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Homem-Aranha # 37

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Reunião de Doutores

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— Você está fumando demais, Doutor.

— Ao menos morrerei feliz. — O Doutor Octopus se senta a uma mesa em um galpão muito bem iluminado.

— Trouxe para nossa reunião. — Norman Osborn coloca uma garrafa de uísque em cima da mesa, bem como dois copos.

— Excelente. — Octopus sorri.

— Podemos começar? — Norman também se senta.

— Sim. Eu já tenho os resultados de todos os testes com os macacos. Devo dizer que foram deveras interessantes.

— Você conseguiu de fato? — Norman se serve da bebida.

— Consegui. Todos os filhotes ficaram positivos. Podemos usar o mesmo principio. Mas, como estaremos lidando com algumas variáveis que não podemos reproduzir aqui... Bem, os resultados podem ser diferentes.

— Eu sei. Não me importo com os riscos.

— Eu tenho certeza disso. — Octavius se serve do uísque.

— Você já passou todos os frascos? — Norman pergunta.

— Já. Minha parte no acordo está cumprida. Agora chegou a sua vez, Norman.

— Claro. Claro. — Norman se levanta — Fique com a garrafa. — Ele começa a andar pelo galpão — Hoje cedo, pedi que trouxessem a máquina para cá. — Norman pára em frente a um grande maquinário coberto por panos.

— Não acredito. — Octopus se levanta. Seus olhos brilham.

— Sim, Octavius. O maior especialista em radiação do mundo, terá acesso a uma das maiores maravilhas que a radiação já criou. — Osborn puxa o pano, revelando a maravilhosa máquina.

— A máquina que criou o Homem-Aranha! — Octopus se anima. Seus tentáculos ficam inquietos.

— Sim, meu caro. A máquina que irradiou a aranha que mais tarde viria a picar nosso estimado amigo. Uma das maiores anomalias da radiação. E ela é toda sua. Divirta-se, enquanto eu tomo conta de outros assuntos.

Norman Osborn sai do galpão, deixando para trás um abobalhado Doutor Otto Octavius. Assim que entra em seu carro, Osborn faz uma ligação do seu celular.

— Sim, pode começar a agir. — e ele desliga.

Casa dos Parker:

"RING RING", o telefone toca.

— Alô? — Mary Jane atende.

— Mary Jane Watson-Parker? — a voz de uma senhora pergunta.

— Sim.

— Alô, aqui é a Sra. Flowers, secretária do Dr. Castillo, pediatra de sua filha.

— Ah, claro. Como vai, Sra. Flowers?

— Bem. Obrigada. Eu gostaria de informá-la que é hora da pequena May tomar mais uma vacina.

— Outra? Eu não me lembrava disso. — Mary Jane começa a forçar sua memória.

— Na verdade, essa vacina está fora do calendário. É uma recomendação da Associação de Pediatria. — a Sra. Flowers explica. — É uma vacina contra meningite, que vem atingindo muitas crianças em Nova York. Podemos marcar um horário?

— Ah, ok! Podemos. Essa meningite... isso é muito sério?

Stark Biotecnologia:

— Você não vai acreditar nisso, Dra. Walsh! — Peter praticamente salta na frente da chefe do seu laboratório.

— O que houve, Peter? — a Dra. Walsh, uma senhora de cinqüenta anos bastante jovial, magra e com uma longa cabeleira loira, se assusta.

— Eu consegui fazer o ponto de fusão da liga bioquímica diminuir! Ou seja, poderemos moldá-la sem problema e depois voltar com ela para o estado normal!

— Peter, isso é ótimo! Vai nos economizar meses no projeto inicial! — a Dra. Sorri, alegre e satisfeita.

— Sim. Poderemos partir para a fase dois bem antes do previsto. — Peter se sente satisfeito, o trabalho tem sido ótimo para fazê-lo esquecer a culpa pelo que aconteceu com Toomes. (*)

— Peter, se continuar desse jeito eu vou perder você. Logo, logo você vai ter o seu próprio laboratório!

— Que isso, Dra. Walsh. — Peter fica ruborizado.

— Não se envergonhe, rapaz. Você é brilhante! Ainda bem que desistiu daquela sua vida de fotógrafo sobre a qual me contou. Você nasceu para a ciência, até parece que você tem isso no sangue!

"Ah, se ela soubesse da verdade..." — Parker pensa para si.

— Bem, então acho que agora vai ficar muito mais fácil para realizarmos os estudos de polaridade. — Peter fala.

— Sim, vou passar as novidades para a equipe do Dr. Finn. Eles vão fazer os experimentos com o magnetismo e polaridade da liga.

— Tá bem! Então eu... — Peter fica mudo. Sua expressão torna-se preocupada. É o sentido de aranha. Perigo. Alguma coisa ao lado dele.

— Peter? — a Dra. Walsh estranha e chega perto de Peter, no exato momento no qual a parede ao lado deles se abre, jogando destroços para todos os lados.

Peter se joga em cima da Doutora e os dois rolam pelo chão do laboratório. Pelo canto do olho, Peter vê um senhor careca e baixinho, usando óculos e vestindo o que parece ser um exoesqueleto de metal com uma cúpula transparente cobrindo sua cabeça.

"Outro careca! Só pode ser brincadeira!" — Pensa Peter — "Vai um, vem outro! Bem...isso pode ser um sinal! Sim! Vou investir no ramo de perucas. Hummm...será que perucas de teia fariam sucesso?"

— He! He! He! O Dr. Silvana não conhece obstáculos! Não resistam! Minha armadura é capaz de repelir qualquer ataque! Nem o grande queijo vermelho poderia me impedir agora!

"Grande queijo vermelho?" — questiona Peter, em pensamento. — "Ele é louco mesmo! E eu tenho que arranjar um lugar para me trocar. Agora!"

O Dr.Silvana continua entrando pelo prédio enquanto Peter e a Dra. Walsh se levantam.

— Dra. Walsh, saia por este buraco que ele abriu. Fuja daqui!

— Mas e você, Peter?

— Eu vou pegar o HD com os resultados e tentar chamar a polícia.

Sem discutir e apavorada, a doutora Walsh sai apressadamente do prédio.

"Agora é só correr para um lugar bem escondido." — constata Peter — "O quartinho do zelador!"

— O cientista louco conhecido como Dr. Silvana destrói mais algumas paredes do centro da Stark Biotecnologia, até que agarra um dos cientistas que fugia. Com seus braços cobertos pela armadura, ele segura o homem e o joga no chão. Sem cerimônias, ele sobe em cima do pobre cientista e pisa em seu peito.

— He he he! Vamos lá, homem. Você é um cientista, deve ter algum cérebro. Eu quero a planta do Despolarizador Taquiquântico, e eu quero agora! De acordo com meus cálculos este aparelho poderá ser o que preciso para iniciar meu grande plano!

— Ei, super anão de jardim! — o Homem-Aranha dá um salto e pára em frente ao Dr. Silvana. — Ouvi dizer que o Eléktron estava procurando alguém do tamanho dele pra uma briga! Ou seja, solta esse cara!

— Homem-Aranha! Você não pode comigo! Eu estou acostumado a duelar com o Capitão Marvel! He! He! He! — o vilão sai de cima do cientista.

— Qual deles? Esse negócio de Marvel... tem tanto Marvel nesse mundo de Deus, eu já nem sei mais. Talvez eu deva mudar meu nome para Marvel-Aranha, que tal? — O Aranha tenta acertar um soco, mas o vilão desvia.

— Falo do mortal mais poderoso da Terra! Não de um sujeitinho com poderes de um aracnídeo! — o Dr.Silvana acerta um soco certeiro na cara do Aranha.

— Ei! Essa doeu no coração (e na cara)! Pelo menos você sabe a diferença entre aracnídeos e insetos! — o Aranha salta e agarra os braços do Dr. Silvana. Mas, em um contra golpe, a armadura reage girando e jogando o aracnídeo contra uma parede.

— He! he! He! A armadura tem seu próprio intelecto! Eu baseei seu estilo marcial em arquivos de lutas do Batman e do Capitão América! Você não tem chance!

— Você a ensinou a dançar balé também? Sabe, eu tô pressentindo que você faria bonito no "Lago dos Cisnes" que o pessoal da gruta encena todo o ano. — de pé, o aracnídeo lança sua teia nos braços do vilão, prendendo-os.

— E agora, senhor Capitão Morcego careca dos infernos?

— He! He! He! Agora, veja isto! — O Dr. Silvana rasga a teia.

— Ah não! Essa era a minha melhor idéia! — o Homem-Aranha salta e tenta acertar um chute, mas a armadura desvia e aplica um forte soco nas costas do herói.

— Argh! Tá bom! Tá bom! Agora, eu oficialmente odeio carecas! Muito bem, aeroporto de gafanhoto, hora de eu ensinar à sua armadura o perigoso estilo Aranha-fu! Aranha fu-gindo pela esquerda! — o aracnídeo dá um salto e sai, entrando por outras salas do prédio.

— E o nome é Doutor Silvana, seu imbecil! He! He! He! Ninguém pode comigo. — o vilão continua atravessando algumas paredes e derrubando seguranças.

"Ok. Hora de pensar, Parker. Você deu uma boa olhada naquela armadura. Tem uma entrada de força nas costas que parece levar a bateria, o problema é que não tá dando pra chegar tão perto, por isso eu preciso de alguma coisa que o segure por um tempo, e eu já sei bem o que." — o aracnídeo corre para um laboratório conhecido.

Pouco tempo depois:

O Dr. Silvana acaba de derrubar três seguranças quando começa a vasculhar um armário de arquivos.

— Onde estará isso? Maldições!

— Dim-dom! Terceiro andar: clones diminutos e míopes do Lex Luthor vestindo um transformer psicótico, Homens-Aranha e, por favor, não reparem a destruição, um dos anões de circo comeu tacos demais no almoço. — o Aranha grita ao entrar na sala, chamando a atenção do vilão.

— Você de novo? — o Dr. Silvana nota um estranho aparelho em forma de disco de hóquei que o aracnídeo carrega nas mãos. — Que diabos é isso em suas mãos?

— Ahá! Seus óculos funcionam! É um disco de hóquei, eu jogo e você não desvia. Aí, eu acerto sua cara! — o aracnídeo lança o aparelho em direção a armadura, que por reflexo agarra o objeto e o destrói, liberando uma nuvem de partículas sobre o vilão.

— Que diabos é isso? — O Dr. Silvana olha para sua armadura enquanto ela é tomada pelas pequenas partículas prateadas.

— Uma surpresinha que eu preparei para você! Agora sua armadura está muito mais fashion, com esse brilho! E pare de falar "diabos", vai que ele resolve dar o enxofre da graça? — o aracnídeo levanta a camisa do uniforme e tira do cinto um pequeno controle-remoto.

Ele aponta o controle para trás e aperta um botão. Nesse exato momento o Dr. Silvana começa a sentir uma enorme força o puxando, como se alguém muito forte estivesse o segurando e tentando movê-lo. A armadura usa sua força sobre-humana para lutar contra isso, mas fica cada vez mais e mais difícil. Até que o Dr. Silvana voa pelos ares, batendo em paredes e sendo arrastado até os buracos que ele fez nelas. Por fim, ouve-se um enorme estrondo ao longe.

— E para esse número especial, eu gostaria de agradecer ao Dr.Silvana por ter destruído as paredes deste prédio, assim acabando com a interferência que impediria a maravilhosa máquina que atrai para si as partículas prateadas ultra-adesivas que eu joguei nele de funcionar. O programa "Da aplicação científica ao combate ao crime" de hoje foi apresentado por mim, o Homem-Aranha, com apoio das Empresas Stark. — o Aranha começa a andar em direção ao laboratório onde o Dr. Silvana deve estar.

O Homem-Aranha entra no laboratório e encontra o Dr. Silvana preso a uma parede coberta por uma liga metálica avermelhada. A liga parece vibrar, fazendo um estranho som.

— Gostou? — o Aranha vai até ele e procura pela entrada da bateria, usando sua incrível força, ele arrebenta a entrada e arranca todos os circuitos. Na hora, a cúpula de vidro se abre e cai no chão.

— Maldições! Frustrado novamente! Que diabos eu ainda vou conseguir o que eu quero! Vou inverter os pólos magnéticos da Terra, e aí todos... todos terão que...

Twip

— Hummmmm. Hummm.. — o Dr.Silvana não consegue mais falar com a boca coberta de teia.

— Tô sem paciência pros carecas.

Mais tarde, na casa dos Parkers:

— Foi engraçado. Um dos problemas do laboratório era que as partículas bioquímicas interagiam de maneira definitiva com alguns metais, isso nos impedia de usá-las em algumas situações. Acabou que esse defeito foi bom na hora que o Silvana apareceu, senão eu jamais conseguiria atrair aquela armadura dele e prendê-la. A força que ela era capaz de aplicar teria feito as partículas se soltarem, eu acho. Eu ficaria apanhando, o que poderia até funcionar, eventualmente, mas seria muito mais dolorido. — Peter sorri.

— Que bom ver você feliz com a ciência de maluco que vocês fazem. Ah, Peter, falando em ciência... o médico da Mayzinha ligou. Temos que dar outra vacina nela.

— Outra?

— Sim, contra meningite. É um vírus, eu acho.

— É, pode ser um vírus também. Não sabia que tava tendo campanha. Aliás nem sabia que a gente tinha isso aqui em Nova York.

— Parece que é um surto.

— Bom, de quanto você precisa? Usa o cartão de crédito.

— Tá bom. Vou lá amanhã, ou no fim da semana. Aliás, falando em vou lá...

— Já sei. Já sei. Hoje eu fico em casa com a Mayzinha e você vai sair com sua prima. Vai lá, gatona, divirta-se e tomara que ela tenha mesmo conseguido aquela indicação pra você na peça daquele diretor que nunca lembro o nome.

Mary Jane dá um beijo em Peter.

— Vou tomar banho e me arrumar. Olho vivo nela. — ela sorri enquanto vai em direção ao banheiro.

— Pode deixar. Qualquer coisa, meu sentido de aranha avisa!

Peter vai até o quarto da filha. A menina está quieta em seu berço. Quando ele se aproxima ela abre os pequenos olhos azuis.

— Oi, meu amorzinho.

Quando sente a presença de Peter, ela começa a se agitar. Mexendo os braços e pernas, fazendo caras e bocas.

— Você quer vir com o papai? Quer dar aquele nosso passeiozinho especial de novo?

Peter tira sua camisa. Ele pega a pequena May, a deixa só de fralda e, gentilmente, a encosta em suas costas. Pai e filha se acomodam e se aderem um ao outro, e então Peter dá um salto para o teto e começa a escalar com a pequena May presa em suas costas.

A menina rapidamente se acalma. É a natureza.


:: Notas do Autor

(*) Como visto na edição anterior. voltar ao texto




 
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