Só mesmo o amigão da vizinhança, o espetacular e atrapalhado Homem-Aranha! O único que traz de brinde sete anos de azar!"

O aracnídeo coça a cabeça por cima da máscara enquanto procura por seu bilhete da loteria pelo chão de uma movimentada avenida. Claro, sendo observado de perto pelos cidadãos nova-iorquinos intrigados pela presença do herói ali, no chão.

Um senhor com um cachorro quente na mão para ao lado do Aranha.

— Acabou a teia?

— Hã? — o Aranha olha para o senhor que já está praticamente engasgado com o sanduíche de tanto rir. — Muito engraçadinho! Fique sabendo que minha teia nunca acaba porque eu mesmo faço, tá?

Enquanto responde, o Aranha continua olhando para o chão.

— O que é então? Você está procurando algum vilão em miniatura? — o mesmo senhor pergunta.

— Claro que não! Mas que idéia! Estou procurando meu bilhete da loteria!

O homem faz uma cara de espantado.

— VOCÊ joga na loteria?

— Claro! Por que não? Você come cachorro-quente com purê de batata! Argh! Além do mais não pagam muito bem nesse ramo de herói aracnídeo vestido um pijama. Tá difícil fazer meu pé de teia!

O aracnídeo dá mais alguns passos pela avenida, mas aceitando o fato de que jamais encontrará aquele bilhete novamente resolve voltar a balançar.

"Ai, ai." — reflete para si mesmo — "Lá se foi minha chance de ganhar uma grana preta e me tornar o incrível Aranha-de-praia, o protetor do Caribe! É, não vai ter jeito... vou ter que encarar esse novo emprego que arranjei."

Mais tarde no escritório da farmacêutica Medlabo:

Peter entra no escritório e é encaminhado para uma sala junto de Nathaniel Landau, o responsável pelas contratações da empresa. Nathaniel é um senhor gordo de meia-idade, que parece ser muito simpático.

— Sente-se aí, jovem Parker. — diz Nathaniel enquanto se senta do outro lado da sala. — Olhei seu currículo. É impressionante! Diria que você está mais do que qualificado para o serviço. No entanto, você sabe que o pagamento é mais modesto do que o que o senhor recebia na Grantfarma, não é?

— Sim, estou sabendo.

— Ótimo. Deixe-me mostrá-lo nosso novo catálogo. Seu trabalho é simples, estudar o catálogo e ir aos endereços que lhe passarei para convencer os médicos de que estes remédios são os melhores do mundo.

— Parece simples mesmo! — Peter sorri.

— O segredo é ser simpático e bastante enfático, mas depois conversaremos sobre isso. Bem, vou lhe mostrar nossos produtos. Vejamos o primeiro remédio é esse aqui: Fermonolozanona, ou Fermolabox, usado para aliviar dores de cabeça.

Nathaniel pega uma caixa e joga para Peter.

Algumas horas depois:

— Bem, espero que esteja achando tudo muito excitante. Precisamos que você comece na segunda, pois nosso antigo funcionário saiu sem aviso prévio. Até por isso, marcamos esse nosso encontro no sábado mesmo. Os negócios não podem parar. — Nathaniel sorri.

— Claro, senhor. — Peter sorri de volta.

"Não agüento mais." — pensa, entediado — "Por favor, Galactus, Thanos, Darkseid, alguém tente destruir o mundo! Até o homem-impossível tá valendo!"

— Por último, gostaria de mostrá-lo nosso estoque. — Nathaniel abre a porta do estoque, mas fica paralisado e começa a tremer quando olha para dentro da sala. Peter fica na ponta do pé quando seu sentido de aranha o avisa de perigo. Ele se estica e consegue ver uma grande sombra dentro da sala.

"Hora de morfar!" — Peter começa a empurrar Nathaniel pelos corredores.

— Meu Deus, o que era aquilo? — o homem se pergunta.

— Não sei, mas entre aqui. — Peter o coloca dentro de uma sala qualquer e corre para o banheiro que viu no corredor. Assim que ele entra no banheiro, escuta os passos pesados e uma voz rouca e grave:

— Quem está aí? Ninguém devia ter me visto. Hora errada, lugar errado e, pronto, você já tem seu epitáfio! — a criatura começa a andar pelo corredor.

"Tomara que não seja o Thanos nem o Darkseid. Tá muito baixinho pro Galactus. Se bem que ele pode ter tomado pílulas de nanicolina."

O Homem-Aranha aparece no teto do corredor e dá de cara com o Mr. Hyde.

— Ufa! — o Aranha exclama. — Achei que era o Galactus!

Mr. Hyde se espanta ao ver o aracnídeo.

— Como você descobriu esse lugar? — o vilão prepara um ataque.

— Seguindo o rastro de Megamass 3000 que você deixou no caminho!

"Cacilda, sem querer topei com alguma maluquice do Hyde. Isso que é sorte dos Parker. Ao invés de ganhar na loteria, ganho um pókemon anabolizado!"

— Não importa. Eu vou fazer o que já devia ter feito há tempos, esmigalhar você. — Mr. Hyde dá um soco no Aranha, mas erra.

— Muitos tentaram. O último foi o cara da padaria quando fui comprar uma bala com uma nota de 100. Mas, eu vou ter que jogar limpo... Abusei nessa!

— De onde você tira tanta baboseira? — o Mr. Hyde tenta acertar o aracnídeo mais uma vez, mas erra e quebra uma parede.

— Do último livro que li: "Como virei um clone maluco do Swchazenegger e ferrei minha vida" — por Calvin Zabo, conhece?

Argghhh!!! — Mr. Hyde erra o Aracnídeo mais uma vez, destruindo mais a parede.

— Ok, ok. Você não gostou! Culpa do Batman, foi ele quem me contou essa. Eu juro!

— Eu vou calar você para todo o sempre!

O vilão pega um pedaço de reboco e atira na direção do Aranha, que intercepta o reboco com a teia e o joga de volta, acertando a cara do Mr. Hyde.

— Na mosca! — o Aranha grita enquanto se aproveita do momento de desorientação do inimigo para cobrir a cara dele com teia — Salta uma máscara de relaxamento facial de teia, do jeitinho que a senhorita pediu!

— Não me tire pelos criminosos de segunda que você costuma enfrentar, aracnídeo. Eu não sou um idiota feito o Abutre, ou o Electro! — Mr. Hyde arranca as teias de seu rosto, retirando junto parte da sua pele e manchando sua face com sangue.

— Não faça isso! — o Aranha se contorce de nervoso ao ver Hyde arrancando sua pele junto com a teia, mas é tarde demais.

— Isso foi só um arranhão! — com um golpe rápido, surpreendendo o aranha, Mr. Hyde o agarra pela cabeça e começa a golpeá-lo contra as paredes e o teto. Por fim, o vilão arremessa o aracnídeo pela janela de uma das salas.

— Pronto, o aranha nunca mais vai incomodar ninguém! — Mr. Hyde volta até a sala onde estava, o estoque.

O corpo do Homem-Aranha é arremessado e cai em queda livre do décimo quinto andar de um prédio comercial. Ainda zonzo pelas pancadas que levou do vilão, o aranha não consegue despertar para o perigo que o aflige. Nessas horas, no entanto, a aranha fala mais alto do que o homem e um sentido especial que ele possuí o desperta por instinto. O Homem-Aranha lança um fio de sua teia e se balança desastradamente até se chocar contra a parede do prédio. Sua consciência começa a ficar mais lúcida.

"Caramba! Quase viro carne moída, se não é o sentido de aranha me despertar... bem, o que importa é que eu não posso deixar o maluco do Zabo à solta!"

O herói escala lentamente o edifício até alcançar a mesma janela pela qual foi arremessado e adentrar novamente a zona de batalha.

Mr. Hyde está procurando uma caixa no estoque quando escuta:

— Toc, toc. Advinha quem é? É sua cara no meu pé! — um violento chute acerta a testa do vilão, jogando-o para trás e quebrando algumas estantes de caixas.

— Subestimei sua capacidade de recuperação, Aranha. Para o seu azar, eu não sou muito de errar, então, agora eu te mato de vez! — o corpulento Mr. Hyde se levanta.

— Eu não sei o que diabos você estava procurando aí, mas boa coisa não deve ser! — o Aranha pula na frente de Mr. Hyde e os dois começam uma luta fantástica pela sala.

O Aranha sempre se desviando dos poderosos golpes do bruto vilão, enquanto acerta violentos socos no inimigo, não contendo sua força. Finalmente, Mr. Hyde o acerta e o herói é jogado em meio aos escombros de uma parede. O vilão se ajeita, agarra uma caixa e segue em direção a saída.

— Não tenho mais tempo para perder com você. A resolução desse embate fica para outro dia.

O Aranha se levanta dos escombros, todo machucado.

"Não adianta tentar derrubar esse cara no soco. Mas peraí! Acho que tive uma idéia."

Já no terraço do prédio:

O vilão olha incrédulo quando vê a caixa que carregava ser arrancada de suas mãos por um fio de teia. O Aranha agarra a caixa e encara Mr. Hyde.

— Bem, estamos eu, você e essa caixa aqui no terraço desse prédio, num belo dia de sábado. Então, quer conversar sobre o que? Ontem eu vi um bom episódio de House...

— Cale-se, seu irritante! Destruir esta caixa só me fará ter que procurar por outra e destruir outro lugar. — Mr. Hyde grita.

— Pelo jeito como você tava dando no pé com ela, aposto que tem coisa importante pra você aqui. Algo tipo um composto crucial pra sua fórmula de xampu... — A aranha abre e acha uma caixa lotada de frascos contendo um líquido incolor. No rótulo o nome de uma substância de venda proibida — Vejam só, isso me parece contrabando e dos brabos. O que tem nesses frascos, Zabo? É isso mesmo?

— Nem que eu desenhasse você entenderia. — Mr. Hyde é tomado pela raiva e vai andando em direção ao Aranha.

— Eu aposto que não entenderia mesmo. Você tem cara de ser um péssimo professor. Azar o seu que eu sou esperto. — o Aranha se joga do prédio e se balança, sumindo por entre os arranha-céus.

— Desgraçado! Covarde! Agora terei que arranjar essa droga de outra maneira! — Hyde pragueja enquanto salta para o edifício ao lado, aonde deixou um sobretudo, chapéu e uma grande maleta. Ele se paramenta e desce pela escada de incêndio até que sai num beco. Assim que pisa no beco, o Aracnídeo aparece pendurado de cabeça pra baixo numa teia.

— Oi! Deu saudade! — Mr. Hyde agarra o Aracnídeo pelo tronco e o traz para junto de si.

— Seu maldito! Agora eu vou te partir ao ..gasp..argh.. — ele é interrompido pelo Homem-Aranha que , próximo ao vilão, esperou ele abrir a boca para pressionar seu lançador de teia esquerdo e jogar um fluido goela abaixo de Mr. Hyde.

O vilão engasga e solta o herói.

— Obrigado, eu contava que você fosse fazer isso. — o aracnídeo se recompõe.

— O que? ..gasp..tô me sentindo estranho..

— Simples, eu enchi um dos meus lançadores de teia com a droga que você tanto queria. Acontece que uma super-dosagem causa náuseas, tonteira e, finalmente, perda de consciência, podendo levar até a um coma induzido. Como você tem o peso de um elefante, isso não vai te derrubar, mas vai me dar tempo o suficiente pra te encher de bolachas até eu te desmaiar. Surpreso hein? O Aranha aqui faz o dever de casa!

"E sou bioquímico, mas você não precisa saber disso!"

Alguns instantes depois:

O Homem-Aranha está prestes a acabar de prender um desacordado Mr. Hyde em um casulo de teia quando ele repara no sapato do vilão.

— Nossa, olha o tamanho do pé desse cara! Deve calçar 198! Acho que o Hyde ainda não percebeu que sua pior ameaça seria a de tirar o sapato. Imagina só o chulé do cidadão...

O aracnídeo termina de esvaziar seus cartuchos de teia no criminoso.

— E mais um emprego vai pras cucuias! Não dá pra trabalhar numa empresa que tem treta com um marginal desses. De volta a prancheta dos empregos, ou pro colo do Jameson!

O Aranha balança a cabeça em negação.

— Não! Sem Jameson! Preciso pensar em alguma coisa e é já!

O herói salta para um prédio próximo e some na selva de pedra de Nova York.




 
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