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Justiça Jovem # 05

Por Josa Jr.

Na edição anterior: A Justiça Jovem se impressiona com a arqueira Flechete, mas decide que a novata Menina-Hulk será membro da equipe. Porém, na primeira reunião, a jovem esmeralda traz alguns penetras: uma equipe que decide atacar a JJ, chamada Vingança Juvenil (argh!).

Avante, Vingança!

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Mais uma tranqüila noite na cidade mais antiquada do país.
Fawcett City pode não ser tão movimentada quanto os grandes centros do EUA, mas tem seus encantos. Um deles é Mary Broomfield, uma bela jovem que janta com sua família esta noite. Seus pais adotivos são pessoas maravilhosas, mas neste momento ela preferia estar em outro lugar.

Mary é uma heroína um tanto incomum. Ao falar a palavra mágica Shazam, ela se transforma na heroína Mary Marvel, assim como seu irmão Billy se transforma no Capitão Marvel. Nesse momento, Mary preferia estar com a Justiça Jovem, pois está perdendo a reunião em que eles conhecerão melhor a nova componente do grupo: a Menina-Hulk.

Ela só pode se dar ao luxo de imaginar a diversão que seus colegas de equipe estão tendo nesse momento...

— Merdadrogadesgraçaporcariabandodefilhoda...

— Nem tente fugir, corredor. Ou eu enfio essa flecha... você sabe onde. — O jovem com um arco nem se mexe. Impulso prefere não correr e pára atrás de Robin, provavelmente o único que consegue ficar calmo nessa situação. O Menino-Prodígio faz um sinal para Superboy e Garota-Maravilha não atacarem também e começa a falar.

— Olha, eu sei que somos grupos novos. Digo, ao menos a Justiça Jovem é. E sei que é uma tradição nos digladiarmos numa batalha sem sentido por causa de um mal-entendido qualquer. Mas será que podíamos ao menos saber qual é o mal-entendido?

Bucky, mais conhecido como o parceiro do Capitão América, dá uma passo a frente e dispara:

— Não se façam de inocentes! Todos nós sabemos da farsa da Justiça Jovem e vamos acabar com ela! Somos a Vingança Juvenil, uma divisão criada secretamente pelos Vingadores há alguns anos e agora viemos a público. Eu sou Bucky, líder da equipe!

— E os outros, são...? — Cassie não se contém de curiosidade, mesmo temendo o que irá ouvir.

Bucky aponta para o rapaz loiro com um uniforme que lembra vagamente as vestes do Deus do Trovão e o apresenta.

— Este é o filhinho de Odin, o Pequeno Thor.

— Hã... dois filhos com o mesmo nome? Ridículo. — Superboy finalmente consegue uma brecha para lançar um escárnio, algo que esperava há algum tempo. Bucky não dá atenção e volta seus olhos para o garoto de armadura dourada, que está atrás dele.

— Este é o invencível Menino de Ferro. O jovem com arco e flecha é o Pássaro Arqueiro. A Menina-Hulk vocês já conhecem e...

— Ei, esse grupo dá mais gata que o nosso, por quê?

— Calaboca, Superboy... — Cassie se sente cada vez pior na presença de seu colega de aço, mas tenta esquecer isso e volta a prestar atenção no líder da Vingança Juvenil. Só resta a perua de vestido justo vermelho.

— Por último, a Aprendiz Escarlate, nossa força mística.

— OK. Mas você não respondeu a minha pergunta.

— Nem iremos responder! Ataque, Vingança!!

Como um bando de cães raivosos, as versões mirins dos Vingadores investem contra os membros da Justiça Jovem. Bucky desfere um golpe surpresa em Robin e consegue alguma vantagem sobre o parceiro de Batman. Superboy e o Pequeno Thor se enfrentam voando. A Garota-Maravilha combate ao mesmo tempo a Menina-Hulk e a Aprendiz Escarlate. Impulso tenta enfrentar uma armadilha sônica do Menino de Ferro.

Nas sombras, o Pássaro Arqueiro tenta não chamar a atenção e corre para baixo da mesa de reuniões da JJ. Debaixo da cadeira que pertenceu a Hal Jordan, ele observa cada computador silenciosamente, como se esperasse algo. A batalha deixa a apertada Caverna da Justiça e vai para campo aberto. Já recuperado do traiçoeiro soco de Bucky, Robin inicia uma reação.

— Você pode ser forte e traiçoeiro, mas eu também fui treinado por um dos melhores. — Com um poderoso soco no rosto de Bucky, a batalha rapidamente chega ao final. Robin olha a seu redor e vê que Superboy está tendo problemas com Thor nos céus, enquanto Impulso ainda está caído sob efeito das armas do Menino de Ferro. Cassie enfrenta duas oponentes, mas parece estar se saindo bem. — Cadê o Pássaro Arqueiro?

O menino-prodígio corre para a Caverna. Apaga as luzes para ter alguma vantagem e liga as lentes infravermelhas. A princípio não vê nada além do normal. Silenciosamente ele se aproxima do computador de comunicação com a LJA e percebe que alguém tentou acessá-lo. Entretido com o ataque à maquina, Tim Drake não nota o arqueiro mirando uma flecha em sua direção.

Enquanto isso, no Tio Pança Fawcett City

— Deveríamos ter vindo para um restaurante sem televisão, Mary não tira os olhos dela.

— Concordo, querido.

— Mãe, preciso ir.

— O quê? Mocinha, que falta de respeito é esta com a gente?

— Mary precisa cobrir uma notícia para mim, mãe.

— O que você disse, Billy? Quer dizer que Mary também está na rádio?

— Er... como estagiária, e você sabe como é a vida deles. Têm que passar por escravos para os funcionários, mas eu prometo que é só hoje!

O casal Broomfield olha para seus dois filhos adotados* e não parecem muito satisfeitos. Mary tenta quebrar o silêncio e sair logo para ajudar seus amigos.

— Posso...?

— Dessa vez, nós deixaremos, mas é a última, filha.

— Eu prometo, pai. Obrigado! Tchau, Billy.

— Tchau, Mary...

Correndo para longe da lanchonete, Mary agradece por ter finalmente encontrado parte de seus pais verdadeiros em Billy Batson. Ela sorri e diz a palavra mágica. O trovão ressoa e nos céus surge a parceira do Mortal Mais Poderoso da Terra, Mary Marvel.

Garota-Maravilha sente mais uma vez o chão desabar sob seus pés. Toda vez que ela tenta desferir um golpe na maldita Menina-Hulk, os encantos da Aprendiz Escarlate a atrapalham. Cassie tenta se lembrar das habilidades que tem a mais contra elas. Por exemplo, a habilidade de vôo, que pretende usar agora. Longe do solo, não haverá problemas... aparentemente, a Escarlate só aprendeu o truque do chão com a Feiticeira. Ou então, é a única coisa que consegue simular.

A versão jovem da Mulher-Hulk tenta lançar algumas pedras em Cassandra, mas ela se desvia de todas. Uma idéia surge e Cassie retira seu tênis. Com toda a força dada a ela pelo próprio rei dos deuses gregos, o calçado se torna quase um martelo atingindo a cabeça da Aprendiz e derrubando-a. Agora só resta a Menina-Hulk que, como nossa pequena maravilhosa percebeu, não é tão forte quanto parece. Alguns golpes bastarão, ela supõe.

Enquanto isto, nos céus, a batalha entre Superboy e Pequeno Thor continua. O jovem deus do Trovão conclama alguns raios, mas Superboy pouco é afetado.

"Estranho, eu sou vulnerável à magia, mas estou sentindo apenas pequenas descargas elétricas", pensa o garoto de aço. "Provavelmente esse cara não tem nada a ver com o verdadeiro Thor e eu não preciso mais temer qualquer ataque místico dele "

— Tu sofrerás a ira do filhinho de Odin, mortal. Renda-se, maldito!

— Ah, cala a boca, babaca do trovão. Agora eu vou te mostrar o que minha telecinésia táctil pode fazer contra sua marretinha biô... — Antes que possa pensar em outra resposta, Thor desmaia. Segurando seu corpo inerte surge Mary Marvel, visivelmente satisfeita pela rápida vitória sobre o oponente de Superboy.

— Vi a notícia do confronto pela TV e vim o mais rápido que pude. Mas que demora para vencer alguém tão ridículo, SB!

— Bah. Eu não sabia que ele era um cara normal...

— Ajude Cassie. Eu vou dar uma força pro Bart.

— OK!

A batalha entre Garota-Maravilha e Menina-Hulk demora mais do que as duas gostariam. Devido a um chute rasteiro, nossa heroína se encontra no chão e a jovem esmeralda salta sobre ela, tentando dar o derradeiro golpe. Cassie nota que alguém se aproxima em alta velocidade, vindo dos céus.

— Uhuu! Agora eu vou pegar essa gostosona!

— Tsc. Ah é? Vai pegar, é? Vai pegar essa galinha verde? Então... toma! — O surpreendente e violento soco da parceira da princesa Diana faz o corpo desacordado da Menina-Hulk voar aos céus, atingindo em cheio o Garoto de Aço. — Seu babaca!

Longe dali, Mary Marvel também sofre com os efeitos do raio sônico do Menino de Ferro. A garota se culpa por ter sido tão arrogante e se sente pior quando vê seus dois amigos, Superboy e Garota-Maravilha, se aproximando sem pensar. E caindo no chão, sob os efeitos do mesmo raio.

Enquanto estes eventos acontecem do lado de fora, dentro da caverna um arqueiro se prepara para acertar seu alvo. O Pássaro silenciosamente solta as penas de sua flecha e ela voa em alta velocidade, prestes a atingir, certeira e dolorosamente, o Menino-Prodígio.

A trajetória seria perfeita se algo não desviasse a flecha de seu caminho. Ironicamente, outra flecha. Robin ouve o barulho e vê as duas pontas no chão. De repente, as luzes se acendem e Tim está praticamente cego. Seu algoz, que também utilizava visão infravermelha, é outro afetado pela súbita claridade. Eles só podem ouvir uma voz feminina tripudiando.

— Há! Quando o assunto é arqueiros, a Justiça sempre ganha da Vingança! Se você não fosse tão previsível tentando acertá-lo, talvez eu não tivesse descoberto a rota da flecha!

A jovem loira salta sobre o Pássaro Arqueiro, fazendo-o desmaiar com o impacto. Em seguida, Flechete corre em direção a Robin e o ajuda com a cegueira temporária.

— Hã? Quem é você?

— Flechete. Fui reprovada por vocês, mas resolvi aparecer aqui pra tentar outra chance... porque minha mãe me obrigou.

— Vamos para fora, precisamos ajudar os outros.

A visão de Robin gradativamente retorna enquanto sai da Caverna e ele pode ver que só resta o Menino de Ferro em pé contra os quatro restantes da JJ no chão. Tim Drake nota que a causa é algum tipo de raio que sai da mão do inimigo e faz um sinal para Flechete.

— Você consegue?

— Claro. — A arqueira dispara duas flechas em menos de dez segundos, cada uma delas em uma mão do jovem de armadura. O rapaz perde a arma sônica e é derrubado por Impulso.

— Perfeito, Arquete.

— É Flechete...

— Vamos amarrá-los e investigar de onde eles vieram.

— Não será necessário... eu já descobri.

— Poxa... como é que não te escolheram?

— O de sempre. A Menina-Hulk era mais gostosa e sabia puxar o saco melhor.

Modok apressadamente se prepara para deixar aquele local que lhe servira de laboratório por alguns dias, mas que agora não passava de uma lembrança do fracasso.

Antes que pudesse colocar seus pés fora da casa, porém, seu barraco é completamente destruído por grandes objetos lançados contra ele. Quando a última parede cai, Modok vê que os "objetos" são os corpos de sua equipe: a Vingança Juvenil... e quem os jogou foram os seis membros da Justiça Jovem, que agora o encaram de forma cruel. Robin toma a frente e fala.

— Péssimo lugar para se esconder: um barraco do lado da Caverna. Ainda bem que Flechete estranhou a Menina-Hulk morar aqui.

— E-eu não acredito que me a-acharam! Ontem dois d-dos seus amigos vieram aqui e n-não me descobriram!

Mary, Cassie e Flechete voltam seus olhos para Superboy e Impulso que, envergonhados, apenas abaixam suas cabeças. Robin se lamenta deste erro banal, mas prossegue com suas questões.

— Antes de ser surrado, será que você poderia nos explicar qual era o plano?

— V-vocês... são uma idéia incrível... jovens a-aliados da Liga! Criei m-minhas versões dos Vingadores para enfrentá-los. Depois e-eles fariam amizade com vocês... com os outros heróis — isso sempre acontece! E-então eles se infiltrariam na M-mansão. Os poderes não eram v-verdadeiros, mas simulavam bem.

— Isso não explica porque o Pássaro acessava o computador de comunicações com a Liga.

— Do que está falando, sua loira? Eu não mandei eles fazerem isso. Pássaro?

O arqueiro abaixa sua cabeça enquanto retira a máscara e explica tudo.

— Eu sabia... de certa forma... que estava fazendo... algo errado. Acho que é... típico de nós... — Ele volta os olhos chorosos para Flechete. — ... arqueiros, sermos rebeldes.

— Seu idiota! Comprometeu todos os planos! — Furioso, Modok aperta um dos botões de sua cabeça gigante e os jovens vingadores, que até agora pareciam pessoas normais, começam a se dissolver. Só resta à Justiça Jovem gritar e tentar salvá-los.

— Nãããâooooooo! Seu anormal! — A Garota-Maravilha ainda esmurra o cientista louco, tentando castigá-lo pela morte dos seres artificiais, mas não adianta nada. Cada membro da JJ tenta carregar algum ex-inimigo, porém é tarde.

Flechete se aproxima do Pássaro Arqueiro, que aos poucos desaparece a sua frente. Ela toca seu rosto, já em decomposição.

— Você devia ter nos contado...

— E-eu... fui tolo em não... hmmg... contar aos outros. T-tenho inveja de... vocês... admiro muito... voc...* — A jovem apenas retira o arco e a aljava do recém-falecido e os põe em suas costas. Ela não esquecerá o dia de hoje.

De certa forma, eles eram mais próximos que imaginavam.

Epílogo. Algumas horas depois

Uma conferência mental entre alguns membros da Liga da Justiça decide o futuro da Justiça Jovem. A projeção mental de Batman, negra como sua capa, se manifesta ameaçadoramente sobre os outros colegas.

<<E isto foi o que Robin me contou. Por isso fiz esta proposta. O que acha, Clark?>>

<<Eu apóio. Confio muito no julgamento de Robin, mas é bom um adulto no meio deles. O que pensa, J'onn? Diana? Arthur?>>

<<Contatei mentalmente a todos. Todos nós apoiamos a idéia, Super-Homem.>>

<<Obrigado, J'onn. E então, Batman?>>

<<Perfeito. Cuidarei de espalhar no meio heróico que a Justiça Jovem procura um mentor. Adeus.>>

<<Reunião encerrada, meus amigos.>>

A seguir: Vocês achavam que eu não ia conseguir prendê-los por mais uma edição? Em Justiça Jovem 6: Quem é(são) o(a)(s) mentor(a)(s) da Justiça Jovem!!!! E... um romance?

:: Notas do Autor

* Billy Batson foi adotado pelos Broomfields em edições não publicadas por aqui. Maldita Abril...



 
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