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Lanterna Verde # 06

Por Josa Jr.

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"Eu sou Kyle Rayner. Sou o Lanterna Verde, detentor da arma mais poderosa que existe. Apesar disso, não posso deixar de sentir um frio na minha espinha."

"Aqui estamos. No passado do Universo. Diante de uma congregação tão grande de Guardiões do Universo e Lanternas, que é impossível contar quanta gente está aqui. Todos os olhos de Oa estão voltados para nós, nos observando atentamente. Mesmo tendo visto coisas mais assustadoras que a Tropa, estar aqui traz uma sensação de responsabilidade — aquela que volta de vez em quando, para avisar que sou parte de uma tradição maior do que poderia imaginar. Ao contrário de mim, Hal Jordan, do meu lado, mantém a mesma postura séria desde que chegamos. Sem hesitar, ele tira o capuz e fala em voz alta."

— Nós somos Lanternas em um futuro caótico. O universo está sem guardiões. Sem heróis. Apenas um homem mantém a paz — Hal aponta para mim, me deixando mais sem graça que eu já estava. — Nós queremos recriar a Tropa. Uma parcela de seus poderes nos ajudaria.

— Este jovem é o último Lanterna Verde? — pergunta um Guardião. Seu nome é Sthodiec, pelo que informou meu anel. Engraçado ele ter esses dados mesmo tendo sido criado após a morte dos Guardiões. Mas o importante é saber o que Hal responderá.

— Sim, seu nome é Kyle Rayner. Ele é da Terra, como eu.

— Se ele é o último Lanterna, quem é você, que detém a energia esmeralda em seu corpo? — diz o guardião Zodre, ainda desconfiado.

— Sou Hal Jordan, da Terra. Fui um dos últimos Lanternas. Minhas energias são o que restou da bateria e do poder dos guardiões. Ganthet, o último guardião na minha era, passou parte de seu poder para mim.

— Ganthet? — O então novato Sinestro o procura na gigantesca câmara onde estamos. Um Lanterna careca e de pele rosa coloca-se à frente e fala.

— Se Ganthet ofereceu parte de seus poderes, devemos confiar neles — Abin Sur continua. — Além do que, se são Lanternas da Terra, devem ser meus sucessores do Setor 2814. Eu passei o anel para você, jovem?

— N-não. Você passou para Hal.

— Incrível! E suponho que ele passou para você.

— Bem...

— Chega de perder tempo com bobagens, Abin Sur! — Kilowog voa e se coloca ao lado de Abin. "Então este é o Kilowog!" — Não existem provas de que esses caras são do futuro. Cabe aos Guardiões a decisão final.

— Kilowog... — Hal Jordan fecha os olhos depois de rever o amigo que ele mesmo assassinou. Ele ora para que o destino reservado aos dois nunca aconteça, mas ao mesmo tempo, sabe que é impossível.

— Sim. Caberá aos Guardiões decidirem. — Ganthet levanta-se de seu assento e olha para Kilowog. — Vocês, Lanternas, tem uma missão mais importante no momento. O Devorador de Mundos está se dirigindo a mais um planeta. Provavelmente, seu alvo será o mundo conhecido por Krypton, pois é o primeiro planeta habitado que sua nave avistará. Os Lanternas deverão cuidar para que a raça kryptoniana não morra.

— Muito bem... Atenção, Lanternas! — Kilowog grita, e todos os portadores de anel se levantam, preparando-se para mais uma batalha. — Daqui a uma hora vamos para Krypton, pra tentarmos salvar parte daqueles cientistas malucos!

— Krypton? Maldição!

— Hal?

— Venha comigo, Kyle! Não podemos deixar que os Lanternas obedeçam os Guardiões. Tsc, parece que é minha sina se colocar contra as decisões deles, não importa em que momento do tempo.

"Achei que nunca mais veria Oa. Na única vez que vim aqui, este era um planeta morto, cheio de carcaças de Lanternas e Guardiões. Agora, quase me arrependo de ter destruído esse lugar — para deter o mesmo cara que, ironicamente, me acompanha nesta caminhada pelo antigo lar da Tropa. Finalmente o silêncio termina e Hal fala."

— Krypton não pode ser destruído por Galactus. Se for destruído agora, o pai do Super-Homem não enviará seu filho à Terra. Será que nossa chegada aqui alterou alguma coisa? Ou estamos aqui justamente para deter o fim prematuro de Krypton? Bem, não vou pensar nisso agora. É melhor colocarmos algum plano em prática.

— Os Lanternas não podem simplesmente deter Galactus?

— Impossível. Galactus é um ser de imenso poder. Se não bastasse, existe o Pacto Universal 2, que diz que a Tropa não pode interferir nas ações dele, pois se trata de uma força da natureza. Só poderíamos minimizar as perdas, salvando algumas vidas.

— Só por curiosidade, qual era o Pacto 1?

— Não podemos interferir na guerra dos Novos Deuses. — Hal Jordan olha para as estrelas, procurando a estrela vermelha que Krypton orbitava. — Convença os Guardiões a salvar os kryptonianos. Eu irei até Krypton!

— O quê?

Como um raio esmeralda, ele desaparece. "O jeito vai ser convencer os anões de que devemos salvar o planeta do Super. Putz, já pensou um mundo sem ele? Deve ser como se Einstein não tivesse nascido. Agora que eu tive uma idéia do que isso significa, é melhor correr antes que tudo saia errado." Corro para a câmara onde estávamos há pouco e bato na porta, trancada enquanto os guardiões discutem a idéia do Hal. Um Lanterna aparece e tenta me fazer mudar de idéia.

— O que está fazendo? Enloqueceu? Não se pode atrapalhar a meditação dos Guardiões do Universo.

— Você precisa me escutar... Hã... — (( G'newman G'noggs )) — ... Lanterna G'newman! Krypton não pode ser destruído, ou isso trará muitas desgraças para o meu setor no futuro. E talvez, para o Universo inteiro!

— Não sei porque, mas algo me diz que vocês falam a verdade... Vou tentar convencer os Guardiões.

Jor-El analisa há horas estranhas flutuações de energia nas proximidades de sua galáxia. Por mais que os kryptonianos insistam em ser frios e imparciais, é impossível para o cientista manter-se calmo naquele instante. Mesmo tentando lutar contra suas próprias descobertas, a palavra "Galactus" repete-se a todo momento em sua cabeça, e só lhe resta pensar num plano para salvar seu mundo. Uma voz recém-chegada de outro lugar e tempo interrompe seus pensamentos.

— Jor-El?

— Um Lanterna? Então a Tropa já está ciente do fim de Krypton, não?

— Sim. Mas eu estou tentando salvar este mundo. Só ouvi falar de você neste planeta, então me dirigi ao seu laboratório.

— Ouviu falar... de mim?

— Sim. A fama da dinastia El se estende por todo o Universo.

— Não imaginava algo assim. De qualquer forma, não será possível retirar as pessoas daqui. Nós temos uma trava genética que impede os kryptonianos de deixar o planeta. Ou seja: se não derrotarmos Galactus, ou Krypton já está morto.

— Não posso contar o que deve ocorrer, senhores Guardiões, mas por favor, acreditem em mim! — "Droga, esses caras são muito cabeças-duras. Vai ser impossível convencê-los a mudar de idéia. Bah, se não for implorando, vou ter que assustá-los." — Sabe, a Tropa acabou desse jeito...

— O quê? — Ganthet se assusta com as palavras de Kyle Rayner. — O que está tentando dizer com isso?

— A inflexibilidade e frieza dos Guardiões levou um louco a destruir a Tropa. Um Lanterna que perdeu a razão por alguns momentos e conseguiu destruir tudo que você levaram milênios para criar. Digam, Guardiões, vocês vão permanecer inertes, ou ferrar com todo o futuro do Universo?

— Apesar das palavras rudes do jovem, eu acho que talvez devêssemos escut...

Antes que G'newman possa completar seu pensamento, uma imagem projetada pelos poderes de Hal Jordan surge na sala. Jor-El e Hal aparecem nela, explicam a situação de Krypton e avisam que é impossível fazer a retirada dos kryptonianos. Enquanto G'newman, Jordan, Kyle, e Jor-El observam os mentores da Tropa, os Guardiões do Universo fecham os olhos e, telepaticamente, decidem o que farão, avisando a todos os Lanternas Verdes das mudanças de seus planos — A Tropa deverá esconder o Krypton ou afastar Galactus imediatamente.

— Por favor, Senhores...

— Vamos atender seu pedido, G'newman. — Sthodiec se levanta para falar. — Mas fique sabendo que é a última vez que atenderemos uma idéia absurda sua.

Em poucos minutos, quase todos os Lanternas voam ao redor de Krypton. Hal Jordan se uniu ao grupo assim que os avistou. Kilowog toma a liderança da missão, falando em voz alta.

— Atenção, Lanternas! Temos que afastar Galactus daqui. Não sei como podemos fazer isso sem causar uma confusão dos diabos no Universo, mas se alguém tiver uma sugestão...

— Eu tenho! — Kyle Rayner, ainda nervoso com a presença de todos os Lanternas, teme que sua idéia pareça óbvia, ou impossível para os outros, mas resolve falar.

— Qual seria, garoto? — Sinestro observa o jovem com ar de desprezo.

— Veja meu uniforme. Ele parece ser negro, mas na verdade, se trata de tom esverdeado tão escuro que parece ser outra cor. Se pudermos fazer o mesmo com Krypton, o mundo desaparecerá, e Galactus pensará que se trata apenas do espaço.

— Não sei se isso funcionará...

— Vamos tentar, Sinestro. — Abin Sur dispara uma rajada de seu anel, imaginando uma névoa sobre Krypton. Uma névoa esmeralda, porém tão escura, que é impossível diferenciá-la entre preto e verde. Seguindo o gesto de Abin, todos os outros Lanternas apontam suas armas para o planeta, alguns pensando em uma sombra, outros desejando uma camada líquida. Um pouco mais afastado, Hal Jordan quase se emociona ao ver a gloriosa cena. Ele ergue suas mãos e, com suas energias, faz todos os Lanternas sumirem junto com Krypton.

Poucos minutos depois, a nave de Galactus se aproxima do planeta. Em seu laboratório, Jor-El beija sua esposa, temendo que o pior aconteça. Dentro da nave, o Devorador de Mundos estranha o fato dos instrumentos de navegação não indicarem nada naquele ponto da galáxia. Faminto, o gigante prefere localizar um próximo mundo, que perder seu tempo investigando o que aconteceu de errado em sua busca.

— Conseguimos! — Assim que a espaçonave desaparece, Kyle comemora. Kilowog dá uma ordem para que os Lanternas voltem a Oa e reportem o sucesso da missão aos Guardiões.

Planeta Oa

— Vocês provaram ser homens de confiança. — Zodre sorri para Hal e Kyle, convocados para uma sessão a portas fechadas com os Guardiões do Universo. — Graças à consciência unida dos Guardiões, e à projeção criada por Hal Jordan quando estava em Krypton, tivemos a certeza de que seria tolice deixar que o Devorador destruísse aquele planeta. Percebemos que a linhagem de Jor-El renderá um valoroso kryptoniano, que um dia pode se tornar o maior dos Lanternas.

— Podem ter certeza disso. — Kyle sorri para os homenzinhos azuis. — Será um cara supervaloroso.

— Como prova de nossa confiança, seu pedido será aceito, Hal Jordan da Terra. Aqui está uma pequena bateria. — Ganthet levanta a mão direita, fazendo a bateria se formar ao lado de Jordan.

— Obrigado, senhores. Iremos partir agora, para salvar nosso presente. Adeus! — Hal Jordan olha para Kyle. — Vamos logo. Deixe apenas eu conversar um pouco com... Kilowog.

Nova Oa. O Presente

Hal sorri quando vê que a nova base da Tropa dos Lanternas Verdes é praticamente igual àquela que acabamos de visitar. Uma lágrima escorre de seu olho esquerdo assim que adentra num salão semelhante ao dos Guardiões. A sala é grande, mas tem uma diferença — apenas um lugar destinado ao novo Guardião do Universo.

— O trabalho apenas começou, Kyle... É hora do recrutamento.

Hal Jordan se senta, quase majestosamente, meditando sobre os novos rumos de sua vida, e se conseguirá receber o perdão de todo o Universo. Para mim, ele já está perdoado.

— Hal? O que acha de...?

Volto meus olhos para a janela, de onde vemos a nova bateria central. Normalmente, eu diria que não gosto dessa responsabilidade, mas fico feliz, e quase orgulhoso, de ser o arauto de uma nova tradição, o primeiro de uma nova Tropa dos Lanternas Verdes.

— Por que não?

"Apontamos nossas mãos para a lanterna gigante no meio do planeta e juramos:"

— No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença. O seguidor do mal tudo perde frente ao poder do Lanterna Verde!

:: Notas do Autor

E assim termina o primeiro arco de história do Lanterna Verde. Espero que tenham gostado. A partir de agora, as histórias devem se concentrar realmente em Kyle, mas também deverão mostrar os trabalhos de recriação da nova Tropa. Esse é o momento ideal para vocês opinarem: Preciso saber o que querem ver a seguir. Mais Kyle? Mais Hal? A Tropa? Missões no espaço? Missões na Terra? Coisas do tipo. Participem!
Sua sugestão é importante.



 
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