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Justiça Jovem # 19

Por Josa Jr.

No dia 2 de dezembro de 2001, o jornalista, crítico de TV e atual presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, escreveu para o jornal Folha de São Paulo o seguinte texto:

"Antes, o desafio era solicitar às câmeras que respeitassem a privacidade alheia. Hoje, o desafio é tirar da frente das câmeras o lixão das intimidades oferecidas (...)"

O Sr. Bucci deveria agradecer por não viver no mundo de Mojo...

O Olho do Observador
Parte I

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— Agora há pouco, para animar o programa, acabamos de apresentar um clipe com closes na estranha parte do corpo do Capitão Marvel Júnior. Aquela que se avoluma toda vez que ele beija a Garota-Maravilha. (*)

— Putz. — Superboy olha para Impulso com uma feição que mistura alívio e desespero — Ainda bem que não viemos com namorada para cá!

— Silêncio, Superboiola. — diz o apresentador-imperador Mojo, tornando-se novamente o centro das atenções — Poderia explicar o que acontece com você, Júnior?

— Bem... tem uma coisa... er...chamada... ereç... digo... na adolescência... hã...

Se existisse um "embaraçômetro", um aparelho destinado a medir o nível de constrangimento presente em um determinado ambiente, com certeza, depois de acusar valores acima de qualquer escala pré-definida e emitir um ensurdecedor chiado agudo (típico de tais medidores fictícios), este pequeno sensor teria explodido. E isso aconteceria mesmo que o embaraçômetro estivesse a 50 quilômetros de distância da casa em que os membros da Justiça Jovem se encontram confinados.

— Superboiola é a mãe, seu balofo! — para a sorte de Júnior, Kon-El interrompe a tentativa frustrada de explicar o fenômeno da excitação sexual nos seres humanos — Quando a gente se libertar daqui, você...

— Obrigado, produção. — Mojo sorri para os jovens heróis, que o assistem pela única televisão instalada na casa — Com o microfone do Supergay desligado, eu posso anunciar um constrangedor filme, que apresenta cenas estranhas entre nossos queridos Kon-El e Bart Allen. Vamos assistir? (**)

— De que cenas você está... — demonstrando não ser a pessoa mais rápida do mundo no quesito "entender sutilezas", Impulso só percebe a que vídeo Mojo se refere quando, no televisor, surgem as imagens de um filme pornô gay. Aquele que ele e Superboy foram forçados a fazer, pouco antes da Justiça Jovem ser formada — Oh, não! Por favor, não!!

De novo, não! — Mary Marvel tapa os olhos, angustiada — Eu assisti essa porcaria ao vivo!

— Eu também! — Robin grita da cozinha, onde se esconde da terrível cena de beijo, repetida continuamente no clipe editado no MojoPremière (TM) — O horror... O horror...

Para piorar, o menino-prodígio não pára de pensar na explicação que dará ao seu pai quando retornar à Terra. Pelas regras explicadas por Mojo ontem — quando toda a Justiça Jovem foi teleportada para o mundo extradimensional no qual o obeso alienígena é o senhor — a equipe passará algumas semanas confinada em uma casa, que é monitorada por câmeras o dia inteiro. A cada semana, um membro da equipe será eliminado e, no final, o remanescente ganhará do apresentador um prêmio qualquer a sua escolha. Aparentemente, as regras são as mesmas de um reality show padrão de nosso mundo, mas Robin teme que possa haver algo por trás de tudo isso.

Seria apenas uma tentativa de Mojo para aumentar sua audiência e, por conseqüência, seu poder sobre a dimensão que governa, ou algum tipo de isca para atrair os heróis da Liga da Justiça até uma armadilha? Quem sabe, apenas uma forma lenta, sádica e gradual de matar cada herói da Justiça Jovem, concedendo ao vencedor um prêmio — continuar vivo?

Porém, tantas possibilidades aterradoras e cruéis são muito pouco, se comparadas à tensão que Tim Drake sente por estar "morando" com sua namorada, Salteadora, e a garota que ultimamente tem lhe chamado muito a atenção, Flechete.

— Quer dizer que o Superboy gosta de dar em cima da gente, mas na hora do "vamos ver"... — Cissie comenta, sorrindo, ao ver os protagonistas da tórrida cena incrivelmente envergonhados.

— Bem que eu desconfiei que ele tava dando em cima do meu namorado. — Salteadora complementa a chacota. Steph Brown abraça Robin, que sorri disfarçadamente — Né, "mô"?

— Eu não agüento mais isso! Vou sair daqui agora! — Superboy coloca-se de pé e, no instante seguinte, perfura o teto da casa, voando a toda velocidade que seus poderes permitem.

— Super, não! — Cassie voa atrás do garoto de aço, preocupada com o colega — Você sabe que se... não!

A Garota-Maravilha vê o jovem herói se chocar contra o céu. Na verdade, trata-se apenas de uma projeção holográfica que esconde uma cerca eletrificada, previamente preparada para impedir que qualquer morador da casa a deixe sem seguir as regras, e exaustivamente testada pelos membros voadores da Justiça Jovem no dia anterior, até que todos chegaram à conclusão de que valia mais a pena participar do jogo que virar churrasco bem-passado.

— Kon, seu grande idiota... — Cassandra observa com desaprovação o amigo, desacordado pela descarga elétrica e carregado em seus braços, enquanto desce lentamente de volta à sala da casa — Por que eu ainda me preocupo com você?

— Também queria saber. — Capitão Marvel Júnior, com rosto pouco simpático, posiciona as mãos atrás das costas — Temos quatro voadores na casa e porque logo você se desespera para salvá-lo, Cassie?

— Ora... — a Garota-Maravilha, diante da desrespeitosa e insinuante pergunta de seu namorado, responde secamente — Para começo de conversa, se o Superboy saiu da casa, só havia três voadores!

— Não é disso que eu estou falando.

Antes que uma briga possa criar conseqüências desastrosas para o relacionamento dos dois, a voz de Mojo na TV indica que novas instruções serão passadas para os jogadores.

— Estamos de volta com O Olho do Observador! Onde estão nossos prisioneiros?

Os oito heróis se reúnem na sala novamente e, cheios de raiva pela situação em que se encontram, escutam o apresentador.

— Como eu já havia explicado, em cada semana nós teremos um líder, que indicará uma pessoa para a execução ou, como dizem no mundo de vocês, "paredão". Esse líder será escolhido numa prova especial e ele terá imunidade contra a execução. Ou seja, ele fica mais uma semana na casa e tem mais chances de ganhar o prêmio de seu agrado.

— Afinal, como será essa prova? — Flechete pergunta.

— Nesta semana, será considerado líder aquele que vencer um vilão especialmente convidado para o OOO.

— E quem é ele? — Cissie persiste, impaciente.

— Por que não vão até o quintal para saber? — Mojo sorri com sarcasmo — A prova já começou!

Os oito jovens correm até o jardim que circunda a casa e vêem um estranho vestido com um ridículo uniforme branco, adornado com bolas pretas. Pelos arquivos estudados no computador principal da Batcaverna, Robin sabe que se trata de um bandido de periculosidade nível três: o supervilão conhecido como Mancha. Considerando-se que, segundo os mesmos arquivos, criminosos como Doutor Destino e Coringa possuem nível 20...

— Saco... — o menino-prodígio resmunga, já prevendo uma confusão.

— Quem será o nosso próximo líder? E quem vai para a execução? Não percam nosso próximo OOO com as respostas! — Mojo grita para as câmeras com a empolgação de um político num comício — Vocês só saberão no nosso próximo programa. Fiquem agora com nossa próxima atração!


A seguir: Bem, acho que Mojo já deixou bem claro o que vem a seguir...


:: Notas do Autor

(*) Apesar de a Panini ter utilizado a clássica tradução Moça-Maravilha para Wonder Girl, os autores responsáveis por Cassandra Sandsmark no Hyperfan (JB e Josa) decidiram manter a tradução adotada desde que o site foi lançado, Garota-Maravilha, por acreditarem ser bem melhor! Se você também não gostou da mudança, envie um e-mail para dc@panini.com.br com a reclamação. voltar ao texto

(**) Isso aconteceu lááááá em Justiça Jovem #01 (quanto tempo, hein?) voltar ao texto



 
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