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Mulher-Hulk # 04

Por Josa Jr.

Advogada do Diabo
Parte I

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— O Professor Xavier é um idiota!

Nervosa e abatida, Jennifer bate o telefone na mesa de seu escritório de advocacia, improvisado em seu apartamento.

— O que foi, Mulher-Hulk?

— Droga, Cecília... Tentei contatar aquele careca e ele está desaparecido. Charles seria uma excelente testemunha para falar no tribunal. Ninguém sabe do paradeiro dele. Quer dizer, o Dudu deve saber. Mas ele nunca irá me contar antes da edição reveladora ir ao ar.

— Saco... Não devia ter envolvido você nisso. Se bem que a culpa foi sua... não devia ter me usado como coadjuvante dessas suas aventuras ridículas!

— Ridículas? Eu vou defender você no tribunal de graça e você me diz isso? E, que eu me lembre, foi você quem veio até minha casa, depois de ser chutada do hospital como um mut... porco imundo! — A Mulher-Hulk veste o casaco que estava pendurado em uma cadeira e abre a porta. Quase do lado de fora do apartamento, ela complementa. — E quem escolhe os coadjuvantes é o Josa!

Mais uma vez, Cecília Reyes está só. Desde que descobriu ter poderes além de um humano comum, ela tentou ao máximo ignorar a verdade e se embrenhou nos estudos, tornando-se uma médica com um pequeno renome em Nova Iorque. Após o ataque de um viciado à UTI, seus poderes se tornaram públicos quando conseguiu desviar-se de balas com um estranho campo de força.

A mutante foi demitida do hospital em que trabalhava, mesmo defendendo a vida de todos os pacientes e profissionais que lá estavam. "Você pode atrair problemas. Heróis sempre atraem", eles disseram. Reyes sabe que, na verdade, alguns pacientes devem ter se queixado da falta de higiene por mandarem um mutante cuidar deles. Se eles soubessem o que estavam almoçando...

Cecília teve sua casa destruída no mesmo dia. Boatos correm rápido. Especialmente os maldosos. Quase foi espancada feito um mutan... porco sujo pelos cidadãos temerosos. Ela veio à procura de Jennifer, querendo colocar o Hospital Santa Misericórdia na justiça por preconceito. O que ela não pensava é que seus chefes já estavam preparados para algo assim. E contrataram a firma Nelson & Murdock para defender-se.

Escritório do advogado Matt Murdock*

— Ei, Matt. Sei que você não deve ter gostado deste caso, mas vim lhe desejar boa sorte.

— Obrigado, Foggy. Acho que vou precisar de mais que isso pra defender um hospital claramente racista.

— Matt, você é o Demolidor. Deve ter conhecido mutantes de perto. Sabe que eles atraem confusão, mesmo sendo pessoas boas. Imagine os perigos de atrair confusão para dentro de um hospital!

— Boa defesa, Sr.Nelson. Vou precisar de algum tempo para uma réplica.

— Hehehe... Boa sorte.

— E não posso me esquecer de usar a defesa Chewbacca.

— Uh?

— Esquece.

— Hã.. Matt?

— Fala.

— Você veio com meias de cores diferentes.

— ...

Muito tempo se passou desde que ele foi dado como morto (na verdade, ninguém o conhecia pra se preocupar com isso). O professor Rick Chalker esperou tempo demais para iniciar sua vingança. Teve parte do rosto destruído, passou a se alimentar de baratas e das próprias fezes enquanto não conseguia sair da própria prisão que construiu.

Muito tempo se passou enquanto ele arranhava todo dia a porta de seu laboratório com suas mãos, tentando sair daquele local fedorento e sujo. Assim que se libertou, seu primeiro pensamento foi colocar em dia as notícias que perdeu nesta época, e a primeira chamada do Jornal das 8 (*) fala de um processo de uma mutante contra um hospital. Rick presta bastante atenção naquilo e resolve que deve agir.

[Quero comissão, Lopes]

[Pode esquecer, Josa. Não coloquei as edições antigas do J8 no ar. >:) ]

— O Ventilador Humano irá destruir os malditos Gecês**! Preciso ir para Nova Iorque.

Wyatt está sendo estudado há quatro horas por Reed Richards. O cientista até agora não entende o fenômeno que o amigo lhe descreveu. O corpo de Wingfoot foi transformado algumas vezes em elementos estranhos, como cimento e asfalto. Reed procura alguma alteração genética semelhante às que ele já viu em meta-humanos como o Homem-Absorvente e o Homem-Areia, mas ainda não conseguiu encontrar nada.

— Herbie?

— Sim, sr. Richards?

— Por favor, analise algum vestígio de energia em Wyatt. — O robô do Quarteto aponta um pequeno bastão para o namorado da Mulher-Hulk.

— Sr. Richards, encontrei vestígios já cadastrados em nosso banco de dados. Estou acessando a LAN do Four Freedoms Plaza para lhe entregar uma posição mais precisa. Aguarde.

— LAN, Reed? Redes? Você se especializou em quantas áreas?

— Apenas aproveitei alguns finais de semana para tirar algumas certificações Lexsoft e da Starkware, amigo. Aperfeiçoei a tecnologia deles e reprogramei Herbie com funções de um modem, um roteador, um switch, servidor de backup e gravador de CD. Pequenos detalhes que realmente o tornam um pouco mais útil que sua encarnação anterior. — Enquanto observa o novo robô, sem perceber qualquer detalhe que o diferencie do outro, Wyatt nota que Herbie se prepara para escrever algo em seu pequeno monitor.

— Reed, acho que ele encontrou alguma coisa.

— Hmmm... Parece que ele... Oh, não! — Rapidamente, o Senhor Fantástico se estica cobrindo o robô por completo. Wyatt ouve o barulho de uma explosão, porém o som vem abafado. Quando Richards volta a seu corpo normal, o uniforme está chamuscado e só resta a cabeça de Herbie. Na tela, os dizeres: "Fique fora disso, Richards".

Mais tarde, na sala do apartamento que a Vespa emprestou para a Jennifer e até hoje ela não devolveu...

— Há-há... Estou morrendo de rir, Josa... E então, Wyatt? O que Reed descobriu sobre seus problemas?

— É incrível, Jennifer. Quando aquele robozinho ridículo dele ia dar respostas, ele explodiu. Não sei se foi alguma bomba implantada ou se ele se sobrecarregou... O importante é que Reed está comparando os vestígios de energia com os que ele conhece de meta-humanos que o Quarteto já encontrou, isto é... Vai demorar um pouco, porque ele resolveu começar pelos mutantes.

— Hmpft.

— Foi mal, doutora.

— Falando nisso, tenho uma péssima notícia, Cecília.

— Como se fosse mudar alguma coisa mais uma... O que foi dessa vez?

— Bom, a juíza do seu caso será Nicole Simpson. E ela não vai com a cara de meta-humanos.

Cecília se levanta do sofá e vai para a varanda do apartamento. Ela chora, se lamenta (como todos os mutantes fazem sem parar em seus títulos). "E pra piorar, um escritor racista. Como é triste minha vida de mutante. Eu seria tão feliz se fosse normal..."

Os dias passam rápido. A audiência finalmente chega. Por mais que tenham se esforçado, Jennifer, Matt e seus respectivos clientes não conseguiram chegar a algum acordo. Os jornalistas já estão no local, prontos para noticiar ao mundo qualquer movimento mais ousado na corte. As 195.302 organizações anti-mutantes do planeta também marcam presença no local, apoiando o Hospital da Santa Misericórdia. A pedido da juíza Simpson, nenhum herói além da Mulher-Hulk deve aparecer no tribunal. O que ela não sabe é que Demolidor, o Homem sem Medo, está presente e exercerá um importantíssimo papel no caso, como o advogado Matt Murdock.

— Está aberta a sessão. Com a palavra, a acusação.

— Bom dia, meus amigos. Estamos aqui para corrigir uma injustiça. Mesmo que seja uma em meio a inúmeras que já aconteceram em nosso país. Uma pessoa encarregada de salvar vidas foi proibida de exercer sua função por ser Geneticamente Complexa. Será que isso é realmente correto?

Enquanto Jennifer discursa, o professor Rick Chalker entra na sala onde o julgamento é realizado. Os policiais presentes no local logo estranham o homem que tenta desajeitadamente esconder suas mãos debaixo do casaco que veste.

— O que você tem aí? Mostre!

— N-nada, seu guarda. Apenas hélices.

— Bom, então tudo bem.

O Ventilador Humano poderia facilmente ter destruído aquele policial intrometido, mas prefere esperar um momento mais oportuno. Sem contar que ele veio aqui para matar a garota mutante, não humanos normais. Matt Murdock termina seu discurso, provavelmente as testemunhas irão falar agora.

— Pô, nem pra você escrever o discurso do Murdock?

[— Não enche, Jen. Detesto advogados.]

Asim que o Homem sem Medo senta-se ao lado de alguns diretores do Hospital, a primeira testemunha de Jenny é chamada.

— A corte chama George Enrique, um dos pacientes mais assíduos do Hospital da Santa Misericórdia — O jovem vai para o local reservado às testemunhas e faz o juramento de que não mentirá durante seu depoimento.

— Juro falar... Ei, peraí! Que diabos de livro preto é esse?

— É que o Josa achou mais apropriado que, vivendo num fanfic, nós fizéssemos o juramento sobre a encadernação de Man of Steel, do Byrne.

— Fanboy!

— Deixa pra lá, George... senhor Wingfoot, quando você foi tratado pela Dra. Reyes, ficou satisfeito com os serviços prestados?

— Sim, claro.

— A doutora apresentou alguma característica anormal enquanto tratava de suas hemorróidas?

— Não, não apresentou.

— Você foi tratado pelo doutor Pacheco também, não é?

— Sim.

— Com qual dos dois médicos o senhor ficou mais satisf...

— Prostesto! Esta pergunta é anti-ética. — Matt sabe que, se Jennifer conseguir concluir seu raciocínio, poderia ganhar o caso facilmente. Murdock não tem certeza se está no papel correto neste caso, mas sabe que deve usar todas as armas à mão.

— Protesto aceito. Reformule a pergunta.

— Ok... Os dois profissionais apresentaram comportamentos muito distintos ao cuidar dos seus ferimentos?

— Eles não fizeram nada que um médico não faria.

— Como profissionais normais?

— Sim.

Enquanto isso, outra figura estranha chega ao tribunal, porém não consegue entrar mais na sala. Ela é uma mutante e está aqui para defender sua raça com todas as forças que tem. Mesmo que isso custe muitas vidas...

O julgamento prossegue, testemunhas são chamadas e interrogadas pelos advogados. Algumas horas se passaram e a tensão continua a aumentar dentro do tribunal.

— Doutor Pacheco, o senhor foi colega da doutora Reyes, não?

— Sim, sr. Murdock.

— Ela apresentava algum comportamento estranho?

— Bom... ela era uma pessoa muito reservada. Às vezes agia estranhamente e quase não fazia amizades.

— Protesto! Isto sim é anti-ético!

— Negado.

— Grrrr...

— Tô ferrada, Jen! É melhor pedir adiamento! Nunca deveria ter feito isso, não deveria esperar algo justo para os mutantes. Nós sempre iremos sofrer! Chuif... Chuif...

Cecília começa a chorar na mesa. Todo o tribunal reage a essa atitude. A histeria se aloja na corte e ninguém ouve os pedidos de silêncio da juíza Simpson. Muitos agem com desprezo pelos sentimentos da doutora Reyes. Alguns poucos têm pena. Mas um está tomado de ódio ao ver esta ridícula cena. Este homem salta do meio da multidão e grita:

Silêncio! O Ventilador Humano está aqui para acabar com todos estes malditos Gecês, ouviram? Ouviram? Alô? Diabos...

Só a Mulher-Hulk percebe o homem lá, mas simplesmente o ignora sabendo que será facilmente derrotado. Sua preocupação atual é Cecília e como seus adversários podem usar este momento contra ela. Jennifer olha para a mesa da acusação e nota que Murdock desapareceu. Começa, então, a ficar realmente preocupada.

E quando menos se espera, surge do teto uma mulher. Com sua aparência bizarra, todos se calam ante sua chegada. E temem. Especialmente quando ela arranca ossos do corpo e grita:

— Preparem-se, humanos! Estou aqui para honrar o sangue mutante!

Na próxima edição: Estaremos apelando para conseguir mais leitores! Participações de Demolidor, doutora Reyes, Medula, Ventilador Humano, Wyatt e Mulher-Hulk! E no meio dessa confusão, um desses personagens irá morrer!

:: Notas do Autor

* Sim, leitor! Esta história se passa antes de Demolidor # 01, no Hyperfan. Muito antes, aliás.

** Gecê, ou Gece — de Geneticamente Complexos, forma politicamente correta de se referir aos malditos mutantes.



 
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