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Mulher-Hulk # 05

Por Josa Jr.

Advogada do Diabo
Parte II

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"O caso já era complicado antes desta batalha começar", pensa Jennifer Walters. Há alguns minutos, ela estava no meio de um julgamento. Jenny acusava um hospital de demitir uma médica por ser geneticamente complexa. Um caso difícil. Não havia certo ou errado, pois o hospital tinha boas razões para demitir uma mutuna. Ao menos para mim, que detesto mutantes. Você já viu como eles são insuportáveis? Dizem até que fedem...

— Josa!

[— Oops... Desculpa, Jenny. Me empolguei.]

Voltando à história... O hospital tinha boas razões para demitir a médica. Quem garante que a sala de Pronto-Socorro não se tornaria um campo de batalha entre Cecília Reyes e ativistas antimutantes? Se isso acontecia agora, no meio de um respeitável tribunal, porque não aconteceria num hospital qualquer? Esses pensamentos passam pela cabeça da Mulher-Hulk e ela tenta apagá-los, mesmo sabendo que Murdock deverá usar isso em breve contra a doutora Reyes. E por falar em Murdock...

"Sinto muito, juíza Simpson, mas infelizmente um herói terá de desobedecer seu pedido para que não houvessem vigilantes por aqui." — Matt Murdock, o advogado de defesa no caso, pensa na proibição da juíza enquanto tira seu paletó escondido do resto das pessoas presentes no tribunal. No lugar do rapaz ruivo da Cozinha do Inferno surge o vigilante conhecido como Demolidor, o Homem sem Medo!

— Preciso acabar com isso antes que seja tarde demais!

— Ei, cara! Dá pra fazer as coisas sem falar? Meu filho não precisa ouvir essas coisas!

"É a última vez que me troco no banheiro", pensa o vigilante, enquanto abre a porta de sua cabine, surpreendendo o pai e a criança que também estavam no banheiro.

— Desculpem. Já vou.

— Paiê! O Demolidor saiu sem lavar as mãos! Você disse que o Superomem e a Liga sempre lavavam as mãos!

— Hã... senhor Demolidor?

— Claro, claro. Eu entendo.

Enquanto Murdock mostra que um homem com higiene é um Homem sem Medo, Jennifer decide intervir no combate entre o Ventilador Humano e Medula. A doutora Cecília Reyes e os médicos do Hospital Santa Misericórdia são protegidos por policiais dos ataques dos dois vilões.

— Ei! Parem com isso! Vão lutar lá fora, aqui não! — Mas a mutante e o professor não dão atenção à heroína verde. Estão muito ocupados em uma estranha luta de esgrima, entre as lâminas das hélices do Ventilador e os ossos afiados de Medula.

— Sua Gece imunda, eu vou fazer picadinho de você! Eu juro!

— Seu velho nojento! Eu não vim aqui pra te matar! Sai do meu caminho enquanto eu jogo uns ossos naqueles médicos preconceituosos! — Medula chuta as... er... partes baixas de seu inimigo, que grita horrivelmente de dor e, por instinto, cai de joelhos com as mãos na área atingida. Um grito mais horrível ainda é ouvido (eu nem quero imaginar essa cena!). Rapidamente, a mutante arranca alguns ossos do corpo e os joga com toda força contra a barreira policial.

— Cuidado! — A Mulher-Hulk se coloca na frente da doutora Reyes, dos médicos e policiais buscando protegê-los. As pessoas ainda presentes no tribunal se assustam, mas percebem que a invulnerabilidade de Jennifer as protege. — Cecília, seu poder é de campo de força, não é?

— Sim, Jennifer, mas o que...?

— Você protege os inocentes. Eu vou tentar deter Medula e o tal Ventoinha. Se bem que neste momento, ele é quem precisa de ajuda.

— Que inocentes? Todos aqui estão contra mim!

— Ah, cala a boca!

Quando a amazona esmeralda salta sobre os vilões, o Ventilador se levanta e liga suas hélices, causando uma ventania forte o bastante para conter a Mulher-Hulk. Nesse momento, surge do banheiro masculino o Homem sem Medo. Percebendo a corrente de ar, Demolidor prende um dos bastões ao teto, podendo assim se segurar.

"Droga, que vento! Não vai ser difícil detectar onde está a fonte dele. Com todo esses objetos voando, eu só consigo detectar um homem parado. Deve ser o tal Ventilador."

— Droga! Droga! Droga! Droga! — Coberta de papéis e outros objetos, Jennifer percebe que o Ventilador Humano não é tão ridículo quanto parece. Bom... na verdade, ele continua ridículo. Jennifer apenas nota que ele foi esperto em direcionar quase tudo da sala na direção dela. Ela pensava que seria mais fácil acabar com esse perdedor do que com a tal Medula. — Peraí! Medula? Cadê ela?

Um grupo de 6 pessoas corre em direção à porta do tribunal. Quando estão quase chegando, Medula pula em sua frente. Ela joga três ossos contra os médicos.

— Deixem que eu... ARGH... protejo.. UGH... vocês... AI! — Os policiais ainda tentam atirar, mas Medula consegue fugir, mais por sorte que por habilidade. Neste momento, eles percebem que só não estão mortos por causa do poder mutante da Dra. Reyes.

— Você está bem?

— Sim... hmm...

— Que diabos de poder mutante é esse? Que campo de força inútil!

— Vai a merd... Oh Meu Deus! — Cecília e o doutor Pacheco olham para trás ao ouvirem um grito. A visão é terrível — Os dois policiais e o dono do hospital ensangüentados, com Medula atrás deles, sorrindo.

— Venha comigo, doutora! Nós somos mutantes, temos de lutar juntas, como numa equipe!

— Nunca! Nós nunca lutaremos juntas! É uma idéia idiota e absurda! Quem compraria algo assim?

— Então... Você terá de morrer! Você e esse doutorzinho latino que te acompanha!

"Como será que ele gera esse vento? Será que é como a Tempestade? Nunca ouvi falar desse cara! Onde arranjam gente assim? Bom, o jeito é arriscar." — Demolidor lança seu bastão em direção às mãos do Ventilador, apenas para ouvir o ruído de uma serra cortando o fio que o segura. — Droga!

— Péssima jogada, DD! Você mira logo nas hélices do cara!

— Foi mal, Mulher-Hulk!

— Eu vou tentar atacá-lo! Quando eu der o sinal, você joga o bastão que sobrou, ok?

— Certo!

A Mulher-Hulk tenta, com todas as forças, vencer a ventania gerada pelo inimigo. O Ventilador Humano nota que Jennifer está cada vez mais próxima e aumenta as rotações de suas mãos até chegar ao limite. A vingadora sabe que o mais difícil é o primeiro passo, que depois ela chegará lá sem usar tanta força. Ela avança, avança, avança... Até que...

— Saia! Saia de perto de mim, sua bruxa verde! — Mulher-Hulk tenta achar uma brecha nos ventiladores, mas sabe que, girando nessa velocidade, as hélices podem cortá-la. Ela contorna o adversário rapidamente e, o Ventilador também gira, para que Jenny não o ataque pelas costas.

Jennifer pisca seu olho esquerdo. O Demolidor fica parado, concentrado em seu sentido de radar. Jennifer continua a piscar o olho, impressionada com a falta de atenção do Homem sem Medo. De repente, Matt nota um pequeno ruído vindo de onde Jenny está e deduz que talvez este ruído possa ser o sinal. Rapidamente ele joga o bastão restante na careca do adversário, que tomba no chão.

— Finalmente, DD! O que você estava olhando?

— Desculpe. Estava tentando achar a tal Medula.

— Ih! Falta Medula! Precisamos achá-la!

— Vou tentar. Espere. — Demolidor entra num estado de concentração que poucos homens podem chegar. Ele abaixa a cabeça e tenta localizar todos os seres vivos nas proximidades. Pouca coisa ele nota, pois quase todos os presentes já foram retirados do tribunal.

— Você vê algo, DD? DD? — À sua frente, de costas, está Jennifer com o mesmo objetivo. Mas ela rapidamente vira os olhos e vê o Homem sem Medo, olhando em sua direção, quase boquiaberto. — Ei, Demolidor! Tira o olho! Olha a falta de respeito!

— Do que você está falando?

— Eu percebi, tá? Toma cuidado comigo! Deviam ter chamado o Aranha pra participação especial.

— Hã... — "Melhor não contrariar. Esses Hulks são muito esquisitos. Tenho más lembranças da última vez que enfrentei um." — Achei!

— Onde ela está, Demônio?

— No teto! — Os dois olham para cima e vêem a garota ruiva caindo sobre eles com dois ossos afiados nas mãos. A única reação que os heróis têm é se afastarem do ponto da queda, para depois tentar algum ataque.

Porém, quando eles menos esperam, o Ventilador Humano se levanta novamente e direciona suas hélices para o alto. Ele se posiciona no ponto onde Medula cairá, liga seus ventiladores e então...

— Morra mutante!

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHRRRR...

Carne moída no chão do Tribunal. O horror! O horror!

— Eca! Que nojo! Porque fez isso, Josa? Você nem é fã do Garth Ennis!

— Ela foi a primeira! Agora são vocês dois, heróis! E depois, a doutora! — As mãos do terrorista anti-mutante começam a girar novamente, espalhando mais sangue ainda pela corte.

— Ah, cala a boca. — Jennifer segura as hélices do Ventilador e consegue quebrá-las quase sem usar força. A seguir, com pequeno soco, o vilão cai. — Com as hélices nessa velocidade, até o Demolidor consegue te vencer.

— Muito engraçado, Mulher-Hulk.

— Pode me chamar de Jenny, DD. Bom... Vou chamar a Juíza Simpson e continuar o julgamento. Se bem que depois disso tudo... acho que já perdi o caso.

— Realmente uma pena. Mais uma vez, a justiça parece estar cega.

— Mas acho que ela enxerga no escuro.

— Horrível essa.

— Chega de piadas.

— É melhor.

— Só mais uma.

— Uh?

— Piu.

— Argh...

Mais tarde, ainda no Tribunal...

— Acredito que o que houve aqui hoje não deve ser usado para julgar as atitudes dos diretores do Hospital Santa Misericórdia. Nós estamos julgando se é correto proibir alguém de salvar vidas só por ela ser diferente. A doutora Reyes não é responsável por trazer a tona o que há de pior nos corações dos homens. Cada um é responsável por seus atos. Quem "atrai problemas" não são os mutantes, os super-heróis, os negros ou os latinos. Quem traz problemas são os preconceituosos, os racistas, os egoístas e todo tipo de pessoa que não sabe amar aqueles que são diferentes. Este é o problema de nossa sociedade. Não é justo que uma médica pague pelos erros de outros. Espero que vocês façam justiça. Sem mais palavras, meritíssimo.

O tribunal se cala. Agora há pouco uma guerra terminou. O cheiro do combate ainda está no ar (e acredite, não é agradável). A Mulher-Hulk tentou seu último trunfo. Ela sabe que será difícil vencer Murdock depois de tudo o que aconteceu. Mas ela sabe que fez o certo.

— Senhores, estamos em um tribunal. Ou pelo menos, algo que parece remotamente um tribunal. Tudo o que aconteceu até agora, desde que o julgamento foi suspenso, não durou mais de duas horas. O resultado foi dois mortos e o diretor do Hospital Santa Misericórdia, ferido. Agora, amigos, imaginem o risco que os pacientes desse mesmo hospital correriam o tempo todo, todos os dias, todos os meses, caso a doutora Reyes estivesse lá. Pessoalmente, eu não tenho nada contra ela e realmente lamento que uma profissional dedicada não possa mais exercer sua vocação. Acreditem, eu sei como é isso. E lamento por essa triste situação. Mas lamentaria mais se outro massacre desses acontecesse... em um hospital. Vocês estão fazendo uma escolha pela vida... ou pela morte. Sem mais palavras.

— O júri irá se reunir e trará a decisão final.

Minutos depois, no apartamento da Mulher-Hulk

O telefone toca enquanto Wyatt abre a porta. Mais rápido que de costume, o indígena entra na casa e atende a chamada.

— Wyatt, é o Reed. Venha para cá rápido! Eu descobri quem é o responsável pelas suas mutações!

— Descobriu? Quem é, Reed?

— É o Homem-...

— Alô? Reed? — A primeira coisa que Wingfoot pensa é em ligar de novo para Richards. Então ele nota que seu aparelho telefônico foi transformado em água. — O quê? Quem está aí?

— Eu.

— Hã? Logo você? O que diabos eu tenho a ver com vo...

Os dois desaparecem. A sala fica vazia.

Tribunal de Nova Iorque. Toda a imprensa se prepara para a última palavra do júri.

— Os membros do júri decidiram que a diretoria do Hospital Santa Misericórdia é inocente das acusações de preconceito racial.

— Eu sabia... eu sabia...

— Calma, Cecília. Vamos dar um jeito.

— Calma? Eu estou sem emprego, sem casa... sem família... você não sabe o que é isso! Buáááááááááá...

— Argh, drama barato.

— Como juíza, acredito que esta foi uma decisão muito difícil para todos os jurados. Aceitarei esta decisão, mas proponho que o Hospital pague uma quantia maior que o proposto para uma rescisão. Algo em torno de 5% ou 10% a mais.

— Isso parece desconto do Jotap... deixa pra lá.

— Silêncio, por favor. Também tenho outra decisão, não menos difícil. Sei que é impossível para mim livrar o mundo de todos os problemas causados por batalhas entre superseres. Mas, como juíza, eu me senti impelida a, pelo menos, não permitir que isso aconteça nos meus tribunais.

— Essa não...

— O que foi, Jennifer?

— Ela vai...

— A partir de hoje, estou temporariamente proibindo que advogados envolvidos com vigilantismo ou super-heroísmo exerçam as duas ocupações em Nova Iorque. Todos os eventos que citei até agora estavam relacionados com a Mulher-Hulk, mas tenho certeza que isso poderia continuar acontecendo se eu apenas a proibisse de advogar. Sinto muito, senhorita Walters... mas é pelo bem do Poder Judiciário americano.

— Eu... entendo. E agora também entendo um pouco do que você está passando, Cecília.

Matt Murdock sente um coração bater mais forte na corte. Ele sabe que precisa ajudar uma amiga em uma situação difícil.

Nova Iorque. Varanda da Mulher-Hulk

— Você está bem, Cecília?

— Sim, mas acho que quero ficar sozinha no momento.

— Eu também... Eu também... — Jenny se aproxima do parapeito do prédio e observa a cidade. E só então se lembra de Wyatt. "Será que ele está com Reed?" Mais uma vez o namorado perde a atenção com a chegada de um estranho visitante, vindo do alto.

— Oi, DD.

— Oi, Jenny. Não vou perguntar como vão as coisas porque sei como você se sente. Acredite. Se quiser conversar...

— Eu não sei o que dizer. Quer dizer... Será que não ficou claro que nós não temos culpa do que acontece? Quando alguém vai entender que os verdadeiros culpados não estão sendo condenados? De que valeu aquele discurso?

— Bom... Você conseguiu convencer muita gente. Tenho certeza de que muitos dos que estavam lá entenderam bem suas idéias. Incluindo o pessoal da defesa. Pena que a juíza Simpson não foi uma delas. Mas você pode recorrer...

— Não vou fazer isso.

— Por quê?

— Fiquei chateada não por não poder mais advogar, mas por todo o trabalho que tive se tornar meio inútil. Como heroína e como advogada.

— Entendo...

— Tenho outros planos em mente. A juíza Simpson que se dane. Apesar de Jennifer Walters ter perdido uma batalha, a Mulher-Hulk ainda está aqui. E ser a Mulher-Hulk é bem mais divertido! Essa pequena crise não vai me afetar.

— É bom que pense assim, mas se precisar de ajuda, é só me chamar. Conheço um bar bem interessante na Cozinha do Inferno. Para me encontrar, fale com um bandido chamado Tucão. Normalmente, eu o encontro... de um jeito ou de outro. Eu sei o que é ser privado de muitas coisas. Pode confiar em mim.

— Confiar em um demônio? — Ela sorri para o Homem sem Medo. — No seu caso, abrirei uma exceção.

— Preciso voltar à Cozinha do Inferno. — Murdock salta no vazio. Por alguns segundos ele parece flutuar sobre os prédios de Nova Iorque, mas logo seu bastão se prende em outro prédio e ele se distancia.

— Tchau... Matt.

Jennifer vira as costas para que o Demolidor não pudesse ouvir sua última frase. Ledo engano, senhorita Walters.

— Tchau, Jennifer.

E uma frase fica em sua cabeça. "Hmpft. O segredo mais mal-guardado do mundo."

A seguir: Quem está por trás das transformações de Wyatt?

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