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Homem-Aranha # 45

Por Eduardo Regis, sobre um plot de Eduardo Regis e Conrad Pichler

Pedras no Caminho

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O Homem-Aranha se ajeita em um telhado enquanto observa os destroços do galpão no qual Octopus e Norman tentaram matá-lo há algumas semanas.

As paredes cheias de buracos, uma até quase que por inteira derrubada. O teto queimado, todo destruído. A fita amarela da polícia isola o local.

Entre os escombros ele avista a sombra da máquina experimental de radioatividade. Mesmo de longe ele percebe que ela está seriamente danificada. Sua esperança é abalada.

Sem desistir, o Homem-Aranha salta para próximo à máquina.

— Vamos lá, você é minha última chance de fazer tudo ficar bem.

O aracnídeo liga a lanterna em seu cinto e assim que joga o foco de luz na máquina sabe que será inútil. Os disparadores de radioatividade estão estourados e boa parte da estrutura foi danificada pelas explosões e pelo fogo.

Droga!

O herói esmurra o resto de uma parede, derrubando-a. Pedaços do teto desabam.

— É isso, aranha. Acabou.

O Homem-Aranha senta em meio aos escombros enquanto tenta por a cabeça em ordem.

Mary Jane coloca a última mala no táxi.

— Obrigada pela ajuda, May.

— Não há de quê, minha querida. — a simpática senhora enxuga as lágrimas. — É uma pena que você e a pequenininha tenham de ir embora.

— Ninguém está odiando isso mais do que eu, May, mas você sabe que não dá pra ficar.

— Cuide bem dessa criança e apareça de vez em quando.

— Eu vou tentar. — M.J. vira o rosto ao falar a última palavra, ela sabe que é mentira, sabe que se quiser deixar sua filha em segurança não deve voltar.

— Eu só espero que ele possa me perdoar.

— Ele fez grandes sacrifícios, M.J., mas não acho que ele esteja pronto para superar esse. Não espere a compreensão dele, não por agora.

— Cuide bem dele, May, por favor.

— Como sempre.

— Ele nem mesmo veio se despedir, né? — a voz de M.J. fraqueja.

A porta do táxi se fecha e o som do motor se une ao choro da pequena May enquanto mãe e filha se despedem do seu lar.

— Até breve, Mary.

May fecha a porta da casa quando é surpreendida pela voz de seu sobrinho.

— Então é isso. Ela foi embora com a minha filha.

Após se recompor do pequeno susto, Tia May se depara com Peter pendurado no teto, com o uniforme do Aranha, mas sem a máscara. Ele se desprende e cai em frente a ela.

— A situação dela é difícil, Peter. Ela está se sentindo impotente, está aterrorizada.

— Norman vai achá-la nos quintos dos infernos se ele quiser.

— Meu Deus, Peter, você acha que o Sr. Osborn ainda pode querer algo com ela e com a pequenininha? Não terá sido suficiente aquela confusão toda?

— Eu não ouso supor o que aquele maluco pensa, tia. Em todo o caso eu plantei um rastreador nas duas. Onde elas pararem, eu vou saber.

— Peter, você realmente acha que essa é a melhor maneira?

— Ela não me deixou escolha, Tia. Acorda um dia e decide que vai embora com a minha filha. Minha filha, tia. Ela não podia fazer isso.

May abraça carinhosamente o sobrinho.

— Meu amor, ela está fazendo o que pode para proteger a filha de vocês. Ela não sabe mais o que fazer.

— Mas eu poderia ter abandonado o Aranha, Tia. Eu poderia ter mudado. — Peter enxuga os olhos.

— Você não pode mudar quem você é, Peter, mas você pode se melhorar como pessoa. Você devia ter confiado mais em sua família. Devia ter contado a ela sobre o dia do hospital, assim como devia ter me contado desde cedo sobre... bem... isso. — May olha para a aranha no uniforme.

— Mas eu só estava tentando proteger vocês.

— E ela só está tentando proteger a pequeninha. Porém, nós, ao contrário da criança, não somos indefesas, meu querido. Talvez contra esses horríveis vilões mascarados contra quem você luta, sejamos, mas não somos contra a realidade.

— Se eu ficar nessa casa vazia vou enlouquecer. — Peter veste a máscara.

— Peter, fique em casa. Você precisa descansar. — Tia May acaricia o rosto do sobrinho por sob a máscara.

— Não se preocupe, Tia. Eu preciso mesmo é de, sei lá, colocar os parafusos no lugar.

Em algum ponto da cidade...

A polícia atira impotente contra o corpo de pedra do Gárgula Cinzento.

— Imbecis. Suas balas son inúteis!

O vilão caminha até um dos oficiais e agarra seu pescoço. O policial sente seu sangue congelar a medida que uma dor excruciante toma conta de seu corpo condenado. Como se fosse acometido por mil ataques de câimbra, ele grita. O horror está estampado em seus olhos enquanto ele é transformado em pedra.

Merde. — o Gárgula esbraveja quando vê mais e mais carros de polícia chegando. — Non se pode nem fazer um serrvicinho em paz nesta cidade.

Furioso, o bandido resolve avançar em carga contra as viaturas. O avanço do Gárgula, no entanto, é impedido por um pequeno fio de teia que se gruda às suas costas.

— O quê?! — o bandido é surpreendido.

— Se deu mal, babaca cinzento. Cruzou o caminho do cara errado essa noite. — com um forte puxão, o Homem-Aranha joga o Gárgula Cinzento contra um carro estacionado. A força é tanta que o vilão destrói o carro, e fica preso nas ferragens, rolando com o automóvel para o meio da pista.

Os policiais se jogam atrás das viaturas e procuram abrigo. Sua experiência nessas lutas é bastante vasta.

O vilão quebra as ferragens e se liberta, enquanto o Aranha se pendura em um prédio próximo.

— Seu idiota irritante. Vou transformar você em atrraçon turrística! — o vilão atira uma das rodas do carro contra o aracnídeo, que lança um fio de teia na roda e, girando-a, a rebate em direção ao Gárgula. O contra-ataque acerta o bandido em cheio.

— E o Demolidor me disse que seguir as viaturas estava fora de moda. Olha aí, encontrei o meu saco de pancada da noite!

— Você non sabe do que sou capaz! — o Gárgula grita enquanto corre em direção ao prédio. Com um salto rápido ele se adere à parede do prédio, tal qual o próprio aracnídeo.

A surpresa é tanta que o Gárgula quase consegue agarrar o pé do Homem-Aranha, que escapa com uma série de acrobacias.

Nonescapatôrria, Homem-Arranha! A cidade toda é uma arrma! — o vilão arranca um bloco de concreto e o atira no aracnídeo, acertando em cheio o peito do herói. O Homem-Aranha cai atordoado.

O Gárgula Cinzento arranca outro pedaço e mira cuidadosamente na cabeça do Aranha, mas os reflexos sobre-humanos do herói o salvam no último instante.

— Você pode até ser capaz de subir pelas paredes, cinzento, mas ainda tem que comer muito croissant pra me peitar. — o Aranha puxa o ar com dificuldade, teme que possa ter quebrado uma costela.

O Gárgula salta para próximo do aracnídeo, investindo uma série de socos imprecisos.

— Estou ouvindo um chiado engrraçado vindo de você, Arranha. Serrá que acertei muito forrte?

— Não, esse sou eu tentando imitar seu sotaque irritante! — o Homem-Aranha se desvia constantemente das investidas do vilão. A costela, de fato, incomoda. Dói muito fazer movimentos com o braço esquerdo.

— Vou abrrir seu peito e trransformar seu corraçón em pedrra! — o Gárgula Cinzento tenta acertar um chute, mas o herói desvia e o desequilibra com um rápido contra-ataque, levando-o ao chão.

— Chegou atrasado, Napoleão. — o Aranha reveste seu punho direito com teia.

O Gárgula se levanta, ainda abalado e surpreso com a rápida investida do aracnídeo. Mal ele fica de pé, porém, e sofre diversas investidas do Homem-Aranha.

Reagindo rapidamente, o Gárgula usa as mãos para bloquear um dos socos do Aranha, transformando a bola de teia em pedra.

— Obrigado, seu burro. Era isso mesmo o que eu queria. — Sem se conter, o aracnídeo acerta a bola de pedra em cheio na cara do Gárgula. O resultado não pode ser outro, o vilão é lançado para o outro lado da rua inconsciente enquanto a bola de pedra se desfaz em pequenos pedaços.

O Aranha salta para cima do Gárgula esperando ele se levantar.

— Vamos, levanta! Levanta que tem mais! Levanta!

Mas o vilão parece não reagir aos pedidos do aracnídeo e continua desmaiado.

Argh! É isso mesmo! Continua no chão, seu monte de lixo! Nem pra isso você serve! Nem pra servir de saco de pancada!

Um grito vindo do cerco policial desperta o Homem-Aranha de seu ataque.

Homem-Aranha, você está preso! Não resista!

O Aranha salta e desaparece por entre o emaranhado de prédios.




 
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