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Mulher-Maravilha # 08

Por JB Uchôa

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes

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Gateway City, mais precisamente em um sobrado localizado no lado leste da cidade. Um lugar que seria comum se lá não residissem a Mulher-Maravilha, a Garota-Maravilha e a mãe desta, Helena Sandsmark.

— Diana, você viu no noticiário sobre os assassinatos do cais? — Pergunta Helena, enquanto retira a mesa do jantar.

— Ouvi, sim. Tanto que vou fazer a ronda por lá hoje à noite. Uma prostituta e dois traficantes foram assassinados ontem.

— Por favor, Diana, não leve Cassandra! Não é só por ela estar de castigo,* mas ainda acho muito perigoso para ela. — A Mulher-Maravilha ajuda Helena com os pratos, nem percebendo que Cassie ouvira tudo da sala, onde fingia assistir televisão.

Zona do Cais do Porto, principal local de prostituição e tráfico de drogas

Uma mulher vestida de negro, cabelos estilo channel, perfume barato, roupas curtas e decotadíssimas, um cigarro na mão esquerda. Jane Sontoya é capaz de qualquer coisa para pegar um bandido, provar que faz seu trabalho melhor do que qualquer super-herói que tenha poderes e braceletes de prata. Até mesmo servir de isca, disfarçada como prostituta. Um carro preto, vidros escuros, os faróis pintados de negro, repentinamente se aproxima, arremetendo contra a policial.

"Merda, me descobriram!"

A capitã de polícia se vira, correndo cambaleante por conta dos saltos plataforma, tentando alcançar um lugar seguro antes do carro interceptá-la. Ao dobrar a esquina, porém, bate de frente em uma prostituta que faz ponto no local. O carro passa por elas e faz uma manobra na sua frente, parando bruscamente. A janela se abre poucos centímetros, deixando à mostra os dois canos de uma espingarda, que atira. A Mulher-Maravilha desce rapidamente, desviando as balas com os braceletes de prata forjados de lascas da indestrutível Égide de Zeus. Um tanque de combustível explode perto das três. A prostituta e a policial se escondem atrás de um contêiner, procurando abrigo. Diana rasga o metal com as mãos, procurando esvaziar o tanque, para não piorar a catástrofe. O estranho carro negro dispara pelas docas.

— Eu conheço você! — Diz a Mulher-Maravilha para a prostituta que ajudou Sontoya, ao aproximar-se.

— Você me salvou há tempos atrás, eu era refém(**). Meu nome é Natania. Sei que não pude dizer antes, mas obrigada.

Diana sorri, mas se sente constrangida pela garota ter continuado na prostituição.

— Acho melhor sairmos daqui, podem voltar com reforços.

— Acho melhor voltar para o Departamento de Polícia, e vocês duas vêm comigo prestar depoimento. — fala a capitã.

— Um amigo mora aqui perto. Se você quer mesmo pegá-los, Mulher-Maravilha, é melhor esperar — diz a prostituta. A capitã Sontoya fica aborrecida. Pensa que, se voltar ao distrito e perder o assassino para um uniformizado, vai se odiar pro resto da vida.

Um velho apartamento nas docas é onde mora Henry Saint, o amigo de Natania. É um prédio que deveria estar abandonado, de tintura azul e arquitetura muito antiga. Henry sobrevive fazendo jogatinas, onde sempre dá um jeito de trapacear, bebendo vodka barata e escutando punk rock no último volume. Ele vive no porão, sem pagar aluguel, já que faz as vezes de síndico e zelador. Ter a Mulher-Maravilha em seu apartamento o faz esquecer da presença de uma capitã de polícia vasculhando sua vida.

— Putz! É mesmo a Mulher-Maravilha, Natania? Que louco! E quem é essa outra?

— Capitã Sontoya. — Responde ela friamente, enquanto abre uma gaveta.

Puta merda! Como você traz ela logo pra cá? Ei dona, tira a mão daí! Você tem um mandado?

— Calma, Henry, Jane está aqui para ajudar. Você sabe algo das mortes de ontem? — Pergunta Diana, com a mão no ombro do rapaz, tentando acalmá-lo.

De volta à residência de Helena Sandsmark...

— Boa noite, mãe, vou dormir — Cassandra abre só um pouco a porta do escritório da mãe.

— Boa noite, filha — Helena faz um gesto para que entre e beija a heroína na testa.

— O que você está fazendo?

— Separando uns currículos de estagiários, apesar de o clima não estar legal depois da morte de Ed.

— Imagino... — Cassie beija a mãe de volta e sai da sala.

— Ufa! Ela não desconfiou de nada! — Cassandra Sandsmark tira o roupão e as pantufas, que escondem seu uniforme de Garota-Maravilha, e calça seus tênis. Ela olha para a peruca preta, jogada num canto do seu quarto. — Acho que você se aposentou de vez, companheira — diz a jovem, colocando a peruca na cabeça do seu urso de pelúcia antes de voar através da janela.

Cais do porto, espelunca de Henry

— ... E isso é tudo o que eu sei. Dizem que Joe Bala está metido com o tráfico, e que a gangue dele está eliminando os traficantes concorrentes que agem aqui no cais e qualquer outro que eles achem que pode estar trabalhando pra concorrência. Como as prostitutas, por exemplo. Mas isso é o que falam nas ruas. O fato é que está uma verdadeira guerra aqui dentro. — Henry termina a história ao mesmo tempo em que vira o copo de vodka.

— Joe Bala... já ouvi falar dele — pondera Jane Sontoya. — Se o que diz é verdade, não sei por que você ainda mora nesse lugar.

— Aqui é meu canto. Meu cortiço. Meu lugar. Meu cafofo... ou meu lar. Não vou meter o rabo entre as pernas porque uns meganhas vão se pegar. A gente se esconde debaixo da cama e reza pra Deus olhar pra nós ao menos uma vez. Ou deusa. Com a Mulher-Maravilha aqui será mais fácil! — Diana está em pé e sorri.

KRA-KABOOM!

O prédio desmorona. A Mulher-Maravilha estende os braços com as mãos abertas, tentando segurar o teto.

— Abaixem-se aos meus pés! — grita Diana. — Poderoso Atlas, conceda-me força para salvar essas pessoas comigo.

— Que diabos foi isso? Estamos soterrados! — grita Natania, apavorada.

— Só estamos salvos por causa da Mulher-Maravilha! Estou escutando tiros lá fora. Apesar de as passagens estarem bloqueadas, o som vem de algum lugar.

— Muito perspicaz, capitã. Só que se eu soltar uma das mãos para tentar abrir caminho, o teto desmorona. E mesmo que vocês consigam sair sozinhos, como vão passar pela saraivada de balas?

— Isso quer dizer que estamos mortos? — pergunta Henry, já alarmado.

— Ainda não, paspalho! Pense num jeito de sairmos daqui! — briga Sontoya com ele.

— Dianaaaaaaaaa! Diana!

— Essa voz... Cassie? — por uma estreita abertura, Cassandra faz sinal de que está tudo bem.

— Estou protegida por umas latas de lixo. Mas tá complicado aqui fora! Os tiras tão atirando nuns bandidos, mas os caras têm até lança-foguetes! Um foguete desgovernado bateu aqui e estourou! Quer que eu chame a Justiça Jovem?

— Não há tempo! Garota-Maravilha, preste atenção... quero que você venha até aqui e pegue meu laço. Juntas, podemos dar um jeito de tirar as pessoas daqui e acabar com o tiroteio.

— Legal! — Cassie começa a afastar o entulho, mas o edifício está fragilizado demais. No momento em que ela quase chega onde estão seus amigos, o resto do prédio desaba. Em um movimento rápido, a Mulher-Maravilha alça vôo, espalhando pedras para os lados e criando uma abertura larga entre os escombros do apartamento de Henry e o topo do prédio, esperando ter protegido Cassie e os outros. Antes de verificar os companheiros, Diana voa em direção aos traficantes. Com o laço mágico ela envolve dois carros e os atira ao mar. Diana avista um amigo no meio do tiroteio: o policial Mike Schorr.

— Diana, cuidado! — grita Mike. Um lança-mísseis mira na princesa amazona, que atira uma pedra grande o bastante para tapar o cano da arma, fazendo-a explodir quando o gatilho é acionado.

— Obrigada, Mike! Ajude o pessoal nos escombros! — Mesmo pedindo um favor, ela prende os criminosos com destreza. Mike ajuda Cassie a retirar Jane Sontoya, Natania e Henry, que está ferido. Meia hora depois os criminosos estão sendo presos e as vítimas, atendidas por paramédicos.

— Como está? — pergunta Diana, preocupada.

— Tô bem! Só não vou correr na maratona de Nova York esse ano — brinca Henry, dando tapinhas na perna esquerda, muito ferida.

— E você, Natania?

— Só tive uns arranhões, nada sério.

— Estou falando no geral. Não pensa em mudar de vida? — A garota emudece. — Se quiser, um amigo virá buscá-la. Ele a levará para um lugar seguro, onde receberá orientação, cuidados médicos e cursos profissionalizantes. — A garota acena sim com a cabeça e dá um abraço na Mulher-Maravilha. Cassie também abraça Natania e diz que tudo ficará bem.

— Bem... Mulher-Maravilha... muito obrigada — fala a capitã Sontoya, estendendo a mão direita para um cumprimento enquanto uma faixa é colocada em sua cabeça.

— Disponha, capitã — responde Diana, cumprimentando-a de volta.

— Batida forte na cabeça, Jane? — brinca Mike, enquanto a Mulher-Maravilha acena, levantando vôo junto com Cassie.

— Diana, posso pedir um favor? Um favorzão? Dos grandes mesmo? — pergunta a Garota-Maravilha.

— Claro!

— Não conta pra minha mãe! Ela vai me matar se souber! — A Mulher-Maravilha apenas sorri para a jovem. Com certeza Helena deve estar assistindo o noticiário.

— Prometo que ela não vai castigá-la, Cassandra.

— Já tá de bom tamanho!

Epílogo

Boston. A cidade que apresentou a Mulher-Maravilha para o mundo. Uma bela casa no subúrbio ainda mantém a luz acesa na madrugada. Julia Kapatelis lê a carta de sua filha Vanessa, que recebera à tarde.

"Mamãe, estou bem! O acampamento tem sido um sucesso! Resolvi ficar trabalhando aqui antes de começarem as aulas na faculdade, em dois meses estarei de férias. Continuarei escrevendo!
Beijos, Nessie"

— Muito estranho... Vanessa estava ansiosa para ir a Gateway encontrar Diana! Ah, Diana! Se ela estivesse aqui eu estaria mais tranqüila! Sabe-se lá o que está acontecendo nesse acampamento?

Washington, em um velho quartel general de testes

— Como está nosso passarinho, soldado Nunes?

— Em breve pronto para cantar, general! — responde o soldado, com os olhos nos monitores que catalogam dados e mostram a imagem de uma mulher loira com asas.

:: Notas do autor

* Leia Justiça Jovem

** Releia Mulher-Maravilha # 01

Caros leitores, com o fim da Saga dos Deuses eu apresento uma nova abordagem nas histórias da Mulher-Maravilha. Espero que seja tão divertido lê-las quanto está sendo para mim escrevê-las. Ah, não posso esquecer: Kitty, não me mate! É uma homenagem!

Nota do editor DC: Mate ele sim, Kitty! Faça um favor para a humanidade! :-)

Nota do editor-chefe: Voto com o relator.

Nota do webmaster: Assino embaixo.



 
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