hyperfan  
 

Homem-Aranha # 34

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Seu Amigão da Vizinhança: Peter Parker

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Homem-Aranha
:: Outros Títulos

O telefone toca. Peter quase acorda. Fica naquele estado de semi-consciência no qual é impossível ter controle completo sobre os sentidos. Mais um toque. Ele abre os olhos. Outro toque. Ele segura o celular. Sua visão desfocada começa a melhorar e ele vê um número estranho na tela do aparelho. Na dúvida, atende.

— Alô!

— Peter...

Tia May! — Peter dá um salto na cama, acordando também M.J.

— Peter, meu filho... Como você está?

— Eu tô bem, tia. Estava preocupado. A senhora não deu mais notícias desde aquele dia. Eu tentei te procurar, mas você e a tia Anna foram pra Flórida procurar um apartamento.

— Pois é. Liguei para dizer que encontramos um. É por temporada. Acho que vamos ficar aqui por uns seis meses ou um ano. Nos inscrevemos em um programa de saúde para a terceira idade, é na praia. Adorável.

— Tia, que bom! Meu deus, que saudades da senhora.

— E minha sobrinha-neta?

— Neta.

— Como? — May se emociona.

— Pare de chamá-la de sobrinha-neta. Ela é sua neta, tia May.

O telefone fica mudo por alguns instantes. Peter ouve um choro leve.

— Ela está bem? -Tia May pergunta.

— Ótima! Maravilhosa! Gordinha e rosinha. M.J. diz que ela parece um donnut de morango, eu acho maldade. — M.J. dá um tapa em Peter.

— Maravilhoso. Mande um beijo para a Mary. Eu preciso ir. Estou ligando do hotel.

— Tia...sobre aquela questão...

— Deixe isso para lá. Ainda preciso de tempo para me acostumar.

— Ok, então. — Peter não consegue esconder o alívio. Ele realmente não queria entrar em uma discussão agora.

— Beijos, Peter. Ah, estamos no Florida's Best Sun. Ligue se precisar.

— Beijos, Tia.

Ouve-se o barulho do telefone sendo colocado no gancho. Peter está com os olhos mareados. Mary Jane o beija na testa, se levanta e sai.

— Vou ver a Mayzinha. — Mentira, pelo menos em parte. Ela vai mesmo é deixá-lo sozinho. Ele precisa

O telefone toca novamente. Peter agora está desperto. Atende rapidamente.

— Tia May?

— Não. Posso falar com Peter Parker?

— É ele.

— Ótimo. Olá, meu nome é Richard Adams e sou do RH da Stark biotecnologia. Recentemente ampliamos nossa linha de produção e de pesquisa e desenvolvimento e realizamos uma busca por profissionais capacitados. Em uma de nossas reuniões seu nome nos foi sugerido pelo Dr. Curt Connors. Estamos interessados em marcar uma entrevista para esta semana. É possível?

Claro! — Peter dá o segundo pulo na cama do dia.

Algumas semanas depois:

— Este é o laboratório no qual você vai trabalhar, Peter. — o Dr. Gary Finn abre a porta, revelando instalações gigantescas e de excelente qualidade.

— Uau, Dr. Finn. Realmente este laboratório está mais do que equipado para a linha de pesquisa na qual o senhor me inseriu. Excelente.

— Realmente é muito empolgante ver o quanto o Sr. Stark investe nesta área, meu rapaz.

— Dr. Finn, só uma coisa eu não entendi bem. Qual a relação do Dr. Connors com a Stark Biotec?

— Ah, diretamente nenhuma. Vez ou outra, contratamos cientistas renomados para julgarem os projetos internos da companhia. Eles têm liberdade de criticar tudo e sugerir o que quiserem. O Dr. Connors sugeriu você nesta linha de pesquisa e nos forneceu todas as referências necessárias. — Finn sorri.

— Uau! — Peter se sente orgulhoso como nunca.

— Pronto para começar?

— Com certeza!

— Então vamos discutir o plano de ação deste projeto. Vamos para o meu escritório.

Longe dali:

Um tentáculo de metal se estica para alcançar uma garrafa de uísque ao longe.

— Qual é o próximo passo, então?

— Já tenho a lista de todas as crianças que podem seguir no nosso experimento. — a voz de um homem maduro responde.

— Quando poderei ver a máquina? — outro tentáculo leva um charuto à boca do homem.

— Assim que tivermos terminado a fase um. Tenha paciência.

— De paciência é feita a ciência, você sabe. — ele toma uma golada de uísque.

— E a vingança.

Peter sai da Stark Biotec. Ele se sente bem. Aliviado, como quando começou na GrantFarma. Ele está na ciência e, para ele, isso é tão natural quanto subir pelas paredes. Sem falar na segurança para sua família. Um bom salário para suas duas mulheres. Que satisfação enorme!

Caminhando para pegar o trem, Peter passa por uma rua que vai dar diretamente no cemitério e, sem pestanejar, se dirige até ele. Parker caminha pelos túmulos e pára em frente a uma lápide em específico: Ben Parker.

— Faz tempo, hein, tio? — ele se senta e começa a limpar o túmulo.

— Todas as vezes que eu venho até você, eu passo por vários. É engraçado, lembro de uma música. "Onde estarão agora? Com amores, ódios e paixões como as minhas, eles nasceram, viveram e então, morreram." (*) O engraçado é que ,enquanto caminho e penso nela, nunca tenho a resposta. Pelo menos não até chegar em você. Aí me dá um estalo e eu lembro o quanto ainda te amo.

Peter começa a jogar as folhas secas para o lado.

— Sabe, tio. Tia May descobriu que eu sou o Homem-Aranha. Na verdade, M.J contou para ela. Ah, que besteira. É claro que você já sabe disso. Ela nunca sairia da cidade sem se despedir. Ela certamente te contou. O que eu vou fazer agora? Seguir em frente, eu sei.

Ele se levanta e tira a sujeira de cima da lápide.

— Eu sou um idiota mesmo. Venho aqui te contar as coisas ruins e não te conto as coisas boas. Minha filha nasceu, tio (Tia May também já deve ter contado, mas...). Ela é linda, saudável e inteligente. Demos a ela o nome de May. Nem preciso dizer por quê. No dia em que ela nasceu eu senti sua falta como nunca senti antes. Foi muito injusto você não estar lá para participar. Faltava alguma coisa. Ficou um buraco esquisito. Aquele tipo de buraco que não deixa a felicidade ser completa. Sabe?

O vento sopra frio.

— É. Assim mesmo, tio. Hoje, eu fui ver um emprego novo (aposto que dessa o senhor não sabia). Na Stark Biotecnologia, empresa grande, salário razoável, talvez desta vez dê certo. Quem sabe? — Peter faz uma longa pausa — Bem, é melhor eu ir pegar o trem. Prometi pra M.J. que ficaria com a Mayzinha para ela poder ir as compras. Até mais, tio. — Peter beija a palma de sua mão esquerda e a encosta na pedra da lápide.

Na casa dos Parker, um pouco mais tarde:

— Coisinha linda da mamãe! — Mary Jane sacode um chocalho do capitão América para a pequena May. — Olha o Capitão. É! Amigo do papai! — ela puxa um chocalho do aranha e balança — Olha o papai!

May tenta agarrar o chocalho do aranha.

— Isso! Pega o papai! Coisa gostosa! — M.J. enche a pequenininha de beijos. — Olha o Hulk! — M.J. puxa um chocalho do caveira vermelha. — Ei! Quem faz um negócio desses? Que idéia! — ela arremessa o chocalho para longe e puxa o do Hulk. — Hulk esmaga bebezinho! — e esfrega o chocalho na barriga da criança, que ri.

Peter entra no quarto apreensivo.

— M.J., acho que perdi meus poderes de aranha!

— Hã? — o coração de Mary Jane vai a boca. — Como?

— Fui atacado pelo Caveira Vermelha e meu sentido de aranha nem disparou — Peter tira do bolso o chocalho do que M.J. arremessou e cai na gargalhada.

— Caiu pela janela? Ah, meu Deus! Me desculpa, gatão! — M.J. sorri e beija Peter. — Como foi o dia hoje?

— Até agora, excelente. Acho que a velha sorte dos Parker não vai conseguir estragar esse dia. O emprego é meu, começo semana que vem! — Peter abre os braços e sua esposa se joga em sua direção.

Eles se abraçam e rodopiam. Quando param seus olhares estão fixados um no outro. Peter prova os lábios de Mary Jane, que responde com um beijo apertado.

— Você vai adorar brincar de cientista maluco de novo! — M.J. fala, enquanto Peter a coloca sentada na cama, ao lado de sua filha.

— E o salário é bom pra gente. Vai dar pra comprar tudo pra pequenininha, sem problemas.

— Maravilha! Viu, meu amor? Papai se deu bem hoje! — Mary balança o chocalho do Aranha para a bebê.

— Nem acredito que eu vou dormir hoje sem nem ter colocado o uniforme — Peter pensa alto.

— Nem eu. — Mary Jane ri.


:: Notas do Autor

(*) Trata-se da canção "Cemetry Gates", do emblemático grupo new wave britânico The Smiths. Não confundir com a música "Cemetery Gates" do conjunto texano de heavy metal Pantera. voltar ao texto




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.