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Lanterna Verde # 09

Por Josa Jr.

O Chamado

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Hal Jordan se aproxima da Terra dentro de uma bolha protetora. Com seus poderes, ele poderia facilmente se teleportar de Nova Oa, base atual da tropa dos Lanternas Verdes, para nosso mundo. Porém, Jordan prefere apreciar a vista do planeta, descendo lentamente sobre a cidade de Nova York.

"Quantas vezes já salvamos este pequeno planeta de ameaças inimagináveis? E quantas vezes eu fui a ameaça? Felizmente, acabei derrotado pelos poucos heróis do universo. As pessoas — aquelas que salvamos — pensam que existem muitos heróis no mundo, mas nem imaginam como falta pessoal para resolver todos os problemas da Terra. E do Universo. Por isso o renascimento da tropa é essencial. Estou fazendo a minha parte. Espero que John e Kyle façam as deles."

Hal flutua sobre o prédio onde mora Kyle Rayner. Com seus poderes, ele pressente que o Lanterna Verde da Terra não está em casa. Concentrado, tenta achar o jovem artista através da energia esmeralda emanada pelo anel. Logo depois, o Guardião do Universo voa na direção do sinal encontrado.

Jantando em um dos restaurantes mais finos da cidade, o atual Lanterna Verde nem imagina que seu antecessor está à sua procura. A maior preocupação de Rayner no momento é não passar vergonha na frente de sua companhia. Porém, outro problema toma conta da sua mente enquanto ele sorri o máximo possível para Felícia Hardy. (*)

"Como eu vou pagar a conta? Onde esta menina estava com a cabeça quando marcou o encontro no La Belle Vue, um dos restaurantes mais caros da cidade? Eu nem sei se consegui o emprego de desenhista na Destiny e já estou gastando grana antes de receber. Opa! Ela tá sorrindo! Vai falar alguma coisa."

— Você quer beber? Vinho?

— Hã... acho que vou querer uma promoção número 1.

— Hahaha... — Felícia nem achou tanta graça, mas sabe que uma risada descontraída e um leve toque na mão de Rayner demonstram interesse — Você é muito engraçado, Kyle.

— Heh. Na verdade, Felícia... eu não sei o que pedir.

— Eu fiz de propósito, bobo. Só para ver sua carinha sem jeito. — apesar de aparentar descontração, Felícia pensa — "Putz. Ele me lembra o Peter. Só falta Kyle também ser um... não, claro que não."

O resto da noite prossegue sem problemas. Os dois jovens estão claramente interessados um no outro, e as conversas fluem naturalmente, indo desde a vida pessoal, passando por alguns flertes, até chegar a ex-namorados.

— E este cara que eu namorei, o Peter, lançou até um livro de fotos. Mas você trabalha com o quê? Só pintura?

— Eu trabalho numa grande empresa de quadrinhos, a Destiny Comics. — o jovem herói sabe que é melhor aumentar suas qualidades. Não pega bem dizer que está desempregado — Estou lançando uma nova revista no mercado em breve.

— Ah é? Sobre o quê? Piratas?

— Ficção científica. Um exército de defensores do Universo.

— Tipo... jedis?

"Droga, talvez minha idéia seja menos criativa que eu imaginei." — pensa Kyle — É, mais ou menos isso. Mas você... ainda gosta desse Peter?

Felícia Hardy pensa no seu conturbado relacionamento com Peter Parker, o herói conhecido como Homem-Aranha. Naquela época, parecia uma ótima idéia. Ser uma ladra e envolver-se com o cara que combate o crime. Como a Mulher-Gato de Gotham. Mas Felícia tomou um rumo diferente da outra felina — se apaixonou pelo herói. Acabou por abandonar definitivamente o crime e ser abandonada por Parker, que se casou com outra. Ela até tentou se vingar, mas a bondade do ex-namorado terminou lhe influenciando demais. Hoje, tenta manter uma vida normal, administrando as empresas de seu pai e saindo com pessoas normais.

— Até pouco tempo, sim. Mas acabei conhecendo um cara bem mais legal que ele.

Ela sorri, mas por sua cabeça passam algumas dúvidas. Kyle lembra bastante Peter. O livro que Parker lançou, "Teias", era na verdade uma coletânea de fotos de si mesmo, vestido como Homem-Aranha. Não seriam os "cavaleiros jedi" uma representação de algum grupo? Felícia sabe que esta possibilidade é mínima, e talvez sua carreira de uniformizada tenha lhe deixado meio paranóica. Ou, pelo menos, ela pensa assim.

(( Kyle, aqui é o Hal. Preciso falar com você. Assunto urgente. ))

O Lanterna é surpreendido pela mensagem do Guardião em sua mente. Cuidadosamente, ele pede para o anel não dar sinal de que está sendo usado e transmite um mensagem telepática para Hal Jordan.

(( Hal, estou ocupado agora. Onde você está? ))

(( Na mesa 23, logo atrás da sua. Bela garota. ))

Kyle olha discretamente e reconhece Jordan na mesa indicada.

(( Hã... belo terno verde, Hal. ))

(( Obrigado, eu mesmo fiz. Preste atenção, a menina está falando com você! ))

— Kyle? — Felícia cutuca a mão de Rayner, tentando chamar sua atenção — Já está tarde, não acha? Já falei com o garçom enquanto você viajava pelo Universo.

— É... está tarde, sim. Desculpe, eu estava pensando na história e esqueci de você. Acho que isso pega mal num primeiro encontro.

— Os prós compensam imensamente os contras. Gosto de homens introspectivos. — Felícia sorri — "A não ser que você tenha uma esposa ruiva." — pensa ela.

O garçom aparece trazendo um pequeno caderno de couro. Como é costume no restaurante, ele deixa a conta ao lado de Kyle. Temendo o pior, ele resolve ler o que está no pequeno papel.

— Hã? — para a surpresa do artista, trata-se apenas de uma nota informando o pagamento prévio do jantar — Já está...

— Ah, sim. Esqueci de te falar que, quando fiz a reserva, já paguei adiantado pela noite. Espero que não se importe de eu ter pago o primeiro encontro.

— Na verdade, não me sinto à vontade... Eu preferia... — diz Kyle, para depois considerar — "Deus, o que estou dizendo? Desde quando eu parei de priorizar meu saldo bancário?"

— Quando você for um quadrinhista famoso, você paga. — responde Felícia — Por enquanto, vamos deixar assim, OK?

Kyle fica em pé, ainda sem jeito, e ajuda Felícia a levantar-se. Ela sorri pela gentileza e os dois se retiram do restaurante. Discretamente, Jordan também deixa sua cadeira, seguindo os dois e provocando a fúria do maitre por deixar uma disputada mesa sem ter comido nada.

— Que tal irmos até meu apartamento? — pergunta Kyle.

— Você vai me mostrar sua coleção de quadrinhos? — sorri Felícia.

— Só quero divulgar meu trabalho. — Kyle retribui o sorriso malicioso e zombeteiro da garota, torcendo por um "sim". — E então?

(( Acho que vou falar com John enquanto isso, Kyle... ))

Planeta Skrull. A muitos anos-luz da Terra.

Este é um mundo temido pela ferocidade de seus habitantes e sua imensa sede por poder e pelo domínio do Universo. A raça skrull pode ser uma das mais cruéis do cosmo, mas sua força vem da união. Praticamente todos trabalham pelo bem de seu império e poucos ousam desafiar o sistema. Qualquer sinal de rebeldia logo é abafado pela rainha S'Byll e seus asseclas.

Por este motivo, Mgun Am'yr prefere esconder suas opiniões sobre os métodos e os objetivos de seu povo. Caminhando até sua casa, em uma periferia da capital, ele nem imagina o que o destino lhe reservou. Ao adentrar a residência, alguém o espera.

— Mgun Am'yr, suas idéias perigosas chegaram aos nossos ouvidos.

— Do que está falando? — sua mão move-se lentamente até a pequena arma que esconde em um dos bolsos de seu traje — Eu nunca disse nada contra o império!

— Não tente me enganar.

Num piscar de olhos, Am'yr dispara o laser contra a visita indesejada. Um escudo verde, criado pelo poder dos Lanternas Verdes, protege Furtiva quase simultaneamente ao tiro. Em seguida, ela desarma o jovem skrull e volta a falar, apontando seu anel para o rapaz.

— Ele me disse que você é a pessoa mais indicada no planeta para usá-lo. — Furtiva retira o anel do dedo e o põe diante dos olhos arregalados de Mgun — Aceita essa responsabilidade?

— Um Lanterna Verde? — o jovem não pode disfarçar a surpresa e a empolgação — Mas nunca na história houve um Lanterna skrull!

— Os tempos mudam, meu caro. — apesar de parecer confiante, Furtiva não sabe se a decisão de Hal Jordan foi a mais correta. Ao menos, o anel diz que o garoto é digno. Isto deve valer alguma coisa, ela imagina — Talvez você possa me contar sua história.

O rapaz começa a falar. Logo, Furtiva percebe que realmente existem razões para ele não acreditar no império. Quando ainda era uma criança, seu irmão foi enviado em uma das primeiras viagens de seu povo à Terra, na década passada.

— Ele não retornou. Eu soube que um exército, chamado Quarteto Fantástico, derrotou o grupo de meu irmão, hipnotizando-os e trancando-os na forma de um animal terrestre. Vaca, eu acho. Tempos depois, eles recuperaram suas memórias e enfrentararm outro exército terrestre, os Vingadores. Derrotados novamente, foram mortos pelos terrestres! (**) E o império não fez nada por ele! Ficamos sabendo disso através de um espião, que estava na Terra e ao voltar informou meus pais, quando foram convocados para uma outra missão.

Os pais de Am'yr deveriam espionar uma expedição kree, disfarçados como guerreiros daquela espécie. Nesta época, a bomba de hiperonda (***) foi detonada e eles ficaram presos na forma daquele povo, sem poder retornar aos seus temidos corpos de guerreiros skrulls. O desespero de ambos foi tanto que eles acabaram se revelando.

— Eles e seus colegas foram mortos em público, num dia negro para mim e glorioso para os krees. — o jovem segura suas lágrimas. Seu instinto skrull ainda domina as emoções — Foram considerados traidores da raça, pois sem querer denunciaram os colegas e destruíram a missão de espionagem. Os krees nos enviaram... uma gravação da execução. Eu assisti...

— Chore. — a mulher abraça o jovem. Hal tomou a decisão certa, então. Talvez Am'yr seja uma nova esperança contra o infame império Skrull — Não tenha medo de suas emoções. Faça o que tem vontade. É assim que sua arma funcionará. Com sua força de vontade.

Nova York. Três da manhã.

No apartamento de John Stewart, uma luz esmeralda surge através da janela. Acostumado com tais aparições, o antigo Lanterna Verde apenas veste seu roupão e reclama da súbita aparição de Hal Jordan.

— Por que você sempre tem que fazer essas chegadas majestosas, Hal?

— Nunca vi um Guardião do Universo batendo em portas.

— Você? Um Guardião? Hal Jordan? Guardião do Universo? Kyle me disse que você tinha voltado, mas não me contou esse detalhe.

— Sim. E vim lhe convidar para assumir este cargo na nova tropa em Nova Oa. — Hal pára por um momento — Você sabe como é perigoso deixar tudo nas minhas mãos.

— Eu não sei... — diz John, reticente.

— Merayn Dethalis está conosco. — informa Hal.

— ...mas preciso visitar Nova Oa antes de tomar alguma decisão. — completa John.

— Tinha certeza que se interessaria.


A seguir: Kyle... hã... foi ao apartamento com Felícia? John aceitará tornar-se um Guardião? Outras raças infames e detestáveis se unirão à tropa? Não perca.


:: Notas do Autor

(*) Leitor, se você ainda não leu Imagine Lanterna Verde por Otávio Niewinski, corra até lá e veja um prólogo desta edição, mostrando o que aconteceu na viagem de Jordan até a Terra e como Kyle e Felícia marcaram esse encontro!voltar ao texto

(**) Uma das primeiras tentativas de invasão skrull à Terra aconteceu na segunda edição americana do Quarteto Fantástico, quando os invasores foram realmente hipnotizados e forçados a tomarem forma de vacas (ei, era a década de 60...). Posteriormente, em aventuras dos Vingadores, os skrulls conseguiram sair do hipnotismo, mas acabaram sendo presos novamente. Depois, em uma aventura do Quarteto Fantástico (publicada pela editora Abril em Homem-Aranha #65), Reed descobriu que pessoas estavam sendo contaminadas pelo leite das vacas (!). E, pra completar, houve a mini-série Skrull Kill Krew, escrita por Grant Morrison, onde foi revelado que as vacas-skrulls acabaram virando carne de hambúrguer (mesmo!). Para os fãs do Morrison (ou das vacas-skrulls), um link interessante sobre essa mini-série está aqui. voltar ao texto

(***) Detonada na revista Grandes Heróis Marvel #29, da editora Abril (dezembro de 1990).voltar ao texto



 
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