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Mulher-Maravilha # 02

Por JB Uchôa

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O deus Éolo guia os deuses Bóreas e Zéfiro ao afastarem as nuvens no céu de Themyscira para saudar o céu de Apolo... ou seria a chegada da Mulher-Maravilha? Tamanha é a satisfação da princesa ao cruzar o tênue feixe que separa a Ilha Paraíso do mundo dos homens, que seu rosto é iluminado de felicidade. Em sua terra natal ela não é a Mulher-Maravilha, e sim Diana, a princesa de Themyscira, herdeira do trono e filha adorada da rainha Hipólita. Descendo calmamente, mas ainda pairando no ar, Diana cumpre um ritual que sempre faz quando chega em casa. Circunda o obelisco em homenagem à deusa Atena, e faz uma prece ao passar pela estátua de Diana Trevor, a valente guerreira de quem emprestou o nome.

— Diana! — Seu nome é saudado por suas irmãs amazonas, que já esperam novidades sobre o mundo do patriarcado.

— Helena! Penélope! Como estão?

— Estamos bem, princesa. Que notícias traz do mundo do patriarcado? — Apenas sorrindo, a Mulher-Maravilha abre a sacola que traz consigo e tira revistas como Cosmopolitan, Vogue e editoriais de moda.

— Tenho muitas histórias para contar, mas antes quero ver minha mãe. À noite nos reuniremos em frente ao palácio. — Suas palavras são ouvidas atentamente, enquanto as amazonas sentam-se ao chão para olhar as revistas que Diana trouxera. Algumas revistas a princesa guarda para entregar para Philippus e sua mãe, já que possuem relatos de guerras, miséria e o que ela e a Liga puderam evitar.

— Notícias do Super-Homem ou do Aquaman? — Pergunta Helena com um ar indiscreto.

— Helena... já disse que Kal e Arthur são meus amigos e companheiros de equipe, não comece... — E a princesa ri junto com as outras. Desde que sua mãe permitiu um intercâmbio entre os mundos, poucos mortais pisaram o solo sagrado de Themyscira. Infelizmente, depois da ilha quase ter sido varrida do mapa pelas hordas de Darkseid, e as missões da Liga terem tomado todo seu tempo junto de seu dever como embaixadora, a princesa não pôde levar mais ninguém para conhecer o recanto das amazonas... a famosa Ilha Paraíso. Philippus chega à cavalo em um trote macio mas apressado.

— Princesa Diana! Sua mãe já está ansiosa...Menalippe recebeu um aviso dos deuses que você chegaria ao amanhecer.

— Obrigada, Philippus! — A capitã da guarda desce de sua montaria e entrega as rédeas à princesa. Ela sabe que é tão sagrado quanto a prece que faz aos deuses quando chega, a princesa gosta de sentir a terra aos seus pés, e que evita voar a qualquer custo. Talvez seja apenas em Themyscira que a princesa se dá o luxo de ser uma mulher comum... pelo menos no contexto das amazonas. Cruzando o lago e contornando o coliseu, a princesa pára em frente ao palácio. A rainha Hipólita desce as escadas para abraçar a filha.

— Diana...oh filha! Quanto tempo! — A princesa sabe que a mãe chora de alegria, assim como cada vez em que ela volta a Gateway City a rainha chora de saudade. Talvez, apenas talvez, até hoje a rainha não aceite a decisão dos deuses em que sua amada filha seja a eleita das amazonas. Ela espera que, assim como a levaram para longe de Themyscira, eles a tragam de volta, para perto de seu coração.

— Mãe, não vim só para visitas, tenho muito a tratar com a senhora e Philippus. Donna mandou um beijo e disse que em breve fará uma visita. — Abraçada com a mãe, com a fiel escudeira Philippus atrás delas, a princesa chega à sala do trono. Ela olha para o símbolo sobre o trono e fica em dúvida se mostra o estranho artefato à mãe e pergunta se ela o reconhece. Os breves segundos em que essa hipótese lhe passou pela cabeça são interrompidos por gritos vindo de fora do palácio chamando por ela e pela rainha. Alçando vôo Diana fica muda quando chega ao lado de fora, um estranho brilho se vê no céu, como se abrisse uma fenda entre mundos, assim como ela o fez a pouco.

— Grande Hera! Quem seria capaz de...? — Como em resposta a sua pergunta, o mensageiro dos deuses atravessa os céus e se põe em frente à Mulher-Maravilha.

— Lorde Hermes... — Todas as amazonas fazem um sinal de reverência ao arauto divino.

— Princesa...Hipólita...minhas filhas, levantem-se! A presença de Hermes será breve. Afrodite certamente estava de bom humor quando lhe concedeu o dom da beleza, princesa. Cada dia estás mais bela. Tenho acompanhado suas ações e aventuras ao lado de seus companheiros e perdoe-me, mas não posso deixar de sentir um pouco de inveja por não ter sua companhia sempre.

— Obrigada, Lorde Hermes, mas a que devemos a honra de sua presença?

— Infelizmente, princesa não vim para visitas. Zeus quer que você me acompanhe ao Olimpo... agora!

— Eu? Claro! Mãe, quando voltar conversaremos.

— Claro, filha, sei que vai em boa companhia ao monte sagrado. — A rainha não deixa de sentir aflição, pois teme que sua filha tenha liberado a ira de Zeus. Apesar de ter adquirido o respeito do deus dos deuses por não renunciar à condição de deusa da verdade, sua recusa também não foi vista com bons olhos.

— O laço da verdade está pulsando, princesa?

— Está sim, Lorde Hermes, talvez esteja tão apreensivo quanto eu por essa convocação repentina. — Levantando o caduceu, o céu novamente se enche de luz e abre a passagem para o Olimpo. A Mulher-Maravilha pensa em uma prece, mas não sabe se a direciona ao deus mensageiro ao seu lado ou para algumas das deusas que certamente estarão presentes no Olimpo. Em meio a dúvidas, ela lança uma prece à Diana Trevor, e ora por coragem. — Lorde Hermes, pensei ter visto a deusa Atena no mundo do patriarcado...

— Princesa, não comente isso na presença de Zeus. — Agora, mais do que antes, seu coração pulsa acelerado com o inesperado, e novamente reforça sua prece por coragem.

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