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Lanterna Verde # 08

Por Josa Jr.

Inimigos Íntimos

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A majestosa nave latveriana singra o céu europeu de forma tão veloz que é surpreendente para Kyle Rayner que ela seja tão silenciosa e estável. Uma maravilha tecnológica, criada pelo doutor Victor Von Doom, alguém que o Lanterna Verde nunca imaginou acompanhar em uma missão.

"Destino é muito perigoso. Pelo que sei, ele já tentou roubar os poderes do Surfista Prateado, Galactus, Vigia e mais um monte de meta-humanos ou entidades superpoderosas. Provavelmente, ele já tentou roubar os poderes de Hal alguma vez, mas eu não sei de nada. Preferia não ter vindo tão despreparado, mas como Doom invadiu meu apartamento, achei melhor ir à Latvéria. Em todo caso, é melhor eu me precaver."

— Hã... doutor? — sentado à mesa de controle do veículo, o Dr. Destino sequer vira o rosto para atender o Lanterna.

— Sim?

— É melhor explicar por que me chamou para essa missão. Estamos viajando há algumas horas e não gosto de ficar sem explicações.

— Não há necessidade de preocupação, Lanterna Verde. — desta vez, Destino volta seus olhos, surpreendentemente inalterado pelas palavras do herói — Pode ver com seu anel que todos os meus sistemas estão desligados. Neste modo, minha armadura não passa de um velho traje medieval. Quando chegarmos em solo latveriano, você poderá fazer todos os testes possíveis.

— E quando chegaremos? — Kyle tenta disfarçar o nervosismo com palavras secas, sem saber se o ditador percebe ou não o blefe.

— Em alguns segundos, meu jovem.

O Lanterna Verde se afasta do déspota, aproximando-se de uma das janelas da nave. Através do vidro, Kyle pode ver a pequena capital da Latvéria, Doomstadt, iluminada por pequenos focos de luz, pois já é noite. Assim que o veículo real aproxima-se do chão, o herói faz uma surpreendente descoberta.

— Venha, Lanterna. O povo da Latvéria nos aguarda.

Os focos de luz na verdade são velas, carregadas por latverianos, ansiosos pelo retorno de seu regente. Quando as portas da nave se abrem, toda a multidão presente aplaude Victor Von Doom e seu inusitado aliado. Constrangido pela manifestação inesperada, Kyle Rayner acena para as pessoas — lembrando que nunca recebeu tamanha aclamação na América.

Os dois grandes heróis — ao menos, aos olhos dos latverianos — caminham até o castelo imperial, onde são recebidos pelo fiel mordomo de Destino, Bóris. Após cumprimentar seu rei e o Lanterna, o velho homem os encaminha para a sala de jantar, onde uma farta ceia os aguarda.

Setor Espacial 1045, segundo os padrões dos antigos Guardiões do Universo.

Em um gigantesco asteróide perdido, num perigoso cinturão, um homem aguarda pacientemente suas presas. Ele poderia ficar lá por horas, pois sua sede por ordem no universo e, especialmente, sua frieza, o permitem esperar sem perder a calma. Os khúndios que extorquem o pequeno satélite Kilder IV já deveriam ter saído de sua base há algum tempo, mas ainda assim, o coluano chamado Vril Dox prefere aguardar.

Finalmente, os três alienígenas — conforme Dox previra — saem do galpão que ele espreita, dirigindo-se a uma das naves no espaçoporto.

— Rendam-se, criminosos! — o coluano aciona no projetor holográfico preso em seu cinto uma imagem falsa de si próprio, o que entreterá os khúndios enquanto ele ataca por outro lado.

O plano quase dá certo. Os três bandidos logo são derrubados pela arma laser que Vril carrega consigo. Mas o calculista filho de Brainiac não pôde prever que havia mais um vilão no galpão.

— Renda-se você, homem verde. — um gigante rosado aponta uma espécie de bazuca na direção do coluano, que não consegue imaginar uma saída, mesmo com sua mente hiperdesenvolvida.

— Não deveriam haver apenas três de vocês? — Dox tenta ganhar algum tempo e entender onde seu plano falhou.

— Eu sou o responsável pela coleta do imposto aos dirigentes de nosso planeta, coluano. Você acha que apenas Kilder IV paga tributo a nós? Existem outras bases neste cinturão, tomando os recursos do miserável sistema Kildery.

— Elas não existem mais, cobrador! Todas as suas bases pertencem a nós.

— Hã? Quem é voc...? — antes que o vilão complete sua pergunta, uma luva de boxe verde o nocauteia. Para Vril Dox, a resposta à questão é óbvia. O Guardião do Universo salvou sua vida e derrotou todos os khúndios no cinturão de asteróides.

— Sou Hal Jordan.

((Análise terminada. Não há presença de substâncias nocivas.))

Na castelo de Doom, Kyle Rayner teme cada garfada da comida latveriana que lhe foi servida. Ainda tensa, a situação se tornou pior quando Doom retirou a máscara para poder jantar. Mesmo que não seja possível ver o rosto desfigurado do imperador, pois a sala é coberta por sombras, o Lanterna Verde sabe que as marcas estão lá, e isso o incomoda.

— Porque não retira sua máscara, Lanterna? Afinal, eu já conheço seu rosto.

— É, mas eu não gosto desta idéia. Quero saber como descobriu onde eu moro.

— Puro acaso, meu jovem. — Destino enche o copo com o mais fino vinho latveriano enquanto conversa — Eu estava em Nova York (*) e o vi voando sobre a cidade. Achei que seus poderes seriam úteis para um problema que aflige meu país e o segui até seu apartamento.

— Que tipo de problema?

Doom limpa o rosto e solta os talheres. Em seguida, recoloca sua máscara e levanta-se da mesa.

— Siga-me.

Cidade de Libera Cielo, Latvéria. Sobrevoando o vilarejo, localizado a algumas quilômetros de Doomstadt, Destino explica o problema ao Lanterna.

— Esta vila sofre de um mal inusitado para nós, europeus. Por causa das montanhas Wlintja, as nuvens de chuva nunca chegam à cidade. Além disso, e pelo mesmo motivo, Libera Cielo é inacessível até para os meus robôs e naves de grande porte. Tudo isso faz com que este povo passe pela pior seca de sua história.

— O que você quer que eu faça?

— Pense nas criações de seu anel. Não será possível criar água, e dar de beber ao meu povo?

— Não sei... — Kyle Rayner desconfia das palavras de Destino, porém ao enxergar crianças brincando numa terra árida, que cobre todas as ruas da cidade, resolve colaborar — Se eu criasse algo parecido com água, isso poderia matar a sede das pessoas, mas não sei até quando o corpo delas seria enganado.

— Soube que certa vez você já deu pernas para um homem. — Doom calcula meticulosamente suas palavras, buscando conquistar seu intento — O que aconteceu, afinal?

— Acho que... elas sumiram depois que ele parou de acreditar.

— Então, tudo não passa de uma questão de força de vontade. — o déspota infame finalmente chega aonde quer, e explica a Kyle a idéia que teve desde o início da aliança entre os dois — Escute. Há pessoas nessa cidade que estão à beira da morte por causa da falta d'água. Elas precisam de hidratação urgentemente, e não tenho como trazer o suficiente para cá. Se distribuirmos, emergencialmente, garrafas opacas cheias do líquido criado pelo anel para a população, eles acreditarão que realmente bebem a preciosa água. Enquanto não souberem que se trata de uma criação sua, os corpos processarão normalmente o líquido, e a sede será saciada por um bom tempo.

— Será mesmo? — o Lanterna Verde surpreende-se com a teoria do cientista e não pode conter seu desejo de testá-la — Vamos ver se dá certo.

Em menos de vinte minutos, os moradores mais debilitados de Libera Cielo já beberam a água trazida pelo "grande herói da América, o Lanterna Verde" — palavras do próprio Destino. O povo festeja ainda mais quando o jovem, auxiliado pelos conhecimentos de geografia de Doom, redireciona um rio que nasce em meio às montanhas para o reservatório de água da cidade, encerrando o problema de vez.

Caminhando à beira do asteróide e contemplando as estrelas da galáxia, Hal Jordan aguarda a resposta de Vril Dox. O herói terrestre está reunindo forças para uma nova tropa dos Lanternas Verdes e a experiência do coluano com a L.E.G.I.Ã.O. pode ser útil, mesmo que, em sua mente, ele tema a possibilidade de dar mais poder ao filho de Brainiac.

— Eu terei um anel? — Dox não disfarça a ansiedade por usar a arma mais poderosa do universo.

— Você nos ajudará a coordenar os Lanternas em suas missões pela paz do cosmo. Não vejo por que...

— Eu terei um anel?

— Hmm. — Jordan se corrige. Por mais que a ajuda de Vril Dox possa ser benéfica, o Guardião sabe que o coluano é perigoso demais — Não vejo por que usarmos anéis, pois não seremos Lanternas na realidade.

— Entendo.

— Eu o contatarei em breve. — Hal Jordan desaparece num feixe de luz verde, decepcionado com sua escolha para a tropa — Adeus.

— Me contata? Sei. — Vril Dox caminha até os khúndios, pensando em alguma forma de levá-los à justiça — Se a Tropa voltou, talvez também seja a hora certa para eu liderar uma polícia intergaláctica de novo...

Em uma das muitas torres do castelo de Destino, Lanterna Verde e Victor Von Doom conversam. A missão foi concluída com sucesso, o povo teve sua sede saciada e Rayner não detectou em nenhum momento qualquer aparelho retirando energias de seu anel. O herói e o imperador dão as mãos e se despedem.

— Preciso ir, Doutor. Espero que tenha ajudado seu povo. — Rayner não acredita que um sorriso esteja escapando dos próprios lábios, mas continua falando — Sabe, talvez você não seja tão mau como dizem.

— É um elogio da sua parte, jovem herói. Não irei contrariá-lo por educação. — a gélida máscara de Doom não denuncia qualquer emoção que venha do ditador, mas ele se esforça ao máximo para parecer gentil — Mais uma vez, obrigado por auxiliar a Latvéria.

— Adeus!

Assim que o Lanterna desaparece no céu, o fiel Bóris aproxima-se de seu mestre, curioso pelos acontecimentos de hoje.

— Senhor, não entendo. Afinal, havia algum plano em execução?

— Sempre há, meu caro Bóris. Sempre há. E neste caso, haviam vários. — Destino volta seu rosto para o velho servo — Nosso ingênuo herói alimentou algumas pessoas com criações de seu anel. Neste momento, meus computadores estão analisando cada partícula das energias alienígenas do Lanterna Verde presentes nesses vassalos e tentando replicá-las ou anulá-las. Ao mesmo tempo, meus planos de vingança contra o Super-Homem prosseguem, pois, assim como é possível sintetizar água, cheguei à conclusão que deve ser possível sintetizar kryptonita com o poder do anel.

Victor Von Doom volta seus olhos para a lua, lembrando que o satélite natural da Terra agora é quase um monte Olimpo, onde vários deuses se reúnem. Deuses que autodenominam-se Liga da Justiça da América.

— Por fim, Bóris, meus planos contra a LJA caminham bem. E este era meu plano principal. Hoje, o jovem Kyle Rayner passou a ver Doom com outros olhos. Por enquanto, ele é apenas mais um no panteão. Mas poderá ser como um pequeno câncer. Quiçá um dia, toda a Liga e por fim, todo o universo, reconhecerão que não existe regente mais capaz que o Doutor Destino!

Nova Oa.

Hal Jordan caminha cabisbaixo em direção à cidadela dos Guardiões do Universo. Dentro do salão principal, três pessoas o aguardam. Tratam-se de Ferrin Colos, Furtiva e Merayn Dethalis, antigos membros de polícias espaciais, recrutados por Jordan para auxiliá-lo na criação da nova tropa.

— Seja bem-vinda, srta. Dethalis.

Merayn acaba de ser recrutada por Colos, seu antigo colega dos Darkstars, e Furtiva, ex-membro da L.E.G.I.Ã.O. Esta última era próxima de Vril Dox e, ao perceber que Hal chegou sozinho à Nova Oa, pergunta pelo polêmico colega.

— Dox não quis vir? Não acredito!

— Na verdade, eu não quis que ele viesse. — Hal senta-se, visivelmente decepcionado — Achei que dar este poder a ele seria como dar poder a um demônio.

— Um demônio? Como foi... Parallax? — embora concorde em parte, Furtiva não gosta da opinião sobre o colega, e alfineta Jordan, esperando sua reação — Seria terrível.

— Sim. Seria. E não podemos perder mais tempo. Vamos à Terra, preciso contatar John Stewart.

Os presentes na sala nem imaginam o que se passa na cabeça do Guardião do Universo, mas aparentemente ele não se incomoda com os comentários maldosos da mulher. Por fim, Jordan complementa.

— E também é chegada a hora de Kyle Rayner.

A seguir: Uma nova tropa nascerá.

:: Notas do Autor

(*) Saiba mais sobre a visita de Destino a Nova York em Super-Homem #8.voltar ao texto



 
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