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Homem-Aranha # 44

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Consequências

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Instituto Xavier, cerca de um ano e meio atrás...

— Eu liguei há cerca de dois meses e marquei uma reunião com o Professor Charles Xavier.

— Sim, senhora, deixe-me apenas conferir na agenda. — respondeu uma gentil secretária.

— Oh, sim. Ele já a está aguardando, por favor, suba as escadas. É a segunda porta à esquerda.

— Grata. — a jovem mulher se dirigiu às escadas.

A imensidão e o ar clássico da mansão impressionavam. Num dia de sábado como aquele, a escola estava vazia e a imponência da construção chamava ainda mais a atenção. As paredes perfeitas, revestidas por madeira de lei. Os afrescos e vitrais vitorianos. As grandes pinturas, todas de homens que estavam à frente de seu tempo. Galileu e Da Vinci foram só alguns dos nomes que ela viu representados naquela ilustre galeria. Aquela escola facilmente poderia até mesmo passar uma sensação de opressão, ou de elitismo para alguns, mas não para ela. Ela sentia que aquele era um lugar seguro e sóbrio.

A porta a qual fora indicada estava em perfeita harmonia com a paisagem. A madeira pesada, bem trabalhada, escondia detalhes quase imperceptíveis, mas ainda assim impressionantes.

— A porta está aberta. — disse a voz plácida de um senhor, abafada pela solidez das paredes.

Ela entrou no cômodo e foi recebida com um sorriso doce.

— A senhora falou ao telefone que se tratava de um assunto muito delicado. Peço desculpas pela falta de espaço na agenda, mas minhas atividades na escola pedem minha total dedicação. — o professor Xavier explicou — Perdoe minha memória, mas qual é mesmo o nome da senhorita?

— É senhora, professor. Senhora Parker.

E ela sorriu de volta.

Agora.

Peter Parker observa Mary Jane. Seus olhares se encontram e ele é consumido pela profundidade da tristeza de sua mulher.

— Nem preciso de um sentido de aranha pra saber que tem coisa errada acontecendo com você, Mary. Desde que o Duende invadiu a casa e tudo mais, desde aquele incidente que você não olha mais pra mim direito. — Peter se aproxima da esposa.

— Já faz três semanas, Pete. Três semanas e eu não consigo tirar aquilo da cabeça. Nem por um segundo.

— E você acha que eu consigo?

— Mas você tem um sentido de aranha, Pete. E agilidade, e força e lançadores de teia! Você não precisou ficar olhando impotente enquanto aquele monstro ameaçava a nossa filha! Quer saber mais? Não vai ser a última vez que isso vai acontecer. Eu aposto com você que Norman nem vai esquentar a cama daquela cela em Arkham! — M.J. se agita.

— Eu... eu não sei o que dizer. — Peter fica desarmado, ele concorda com a esposa.

— Você acha que eu vou poder dormir sossegada nessa casa novamente?

— Mas eu estou aqui, M.J.

— Não, não está. Toda santa noite você salta pela janela! — ela se vira e aponta para a rua.

— Eu paro. Pronto. Eu só vou balançar por aí durante o dia. — Peter se coloca na frente de M.J.

— Até o Dr. Octopus aparecer novamente, né?

— M.J., pode parar!

— Parar? Parar?! — ela se espanta com a audácia de Peter.

— Eu sei muito bem o que você quer. Não precisa mais continuar. Você venceu. Eu vou deixar de ser o Homem-Aranha. Pronto.

— Ora, Peter, não seja ridículo! — M.J. se enfurece — Não é isso que eu quero, não mais, pelo menos... e mesmo que fosse o caso, não se atreva a fazer falsas promessas!

— Eu juro que paro. Eu paro de verdade dessa vez. M.J., confia em mim, você vai precisar da minha ajuda pra criar a pequenininha.

— Peter, não se trata de ajudar. Trata-se de não destruir a vida da menina!

— M.J., me escuta. As coisas são mais complicadas do que parecem.

— São, Pete? Pra mim é tudo muito simples: chegamos ao limite! As coisas eram diferentes antes... éramos só eu e você, mas com a May não dá pra ficar brincando!

— E quem é que está brincando aqui? Você acha que é engraçado eu colocar aquele uniforme e sair por aí? Você já se esqueceu a razão pela qual eu faço isso? — Peter desaba, uma lágrima nasce.

— Não, Pete. É justamente por isso que eu preciso ir. — M.J. desvia o olhar.

Peter a segura forte e a aperta contra seu corpo.

— Não. Você e a Mayzinha ficam.

— Peter, sinto muito, eu te amo demais, mas... não há nada que você possa me dizer que vai me fazer mudar de idéia. Eu tenho pensando nisso vinte e quatro horas por dia e eu vou fazer esse sacrifício pela segurança da nossa filha.

— Ela é uma mutante.

M.J. empurra Peter, que a solta. Peter alcança seus ombros, ela o rejeita.

— Você não tinha o direito de me esconder isso! — ela grita e se vira para Peter com os olhos avermelhados — Quem diabos você pensa que é?

— M.J., eu... eu... tentei te falar, eu juro!

— Quando? Quando?

— Várias vezes, mas...

— Quando você descobriu? Quando?

Peter abaixa a cabeça.

— Reed já tinha me falado e depois, a maternidade...

— Os mutantes. — M.J. conclui.

— Isso... um dos que estavam lá pode sentir o cheiro de mutantes e ele farejou a pequena May. Aí eu tive a confirmação. Está vendo porque você precisa da minha ajuda?

— Como é que é? Você tem a cara de pau de não me contar uma coisa dessas e agora vai querer se passar por pai responsável? Você está maluco? — M. J. chuta o sofá.

— Eu só quero ajudar você... eu só quis proteger vocês.

— Mentira! Você quis livrar a cara da responsabilidade! A culpa é sua, você sabe! Sua e do seu sangue radioativo! Isso só piorou as coisas, Pete.

— Piorou?

— Primeiro a pérola, depois o Duende, agora isso... quer dizer, você mentindo desse jeito pra mim!

— Mary Jane, por favor, as coisas vão ficar difíceis quando ela começar a manifestar os poderes e seria bom que eu estivesse com ela.

— Eu não preciso de você, Pete. Eu posso lidar com isso. E se eu não puder, mando ela pro Instituto do Xavier.

— Xavier?! Professor Xavier? — Peter não acredita — Para ela ser criada longe de mim e de você?

— Melhor do que ser mal orientada por um pai irresponsável e uma mãe despreparada. Afinal, não é isso que somos?

— Ora, M.J., sinceramente... você está começando a passar dos limites!

— Só porque eu não sei a tabela periódica de trás pra frente não quer dizer que eu seja burra, Peter. Eu já desconfiava que isso pudesse acontecer!

— O que você quer dizer? Você desconfiava que ela pudesse ser uma mutante?

— Claro, Peter! É só ver o caso dos Richards!

— Eu achei que isso nem estivesse passando pela sua cabeça, quer dizer... houve momentos em que conversamos sobre isso, mas nunca terminamos a conversa.

— Ora, Peter. Eu sou mãe! Eu pensei em tudo! Eu passei dias procurando sobre doenças relacionadas à radiação em fetos!

— Eu nem imaginava...

— Você nem estava por aqui, Peter, você estava...

— Já sei, balançando. — Peter a interrompe.

— É, Peter. Enquanto você estava balançando por aí eu fui até o professor Xavier.

— Você foi até ele? E o que você falou?

— Tudo. Que estávamos pensando em ter um filho.

— Você falou minha identidade pra ele?!

— Pelo amor de Deus, Peter, o homem é o maior telepata do mundo! Do que adiantaria eu ter inventando nomes falsos?

— OK. Continue. — Peter se convence.

— Ele me explicou que havia uma grande chance de concebermos um mutante e me garantiu uma vaga na escola, como um favor entre colegas, ou o que quer que vocês sejam entre vocês.

— Tudo isso bem debaixo do meu nariz.

— Fica difícil enxergar quando se está usando uma máscara, Pete.

— OK, mas você não vai realmente embora, vai?

— Sinto muito, Pete.

— Mas, Mary Jane, nós precisamos passar por essa juntos...

— Se ela continuar a morar com você pode ser que nem chegue à adolescência. — a voz sai seca, mas ela o olha com ternura, com dó.

Peter começa a chorar copiosamente.

— Já conversei com a Tia May, ela vai me ajudar a arrumar as coisas amanhã.

— Amanhã? Mas até a tia May concorda com você? — Peter tenta limpar as lágrimas.

— Sim, Pete. Ela concorda.

— Pra onde você vai?

— Pra longe, Peter. Pra bem longe do Homem-Aranha.




 
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