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Mulher-Maravilha # 07

Por JB Uchôa

Entre Bárbaros e Deuses

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Gateway City, EUA. Em plena área urbana da grande cidade, uma furiosa batalha está prestes a começar...

— Fica esperto, cagão, porque eu cheguei pra arregaçar!

— Diana, o que é essa coisa? — Helena está aflita. Lobo é grande e assustador o bastante para amedrontar qualquer super-herói experiente. O pensamento que lhe vem à mente é somente um: "O que esse monstro pode fazer com Cassandra?"

— Lobo é um caçador de recompensas intergaláctico, de uma raça onde ele é o último sobrevivente. Louco, cruel... e mal-educado resumem por completo a personalidade dele.

— Eu gostaria de saber é o que ele veio fazer aqui, Diana. Os Titãs nunca esbarraram com ele.

— Você continua gostosa pra caralho, Maravilhosa! Outro dia a gente puxa um papo, porque hoje meu lero aqui é com o barbudão! — rapidamente, Lobo puxa Zeus pela toga e o arremessa para o alto em meio a palavrões e risadas psicodélicas. O deus dos deuses se perde de vista no céu de Gateway.

— Poderoso Zeus! — exclama Diana. Enquanto as divindades gregas olham espantadas para o céu, Diana e Ares partem para cima do grande homem branco de olhos vermelhos.

— Vá, Helena! Esconda-se! Nem o museu é seguro agora!

— Mas Donna... onde está Cassandra? — pergunta Helena, aflita.

— Não se preocupe, Helena. Se a Garota-Maravilha não apareceu até agora é porque não está por perto, e o longe, graças a Zeus, é um lugar seguro... por isso corra! — Helena vai correr por dez quarteirões seguidos até parar em uma simpática gellateria italiana.

— Cê não vai me amarrar de novo com esse fio dental amarelo, lindona! — usando do gancho que sempre carrega consigo, o último czarniano apara um golpe da espada de Ares, enquanto vira o corpo e escapa do laço mágico. Lobo não ataca o deus da guerra, apenas se defende das investidas e limita-se a olhar para cima esperando a queda de Zeus — Depois de acabar com o barbudão eu boto o do capacete pra dormir, meto a mão no loirinho veado e sento o pau no cara de chapéu engraçado... Aí sim, bonecas, eu tô livre para brincar com vocês.

Hera parece calma com as piadas de Lobo, não demonstrando raiva ou transtorno. Apenas espera que seu marido tome sua defesa, quando retornar. Os gêmeos Ártemis e Apolo investem contra o estranho que atacou seu pai. Um ruído alto como um assobio faz com que a moto espacial atropele os poderosos deuses, deixando Lobo às gargalhadas e a Mulher-Maravilha preocupada.

Enquanto isso, na Barbaresco, a gellateria italiana onde Helena alimenta a preocupação com sua filha com doses e mais doses de café puro, cafeinado...

— Deseja mais alguma coisa, senhora? — pergunta Jean Paul, um simpático italiano radicado na França e naturalizado americano.

— Não, obrigada. Ou melhor, você não tem uma xícara maior?

— Temos sim, mas a signora não prefere uma água? Afinal, desde que chegou, há quase uma hora, a senhora tomou várias xícaras de café e não despregou os olhos da televisão, assistindo a essa estranha batalha. Se não quiser a água, tenho dois ouvidos atentos e um ombro amigo.

— O senhor é muito gentil, obrigada. Estou preocupada, sim. Não vejo minha filha desde que esses deuses apareceram e não estou vendo as investidas de nossa super-heroína surtirem muito efeito sobre aquele monstro.

Bambini... sua filha deve estar brincando, ou talvez até dormindo na casa de uma coleguinha. Pelo seu jaleco, acho que a senhora é viciada em trabalho.

— Meu Deus! O senhor tem razão! Cassie pode estar em casa, faz três dias que só passo lá pela manhã, por causa da mostra greco-romana! Tenho passado noites em claro arrumando artefatos! De manhã é a hora que Cassandra está na escola... Oh, senhor! Já fico tão aliviada! Se bem que me preocupo, porque o senhor não tem idéia de como são... digamos, traquinas, os amigos de minha filha. Vou para casa, quanto lhe devo?

— Nada, bella signora, não existe felicidade melhor para mim do que ver que posso ter resolvido seu problema. Fique à vontade para aparecer quando quiser conversar ou tomar outra xícara de café.

— Obrigada, senhor, apareço para um capuccino! — Correndo uns três quarteirões para o leste, Helena finalmente chega em casa. Ela vê a janela de seu apartamento aberta e pensa consigo mesma que Cassandra está em casa, a salvo!

Próximo ao museu e ao recém-erigido palacete em homenagem às cinco deusas gregas "mães" da Mulher-Maravilha, uma pequena guerra continua. Zeus, pai dos deuses, ainda não apareceu. Diana, Donna, Ares, Apolo e Ártemis estão em combate com Lobo. A única vantagem que o alienígena possui é sua moto espacial, que volta e meia, quando ele está apanhando, se opõe entre ele e seus combatentes ou então investe contra os inimigos de seu dono de forma violenta. Só Tróia quase foi atropelada duas vezes e Diana foi jogada contra um prédio quando o laço da verdade enroscou no guidão.

— Essa moto parece ter vida própria! Não dá para amarrá-la com o laço? — pergunta Tróia.

— Para deter Lobo eu vou precisar do laço. Essa moto é só um empecilho. Com Lobo capturado, ela perde a "vontade própria". — responde Diana — Estou preocupado com o fato de Zeus não ter aparecido e das deusas não fazerem nada! Lorde Hermes e lorde Apolo estão desacordados!

— Lobo é muito poderoso! Vamos atacar em conjunto... Aproveitar que Ares o está mantendo ocupado! — Na medida que Tróia e Diana vão de encontro ao czarniano, a moto espacial passa cortando os céus, impedindo-as de confrontar Lobo de perto e ameaçando alguns civis.

— Tente chegar até Lobo, Diana! Eu vou parar essa moto! — Enquanto a moto tenta passar por cima Donna Troy, Lobo grita algo como "Vai firme, beleza!", acompanhado de dois ou três palavrões desconhecidos para a Titã. Ela deixa o veículo chegar perto e, um instante antes do choque, salta, caindo montada no assento. Envergando o guidão, ela faz a moto virar, se chocando contra uma das paredes do museu. Seria um sucesso, se ela não tivesse se machucado na manobra. Deméter, por sua vez, cria da própria terra um casulo que aprisiona o veículo espacial.

— Princesa Donna? Tróia? — Hera e Atena levam a amazona desacordada para perto de si.

— Onde está Zeus, rainha? — pergunta Hades — Essa batalha ridícula já me cansou, esse alienígena pode facilmente ser vencido por nós.

— Meu marido mandou um sinal para aguardarmos. Esperemos, então.

O combate já ultrapassou alguns limites. Ares está pregado no solo, enquanto a Mulher-Maravilha luta sozinha com Lobo.

— Cê me dá cada vez mais tesão! Cada vez que cê bate mais forte, mais eu me apaixono. Apaixono assim, por um dia... depois é tchau! Detesto essas cadelas que ficam pegando no pé! Vem aqui pro seu Lobão!

— O que eu posso fazer, Lobo? Se você é homem, recebe todos os atributos e fraquezas como tal. Vamos ver se você tem culhões, "Lobão"! — Ao falar isso, um único chute certeiro é dado e o último filho de Czarnia está lambendo as botas vermelhas da Mulher-Maravilha. Com extrema velocidade, Diana o puxa, laçando todo o corpo de seu oponente.

Filha da puta! Me solta daqui, sua cadela dourada! Cê atacou por baixo! Isso dói pra caralho! Vocês, super-heróis, não têm um código de ética?

Basta!Zeus finalmente aparece, planando suavemente até chegar próximo a Diana.

— Finalmente resolveu aparecer, né? Tava escondido onde com o rabo entre as pernas? Tem neguinho que não se valoriza mesmo, se esconde e deixa o serviço sujo para as mulheres. — debocha Lobo.

— Eu poderia ter acabado contigo rapidamente, criatura, mas tenho uma amazona que age em meu nome. Vamos partir, princesa. Retornaremos ao Olimpo e tenho certeza que meu irmão Hades gostará da aquisição que terá o Tártaro.

Percebendo as coisas se complicarem, Lobo decide-se por uma retirada estratégica. Com um assobio, a moto se livra do casulo de pedra. Sem o laço para prendê-lo, seguro apenas pela força de Ares, o czarniano se liberta.

— Tô indo embora, putada! Come uma maçã, porquinho! — Com fúria, Lobo pega uma maçã num mercadinho de frutas frescas e a enfia na boca de Ed Sales, assistente de Helena Sandsmark no museu, atravessando sua garganta e matando-o instantaneamente. Um misterioso raio azulado transporta o caçador de recompensas para o desconhecido.

— Gaia... Não!

— Por Réia! Ele matou o pobre homem!

— Lorde Zeus? — A pergunta se perde no ar. Os deuses já partiram. Se fugiram ou tiveram medo, ficou bem escondido sob a máscara da arrogância e prepotência. Diana pega o estagiário nos braços. Ela sabia que ele estava morto quando ouviu o barulho da carne se destroçando... Era um inocente, um amigo... E está morto porque um doente intergaláctico apareceu na Terra. Diana e Tróia saem andando em direção ao museu, cabisbaixas.

"Houve um tempo em que o Mar Egeu fazia parte de um continente que ligava dois lados opostos do mundo. Lados tão opostos que viviam se entrechocando. Ora o Oriente se lançava contra o Ocidente, ora corria ao contrário. E foram tantos os embates que um dia a terra se rompeu e afundou. Por séculos partes dela submergiram, numa desesperada busca por um lugar ao sol. Até que um dia a movimentação parou e o que se viu foi um grande mar transparente salpicado de pontas do continente extinto. Assim nasceram as ilhas gregas. E, como se pode vê-las, tocá-las e senti-las, todos sabem que elas são reais, por mais que pareçam partes de um sonho dos deuses mitológicos."

Ronny Hein



 
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