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Homem-Aranha # 43

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Ponto Sem Retorno

O mundo hoje testemunha o fim de uma figura que, por anos, atormentou a boa gente da cidade de Nova York. Sempre agachado, curvado, com sua máscara quase alienígena e seus trejeitos repulsivos. Balançando pelas ruas em seus fios de teia, somente a mera visão deste criminoso era suficiente para fazer o cidadão mais honesto tremer. Respiremos aliviados. A ameaça mascarada do Homem-Aranha não existe mais.

Jameson dá uma forte tragada em seu charuto enquanto escreve em seu computador.

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O Duende entra no grande galpão carregando o Homem-Aranha em seu colo.

— Otto, prepare a maca e arranque os malditos lançadores de teias.

— Coloque-o logo. Já está tudo certo. Ponha logo seu contador Geiger — O Dr.Octopus responde girando a maca com os tentáculos e passando o contador para o Duende, que o prende no uniforme.

Normam coloca o aracnídeo na posição e os dois vilões prendem os braços e pernas do herói com presilhas de adamantium. Otto se apressa em tirar os lançadores.

Octavius arranca a máscara do herói e joga um pouco de um líquido amarelado em sua cara. Peter tosse e começa a despertar.

— Bom dia, Peter Parker — Otto sorri.

Parker ainda pisca os olhos e contorce a cara, claramente atordoado.

— Deixe-me explicar sua situação: você está preso em uma maca com presilhas de adamantium. Nem você pode quebrar estas. Não tente reagir, pois se por acaso você me surpreender, eu juro que detono as bombas que deixei escondidas na sua casinha. — o Duende passa a mão na cara de Peter — Estamos entendidos?

— O-otto e-e— No-nor-norman..não...

— Sim, pequeno aracnídeo. Não é pesadelo. — o Dr.Octopus dá as costas para o herói e começa a mexer no grande maquinário ao redor.

— Espero que tenha uma boa memória, Peter. Trouxe algo do seu passado para que você pudesse apreciar melhor esse momento glorioso! Acorde e veja!— O Duende ri e aponta para a grande máquina de radioatividade parada ao longe no galpão.

— Não! Não pode ser, Norman! Como você...?

— Como eu o quê? Como eu consegui? Ora, meu garoto, não subestime minha inteligência! Achá-la foi fácil, mas, é claro, precisei de uma ajuda para desvendar o segredo dessa máquina e aí que entrou seu amigo Octopus.

Peter tenta se soltar e se contorce na maca.

— Eu achei que vocês queriam me matar...— Parker se desespera ao imaginar o plano de seus inimigos.

— Não era bem esse o nosso plano... — o Duende sussurra.

— Eu não estou entendendo nada, Norman! Qual a maluquice que você está pensando dessa vez, seu demente?

— E nem pense que vou perder meu tempo lhe explicando as coisas, Parker. Use sua inteligência e some as pistas! — o Duende dá um tapa na cabeça de Peter.

— O vírus... May... onde isso tudo se encaixa? Se você fez algo a ela, Norman...

— Ah não, Peter. Plano errado. Esse é outro. Um plano pro futuro. Uma pequena surpresa para você nos anos que virão!

— Anos que virão? — Otto se vira para Norman.

— Sim! O desgraçado vai sofrer por anos até definhar!

— Achei que iríamos fazer o teste com Parker e eliminá-lo. Ele é muito perigoso para continuar vivo! Além disso, merece morrer por tudo que nos fez, por tudo que me fez!

— Desculpe, Otto. Não é você quem faz as regras aqui. Isso vai ser do meu jeito! Você já sabia do acordo!

— Que se dane sua idéia maldita de injetar um vírus na filha de Parker para associar a fórmula do Duende em seu DNA! Que se dane sua idéia maldita de contaminar Mary Jane com uma doença degenerativa dos ossos! Que se dane sua idéia de tirar os poderes de Parker para deixá-lo vivo! Parker morre hoje, e eu já tomei todas as precauções para que isso aconteça! — Otto aperta um botão no maquinário e, no mesmo instante, o Duende recebe uma carga elétrica capaz de transformar um homem em cinzas. O Duende treme e grita, e quando o cheiro de carne queimada toma conta do ambiente, finalmente, ele cai.

Peter Parker olha incrédulo enquanto o corpo do Duende cai.

— Um simples contador geiger, meu amigo. Ou não! — Otto sorri.

— Você o matou!— Peter se surpreende.

— Talvez, depois me certificarei disto. — responde Octavius — Mas eu certamente matarei você e será agora. Antes, só por garantia, vamos arrancar seus poderes de aranha para fora de você, meu velho amigo!

— Otto, minha família está bem? Eu só preciso saber disso! — Peter tenta se soltar mais uma vez, forçando ao máximo seus poderosos músculos.

— Eu não sou um psicótico como Norman, Peter. Não tenho qualquer interesse em catequizar sua filha ou fazer sua esposa sofrer. Eu sou pragmático, como qualquer cientista deve ser. Eu só quero uma coisa: eliminar você do meu caminho. Qualquer desvio é distração e desperdício de tempo e recursos.

Longe dali:

Mary Jane sai do quarto após pegar as chaves e o celular. Seu corpo dói demais, sua cabeça ainda gira. Ela respira fundo, tentando reunir forças para prosseguir, mas, simplesmente, desmaia novamente. A pequena May chora desesperada. Seus pequenos braços e pernas se agitam no berço pedindo por ajuda, mas não há ninguém que possa ouvi-la...

De volta ao galpão:

O Homem-Aranha continua tentando se soltar a todo o custo. Seus músculos parecem que estão saltando a ponto de rasgar o uniforme, sua cara está vermelha de raiva e pelo esforço.

— Nem adianta, Peter. — Otto se vira para ele enquanto mira o que parece ser uma pequena antena ligada ao maquinário — Esse é o disparador da radioatividade que vai alterar seu DNA, meu caro. O elemento que se inseriu no seu genoma será solto por estas partículas e você será um humano normal novamente. O processo ainda não está muito bem estabelecido, então é possível que sobrem partes destes elementos, o que poderia causar alguns tumores, mas você não viverá tanto tempo assim. Logo após tirar seus poderes eu o soltarei desta maca e o esganarei com minhas próprias mãos. Sim...nada de tentáculos. Estou ansioso por um contato mais "pessoal". E quando seu sangue espirrar da garganta e seus olhos saltarem, aí eu levarei seu corpo morto até o Times Square e anunciarei ao mundo que o Dr. Octopus matou Peter Parker, o Homem-Aranha.

— Isso não vai ficar assim, Otto! Eles virão atrás de você!

— Quem? Seus amigos? A Gata Negra? O Gatuno? Há! Nem mesmo temo os Vingadores!

— Mas eles virão! Os Vingadores, a Liga!

— Eu agüento mais alguns meses na prisão, Parker. Ainda mais numa cela repleta com os recortes de jornais do mundo inteiro. Recortes onde, não importa a língua ou a maneira, se lerá "Dr. Octopus mata o Homem-Aranha"!

Peter solta um berro, numa tentativa final de se livrar.

— Estou pensando também em desvendar a sua fascinante fórmula da teia e vendê-la para a indústria, certamente isso me renderia dividendos suficientes para uma vida confortável. Pensando bem, talvez a use como uma arma... que bela homenagem! — Otto tenta pressionar o disparador, mas não consegue.— Que diabos? Uma trava? Enfim, nada que não se resolva. Pronto para perder pedaços significativos do seu genoma híbrido?

Parker apenas fecha os olhos. Ele já tentou escapar de todas as maneiras, mas parece não haver qualquer possibilidade fuga. Só lhe resta enfrentar seu destino final com dignidade. Ele sempre soube que isso poderia acontecer algum dia, embora nunca realmente tenha acreditado que este momento chegaria.

Mas chegou. É o fim do Homem-Aranha.

Otto se vira para ligar o disparador radioativo, mas uma sombra verde salta nas costas do Dr.Octopus. É o Duende Verde que aplica diversos golpes no Doutor enquanto o afasta da máquina.

— Seu traidor desgraçado! Traidor! — A máscara derretida do Duende se mistura à pele queimada de Norman, mas ainda assim o sorriso macabro não se desfaz.

— Eu vou arrancar suas vísceras, Otto! Ninguém derrota o Duende! Nem a morte! Muito menos um reles choque! A fórmula do Duende é muito mais forte do que você imaginava! AHUAHUUAHUAHUAHAHUAH!

Os dois giram pelo galpão até que Otto o arranca com seus tentáculos e o joga contra uma parede.

— Admito que estou impressionado, Norman. Sua resistência e capacidade regenerativas alcançaram níveis invejáveis... mas você ainda está fraco e não será páreo para mim!

— Ah...o Doutor sempre tem razão! — O Duende se vira e aponta um de seus dedos para Otto, disparando um raio que atinge Octopus em cheio.— Permita-me discordar, caro colega!

Atordoado com o choque, Otto lança seus tentáculos contra um painel eletrônico — Então, você não me deixa opções — Otto destrói o maquinário, destravando as presilhas que prendiam o Homem-Aranha.

— Seu desgraçado!!! Você soltou Parker! Jogou tudo por água a baixo.

Peter imediatamente salta e pega seus lançadores de teia enquanto Otto e Norman lutam.

— Ok, pessoal! Hora dos dois pagarem por essa doideira! — Parker lança um fio de teia em direção à bolsa de truques do Duende e a arranca, puxando-a para si. — Sem bombas, Norman! Pelo menos pra você! — O Aranha coloca a mão na bolsa e ativa várias bombas, ele a gira e atira contra a máquina que o transformou no Aranha. No momento em que a bolsa atinge a máquina de radioatividade acontece uma grande explosão que destrói o equipamento e parte da parede do galpão, iniciando um incêndio. A força da explosão joga os três contra a parafernália científica do galpão-laboratório.

— Você está louco, Parker! Podia ter matado a todos nós! — Otto grita.

— Talvez eu tenha direito de estar fora de mim, Otto! Dois lunáticos ameaçaram minha família e tentaram me matar! Até o Dalai Lama teria vontade de esganá-los agora! — Parker se levanta e imediatamente salta na direção de Octopus, armando um chute. O pé do Homem-Aranha atinge em cheio a cara de Otto Octavius, fazendo o sangue voar pelo chão.

O Duende se levanta vagarosamente, os ferimentos do choque aliados à explosão o deixaram bastante atordoado.

— Parker...Eu nunca subestimei você, meu filho.

— Não me chama de filho, seu assassino! Não me chama de filho, jamais! — o Aranha caminha em direção a Norman.

— Eu só queria que você visse o que eu tenho para você. Minha neta... minha neta... o legado do Duende...coisa que meu outro filho...Harry...

— Harry está internado numa clínica psiquiátrica por conta do que você fez com ele, Norman! E May não é sua neta! Droga! Cala essa boca! — o aracnídeo acerta um soco na boca do estômago do Duende, o vilão se curva. Aderindo a palma de sua mão as costas do Duende, o Aranha o levanta.

— Escuta aqui, eu só vou falar mais uma vez. Nunca mais chegue perto da minha casa. Se você fizer isso de novo eu juro que dou tanta porrada nessa sua cabeça que você não vai mais conseguir lembrar o alfabeto, Norman!

— Tarde demais...ou você acha, meu filho, que MJ vai agüentar muito mais tempo? Você vai ficar sozinho!

Peter dá um soco na cara de Osborn.

— Cala a boca!

— Ahhh..— Norman cospe sangue por entre a borracha derretida da máscara — Você não achou que você ficaria impune ao meu castigo, achou?

O Homem-Aranha gira o Duende e o atira contra a parede.

— Você vai passar o resto da vida preso! Nem que eu te mande pra zona negativa!

Otto recobra os sentidos no exato momento no qual Peter atira o Duende contra a parede. Ele olha ao redor e vê o galpão em chamas. Seus tentáculos se alongam para ajudá-lo a se levantar.

Peter se vira e fita Octopus de pé.

— Então é assim que isso acaba, Parker. — Otto limpa o sangue em sua boca. — Norman, derrotado, quase morto, você irado, andando na corda-bomba, querendo esmagar nossas cabeças mas sendo impedido por uma moral que só se aplica aos inferiores, e, eu, Otto Octavius, saindo vencedor!

— Megalomania tem limites, Otto — O Homem-Aranha se arqueia em posição de ataque.

— Jamais! — Otto agarra um pedaço da parede em chamas com seus tentáculos e joga na direção dos dois — Até uma próxima vez, Parker! Mande lembranças à sua tia!

Reagindo por instinto, Peter agarra Norman e salta para longe. O pedaço de parede atinge o centro do laboratório com uma força descomunal, as chamas se misturam aos elementos químicos causando uma outra explosão e fazendo subir diversos vapores tóxicos. Com o Duende ainda em seu colo, o Aranha derruba um outro pedaço da parede e salta para fora do prédio, fugindo do ambiente inóspito, mas perdendo Otto de vista.

O Aranha olha para o Duende. O corpo machucado e queimado se contorce no chão.

— Mate-me! Vamos, Parker! Mate-me e transcenda! — ele ri.

— Não é possível... — Peter fecha os olhos.

— Mate-me! Mate-me! Seu fraco! Bastardo! Mate-me!

O Aranha olha fixamente para Norman.

Epílogo:

Mary Jane acorda numa cama de hospital. Tia May e Tia Anna estão ao lado dela. No colo de Peter, a pequena May parece abrir um sorriso. Felícia Hardy aparece por trás, tentando dar um sorriso reconfortante.

— Você está bem, lindona? — Peter pergunta, sorrindo.

— Acho que agora estou. — MJ responde, um pouco confusa.

— Foi horrível o que esse assaltante fez a você! Ainda bem que ele não fez nada com a pequena May. — a Tia May se arrepia em pensar num homem capaz de fazer tal crueldade.

— Sorte nossa. — MJ sorri.

"Por quanto tempo ainda vai durar essa sorte, Pete? Aquele lunático beijou nossa filha...nossa filha, gatão. Se ela não é mais importante do que sua promessa, o que nesse mundo poderá ser?" — Mary Jane pensa para si.

A Tia May olha para Peter, seu olhar não esconde a preocupação.

Felícia coloca a mão no ombro do amigo, como se estivesse dizendo "Conte comigo".

Peter se agacha e beija a testa de MJ.

— Acho que podemos ir para casa amanhã mesmo, os médicos só querem fazer mais alguns exames.

— Que bom. — Mary Jane fecha os olhos.

"De volta para casa e para uma conversa final sobre o nosso casamento, Pete. Eu não consigo mais ser a senhora Aranha. Não vou mais expor nossa filha. Chega!"

Longe dali:

As portas de titânio reforçado se fecham. Uma dezena de trancas automáticas se trava. Norman encara a cela acolchoada desapontado.

— Tsc, tsc, tsc! Eu apostava tanto em você, meu garoto. — A voz de um homem ecoa pela cela.

— Sr. Osborn, bem vindo ao asilo Arkham, gostaríamos de informá-lo que sua custódia aqui é temporária até o julgamento, e que o senhor ficará na cela em período integral, sem qualquer contato com outros detentos ou com a equipe de funcionários. Suas refeições e medicamentos serão oferecidos pontualmente de acordo com um calendário que lhe será divulgado logo mais. Alguma pergunta?

— Poderia dar um recado para uma pessoa? Diga ao Homem-Aranha que estou ansioso para tê-lo como companheiro de corredor, aqui em Arkham.

Norman sorri.




 
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