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Lanterna Verde # 02

Por Josa Jr.

O Maior dos Lanternas Verdes

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— Hã... Hal? Você está vivo!

Mal posso acreditar no que vejo. Depois de todo esse tempo, depois do funeral, de todos os discursos, descubro que Hal Jordan não morreu no Sol. Eu deveria até me surpreender um pouco mais com isso, mas não seria a primeira vez que Jordan apronta uma dessas. E claro, como sempre acontece, vai haver uma "sessão explicação" e eu até quero ver "toda a verdade revelada", mas no momento tenho outras preocupações.

O monumento construído no meio do Oceano Pacífico em homenagem aos mortos de Coast City possui uma chama verde que não deveria se apagar jamais. A pira foi acesa por Alan Scott, o Lanterna Verde da década de 40. Em poucos segundos, ela já havia sumido, graças ao Parasita.

— Sim, sou eu, Kyle. Me explique esta situaç... Cuidado!

Por pequeno momento de descuido, meus olhos ficam pregados em Hal, como se estivessem tentando decifrar a estranha sensação de dèja vu que me abateu. Quando volto a prestar atenção no monumento, resta muito pouco para que uma mão gigante me atinja. Instintivamente, gero um punho esmeralda que segura a criação do Parasita.

Minha única vantagem é que o Parasita aprendeu a usar esses poderes há menos de uma hora, então minha pequena experiência consegue ser alguma coisa se comparada à inexperiência dele. Hal Jordan apenas observa, calado e impassível. Em nada lembra o herói destemido de tempos atrás, ou o louco que tentou reconstruir o Universo. É como se não quisesse mais se envolver nesse tipo de batalha. Não que estivesse com medo, mas como se estivesse cansado de tudo isso.

Quando volto a prestar atenção na batalha, noto que a mão gerada pelo Parasita parece estar mais forte que a minha criação, o que é muito estranho. Não sabia que o poder de absorção dele tinha um alcance tão grande. Daqui posso vê-lo, ainda no monumento. E a construção deve estar a uns vinte, trinta quilômetros da costa. A não ser que...

— Anel, localize o Parasita.

((Indivíduo-Parasita localizado a menos de 3 metros.))

O anel me dá essa estranha informação, mas eu não vejo o Parasita em lugar nenhum. Provavelmente está invisível. Será que ele já aprendeu a fazer isso? Se estiver realmente invisível, é óbvio que não me atacou de surpresa porque está sugando a minha energia. E o "Parasita" naquela ilha é apenas uma criação dele. Caramba, como um bandido tão mequetrefe consegue ser tão esperto?

Preciso contra-atacar da forma mais óbvia quando se trata de pessoas invisíveis — Peço para o anel jogar um balde de tinta verde nos arredores. O comando é executado e parte do Parasita aparece na minha frente. Furioso, ele se lança contra mim.

— Agora, vamos ver quem é o Lanterna mais poderoso, herói!

— Vamos sim! Segura essa, babaca!

((Aviso: Energia Insuficiente. Anel Descarregado.))

Droga! Ele conseguiu roubar toda a energia do meu anel! Com ele vindo na minha direção, só me resta correr! Hal continua parado, como se não soubesse o que fazer.

— Hal, cuidado! O poder dele pode nos matar!

— ...

Corro na direção de Jordan e puxo seu casaco, para que ele fuja do Parasita. Finalmente, ele tem uma reação — corre comigo por entre as árvores do jardim criado em seu funeral, fazendo um sinal para que eu o siga. Como ele deve conhecer melhor esse ambiente, eu o obedeço. Paramos atrás de uma grande árvore e ele esboça seu plano.

— Você ainda está de uniforme. Significa que talvez haja uma parcela de energia útil com você.

— Mas aí eu vou ficar sem o uniforme.

— Melhor que ficar sem vida, não?

Concentro-me novamente no anel. Rapidamente, ele absorve a energia do meu uniforme e da minha máscara. O Parasita salta sobre nós, como uma tocha verde. Sem nada pra pensar nesse momento de desespero, só disparo uma rajada de energia que o afasta temporariamente.

((Anel Descarregado.))

— O anel descarregou novamente.

— Hmpft. Bons tempos em que a energia durava 24 horas... E que os Lanternas não usavam só um short por baixo do uniforme.

— Muito engraçado. Mas e agora? Você ainda pode manipular a energia esmeralda?

Ele fica em silêncio por alguns segundos.

— Talvez.

— Então, tente.

— Eu estava tentando me afastar dessa vida... talvez a Liga possa cuidar disso.

— A Liga nada! A gente pode morrer, cara! Você... você não se importa mais com isso, né?

— Foram tantas mortes, por minha culpa...

— Hal, por favor. Olha, eu sei que você é um bom homem. Você sempre foi o melhor de nós, cara! Já pensou o que esse louco pode fazer com todo esse poder nas mãos. Já pensou que você pode estar deixando a solta outro... Parallax?

— O Parasita não é tão perigoso assim, Kyle. Não dramatize a situação! Eu acho que...

— Não, eu não estou dramatizando. Ele está aprendendo a manipular a energia muito bem, talvez mais rápido que eu aprendi! Olha, eu posso ser meio inseguro, talvez inexperiente, mas... sei lá... Acho que nada disso é pior que ser indiferente. Ah, esquece! Você sempre faz o que quer, né?

— ...indiferente?

Pelo brilho vindo do meio das árvores, percebo que o Parasita está se aproximando novamente. Pego um galho caído no chão e me preparo pra usar aquilo como arma. Talvez ele esteja vulnerável a madeira, como o Alan Scott era.

— Achei vocês dois! Agora não tem mais jeito, babacas!

Minha pretensa arma vira lenha queimada em seguida. A situação é desesperadora. Os olhos do Parasita brilham, indicando que nosso fim virá em pouquíssimo tempo.

— Argh...

— Hal?

Me assusta vê-lo ajoelhado, como se passasse mal. E ele está suando como nunca. Os olhos e punhos fechados indicam que está se concentrando para fazer alguma coisa. De repente, o Parasita também se surpreende. Começa a olhar de um lado para outro, sem entender o que está acontecendo. A chama verde que o recobria parece ter saído de seu controle. O fogo ganhou vida e se move na direção de Jordan.

— Seguidor do mal...

— O que está fazendo, velhote? Esse poder é meu! MEU! Eu tenho direito sobre ele!

— ...tudo perde!

— Minha energia verde! Ela está sumindo!

Não tenho palavras para descrever o que vejo. Esse cara... ele não foi chamado de "maior Lanterna Verde" à toa! Seu corpo brilha com o poder esmeralda que pulsa dentro dele. Sem esboçar qualquer movimento, ele cria uma luva de boxe e, com um soco, lança o Parasita ao mar. É o fim da batalha.

Mas Hal Jordan está de volta.

((Anel Carregado.))

— O quê?

— Estou devolvendo os seus poderes. Estou reacendendo a chama do monumento. Não quero mais carregar esse poder em meu corpo. Não mais.

— Desculpe ter te forçado a isso.

— Fizemos o que foi necessário.

— O que você fez... foi fantástico! Eu não sei se poderia...

— Claro que pode. Você pode fazer qualquer coisa com um pouco de força de vontade e um anel verde. Agora, se já começa dizendo "eu não posso", você nunca fará.

— Bem que você poderia me ajudar a usar melhor o meu poder, Hal.

— Não.

— Bem... então, terei de pedir ajuda a você todas as vezes que estiver em encrenca. E é injusto que eu nunca tenha treinado com ninguém, enquanto você treinou com aquele grandalhão.

— Kilowog...

— Isso.

— Tudo bem. Eu lhe ajudarei. Não que eu ache necessário, mas porque acredito que a memória dos Lanternas deve ser preservada.

— Legal! Você me ensina a fazer o juramento?

— Só se o senhor usar luvas de boxe de vez em quando, ao invés de personagens de desenho animado.

— Hã... OK, OK, mestre.

Ele está de volta. Talvez a gente não tenha que se preocupar com Hal dessa vez.

Talvez.

Enquanto isso, na Torre de Vigilância...

— Bom dia, pessoal. Vim o mais rápido que pude.

— Olá, Super-Homem. J'onn?

— Batman nos chamou porque foram detectadas estranhas flutuações de energia nas proximidades da antiga Coast City.

— Fui informado pela doutora Faulkner, dos laboratórios STAR. Não poderia ser apenas Kyle?

— Eu duvido.

— Esperem um pouco. Arthur estava nas proximidades e me contatou mentalmente. Haviam duas pessoas manipulando a energia esmeralda. São os padrões mentais de Rudy Jones, o Parasita, e de Kyle.

— Então está explicado.

— Hmmm...

— Ele detectou mais alguém no local! Aguardem... pelas luas de Marte!

— J'onn? Quem mais...

— Hal...

— Maldição. Era tudo o que não precisávamos. Depois de um terremoto*, Parallax de volta.

Na próxima edição: O Lanterna Verde volta para Nova Iorque e enfrenta... o Lanterna Verde? E, não, ele não vai enfrentar Hal.

:: Notas do Autor

* Ver LJA # 01. Isto é, essa edição se passa mais ou menos nessa época. Assim, se explica a ausência do Lanterna nas aventuras da Liga da Justiça, aqui no Hyperfan.



 
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