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Homem-Aranha # 39

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Pacto com o Diabo

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Peter Parker entra em uma grande loja de brinquedos. As estantes estão repletas das maiores novidades, mas Peter está procurando algo mais tradicional. A verdade é que ele nem sabe bem o que é, só entrou na loja com vontade de comprar algo para a filha. Uma sensação estranha toma conta de Peter...

— Oi, Peter! — uma voz familiar o aborda assim que ele entra na loja. — Vi você entrando aqui e resolvi dar um oi. Escolhendo algo para a pequena May ? Ela deve estar enorme. Enfim, eu queria mesmo conversar com você, mas estava em uma viagem. Diga-me, porque resolveu pedir demissão da GrantFarma? — Paul Grant segura o ombro de Parker.

— Grant! — Peter se assusta — Você? Como me achou aqui?

— Ei, Pete. Eu ainda moro nesta cidade. Agora... diga-me que tal sentarmos para um café e discutirmos essa sua saída da GrantFarma?

— Hã... não vai dar, Paul.

— Escute, Pete. Eu sei que você deve estar com vergonha por causa daquela confusão na última vez que nos encontramos, mas tudo bem, todo mundo tem direito de ter uma crise vez ou outra. — Grant sorri.

— Pois é. É isso mesmo, Paul. Depois daquilo eu não agüentaria mais trabalhar lá, foi muito desrespeito e... enfim...eu só posso agradecer você por não ter me demitido.

— Claro, claro. Peter, seu espertinho... eu não estou te fazendo um convite. Você vem comigo. — o tom de Grant muda. Sua expressão fica séria.

— O quê? — Peter se livra da mão de Grant em seu ombro.

— Escute aqui, Parker, eu tenho uma coisa pra resolver e vou querer sua ajuda nisso.

— Olha, Paul, eu...

— Ou você prefere que eu faça isso? — Grant pega o celular e coloca no número de J.J.Jameson, ele vira o visor para Peter — Imagina o quanto Jameson não ficaria feliz em publicar a ruína do Aracnídeo? Eu vou te dar um tempo para pensar, Peter. Encontre-me hoje às 23 horas na minha cobertura e vá fantasiado.

Paul Grant se vira e rapidamente se mistura à multidão de Nova York.

23:00

O Homem-Aranha pisa na varanda da cobertura de Paul Grant. O próprio já está a sua espera, sentado a uma mesa.

— Sabe, foi difícil encontrá-lo... estava rondando os arredores da Stark desde a semana passada. Por favor, sente-se.

— Não. Acho que vou escutar sua baboseira de pé, é mais fácil pra vomitar no final.

— O que essa máscara tem de tão especial que faz você ficar tão piadista?

— Esconde minhas caretas. Você devia usar uma para esconder sua cara de fuinha.

— Ok, Pete. Ok. Fique de pé. Como você descobriu, eu e Osborn andamos nos entendendo.

— Nem parece que você é esperto, Paul. Osborn? Meio-mundo sabe que ele é um maníaco homicida! E o outro meio-mundo só sabe que ele é louco!

— Osborn veio a mim quando minha vida estava desabando. Eu tinha acabado meu doutorado, Pete. Tinha uma oportunidade de ir para um laboratório grande e trabalhar num projeto incrível, mas descobriram que... bem... parte dos meus resultados não eram bem o que pareciam ser...

— Falsificando resultados, Paul? Tsc, tsc, tsc... que coisa feia! Mamãe Shell não vai gostar nada de saber disso!

— Você não sabe a pressão que é!

— Sei sim! Ou você esqueceu com quem você está falando?

— Pete... eles iam me desmoralizar...me destruir. Aí Osborn apareceu. Disse que queria sumir por uns tempos, que precisava de alguém para tomar conta dos negócios dele.

— Aí você ganhou aquela fortuna de um tio misterioso que tinha morrido no Texas...

— Isso! Essa foi a fachada. Ele me passou a Oscorp, que mudou para GrantFarma e eu comecei a tocar os negócios. Até que ele foi me revelando aos poucos o que ele queria e eu me tornei o Sr.Shell...

— Agora as coisas estão fazendo sentido! Ele usou você como um bonequinho!

— Só que ele me subestimou.

— Ele subestima todo mundo, não se sinta pior do que você já é!

— Ele me jogou pra cima de você! "Contrate Parker, rapaz brilhante", "Visite os Parker", "Você não acha Mary Jane linda? Ouvi dizer que ela teve um caso com fulano"...

— Já entendi, Duendinho.

— Não me chame assim! Aquele louco me largou! Depois que eu servi aos propósitos dele ele me tirou tudo! Me deixou na miséria e na desgraça! Eu quero vingança!

— E você tá achando que eu vou te ajudar nessa? Acho que você pegou a maluquice do Osborn também.

— Claro! Você o odeia! Você o quer destruído!

— Sim e não. Eu o odeio, é verdade, mas não quero matar ninguém. Tô fora, Grant!

— Então eu vou ser obrigado a fazer uma pequena ligação...

O Aranha arma o soco e avança para cima de Grant.

— Isso não vai adiantar, mesmo que você me espanque e me jogue na cadeia, você não pode tirar o que está aqui dentro — Paul aponta para sua testa.

— Você continua fazendo tudo o que ele quer, Grant! É um idiota!

— Como assim? — Paul Grant não entende.

O sentido de aranha de Peter está a mil. Há um perigo iminente rondando a área.

— Ele está aqui. O desgraçado está aqui. — o Aranha fala.

— Ele? — Grant olha ao redor.

Uma sombra verde passa pelo telhado.

— Ele mesmo: O Escorpião! — a figura salta na varanda, balançando sua cauda.

— Ei, era pra você estar na gruta! — o Aranha aponta para o vilão. — O que há de errado com aquele lugar? Todo mundo foge de lá! A comida é tão ruim assim?

— Eu nunca cheguei lá! Antes de ir para a Gruta eu fiquei em contenção aguardando julgamento. No dia da minha transferência, meu anjo da sorte apareceu e me livrou, mas o mais interessante é que ele me contou algumas coisinhas sobre o Sr. Shell. Inclusive como esse traidor aí armou pra esse inseto aparecer naquele dia na cantina(*)! Você me colocou na fria! — o escorpião aponta para Grant.

— Ok, temos um problema. Eu quero botar os dois na cadeia, o Escorpião quer pegar o Grant e o Grant quer fugir. Quem começa? Vamos decidir no palitinho? — o Aranha pula para cima do escorpião, mas a cauda do vilão o atinge e o atira para longe.

— Você vai ter o que merece, Shell!

— Não! Seu burro, inventaram tudo isso! Para que eu lhe pagaria para ser preso? Isso não faz sentido! — Grant grita tentando se afastar do ataque do escorpião.

— Pode até ser, mas na dúvida eu ainda prefiro esmigalhar você! — Diz o escorpião.

O Aranha lança um fio de teia e puxa o Escorpião para longe de Grant.

— Tá, tá..depois eu que sou cabeça-dura! Aposto que colocaram argamassa ao invés de um cérebro dentro dessa sua cachola. Ô abacate rabudo! — o Aranha gira o Escorpião e o joga contra uma parede.

— Deus! Eu vou morrer se ficar aqui! — Grant grita.

— Foge, ué! — o aracnídeo responde enquanto dá um chute no Escorpião. — Opa! Foge não, eu tenho um assunto pra resolver com você!

O Aranha enche o escorpião de teia com uma mão e prende Grant em uma rede de teia com outra, infelizmente essa manobra abre sua guarda e o Escorpião o atinge no peito com um chute, derrubando-o.

— Agora é você, Shell! A outra parte da história, que eu não contei ainda, é que agora tão me pagando uma grana alta pra acabar com sua raça! Tem coisa melhor do que juntar negócios e prazer? Ainda ganhei o inseto de brinde! — o Escorpião se levanta e começa a rasgar a teia com suas mãos e sua cauda.

Grant fica desesperado e tenta se livrar da rede de teia, mas é inútil para um homem comum. O Escorpião se liberta da pouca teia que o cobria e sua cauda se agita, girando e se preparando para o ataque final em Grant.

O Aranha salta e agarra a cauda do vilão, parando o golpe e distraindo o criminoso.

— Ok, Escorpa! Eu não ia dizer isso, mas dói muito ouvir um aracnídeo chamando outro de inseto! Eles não têm um programa de alfabetização na cadeia? Ó, presta atenção na musiquinha: o aracnídeo tem oito patas, oito patas, nada de antenas, nada de antenas, não senhor... não senhor! O inseto é diferente, diferente, seis patas e antenas, seis patas e antenas... — o Homem-Aranha se gruda nas costas do escorpião e acerta vários socos na cara do vilão.

— Pára com essa música irritante! — o Escorpião energiza sua cauda e atinge o aracnídeo, dando um poderoso choque no aracnídeo, que cai quase inconsciente.

— Agora, Shell. Aos negócios... — a cauda do escorpião se agita e atinge Grant na cabeça. O ferrão perfura seu crânio. O sangue jorra pela parede. — Foi bem mais fácil com ele preso na teia! — Gargan sorri e se vira para o aracnídeo.

O Homem-Aranha abre os olhos, ainda tonto e se depara com o exato momento no qual o golpe é desferido.

— GARRGANNN! Seu doente! — o herói se levanta, mas suas pernas bambeiam. — Eu vou te encher de porrada até quebrar essa sua cara!

— Essa eu vou gostar de ver! — o assassino gesticula com a mão, chamando o aracnídeo.

— Você vai ver é o sol nascer quadrado na gruta! — o Aranha pula para cima do Escorpião.

Os dois se envolvem em uma troca de socos, chutes e piruetas, até que, por fim, a cauda do escorpião atinge o aracnídeo liberando outro poderoso choque. O Aranha cai.

— Agora já era, Aranha! — Gargan prepara seu ferrão. — Não sei como não consegui te matar até hoje. Deve ter sido muita sorte sua!

A cauda do escorpião desce violentamente contra o Homem-Aranha que, alertado pelo seu sentido de aranha a agarra em pleno ar. O Aranha se levanta e em um poderoso salto utiliza toda sua força para arrancar a cauda do vilão. A manobra funciona, mas acaba provocando um curto-circuito que culmina em uma pequena explosão que nocauteia o herói e joga o escorpião para fora do prédio, em direção ao abismo dos prédios. O grito de Gargan ecoa pela grande maçã.

O Aranha se levanta lentamente. Todo seu corpo dói. Ele não sabe por quanto tempo ficou desacordado dessa vez, nem sabe direito o que aconteceu.

Em algum lugar de sua mente ele se recorda de Grant morto, do escorpião e de vários choques, mas ele não sabe dizer se tudo isso é verdade, pelo menos não até ver o corpo morto de Grant preso em sua rede de teia. Aí ele tem certeza do pesadelo que sua noite se tornou.

Ele caminha devagar até Paul, mas a visão de seu crânio destruído é demais até para o Homem-Aranha. Enjoado, ele vira o rosto. De repente não dá mais pra respirar com a máscara, ele a levanta e puxa um pouco de ar. Peter encosta-se em uma parede e, furioso, dá um soco, arrancando parte do reboco.

— Primeiro o abutre, agora Grant! Todas as pessoas que eu deveria salvar estão morrendo!

A voz do duende parece falar na cabeça de Parker :

— Segure Gwen Stacy, Parker! Ela sempre escapa de suas mãos! Sempre!

Peter leva uma das mãos à cabeça e fecha os olhos. A voz vai embora.

Ele volta a olhar para o corpo de Paul Grant, a teia já começa a derreter. Significa que ele deve ter ficado desmaiado por muito tempo. Sem poder fazer mais nada, o Homem-Aranha salta na noite perdido em suas próprias lamúrias e questionamentos.




 
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